Opinião A partir de farto material gravado por Timothy Treadwell, ecologista e especialista em ursos selvagens
(e morto por um deles), o célebre diretor alemão Werner
Herzog (O Enigma de Kaspar Hauser, Aguirre - A Coléra
dos Deuses, Fitzcarraldo), cuja obra cinematográfica investiga
os limites da sanidade humana, faz aqui brilhante estudo
de uma personalidade incomum, para muitos um louco.
O Homem-Urso foi aclamado como um dos melhores
filmes (não apenas como documentário) do ano.
A revista Premiere o elegeu como Melhor Filme de 2005.
Quem acompanha Kinemail, já viu que ele está no Top Ten.
Treadwell, americano que idealizou uma persona de rebelde
solitário para si mesmo, viveu desarmado por 13
verões consecutivos no Alaska, entre ursos selvagens. Ele
documentou suas viagens com uma câmera pessoal.
Em outubro de 2003, os restos mortais de Treadwell
e de sua namorada Amie Huguenard foram encontrados
pelo piloto que deveria trazê-los de volta. Herzog utiliza
as filmagens de Treadwell para investigar sua personalidade
e, claramente fascinado pelo personagem,
levanta
questões perturbadoras sobre a natureza humana,
insanidade e construção da personalidade. Weeeeird!
Bate-bola sobre uns ursos doidos
E aí, o que acharam de O HOMEM-URSO?
Aquilo é que é uma lapa de doido, heim? Não o Treadwell,
o Werner Herzog mesmo! eh eh Herzog mostra-se completamente fascinado pelo Treadwell. Gosto muito
do filme e o incrível material pessoal filmado do cara
é perturbador, é Big Brother de cabeça pra baixo!
Foi exatamente o que falei quando terminou a sessão:
Herzog adora filmar doido, mas o maior doido é ele mesmo!
A visão que fica é a dele (Herzog), de que o que
governa a Natureza é o caos e a violência.
André Balaio | af-andrade@uol.com.br
Eu nunca vi aquele documentário, Meu melhor Inimigo,
que mostra a relação turbulenta do Herzog com o ator
Klaus Kinski. Mas acho que, no fundo, os dois filmes
denotam a obsessão de um maluco - com grande capacidade
analítica - que adora se debruçar sobre a loucura alheia.
No filme O Homem-Urso, contemplar a loucura alheia
pode ser uma maneira relativamente segura de analisar
a própria insanidade. Ou alguém acreditaria que
só Kinski e Treadwell eram doidos de pedra?
Gostei daquele sotaque de Nosferatu e a fala sem
entonação que Herzog usa pra narrar o filme. Crrrreeeeepy!
Andrea Gorenstein | deiag@hotmail.com
Creepy indeed. Quase caio da cadeira quando
Herzog pára a imagem na tela e narra:
'At ZZZiis point, I diffeeRRR from my KarrakterRRR'.
Como assim?! Coutinho, onde está você? Lapa de doido
sim, e o Treadwell, que maluco beleza! No início do filme,
eu até achava o cara do bem, fazendo o que ama, cagando
e andando pra todos... Daqui a pouco, comecei a ficar
perturbado, 'esse cara é um idiota com passaporte
para a Terra do Nunca...' Filme muito perturbador.
Kleber Mendonça Filho | www.cinemascopio.com.br
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