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Edição 434

Simonal, KFZ-1348, Anjos, Demônios e W. Bush

> Semana tem dois documentários nacionais, Simonal - Ninguém
Sabe o Duro Que Dei
, sobre o ex-cabo do exército Wilson Simonal,
que tornou-se um grande talento musical no Brasil dos anos 70 mas caiu
no ostracismo, sob acusações de ser um informante da ditadura militar,
e o pernambucano KFZ-1348, que acompanha de 1965 até os dias
atuais a trajetória de um Fusca, através de seus vários donos,
traçando um interessante painel social e econômico do Brasil.

Tom Hanks & Ron Howard & Dan Brown invadem os multiplexes com
Anjos e Demônios
. O Casamento de Rachel segue em terceira semana
de sucesso, relegado às poucas 'sessões de arte'. Kinemail recomenda.
Recomendamos também Simplesmente Feliz, ainda em cartaz no Rosa
e Silva e na Fundaj e o ótimo blockbuster Star Trek, já saindo de cartaz
por aqui, onde não funcionou muito bem (quer dizer, o filme é bom, então...)
O Rosa e Silva tem pré-estreia sábado 16 para W. de Oliver Stone, cine-bio
do ainda bem vivo ex-presidente norte-americano George W. Bush.

DICAS DE CINÉFILO indica Charlie - Um Grande Garoto em DVD, com
Robert Downey Jr. e Anton Yelchin, o Checov de Star Trek. Leia AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites para Star Trek, Simonal - Ninguém
Sabe o Duro Que Dei*
e Um Conto de Natal* AQUI
*Estas promoções são abertas a TODOS os leitores.









O SEGUNDO ROSTO
EUA | John Frankenheimer | 1966

ANJOS E DEMÔNIOS
Angels and Demons EUA 2009 2h18min RT 3,7
de Ron Howard com Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor

OPINIÃO Assim como Wolverine voltou para faturar seu dinheirinho, o Professor
Robert Langdon está de volta para faturar o seu em Anjos e Demônios, onde vive
uma aventura antes de O Código Da Vinci, o famoso livro-filme de Dan Brown-Ron Howard.
Se o primeiro filme era tão ridículo por se levar tão a sério, pode-se dizer que Anjos
e Demônios
é despretensioso, assumindo-se como uma aventura pra lá de rotineira,
e, às vezes, até bem divertida. Numa trama estapafúrdia que envolve projetos
secretos de cientistas nucleares criando 'anti-matéria', assassinatos cometidos pela
irmandade dos Illuminati, a eleição de um novo Papa e... uma bomba que explodirá
em 5 horas! - tudo filmado num Vaticano virtuosamente digital, já que a produção
não podia filmar in loco - o professor Robert Langdon é convidado a solucionar
um grande mistério que será tediosamente explicado passo a passo, antes
da ação chegar atrasada a cada ponto da grande charada. Se um ator recebe pelas
suas falas, o salário de Tom Hanks é merecido, ele bate recorde de bla-bla-blá aqui.

No grande elenco classe A para um filme de orçamento A e resultado bem B,
Ewan McGregor é um padre pouco convincente, Stellan Skarsgard é um chefe
de segurança do Vaticano bem canastrão e o grande Armin Mueller-Stahl
(de Senhores do Crime) empresta algum peso ao conjunto, como um sábio
e suspeito cardeal. O Robert Langdon de Tom Hanks (agora com um corte de cabelo
mais decente) funciona como uma biblioteca sacra ambulante, explicando dados
enciclopédicos a sua parceira cientista italiana (vivida pela estrela israelense Ayelet Zurer).
Ron Howard tem uma ideia curiosa do que seja adaptar um livro para cinema. Ele bota
os personagens para recitar os longos textos do livro sempre andando pra lá e pra cá, subindo
e descendo escadarias ou até correndo, afinal 'cinema é imagem em movimento', certo?

Assim, o roteiro do filme proporciona falas impagáveis, risíveis, para Tom Hanks,
como: - Veja! É um Pentagrama! 1668, um símbolo adotado pelos Illuminati!
Se eles vão matar alguém neste momento, será aqui. Veja! A estátua do Anjo
Sagrado! Ela aponta para ali! Sigam esse caminho, é lá que vai acontecer o crime!

Segue-se corre-corre banal, ao som de coro de igreja subindo pomposo e, como
uma espécie de Indiana Jones fora de forma, Tom Hanks e sua trupe chegam sempre
atrasados no local do crime. Então, Langdon vê outro sinal: - Veja! É um Obelisco!...
Repita a receita ad infinitum até faltar uma meia hora de filme e acontecer o grande
momento espetacular e o desdobramento explicativo do grande mistério. É tudo
tão tolo que, se o seu nível de estímulo mental e senso de diversão andam por aí,
pode ir ver que é diversão certa. Se é que isso é um elogio, realmente Anjos
e Demônios
é melhor que O Código Da Vinci. É mais curto também. E longe
de querer provocar 'polêmicas' do tipo 'Jesus papou Madalena e foi papai!', Anjos
e Demônios
foi cuidadosamente feito para ficar em cima do muro Deus X Ciência,
formatado mais para ser um filme de ação de férias, tão oco quanto qualquer outro.
Visto em 14/05 como convidado da UCI Cinemas | Columbia
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


SIMONAL - Ninguém Sabe o Duro Que Dei
Brasil 2009 1h26min
documentário de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal

> Sinopse: Numa época de talentos revolucionários, Wilson Simonal brilhou como
ninguém e inovou como poucos. Juntando qualidade musical, carisma, simpatia,
suingue, sensualidade e muito talento, ele tornou-se a sensação do Brasil e ainda
conquistou o público internacional. Em comum tendo o fato de terem começado carreira
sob os auspícios do agitador Carlos Imperial e um passado de ligações com a bossa nova,
quando se chega ao final dos anos 60, lá estão Wilson Simonal e Roberto Carlos como
os donos do pedaço, vendendo discos aos milhões e lotando estádios como nenhum outro
artista da música brasileira. Mas se Roberto acabaria dando a semente para a formação
de um movimento de rock, eminentemente branco, no país, Simonal foi o capítulo 1
de uma espécie de black music com sabor tropical. Tim Maia, Cassiano, Banda Black Rio,
Sandra de Sá, Ed Motta, todo mundo passou pela porta aberta do cantor de invejável
inflexão jazzística e incomparável ginga. De repente tudo acabou. Boatos, acusações,
mistérios, patrulhas e perseguições. O que aconteceu com Wilson Simonal?

Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei traça a trajetória impressionante do ex-cabo
de exército que reinou soberano e acabou condenado ao ostracismo por um delito pelo
qual jurava inocência. Através de depoimentos de amigos, inimigos e, principalmente,
de imagens das exuberantes performances do grande artista, o filme mostra também
as respostas que nunca apareceram. Simonal era informante da ditadura? Era favorável
aos militares? Ou seu maior crime foi ser negro, milionário, símbolo sexual num país
e numa época em que existia muito racismo? Com imagens preciosas de registro
da cultura pop de uma época insuperável da música popular brasilkeira, o filme
foi exibido no prestigiado Festival de documentários É Tudo Verdade 2009 e eleito
melhor documentário pelo público e pela crítica no I Festival de Cinema de Paulínia.
Visto em 18/05 como convidado do BOX Guararapes | MovieMobz
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


KFZ-1348
Brasil 2008 1h21min
documentário de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso

> Sinopse: Em 1965, um fusca é vendido a um jovem engenheiro civil
de São Paulo. Quarenta anos se passam e o carro vai parar num ferro-velho
do Recife, com a placa KFZ-1348. Nessa trajetória de quatro décadas,
o carro passou pelas mãos de outros sete proprietários. De um empresário
paulista a uma cabeleireira do interior de Pernambuco. Para cada um deles,
o fusca teve seu valor, sua importância, em diferentes momentos da história
do Brasil. O documentário KFZ-1348 parte em busca dessas histórias,
tendo o carro como fio condutor e a vida de seus proprietários como
janela privilegiada para observação da sociedade brasileira.

O filme é exibido nos cinemas em versão mais completa, 81 minutos,
a preferida pelos diretores, do que a versão de 50 minutos formatada
para exibição na TV. KFZ-1348 confirma que os poucos bons filmes
produzidos no cinema nacional recentes são os documentários.
Filme levou o prêmio especial do júri na Mostra SP e foi premiado
como a melhor produção pernambucana exibida no XIII Cine PE.
Visto em outubro de 2008 como convidado da Mostra SP 2008
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc


Star Trek é o filme!

1. Cara, também adorei o novo Star Trek, repaginado por J. J. Abrams. Não sou exatamente
um trekker daqueles que se veste de romulano e vai à convenções, mas sou sim grande fã
da série clássica, um pouco da Nova Geração e gosto dos filmes de cinema. E, sim, quando
Leonard Nimoy veio ao Brasil uns anos atrás eu estava lá na fila dos autógrafos e, no melhor
estilo Capitão Kirk, eu 'cheated' e entrei na fila duas vezes, uma com a foto oficial dele para
autografar e outra com seu livro Eu Sou Spock. Ainda ganhei um aperto de mão, oficialmente
proibido pelos organizadores. O novo filme é uma bela surpresa. Apesar de certas cenas frenéticas
demais, o roteiro tem seus momentos calmos e a garotada nova do elenco está muito bem.
O melhor é que eles não estão meras cópias dos originais, apesar de Zachary Quinto ser
assustadoramente parecido com o Spock de Nimoy. Chris Pine me surpreendeu. O garoto
que faz o Chekov também está ótimo. Já X-MEN Origens: Wolverine foi exatamente o contrário.
Filme previsível, fraco, marketeiro, apostando tudo nos ombros do Hugh Jackman, que é um cara
legal e carismático, mas que não pode garantir o sucesso do filme. Saudade dos outros X-MEN
e daquele super elenco, com Ian McKellen, Patrick Stewart, Famke Janssem e cia.

Do lado mais 'cabeça' do balde de pipoca, vi A Janela, de Carlos Sorin, sensível retrato
de um homem à beira da morte. E adorei O Visitante, em que Richard Jenkins está perfeito
como um homem apático que tem a vida chacoalhada pelo contato com um casal de imigrantes
ilegais em Nova York. Filmão. Mais detalhes sobre todos eles, leia no meu blog.
João Solimeo | http://cameraescurablog.blogspot.com

Ahh, sei. Você NÃO é um trekker mas... Tem a foto oficial e o livro de Leonard Nimoy
autografados??? Ah ah ah Imagino que para fãs o filme seja legal demais de ver.
Gostei muito do filme, mas não sou fã, conheço pouco os personagens e só vi alguns dos
filmes para cinema. Mas esse fim de semana já revi Star Trek e me diverti mais ainda,
tentando entender o vai e vem de linhas temporais, buracos negros etc. :) Aquela
sequência do mergulho com para-quedas para sabotar a 'perfuratriz' romulana
é simplesmente sensacional, a melhor cena de 'ação-blockbuster' desse ano,
acho difícil ter outra melhor! Incrível como Star Trek não funciona no Brasil.
Revi no domingo com a sala meio vazia e o filme já está praticamente saindo
de cartaz aqui, como aconteceu com Cara, Eu Te Amo. Já nos EUA, a estreia
de Star Trek botou Wolverine pra comer poeira e eu torço para que, nessa segunda
semana, Star Trek deixe a estreia de Anjos e Demônios em segundo lugar eh, eh


2. Star Trek é realmente show de bola. Não vou nem falar dos efeitos e da ação!
A trama, no começo um tanto confusa, acaba acomodando bem tanto os fãs
como os novatos. A excelente escolha do elenco colabora muito! Kirk, Spock, McCoy,
Sulu, Chekov, Uhura e Scott, enfim todos estão muito bem caracterizados. Embora
tenha achado seus rostos familiares, não reconheci Eric Bana e Winona Ryder, só alguns
coadjuvantes, como Clifton Collins Jr. (aqui no papel de Ayel), Jennifer Morrison (a Cameron,
de Dr. House, como a mãe de Kirk) e John Cho (Sulu), num papel bem diferente dos cômicos.
Achei as referências astrofísicas até razoáveis, mas pode ser que eu seja meio nerd.
Vale mencionar também a justa homenagem a Leonard Nimoy, com um papel que respeitou
sua idade e sua importância para a série. Além disso, o roteiro, em termos de diálogos, evitou
frases de efeito, usou piadas bem sacadas e fugiu de explicações idiotas. Reparei que, apesar
de criarem muita tecnologia avançada, eles deram umas características vintage a muitas
coisas (das portas automáticas a alguns figurinos). Não me considero um fã da série,
assisti a primeira temporada apenas, nada de longas, mas achei que Star Trek
fez jus à tradição da série e está acima de média da ficção científica de hoje.
Heber Costa | http://cenasdaguerra.blogspot.com

3. Cara, eu não poderia ter colocado melhor que você: realmente, se os novos Star Wars
tivessem metade da elegância e do bom humor (humor, não Jar Jar Binks, entendeu,
George Lucas?) desse novo Star Trek, muita coisa poderia ter se salvado...
Não acho exagero dizer que J. J. Abrams, Chris Pine e Zachary Quinto fizeram mais pela
franquia do que Christopher Nolan e Christian Bale fizeram pelo Batman. Pra mim, a melhor
analogia seria dizer que eles fizeram por Star Trek o mesmo que Martin Campbell e Daniel Craig
fizeram por James Bond: condensaram tudo o que havia de legal nos personagens e no seu
universo e deram uma roupagem moderna, mais dinâmica, minimizando ou ignorando totalmente
os dogmas e cânones inúteis, que na maioria são clichês monstrousos que tentavam manter
alguma identificação com o público através de anos de roteiros fracos, orçamentos
apertados e atores em crise, e que só farão falta aos fanáticos de plantão.
Os novos Kirk e Spock estão muito mais interessantes. A decisão de contar a história da infância
dos dois, suas motivações e os fatos que desenvolveram suas caracteríscas mais marcantes,
foi fantástica, assim como o novo início da conturbada relação de amizade que é o motor
de fusão nuclear de todo o universo Trekker. E embora tenham tido pouco tempo de tela,
os demais personagens são muito bem explorados, estabelecendo claramente suas funções
e personalidades, mesmo para quem não está familiarizado. De clássico mesmo, só o eterno
Spock, com a participação especial e essencial de Leonard Nimoy, o único ser humano
que consegue se caracterizar de vulcano sem ficar totalmente gay. E o toque genial de Abrams
foi fazer tudo isso sem ter que contradizer o material original. Nada como uma ou duas singularidades
e uma boa viagem no tempo para resolver todos os problemas do passado e ressuscitar
a possibilidade de ir bravamente até onde nenhuma franquia jamais foi... Live Long and Prosper!
Luiz Duarte | lweezz@gmail.com

VI Panorama Recife de Documentários

1. Eu já vi o documentário Zeitgeist disponibilizado na web. É um 'tijolo' de duas horas
e meia com todas as teorias de conspiração possíveis e imagináveis dentro. É bastante
interessante sim, e o Peter Joseph levanta alguns pontos muito relevantes. Mas é do tipo
de documentário que se metade for verdade dá pra acreditar até no Monstro do Lago Ness.
O cara diz com todas as letras que o 11 de setembro foi um 'evento' planejado dentro
dos EUA pela CIA/Bush/vice presidente como um engodo para justificar uma guerra
contra o Iraque e a invasão do país. Há uns argumentos conspiratórios bem instigantes,
como depoimentos de pessoas que juram que houve uma explosão ANTES do avião atingir
uma das torres, e que na verdade o WTC estava todo preparado para implodir com
explosivos controlados. Ainda segundo o documentário, não seria a primeira vez.
A Primeira e Segunda Guerras também teriam sido 'criadas' aritficialmente, assim
como o Vietnam. O mundo está nas mãos dos banqueiros que artificialmente criam
crises para poder ganhar fortunas e a dívida é uma maneira de controlar governos
e pessoas. Enfim, um mooonte de teorias conspiratórias juntas.
É cansativo de tão longo e 'detalhado' (supondo que seja verdadeiro).
João Solimeo | http://cameraescurablog.blogspot.com

O que vimos aqui, no encerramento do VI Panorama Recife de Documentários,
foi só a segunda parte Zeitgeist: Addendum, que cobre mais uma explanação
didática de 1. Como funciona o sistema monetário internacional, 2. Uma crítica feroz
ao Cristianismo e todas as religiões como parte do processo que atrasa a mente
do homem contemporâneo e 3. Uma apresentação de soluções para uma nova sociedade
no utópico Projeto Vênus do designer e pensador Jacque Fresno, 92 anos, que eu já conhecia
do documentário The Future in Design, visto na Mostra SP 2006. É muita informação, sempre
interessante, sem os exageros de 'teoria da conspiração' que você citou. Há inclusive uma
ótima parte que usa um trecho de Rede de Intrigas (Network, 1976), filme de Sidney Lumet
onde um 'louco' faz um discurso 'paranóico' dizendo que política e governantes não tem
a menor importância, quem governa o mundo são as 'grandes corporações', que querem
controlar toda a humanidade, 'globalizando' seu poder. Em 1976, isso era pura 'teoria
da conspiração', 'ficção científica'. Trinta anos depois, taí o estrago... eh, eh Eu ainda quero
ver o restante do documentário, parece que o Addendum é o segundo de uma trilogia.
Para quem quiser conhecer os documentários de Peter Joseph
www.thezeitgeistmovement.com

2. Se eu fosse uma agência de empregos, empregaria Peter Joseph
em um cargo de líder religioso em uma seita na Califórnia.
João Marcelo Duarte | caoandaluz@gmail.com

3. Sessão quase vazia para assistir esse filme bastante interessante. Uma mistura de ficção
com documentário, Serras da Desordem se utiliza de um mecanismo bem legal para contar
a história do índio Carapiru e sua saga, qual seja, o uso dos próprios próprias pessoas
que participaram dos acontecimentos reais como personagens de si mesmos. Muito bem
filmado e conduzido, o que importa mesmo é a história, pois essa parte dos fatos acontecidos
na vida de Carapiru, tendo por objetivo discutir algo maior: os desmandos relativos à causa
indígena. O filme traz uma questão que é pouco ou quase nada discutida no Brasil, apesar
de contendas entre índios e não-indíos acontecerem quase que diariamente, principalmente
na região norte do país. São os famosos conflitos entre índios e fazendeiros. É incrível que,
para nós (ou ao menos para mim), fica uma impressão de que aquilo mostrado na tela acontece
distante, mas, na verdade, está ao nosso lado (inclusive aqui em Pernambuco). E o mais incrível
ainda é perceber que um fato (o relativo à Carapiru e sua tribo) que ocorreu há mais de vinte anos
seja tão corriqueiro nos dias atuais. Isso leva à conclusão de que não avançamos nada em certas
coisas e as mudanças ocorrem a passos, como dizem alguns, de tartaruga manca.
Rodrigo Tenório | tenorio@hotlink.com.br

Quem Quer Ser um Favelado?

Gostei de Quem Quer Ser um Milionário? Primeiro, comentários positivos. O filme é charmoso,
uma boa produção. Gostei também de alguns atores. Danny Boyle (cujos melhores filmes
pra mim ainda são Cova Rasa e Trainspotting) voltou a fazer um filme ágil com câmeras
inusitadas, o que ele faz bem. Acho que o lado negro (pobreza, tortura) do filme
contrabalança bem o resto. Como entretenimento, o filme é legal. Os negativos, agora.
Visualmente, achei muito Cidade de Deus. É verdade que a trama é novelesca demais.
Uma coisa com 'destino' e tal. Só tem um nível de interpretação: é a história e nada mais.
É o típico enredo que o brasileiro adora: um pobre lascado que, a despeito dos revezes,
consegue ser feliz e se dar bem. 'Sou indiano, não desisto nunca'. Mas não achei
que mereceu o Oscar. Acho que foi algum protesto incompreendido da Academia.
Heber Costa | http://cenasdaguerra.blogspot.com

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