Opinião Primeiro, como designer, uau, o cartaz é sensacional!
Que boa surpresa nas telas. A mais nova comédia
campeã de bilheteria nos EUA, logo depois do sucesso
arrasador de Penetras Bons de Bico, é uma curiosa
'anomalia' no mercado cinematográfico como há muito
não se via. O Virgem de 40 Anos já é bem direto
no título. Como ninguém tinha pensado nisso antes?
O filme faz uma inteligente fusão de comédia teen
de iniciação sexual (que você já viu umas 348 vezes)
com filme romântico sobre os problemas de solidão
e dificuldade de relacionamento para adultos com mais
de 30. E o resultado não poderia ser mais divertido.
Produção barata, sem convidados famosos, me lembra
bastante dois filmes que eu ADORO: Swingers e Office
Space - Como Enlouquecer seu Chefe. Ainda, tem o toque
da saudável grosseria dos ótimos irmãos Farrelly.
O filme é muito simples. Nosso herói Andy (Steve Carrell)
é um americano médio que, depois de algumas tentativas
falhas em relacionar-se com garotas, se vê com 40 anos
agarrando-se a um mundo de plástico (ele coleciona bonecos
de filmes) como defesa para encarar a solidão do dia-a-dia.
Opta literalmente por não ser adulto: anda de bicicleta,
bebe Fanta laranja, tem coleção invejável de bonequinhos
de super-heróis, não vê filmes pornográficos e (numa
sequência de humor pastelão) vemos que ele não tem
a menor idéia de como vestir uma camisinha no amigão.
Um grupo de colegas de trabalho descobre o estranho fato
e parte numa ofensiva para, a essa altura do campeonato,
promover uma espécie de inclusão sexual/social na vida
de Andy. Falando assim é quase um drama (e acredite,
no fundo, o filme é), mas o tom é de comédia aloprada
e abilolada do tipo que irrita muitos pelo fator escatológico,
homofóbico, misógino e tudo mais o que agride a 'inteligência
politicamente correta'. Mas prepare-se para ser desarmado,
porque O Virgem de 40 Anos revela-se uma doçura de
comédia romântica, um filme bacana como poucos do gênero.
Aqui e ali tem alguns momentos em que eu me peguei pensando
se o filme é moralista ou sexualmente reacionário, especialmente
numa cena em que Andy acha 'nojento', 'feio', uma garota
masturbando-se na sua frente ou na maneira geral como
o filme meio que 'condena' o hábito de consumir pornografia.
Mas desencanei com isso, diante do fato de que é o olhar
do personagem, não dos autores. Dessa forma, a atitude
de Andy (um virgem americano de 40 anos!) é honesta.
Roteirizado pelo ator principal e pelo diretor novato Judd
Apatow, a fita tem um encantador charme de comédia
dos anos 80 e conquista o espectador por nunca idiotizar
os personagens. A camaradagem do grupo de amigos de
Andy é capaz de dar inveja em Owen Wilson e Vince Vaughn.
Personagens secundários, como a gerente da loja de
bugigangas eletrônicas (a loira Leslie Mann), são capazes
de mostrar mais humanidade do que todos os personagens
juntos do A Luta pela Esperança de Ron Howard.
Judd Apatow, Steve Carrell e Paul Rudd (um dos colegas
de trabalho de Andy) já exercitaram-se antes no hilário
O Âncora, estrelado pelo 'saco de risadas' Will Ferrell. Mas aqui
a química funciona melhor ainda. Também é uma surpresa
a sorte de terem conseguido a maravilhosa Catherine Keener
(Quero ser John Malkovich) para o papel de Trish, a mulher
(e não a 'garota') por quem Andy se interessa. Trish é mãe
de três e já avó (a avó mais gata dos EUA!) e Catherine
Keener está deliciosamente convincente, podes crer.
A sequência absurda em que Andy faz depilação no peito
para conseguir um visual mais sexy para conquistar garotas
já é clássica. De embolar de rir e de contorcer-se na poltrona,
se você souber que a depilação é REAL: Steve Carrell
fez questão de depilar-se de verdade. O cara é peludão
e você consegue ver pontinhos de sangue na pele raspada
com cera quente! Vão indicá-lo ao Oscar por isso? Eh eh
Mas a cereja do bolo é guardada para o final, que eu não
vou contar, é claro. Basta dizer que é absolutamente original,
inspirado, esperto, cativante e inesperado de uma forma
tão contagiante que sai todo mundo do cinema com uma cara
idiota de felicidade total. É lindo! Eh eh Como se não bastasse,
essa já antológica sequência faz um insight inteligente sobre
(é sério!) o comportamento, a ideologia e os resultados
da revolução sexual, fazendo um arco genial dos anos 60,
dos anos 80 e do mundo atual que fará mais sentido ainda
se você é cinéfilo e tem lá seus quarenta anos. É o meu caso.
O final de O Virgem de 40 Anos é puro nirvana, yeahhh! |