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Kinemail Edição 575
Fincher, Eastwood, Bonello, Payne e Margin Call
> Temporada de premiações em Hollywood significa melhores lançamentos
nos cinemas, filmes mais adultos, mais cinema e menos parque de diversão:
Millenium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, remake do filme
sueco baseado em best-seller, por David Fincher; J. Edgar, o novo Clint
Eastwood com Leonardo DiCaprio; Os Descendentes, Globo de Ouro 2012
de
melhor filme (drama), de Alexander Payne, e melhor ator, para George Clooney;
Mais estreias que você não pode deixar de ver: L'Apollonide - Os Amores
na Casa de Tolerância de Bertrand Bonello, Seleção Oficial de Cannes 2011, no Cinema da Fundação,
e Margin Call - O Dia Antes do Fim , indicado ao Oscar de melhor roteiro original, com Kevin Spacey, Jeremy Irons e Demi Moore,
no Cine Rosa e Silva. Na sessão de arte, o nacional Amanhã Nunca Mais,
com Lázaro Ramos. Agende-se, comente para fernando@kinemail.com.br.
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Guerreiro, drama que rendeu
uma indicação ao Oscar 2012 para Nick Nolte, em DVD LEIA AQUI
NOVIDADE! Kinemail agora publica todos os filmes em cartaz no Recife,
com todos os cinemas e horários em Programação Completa AQUI
LEITOR VIP Convites para Millenium, Os Descendentes e pré-estreia
de Histórias Cruzadas AQUI
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Os filmes da semana

MILLENIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES ![]()
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The Girl With The Dragon Tattoo EUA 2011 2h37min RottenTomatoes 8,7
de David Fincher com Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard
MULTIPLEXES | Confira cinemas e horários AQUI
por Filipe Marcena
OPINIÃO Mal o corpo esfriou e Hollywood manda um remake novo em folha de Os Homens
Que Não
Amavam As Mulheres, adaptação de sucesso da obra de Stieg Larsson, importado
da Suécia.
Claro que a Sony só topou liberar US$90 milhões pro projeto por causa da marca
famosa,
e não só porque David Fincher foi o comandante. Fato é que Millenium – Os Homens
Que Não
Amavam As Mulheres não teria motivo de existência caso Fincher não tivesse nada
a oferecer
ao material. Não é o caso. Essa nova versão, embora mais longa, é bem mais enxuta
e bem resolvida
que a original de Niels Arden Oplev. Lembro-me de me incomodar com os excessos
e diálogos
expositivos da meia hora final do sueco, talvez mais fiel ao livro de Larsson (que não li).
Fincher e o roteirista Steven Zaillian tomam algumas liberdades bem sucedidas quanto à estrutura
e soluções narrativas, permitindo ao filme uma fluidez mais interessante
para uma história
de investigação que depende muito de cenas de pesquisa, leitura, fotos e flashbacks.
E se por um lado
a decisão de manter a Suécia como locação – assim como os nomes
originais
dos personagens
– não podia ser mais acertada, já que o filme aborda temas
muito particulares
daquele país,
o fato de alguns personagens falarem um inglês com ligeiro
sotaque acaba sendo
uma distração.
Uma última comparação com o filme anterior: Lisbeth Sanlander. Rooney Mara (A Rede Social),
que acaba de receber uma indicação ao Oscar pelo papel, cria uma personagem um pouco mais
agressiva e mais frágil que a Lisbeth de Noomi Rapace, graças ao próprio roteiro. Ela está excelente,
mas há algo que Rapace tinha que Mara não tem, que é o rosto de alguém que sofreu muito na vida.
Às vezes a delicadeza do rosto de Mara a torna menos ameaçadora, embora sua linguagem corporal
e facial contradiga isso com bom efeito. Daniel Craig, como Mikael Blomkvist, finalmente volta a interpretar
um personagem com mais substância, e é bom vê-lo em cena sendo o oposto do James Bond.
Christopher Plummer, Stellan Skarsgaard e Robin Wright asseguram o alto nível do elenco. Millenium
basicamente revisita o universo de Larsson se esforçando para torná-lo menos literário, mas não há
grandes
revelações ou mesmo um toque de autor de Fincher, com exceção do apuro técnico exemplar.
O que tornou essa versão a minha favorita foram os novos contornos na relação de Lisbeth e Mikael,
aqui muito mais sexy, complexo e até romântico. Mikael, inclusive, é fortemente contextualizado como
um homem que vai de encontro ao próprio titulo do filme por causa de sua relação com Lisbeth,
o que o deixa mais simpático ao espectador. Adicione a ótima trilha de Trent Reznor e Atticus Ross
e os fantásticos créditos de abertura ao som do já famoso cover de ‘Immigrant Song’ do Led Zepellin
na voz de Karen O e tem-se um remake que vale cada centavo, tanto da produção quanto do ingresso.
Visto em 24/01 como convidado da Sony Pictures/UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

J. EDGAR ![]()
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J. Edgar EUA 2011 2h17min RottenTomatoes 4,4
de Clint Eastwood com Leonardo DiCaprio,
Armie Hammer, Naomi Watts, Josh Lucas, Judi Dench
MULTIPLEXES | Confira cinemas e horários AQUI
por Felipe André
OPINIÃO Até hoje muito se fala sobre Edgar Hoover; a mente genial que iluminou o trabalho
da criminalística e transformou o FBI na grande instituição que é hoje, foi também uma das mais
mesquinhas e inescrupulosas a habitarem o Bureau. Ou seja, Hoover era um personagem que cedo
ou tarde seria cinebiografado, e Clint Eastwood parecia uma boa opção para lidar com uma história
tão americana. Infelizmente, o diretor se afasta da austeridade e economia que fizeram dele
um
dos grandes realizadores do cinema americano, especialmente em sua fase dramática iniciada
no fim dos anos 80, e transforma este J. Edgar numa reconstrução de época vazia e muito difícil
de acompanhar.
O problema que salta aos olhos logo no início da projeção é a composição de Hoover
feita por Leonardo DiCaprio; se ele brilha em momentos específicos, como quando se mantem submisso
frente a figura inquisidora de sua mãe - Judi Dench numa participação maravilhosa -, parece tatear
em busca do registro correto para seus anos de velhice. Além da performance não muito convincente,
cheia de trejeitos óbvios, DiCaprio é traído pelo trabalho de maquiagem, um dos piores vistos
nos últimos anos. O rosto envelhecido dos protagonistas parece mais estar coberto com uma máscara
de látex que pode ser facilmente retirada. No geral, o ator não consegue transmitir a autoridade
do personagem e isso mina todas as possibilidades do longa.
De qualquer maneira, DiCaprio não recebe muita ajuda do roteiro de Dustin Lance Black,
que utilizando o recurso da narração em primeira pessoa, tenta maquiar todas as falhas de caráter
do personagem. Pouco se fala sobre a veia racista e misógina de Hoover e, já que o próprio comanda
o filme, ele é visto como um homem frágil que precisava se impor para conseguir seu espaço.
Felizmente, Black não ignora o subtexto homossexual, e conta com surpreendente delicadeza
a história que envolve Clyde Tolson - Armie Hammer, também traído pela maquiagem
- desde sua contratação por Hoover, numa cena cheia de tensão sexual, até a morte
de seu companheiro.
Mesmo nunca tendo assumido publicamente, a relação existente
entre os dois sempre foi motivo
de especulação, e a direção de Eastwood parece querer
compartilhar dessa incerteza. Assim como
o roteiro que não toma um lado e seus atores tateantes,
o octogenário diretor prefere se manter
numa posição de observador durante todos os 137 minutos
de projeção. Fica difícil saber se ele
pretende criticar o monstro ou exaltar o gênio.
Visto em 23/01 como convidado da Warner Bros/UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

L'APOLLONIDE - OS AMORES DA CASA DE TOLERÂNCIA ![]()
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L’Apollonide - Souvenirs de Maison Close França 2011 2h05min RottenTomatoes 6,9
de Bertrand Bonello com Hafsia Herzi, Céline Sallette, Jasmine Trinca, Adèle Haenel, Alice Barnole
CINEMA DA FUNDAÇÃO | confira horários AQUI
por Filipe Marcena
OPINIÃO
Atenção para o subtítulo original de L’Apollonide, ‘Souvenirs de La Maison Close’,
ou ‘Memórias da Casa de Tolerância’. Isso é exatamente o que Bertrand Bonello propõe estética
e narrativamente, e é exatamente isso que você vai ver em L’Apollonide – Os Amores da Casa
de Tolerância: memórias. Logo de início, uma belíssima prostituta chamada Madeleine (ou A Judia)
conta para um de seus clientes um sonho constante que ela tem com o rapaz. Logo depois,
ela é cruelmente mutilada pelo homem, e passa a ser chamada de ‘A Mulher que Ri’.
Essa é apenas uma das garotas que mora e trabalha no bordel Apollonide, uma suntuosa
mansão na França de 1899 (‘o crepúsculo do século 19’, como a cartela faz questão de avisar),
liderada pela madame Marie France (Noémie Lvosvky), uma rígida, mas simpática cafetina.
Bonello não quer brincar de cinema narrativo - Madeleine (Alice Barnole), Julie (Jasmine Trinca),
Léa (Adele Haenel), Clotilde (Celine Sallette), Samira (Hafsia Herzi) e a novata Pauline (Iliana Zabeth)
têm arcos mais ou menos definidos - mas criar um mosaico semi-realista/semi-onírico que capture
o espírito de decadência, solidariedade e irmandade que existe naquele grupo de mulheres que vendem
o corpo, cada uma com seu motivo. É muito pessoal, pretensioso, repleto de imagens que saíram
diretamente das afetividades de Bonello e cheio de significados que nem sempre se realizam.
Ainda assim me exerceu algum fascínio.
O filme vai e volta no tempo, a sensação de estagnação é progressiva, o discurso soa prolixo.
Não sei se é um discurso feminista, mas é de fato antimachista. O francês que dirigiu Tirésia
e O Pornógrafo tem um olhar descaradamente romântico sobre as mulheres. São todas lindas,
voluptuosas, almas puras e filmadas como se fizessem parte de um quadro impressionista,
créditos do fotógrafo Josée Deshaies. Algumas escolhas de Bonello são questionáveis, da montagem
às metáforas visuais bregas, mas gosto de ver um cinema que se arrisca pra chegar a algo
muito particular. Às vezes a letargia chateia ou a cafonice de certas situações beira o ridículo,
mas não dá pra ficar indiferente. E sempre há algo a se ver. L’Apollonide foi acusado de explorador,
mas acho que o filme respeita bastante as figuras femininas, de maneira até inocente.
Quando de serviço,
seus corpos são o destaque (mais que seus rostos, algumas vezes
propositalmente não enquadrados), e quando no cotidiano da mansão, mesmo nuas,
o que se sobressai é a camaradagem, a frustração com a vida enclausurada, o medo
de
se perderem
caso o Apollonide venha a fechar.
Bonello, muito ciente da simbologia com que trabalha (o nome do bordel e o de Madeleine,
por exemplo, não são por acaso), confere uma aura divina às moças, as canoniza.
Os homens que freqüentam o local são indiferentes, quando não cegos por si mesmos,
e num lugar que cheira a sêmen e champanhe tudo os que as fêmeas possuem são umas
às outras. Numa das únicas cenas externas, quando elas vão a um piquenique à margem
de um rio, elas se tornam figuras míticas, livres do bordel, felizes, rindo e se compartilhando.
Não precisam atuar para os machos. Quando o Apollonide entra em decadência, elas cantam
e choram a anacrônica ‘Nights in White Satan’, outro belo momento de catarse (o blues é uma
constante na trilha sonora), mas eu não sei direito o que fazer da cena. E o final, que causou
polêmica no Festival de Cannes, não sabe se é uma evocação, um lamento ou apenas simplista.
Filmes sobre prostituição raramente saem dos mesmos ciclos de ideias, e L’Apollonide
não é diferente. Mas o ponto de vista de Bonello sobre o assunto é para se observar,
mesmo que a execução seja bastante auto-indulgente.
Visto em 24/01 como convidado do Cinema da Fundação
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

OS DESCENDENTES ![]()
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The Descendants EUA 2011 1h50min RottenTomatoes 8.9
de Alexander Payne com George Clooney,
Judy Greer, Shailene Woodley, Beau Bridges
MULTIPLEXES | Confira cinemas e horários AQUI
por Felipe André
OPINIÃO Tendo construído uma pequena legião de fãs com o sucesso de sua peculiar filmografia,
Alexander Payne é um dos realizadores mais honestos em atividade hoje em dia. Com um olhar
carinhoso para personagens que parecem ter se percebido inúteis, ou simplesmente perderam
o rumo na vida, Payne consegue criar pessoas tridimensionais, ainda que utilizando arquétipos antigos.
Neste Os Descendentes, é muito difícil não entender o drama do Matt King de George Clooney;
advogado herdeiro de um enorme terreno virgem no Havaí que precisa decidir sobre a venda do espaço,
além de lidar com as filhas adolescentes após a morte de sua mulher. Pela primeira vez em muitos anos,
é notável o esforço do ator para não interpretar a si mesmo e, ainda que todos os seus cacoetes
estejam lá,
as suaves mudanças de esperança para desespero no dia a dia de King são feitas com incrível
precisão.
Por sinal, esse parece ser o tom geral do filme; Payne se distancia de sua terra natal para fazer
uma espécie
de crônica sobre expectativas. As praias havaianas recebem um tom banal, e os espaços
internos
são valorizados pela fotografia de Phedon Papamichael; longe dos balneários e ondas gigantes,
a vida no Havaí é tão dura quanto no resto do planeta, apesar das pessoas realmente usarem
camisa
florida e chinelos diariamente, e isso fica claro num monólogo logo nos primeiros minutos de projeção.
Baseado num romance de Kaui Hart Hemmings, o roteiro escrito pelo diretor em parceria com Nat Faxon
e Jim Rash tem intenções muito claras: explicar o que acontece com a cabeça de um homem quando
ele permite que seu coração fale. Daí vem as dúvidas em relação aos negócios, e os momentos sublimes
em que King reecontra o conforto familiar, aparentemente há muito perdido, em suas filhas - Shailene Woodley
e Amara Miller em atuações muito eficazes. Pode parecer que se trata de um melodrama, mas o histórico
do diretor não permite que as emoções sejam jogadas de maneira simples; existe sempre algum conflito
maior por trás de cada frase e muitas vezes ele não está em tela. É claro que existem pontos jogando contra
a polidez da história, como o inútil personagem de Nick Krause, um jovem abobalhado que surge sem motivo
aparente, e mostra a que veio quase próximo ao fim do filme, numa cena mais inútil ainda. Ou a desnecessária
narração em off que compromete momentos bonitos e totalmente funcionais. Mas as falhas são momentos
raros aqui; no geral Os Descendentes é uma dramédia emocionante, e uma adição bem-vinda
na brilhante
carreira de Payne.
Visto em 25/01 como convidado da Fox Filmes/UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

MARGIN CALL - O Dia Antes do Fim ![]()
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Margin Call EUA 2011 1h49min RottenTomatoes 8,8
de J.C. Chandor com Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Demi Moore, Zachary Quinto
CINE ROSA E SILVA | 18h, 20h30
por Felipe André
OPINIÃO Apesar de ainda não ter virado um subgênero dentro do cinema americano,
a crise de 2008
já rendeu meia dúzia de filmes que se debruçam sobre motivos e consequências.
Os documentários Capitalismo: Uma História de Amor e Trabalho Interno são peças meio cambaleantes,
ainda que bastante incisivas, que opinam sobre os motivos do colapso financeiro que reverbera
no mundo até hoje. Agora, com este Margin Call – O Dia Antes do Fim, o estreante JC Chandor
carrega no jargão econômico e se cerca de um time de estrelas para contar sua verão - mais fabulosa
do que não - sobre como um banco de valores quebrou o mercado com papéis podres. O roteiro, escrito
pelo próprio Chandor é o ponto mais forte de Margin Call; apesar do incessante diálogo sobre derivativos,
cálculos de risco e projeção monetária que mantem o espectador a uma boa distância de compreender
com clareza o que acontece na tela, o clima de apocalipse que o diretor aplica a cada palavra
de seu texto é totalmente eficiente; depois de algum tempo a sensação é de estar vendo um filme
sobre o fim do mundo.
A história acompanha uma madrugada numa firma de valores após uma
demissão em massa. Ao examinar um arquivo deixado por seu chefe recém-demitido, um analista
percebe que a empresa quebrou vários níveis de segurança em transações, e isso pode levar
a um colapso interno. A solução encontrada pelos diretores da companhia é vender todas as ações
e deixar que o prejuízo seja sublimado e se espalhe como veneno pelo mercado internacional.
O ponto mais interessante do roteiro de Chandor é a crueza com que ele trata o momento;
algo parecido com o que George Clooney fez anos atrás em Boa Noite e Boa Sorte, que lidava com
a repressão jornalística na era McCarthy. As tomadas de enormes vidraças e pessoas solitárias
nos cantos da tela denotam o quão opressor pode ser esse mundo, ainda que pareça cheio de excitação
e poder. Não existe romance ou drama, apenas o ponto final de um sistema já há muito desgastado que,
todos sabiam, iria chegar. Essa passividade em torno de momentos tão tensos e ordens inescrupulosas
torna os personagens ainda mais interessantes, mesmo estando numa formação de multiplot que dá pouco
tempo de tela para cada um. Kevin Spacey, Jeremy Irons e Penn Badgley acabam vivendo os momentos
mais curiosos, mas todo o elenco está soberbo, especialmente Stanley Tucci, que faz apenas uma pequena
participação.
Se os documentários sobre o tema eram mais sóbrios ao tentar provar que a crise era apenas
um reflexo do sistema falho em que o mundo capitalista se baseia, este aqui tenta, de maneira fútil,
encontrar um vilão para a crise, o que obviamente é impossível. Mas no meio de tantos acertos,
não se pode culpar Chandor por tentar atenuar o peso de sua história.

AMANHÃ NUNCA MAIS
Brasil 2011 1h17min
de Tadeu Jungle com Lázaro Ramos, Maria Luisa Mendonça, Milhem Cortaz
MULTIPLEX RECIFE | Confira horários AQUI
> Sinopse: Walter (Lázaro Ramos) é um homem de classe média que promete à esposa
Solange (Fernanda Machado) que irá buscar o bolo de aniversário da filha deles. O que poderia
ser uma tarefa simples se mostra bem complicada à medida que o sujeito se depara com inúmeras
situações inusitadas pelo caminho. Enquanto tenta lidar com a desconfiança do chefe e com o trânsito
de uma São Paulo chuvosa, ele verá sua vida tomar um rumo inesperado no caminho para casa.

A PELE QUE HABITO ![]()
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La Piel Que Habito Espanha 2011 1h51min
de Pedro Almodovar com Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes
PLAZA domingo 12h10 | TACARUNA segunda 19h | BOA VISTA quinta 20h40
Leia crítica AQUI
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Pré-estreias

HISTÓRIAS CRUZADAS
The Help EUA 2011 2h26min RottenTomatoes 7,6
de Tate Taylor com Viola Davis, Emma Stone, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain
MULTIPLEX RECIFE | sáb 23h20
> Sinopse: Jackson, pequena cidade no estado do Mississipi, anos 60. Skeeter (Emma Stone)
é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar
as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite
branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (Viola Davis), a emprega da melhor amiga
de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada a sociedade como um todo.
Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem
novas adesões. 4 indicações ao Oscar.

A BELA E A FERA 3D
Beauty and The Beast 3D EUA 1991 1h24min
Animação de Gary Trousdale e Kirk Wise
MULTIPLEX RECIFE | sáb e dom 12h
> Sinopse: Relançamento no formado 3D do clássico da Disney. Em uma pequena aldeia da França
vive Belle, uma jovem inteligente que é considerada estranha pelo moradores da localidade, e seu pai,
Maurice, um inventor que é visto como um louco. Ela é cortejada por Gaston, que quer casar com ela.
Mas apesar de todas as jovens do lugarejo o acharem um homem bonito, Belle não o suporta, pois vê
nele uma pessoa primitiva e convencida. Quando o pai de Belle vai para uma feira demonstrar sua nova
invenção, ele acaba se perdendo na floresta e é atacado por lobos. Desesperado, Maurice procura abrigo
em um castelo, mas acaba se tornando prisioneiro da Fera, o senhor do castelo, que na verdade
é um príncipe que foi amaldiçoado por uma feiticeira quando negou abrigo a ela.

À BEIRA DO ABISMO
Man on a Ledge EUA 2012 1h42min
de Asger Leth com Elizabeth Banks, Sam Worthington, Jamie Bell, Ed Harris, Kyra Sedgwick
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI
> Sinopse: O filme mostra a história de um ex-policial procurado pela justiça que resolve
se matar pulando do alto de um prédio de Nova Iorque. Uma vez notificada, a polícia da cidade
se mobiliza para tentar impedir que o homem acabe com a própria vida, levando para o local
inclusive uma policial psicóloga, especialmente requisitada pelo suicida. O que ela percebe,
quando conversa com o homem no parapeito, é que tudo o que está acontecendo ali parece
cada vez mais um jogo de cena. Começa o mistério sobre o que está por trás dos personagens.
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Mostra Yasujiro Ozu
> Continua até esse domingo 29 a preciosa mostra do diretor Yasujiro Ozu (1903-1963),
uma retrospectiva com alguns dos principais filmes do realizador. Iodas as sessões serão
projetadas em 16mm. Ozu foi um dos principais autores do cinema japonês, deixando
como herança uma filmografia que vem sendo bastante retomada pela contemporaneidade.
Como sempre, as sessões são gratuitas e seguidas por debate na Sala Edmundo Morais.
CINEMA DA FUNDAÇÃO | CINECLUBE DISSENSO | 25 a 29/01 | ENTRADA GRATUITA

ERA UMA VEZ EM TÓQUIO
Tôkyô Monogatari 1953 2h15min P&B
27/01, sexta, 16h20
Considerado por muitos como a obra-prima do diretor, este filme celebrou uma nova maturidade
para Ozu, que na época de seu lançamento completava 50 anos. Um casal de idosos visita
os filhos após uma ausência de duas décadas, mas são desprezados por seus descendentes,
encontrando abrigo na hospitalidade de uma jovem nora que já está viúva.
FIM DE VERÃO
Kohayagawa-Ke No Aki 1961 1h43min COR
28/01, sábado, 14h
No pós-guerra, patriarca de uma família em crise financeira revive uma antiga paixão.
Enquanto isso, tenta casar sua segunda filha, bem como sua nora. Filme que representa
a derrocada da família tradicional japonesa e do próprio indivíduo que, confrontado com
uma realidade em transformação, tem como única certeza a existência da morte.
A ROTINA TEM SEU ENCANTO
Sanma no Aji 1962 1h53min COR
29/01, domingo, 14h
O último filme de Ozu. Um viúvo de idade avançada preocupa-se em arranjar o casamento
de sua filha. Militar, ex-combatente na Segunda Guerra, ele sente com seus amigos fuzileiros
o peso dos anos, de uma história que assola o Japão até mesmo em suas relações mais íntimas.
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Kinemail recomenda ainda em cartaz

AS AVENTURAS DE TINTIM ![]()
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The Adventures of Tintin EUA 2011 1h44min
animação digital de Steven Spielberg
MULTIPLEXES e CINE ROSA E SILVA | também em 3D | confira horários AQUI
Leia crítica AQUI
O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS ![]()
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Tinker, Tailor, Soldier, Spy Inglaterra/França/Alemanha 2011 2h07min
de Tomas Alfredson com Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Toby Jones, Mark Strong
MULTIPLEX RECIFE |confira horários AQUI
O GAROTO DA BICICLETA ![]()
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Le Gamin au Vélo Bel/Ita/Fra 2011 1h27min
de Jean-Pierre e Luc Dardenne com Cecile de France, Thomas Doret, Jérémie Renier
CINEMA DA FUNDAÇÃO | confira horários AQUI
Leia crítica AQUI
AS CANÇÕES ![]()
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Brasil 2011 1h30min
documentário de Eduardo Coutinho
CINEMA DA FUNDAÇÃO | confira horários AQUI
Leia crítica AQUI
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Um vagabundo da cidade (Denis Lavant) ganha alguns trocados fazendo performances circenses,
mas possui o vício das drogas. Michelle (Juliete Binoche) é uma jovem artista que está em declínio,
pois está prestes a ficar cega (Juliette Binoche). Ambos irão se cruzar na ponte que dá título
ao filme e o relacionamento entre os dois, acaba se tornando uma dependência. Isso faz a obra
ter um clima denso, por misturar dois personagens sedentos de vida e ao mesmo tempo mortos.
A produção passou por vários problemas de ordem econômica, quando precisaram reconstruir
o cenário da ponte, após a licença para as filmagens na locação ter expirado. O que fez com
que esse se tornasse um dos filmes franceses mais caros da história. Mesmo com tantos problemas,
o trabalho possui pontos positivos, como a apaixonante fotografia e os cenários que conseguem
nos levar a um mundo fantástico e subversivo. A grandiloqüência do filme nos informa muito da
influência de Carax pelo cinema de Murnau e até de Jacques Tati. A trilha sonora é bem estimulante.
A técnica de Carax consegue nos levar a uma viagem alucinante. Os Amantes da Ponte Neuf
é um dos filmes mais influentes do começo dos anos 90. Poucos filmes foram capazes de mostrar
de forma tão direta, incompreendida e misteriosa, a introspectiva vida daqueles que vivem nas ruas,
tal como a precariedade remetida da sociedade e das vistas grossas por essa feita. O filme saiu
em DVD no Brasil pela Lume Filmes e, mesmo muito controverso, merece ser visto e respeitado.
Pedro Henrique | phmmts@hotmail.com
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