Opinião Seria exagero meu dar cinco estrelas para esse filme?
Certamente que não. OK, admito que sou um fã incondicional
da filmografia de Robert Altman e, putz, já com 80 anos,
o homem continua filmando de forma única, maravilhosa.
E, atento ao que há de mais moderno, Altman filmou com
equipamento digital de última geração, conseguindo imagens
de qualidade inacreditável. Eu juraria que é película tradicional.
É verdade também que muito crítico desprezou a fita... Dizem
eles que Altman só se repete, não tem mais nada a dizer.
Não há muito o que falar sobre o filme, é quase uma experiência
assistí-lo. Parece existir só no escuro do cinema. Quem resolver
assistí-lo depois em DVD em casa, aviso que muito do encanto
que senti pode perder-se no aconchego do seu lar. Assim
como a companhia de balé que Robert Altman filma, o próprio
filme é um espetáculo. E que espetáculo! Acompanha uma
temporada de uma companhia real, o Joffrey Ballet de Chicago.
Do roteiro original de Neve Campbell, a moça que grita
na série de terror Pânico e é bailarina também, Altman extraiu
tudo que lhe interessa: De Corpo e Alma não é sobre balé,
não é documentário, não é sobre a protagonista. É sobre
a vida, com V maiúsculo. A vida em movimento, em especial
no caso de quem dança, que são os personagens do filme.
Como de costume, Altman dirige Neve Campbell de forma
encantadora. O amigo de Peter Parker, James Franco, aqui
é o namorado da bailarina, chef de cozinha de um restaurante
e gente de verdade (acredite!), num bom desempenho.
A sequência de paquera entre os dois, de um bar de sinuca
até o apartamento dela, quando na manhã seguinte ele
prepara um café da manhã para ela, é uma beleza só:
Tudo filmado sem diálogos (ou melhor, diálogos banais,
que pouco interessam), resultando numa das coisas
mais românticas e tocantes que vi nas telas ultimamente.
E quem mais, além de Altman, poderia escalar Malcolm
McDowell, o lendário Alex de Laranja Mecânica, para ser
um coreógrafo de companhia de balé? Pois ele está
magnífico no papel. Leve em conta que o filme tem uns
dez números musicais de dança e eu sou o último cara
que sairia de casa para assistir um balé. Sim, repare bem,
eu odeio espetáculos de dança. E isso pouco importa,
nada importa. Porque ou como, eu não sei explicar...
Dizer que é a magia do cinema soa péssimo. Mas deve
ser isso mesmo. Para fãs da acidez e ironia de Altman,
você não perde por esperar em ver o horrendo número
de dança moderna, com figurinos pavorosos, que fecha
o filme, onde ao mesmo tempo, numa tacada de mestre,
Robert Altman homenageia a obstinação profissional dos
bailarinos e faz pensar sobre o real valor da Arte. Bravo!
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