Opinião Diversão e inteligência podem andar juntas, apesar
de Hollywood acreditar no contrário. Esse sensacional filme coreano, O Hospedeiro, já é uma das sessões mais divertidas
do ano, e também uma das mais originais. Hoje em dia,
um filme construído sobre um monstro, uma criatura gigante,
não se pode levar a sério. E, de fato, o filme do jovem Bong Joon-Ho tem surpreendentes elementos de comédia. Drama familiar também. Sem nunca esquecer que é um 'filme
de monstro', também tem terror, cenas de histeria coletiva
e suspense, tudo eficiente, embora possa causar estranheza
como o filme salta de um gênero para outro, o tempo inteiro.
Mas o que chama mais atenção aqui é como Joon-Ho (37 anos, diretor do elogiadíssimo Memórias de um Assassino, nas locadoras em DVD) é um cineasta de primeira. O filme garante boas surpresas sem NENHUMA cena de susto clichê que
o cinema americano usa ao nível de irritação. O primeiro
ataque do monstrengo acontece aos dez minutos de filme,
em plena luz do dia, já mostrando a criatura em todos os seus detalhes digitais, a ponto de o espectador perguntar: e agora, ainda faltam 1h40 minutos de filme? E Bong Joon-Ho oferece
o melhor do cinema de entretenimento até o último minuto
da fita. O filme também tem subtexto político afiado, com
temas tão variados como poluição ambiental, efeitos
da globalização no cidadão comum, a influência militar
maligna dos EUA, a corrupção na sociedade coreana e, como
se não bastasse, um olhar carinhoso sobre uma família
disfuncional, onde um pai fracassado perderá sua filhinha
para as garras do monstro e deverá resgatá-la nos esgotos
da cidade (e nas entranhas do bichão). Mas nada disso faz
de O Hospedeiro um 'filme-cabeça', muito pelo contrário.
Em entrevistas, Joon-Ho confessa, modestamente, ser fã
de Spielberg e Shyamalan. Pela elegância dos movimentos
de câmera
e construção das sequências, acho que ele está
mais pra fã de Stanley Kubrick. Dá gosto ver os velozes travellings seguindo o monstro sob pontes e a brilhante
forma como são filmados os espaços abertos e fechados.
Há ainda uma esperta influência da estética 'videogame'
na forma como os personagens superam etapas, conectam-se uns com os outros à distância, via celular. Enfim, um filme
que mostra
perfeitamente que é possível ser original, fugir
da mesmice idiotizada do cinemão americano. No mais,
pra quem achar os efeitos especiais 'capengas', você não entendeu nada, nadinha... Onde, no cinema americano, você
verá uma cena tão maravilhosa como o close na mão do pai, segurando uma lança ao atacar o monstrão? Bom demais!!!
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