ADEUS, LENIN!     
Goodbye, Lenin! Alemanha 2003 1h58min RT 8,8
de Wolfgang Becker com Daniel Bruhl, Katrin Sass
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Opinião Inesperado sucesso europeu, vencedor das categorias
de melhor filme, roteiro e ator no European Film Awards,
Adeus, Lenin! é daqueles raros filmes que conseguem falar
(com sucesso) de política e de questões contemporâneas,
focando o seu centro de atenção não nos assuntos propriamente
ditos, mas sim nos seres humanos envolvidos no processo.
O filme fala sobre a nova Alemanha, surgida depois da queda
do muro de Berlim, a partir de uma proposta das mais inusitadas.
No lugar de negar os valores e estrutura da antiga
metade Oriental, Becker força a preservação da memória
e do estilo de vida do velho sistema, atropelado pela
incorporação instantânea dos valores e estilos da metade
ocidental, por meio de uma inventiva premissa: para poupar
a mãe, que acorda de um coma depois da queda do muro
de Berlim, Alexander (Daniel Brühl) esconde as mudanças
no seu País criando uma bolha de proteção dentro de casa,
preservando o estilo de vida do antigo regime.
Tendo que reinventar a progressão de uma sociedade que não
existe mais, Alexander acaba criando um mundo idealizado.
A Alemanha Oriental que passa a existir apenas dentro do
apartamento da família, como observa o próprio Alexander em
certo momento do filme, não é mais o mundo real, mas sim um
universo em que as coisas passam a ser como elas deveriam ser
(ou como Alexander gostaria que fossem) e não como elas são.
Assim, Becker ressalta defeitos e qualidade dos dois mundos,
consternado pela cada vez mais inevitável transformação
em curso. Engraçado e perspicaz, Adeus, Lenin! tece
uma emocionante e inteligente reflexão sobre um mundo
em transformação e, principalmente, sobre sonhos
e expectativas dos homens envolvidos no processo.
Carol Ferreira | carolferreira@hotmail.com
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