vicioo

001 À Prova de Morte
002 Zodíaco
003 Amantes Constantes
004 Cartas de Iwo Jima
005 BUG - Possuídos
006 O Céu de Suely
007 O Hospedeiro
018 Superbad
009 BORAT!
010 O Homem Duplo

001 Caché
002 Brokeback Mountain
003 Reis e Rainha
004 O Novo Mundo
005 As Chaves de Casa
006 O Homem-Urso
007 Miami Vice
008 O Labirinto do Fauno
009 A Última Noite
010 Munique

001 Marcas da Violência
002 Menina de Ouro
003 A Menina Santa
004 Antes do Pôr-do-sol
005 Oldboy
006 Cinema,Aspirinas e Urubus
007 Sideways
008 Closer - Perto Demais
009 O Virgem de 40 anos
010 O Abraço Partido

001 Encontros e Desencontros
002 Elefante
003 As Bicicletas de Belleville
004 Kill Bill
005 Sob a Névoa da Guerra
006 Na Captura dos Friedmans
007 De Corpo e Alma
008 Má Educação
009 Escola de Rock
010 Adeus, Lenin!
 

AMANTES CONSTANTES
Les Amants Réguliers França 2005 2h58min RT 8,3
de Phillipe Garrel com Louis Garrel, Clotilde Hesme

Opinião 'Abertura oficial da Mostra SP 2006, 19 de outubro. Cerimônia e festa. Tô fora... Preferi assistir um filme fora
da Mostra, ainda em cartaz aqui em SP, única sala, último
dia em cartaz. Não dava pra perder.' O filme era Amantes Constantes (Les Amants Réguliers, 2005), curiosamente
com muitos pontos em comum com Os Sonhadores,
de Bernardo Bertolucci. É sobre o maio de 68 em Paris, sobre
os jovens estudantes burgueses que foram às ruas enfrentar
a repressão ao histórico movimento estudantil. Até o ator
é o mesmo de Os Sonhadores, o francês Louis Garrel. Mas
as semelhanças param por aqui. Enquanto o filme de Bertolucci era quase apenas um exercício voyeurista e fetichista sobre
três belos jovens no turbilhão da revolução, Amantes Constantes vai bem além, num filme desconfortável
no melhor dos sentidos, instigante, intimista, doloroso.
O filme tem apenas uma cópia no Brasil e é o primeiro
filme de Phillipe Garrel lançado comercialmente aqui,
que nos chega graças à curadoria rigorosa do cinema
da Fundaj em trazer o melhor do cinema para nós.

Dirigido pelo pai de Louis, Phillipe Garrel, em tom
autobiográfico, o filme mimetiza a estética da nouvelle vague, com montagem livre, enquadramentos vanguardistas, para
mergulhar o espectador no que teria sido viver aquele clima
de momento tão particular da História, sobre a juventude
que queria mudar o mundo. O tom intimista, a fotografia
em seco preto-e-branco, a economia narrativa e as três horas
de duração tornam o filme difícil até para públicos de 'cinema
de arte', mas a viagem é recompensadora. Um filme duro,
crítico e direto na maneira como aborda o envolvimento
com drogas, o sexo livre, a alienação, mas também de uma
beleza poética e melancólica sobre essa geração que acreditava
num ideal de liberdade que não tem mais espaço no mundo atual, mas, de alguma forma, perdura. Louis Garrel está impecável aqui, dirigido pelo pai. Clotilde Hesme, a namorada
dele, encarna uma garota daquela época com uma atuação encantadora, somente o seu rosto enquadrado em longos
planos fechados tornam difícil acreditar que aquelas imagens
não sejam registros documentais reais de 1968.
Belo filme, grande cinema, Os Amantes Constantes
é um dos lançamentos mais preciosos de 2007 em Recife.

Visto em 19/10/2006 na sala Reserva Cultural, SP
Revisto em 26/05 como convidado do Cinema da Fundaj
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