vicioo

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002 Zodíaco
003 Amantes Constantes
004 Cartas de Iwo Jima
005 BUG - Possuídos
006 O Céu de Suely
007 O Hospedeiro
018 Superbad
009 BORAT!
010 O Homem Duplo

001 Caché
002 Brokeback Mountain
003 Reis e Rainha
004 O Novo Mundo
005 As Chaves de Casa
006 O Homem-Urso
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008 O Labirinto do Fauno
009 A Última Noite
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001 Marcas da Violência
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003 A Menina Santa
004 Antes do Pôr-do-sol
005 Oldboy
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007 Sideways
008 Closer - Perto Demais
009 O Virgem de 40 anos
010 O Abraço Partido

001 Encontros e Desencontros
002 Elefante
003 As Bicicletas de Belleville
004 Kill Bill
005 Sob a Névoa da Guerra
006 Na Captura dos Friedmans
007 De Corpo e Alma
008 Má Educação
009 Escola de Rock
010 Adeus, Lenin!
 

AS CHAVES DE CASA
La Chiave di Casa Italia 2004 1h45min RT 8,2
de Gianni Amelio com Kim Ross Stuart, Charlotte Rampling

Opinião Como bem falou um crítico que li, 'Melhor
não se ater à sinopse: resumido ao enredo, o novo
filme do italiano Gianni Amelio soa a sentimentalismo
barato. Um garoto com uma grave deficiência, encontra
pela primeira vez, aos 15 anos, o pai que o abandonou.'

E nada poderia ser mais equivocado do que pensar
que esse filme é um daqueles SuperCines de 'doença
da semana'. Mesmo bem elogiado, confesso que fiquei
com um pé atrás, afinal 'filme de deficiente físico'
não é muito a minha praia e cito aqui o oscarizado
espanhol Mar Adentro, que tem seus méritos mas não
foge muito da convenção melodramática do gênero.
O que me chamou atenção em As Chaves de Casa
foi a assinatura do diretor italiano Gianni Amelio,
veterano documentarista, realizador de poucos filmes
de ficção, de quem eu guardo uma boa memória
do excelente Lamerica - O Sonho de Chegar, 1994, drama
quase documental sobre albaneses imigrando para a Itália
em condições miseráveis. É com esse mesmo registro
herdado do neo-realismo que Amelio aborda a relação
de pai e filho deficiente em As Chaves de Casa. É difícil
ver o tema ser tratado com tanta dignidade e nenhum
melodrama fácil como o diretor faz aqui, apoiado
por uma dupla de bons atores (Kim Rossi Stuart
e Charlotte Rampling) e a coragem de realizar
o filme com um garoto realmente deficiente físico
e mental, o cativante Andrea Rossi, perfeito.

Realizado como um road movie (carros e trens estão
sempre em movimento na tela), o que exacerba o estado
de constante fragilidade emocional no desenvolvimento
de relação tão especial entre seus personagens,
é praticamente impossível definir o que é real ou
encenado, diante da naturalidade com que Kim Rossi
Stuart reage ao garoto. Os momentos de carinho
e contato físico entre eles é algo comovente. Mas
o filme não pretende só arrancar lágrimas do espectador.
Apesar do final profundamente humanista e otimista
(com uso de uma música brasileira na trilha sonra),
o olhar do filme sobre o assunto é realista, deixando
claro que o amor não resolve tudo, quem lida com
esse tipo de situação sabe que os momentos difíceis
serão muitos e dolorosos, como na vida real. E uma cena
sombria com a mãe de outra criança deficiente é essencial
para perceber que o final do filme não é facilitador.
Mas As Chaves de Casa é bom cinema mesmo porque
transcende a questão da doença. É um filme sobre pais
e filhos. E um dos melhores recentes sobre o assunto.

Visto em 03/04 como convidado da UCI Cinemas
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