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Herbert de Perto
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Balsa
Curta Petrobras - Outubro
Top Ten Kinemail 2009 + 25 filmes!
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Edição 435
Che Guevara, George W. Bush e Budapeste
> Finalmente estreia no Recife o filme-sensação dos festivais e mostras
de cinema do ano passado, Che, de Steven Soderbergh, com um memorável
Benicio Del Toro vivendo um dos maiores
ícones do século XX, o médico
argentino mais conhecido como o guerrilheiro Ernesto 'Che' Ghevara.
Filme
conta com participação do brasileiro Rodrigo Santoro, que também
está em Leonera, do argentino Pablo Trapero, pré-estreia da semana
no multiplex Tacaruna.
O Cinema da Fundação exibe pré-estreia para
o bizarro Vocês, os Vivos, do aclamado cineasta sueco Roy Andersson.
O Rosa e Silva exibe W. de Oliver Stone, cinebiografia do ex-presidente
norte-americano George W. Bush, com excelente atuação de Josh Brolin.
Budapeste, baseado no livro de Chico Buarque, é outro lançamento
da semana, além de Uma Noite no Museu 2 e Lição de Amor.
Recomendamos Simplesmente Feliz de Mike Leigh e o documentário
KFZ-1348, ambos ainda em cartaz no Cinema da Fundação
e, ainda em
sessão única diária no BOX Guararapes, temos o ótimo Star Trek.
Ganha
mais duas sessões no multiplex Recife O Casamento de Rachel. Agende-se!
DICAS DE CINÉFILO indica Medo da Verdade em DVD,
elogiada estreia na direção do ator Ben Affleck. Leia AQUI
LEITOR VIP Convites e brindes de Che, Anjos e Demônios e Quem
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CHE - Parte 1 ![]()
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Che - Part One/The Argentine EUA/França/Espanha 2008 2h11min RT 7,3
de Steven Soderbergh com Benicio Del Toro, Catalina Sandino Moreno, Rodrigo Santoro
OPINIÃO Antes de mais nada, é preciso informar que trata-se de um ambicioso
projeto do diretor Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brokovich, Ocean's Eleven)
que resultou numa cinebiografia monumental de 4 horas e meia de duração, exibida
na íntegra em Cannes 2008 e na Mostra SP 2008, onde eu não encarei a versão completa.
Esse CHE que estamos vendo agora é a primeira parte do projeto, título original
Che-Part One ou The Argentine, com pouco mais de duas horas de duração, que
recebeu críticas muito boas. A segunda parte está prometida para exibição no Brasil
nos próximos meses
e, mais longa e sombria, recebeu críticas nem tão empolgadas.
E o filme é mesmo bem bom. Sinopse: No dia 26 de novembro de 1956, Fidel Castro
navega até Cuba com oito rebeldes. Um deles era Ernesto 'Che' Guevara, médico
argentino que dividia com Castro um objetivo comum - derrubar o governo militar
corrupto de Fulgêncio Batista. Ao mesmo tempo que retrata as batalhas rumo à revolução,
CHE demonstra, através de imagens da famosa viagem de Guevara às Nações Unidas,
a repercussão que a vitória socialista cubana teve nos EUA e no mundo. O poder das
ideias e ações de um homem que mudou o curso da história como a conhecemos.
Dado esse resumo, o filme é bem simples na sua narrativa. Vemos alternadamente
a famosa entrevista às Nações Unidas em preto e branco estiloso, com um Benicio
Del Toro (prêmio de melhor ator em Cannes) assombrosamente parecido com Che,
e a gradual e meticulosa formação do 'exército' guerrilheiro nas selvas da ilha cubana
em cores, em estilo documental seco e didático, sem espaço para melodrama
ou cenas edificantes, bem distante do que Hollywood faria com um tema desses.
O belo Diários de Motocicleta de Walter Salles, mostrou a juventude de Ernesto Guevara
com altas doses de sentimentalismo cristão, algo que é plenamente evitado nessa
versão de Steven Soderbergh, que humaniza o mito mas não faz discurso demagógico.
Os tempos mudaram, hoje o mundo é governado pelo cinismo e individualismo
pragmáticos, mas CHE funciona muito bem como um retrato de uma figura
fundamental da história do século XX, cujo espírito jovem revolucionário me parece
ter ainda muito a dizer à juventude desencantada e sem ideologia política ou social
dos dias de hoje, cuja percepção de Che não passa de uma grife de design para rebeldia
juvenil. Dizer que a atuação de Del Toro colabora para encantar o espectador é chover
no molhado, o cara é puro magnetismo, um monstro!, sem precisar de apelo emocional.
Apesar de cobrir todo o processo da formação guerrilheira, com confrontos
violentos, tiros e explosões, não espere um 'filme de ação'. CHE é, ousadamente,
um filme sólido sobre as ideias políticas e postura humanista socialista do personagem.
Outro grande mérito da ousadia da produção, em boa parte produzida com dinheiro
americano, é que o filme é falado em espanhol e conta com uma equipe quase
totalmente latina, tanto nos atores (incluindo um pouco expressivo Rodrigo Santoro)
como nos técnicos. Vale notar que
Soberbergh filmou em tela larga com poderosas
e novíssimas
câmeras digitais
Red One, com resultado impressionante na tela.
Quase impossível dizer que não foi filmado em película. Por fim, como se trata de um
filme dividido em dois, muito curiosa a cena que encerra o filme, com bom humor,
leveza e ironia, numa cena na estrada a caminho da festa da revolução cubana.
Agora é aguardar a parte dois, para ter melhor percepção da dimensão do projeto.
Visto em 21/05 como convidado da UCI Cinemas | Europa Filmes
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
W. ![]()
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W. EUA 2008 2h08min RT 6,0
de Oliver Stone com Josh Brolin, Elizabeth Banks, Richard Dreyfuss, Thandie Newton,
James Cromwell, Ellen Burstyn, Jeffrey Wright, Scott Glenn, Toby Jones, Ioan Gruffudd
OPINIÃO No que parece ser tremenda ironia, entram em cartaz em Recife no mesmo
dia duas cinebiografias de personalidades políticas fundamentais da história recente.
E não poderiam ser personagens mais extremos. Oliver Stone, chegado a radiografar a história
da América (The Doors, Nascido em 4 de Julho, Nixon, JFK, As Torres Gêmeas), escolhe agora
a figura do ex-presidente norte-americano cuja passagem pelo poder aconteceu nos anos
mais controversos da história recente, com o ataque terrorista ao WTC e a invasão
americana ao Oriente Médio, com a Guerra do Iraque. Talvez seja muito cedo ainda
para cinebiografar o tal sujeito presidente, como faz Oliver Stone nesse estudo
de personagem em parte intimista, em parte satírico, quase debochado. O filme
abre com uma reunião de cúpula na Casa Branca que chega a lembrar um quadro
humorístico com atores famosos disfarçados meticulosamente nessas figuras públicas
sinistras. Particularmente cômica é a personificação de Condoleezza Rice por Thandie
Newton, enfeiada numa caricatura com próteses e fazendo hilárias caretas em cena.
Mas W. não é uma comédia. Assim como o CHE de Soderbergh, o filme alterna o momento
delicado das reuniões decisivas para atacar o Iraque com flashbacks que mostram todo
o processo que fez George W. Bush, um típico caipira rico americano, chegar à presidência
dos EUA, ele mesmo filho de outro presidente, o Bush pai, que não tinha uma relação boa
com o filho, da juventude de bebedeiras e irresponsabilidades à falta de talento ou interesse
para qualquer dos empregos e universidades que seu pai tentou encamilhá-lo. Sempre bom
de ver, com as meticulosas reconstituições de época que só o cinema americano parece
saber fazer com tanta perfeição e um elenco estelar, com grandes nomes como Ellen Burstyn
e Richard Dreyfuss em papéis menores, W. não chega a empolgar, mas diverte e informa
sem ser muito pretensioso e é surpreendentemente discreto, sem as firulas técnicas
exageradas da maioria dos filmes de Stone. Destaque absoluto para Josh Brolin como
o protagonista. Brolin, eterno coadjuvante pouco notado, teve um ano de 2008 excepcional,
excelente em Onde os Fracos Não Tem Vez, indicado ao Oscar em Milk e irretocável como
Bush, sendo ele mesmo o melhor motivo para conferir W. nos cinemas. Curiosidade:
para quem ficar até o final dos créditos, o filme encerra com uma sugestiva tranformação
do logotipo W. numa cruz cristã, sinal da acidez irônica em boa forma de Oliver Stone.
Visto em 16/05 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
BUDAPESTE ![]()
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Brasil/Hungria/Portugal 2009 1h53min
de Walter Carvalho com Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori, Giovanna Antonelli
> Sinopse: José Costa (Leonardo Medeiros) é um ghost-writer, escritor especialista
em escrever livros para terceiros sob a condição de permanecer anônimo. Na volta
de um congresso, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista em Budapeste,
o que desencadeará uma série de eventos envolvendo-o em uma surpreendente história.
Casado com Vanda (Giovanna Antonelli), famosa apresentadora de telejornais, Costa
conhece Kriska (Gabriella Hámori) em Budapeste. Com ela aprende húngaro que, segundo
dizem, 'é a única língua que o diabo respeita'. Durante as diversas idas e vindas entre
o Rio de Janeiro e Budapeste, Costa se alterna entre o seu enfeitiçamento pela língua
húngara transformada em paixão por Kriska e suas raízes pessoais ancoradas
no seu amor por Vanda. Baseado em livro de Chico Buarque, Budapeste
é a estreia na direção do talentoso diretor de fotografia Walter Carvalho.
Visto em 23/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
LIÇÃO DE AMOR ![]()
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Scusa, Mas Ti Chiamo Amore Italia 2008 1h45min
de Federico Moccia com Raoul Bova, Michela Quattrociocche, Luca Angeletti
OPINIÃO Tranquilamente não só um dos piores filmes do ano como também
um dos mais irritantes, Lição de Amor cai de para-quedas na 'sessão de arte'
talvez por ser falado em italiano, o que nos multiplexes deve ter algo a ver
com 'arte'...
No que parece ser produção de alguma equivalente da Globo Filmes
na Itália, temos uma suposta história de amor entre a desmiolada adolescente
Nikki (Michela Quattrociocche), 17 anos, e Alex (Raoul Bova, modelo-galã-ator
italiano que já fez comédias românticas americanas), 37 anos, publicitário medíocre
e bem sucedido de uma agência de publicidade à moda Projac.
O casal é, excluindo
a beleza física, completamente desinteressante e, pra tornar a coisa toda irritante
o filme tem ritmo de tiroteio, entupido de diálogos velozes, vários casais coadjuvantes
igualmente detestáveis, montagem absurdamente acelerada, trilha sonora brega
redundante e, como se não bastasse, os personagens ainda narram em off tudo
o
que não deu tempo de falar em cena. Achou pouco? A tela ainda é brindada
a cada 15 minutos com letrinhas com citações literárias sobre o amor, de William
Shakespeare a Honoré de Balzac (Ah, então é isso! Trata-se de um 'filme de arte'!!!)
A trama pouco convincente, previsível e idiota ainda inclui um acidente que leva uma
das personagens em coma a UTI de hospital, numa sequência 'sem noção' que parece
querer juntar drama de novela das 8 com comédia de novela das 7. É um negócio
constrangedor. Lição de Amor é um teste de paciência, tentando levar o espectador,
diante de tantos personagens abjetos e da narrativa constantemente histérica,
a abandonar a sessão. Tive essa vontade antes dos 20 minutos de filme. São quase
2 horas de novela ruim, que agonia! Até na inevitável cena de cama entre o 'coroa'
e a 'ninfeta', o diretor Federico Moccia não dá refresco: o casal transa tagarelando clichês
eróticos e a cena é um picotado publicitário de sombras e partes do corpo, tipo anúncio
de perfume.
Se Daniel Filho descobre essa fita, ano que vem
tem sucesso do cinema
nacional com Tony Ramos e alguma gatinha de Malhação...
Mas o pior de tudo é a ideia
que Lição de Amor faz do que seja amor, romance. É preocupante. Vade retro!
Visto em 04/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
UMA NOITE NO MUSEU 2
A Night at the Museum 2: Escape from the Smithsonian EUA 2009 1h45min RT 4,4
de Shawn Levy com Ben Stiller, Amy Adams, Robin Williams, Owen Wilson, Steve Coogan
> Sinopse: Assim como no primeiro filme, Ben Stiller volta nessa sequência
no papel do vigia de museu Larry Daley. Mas dessa vez a ação se dá no Museu
Smithsonian de Washington, na capital dos EUA, onde ganham vida personalidades
da história americana - entre eles presidentes, Amelia Earhart, uma das
pioneiras da aviação, além de um improvável faraó, Kah Mun Rah.
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Pré-estreia
VOCÊS, OS VIVOS ![]()
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Du Levande/You The Living Dinamarca/França/Suécia 2007 1h34min RT 10,0
de Roy Andersson com Jessica Lundberg, Elisabet Helander, Björn Englund
CINEMA DA FUNDAJ | domingo 24, 16h20
OPINIÃO RÁPIDA Que surpresa o lançamento desse filme que vi em 2007
na Mostra SP, agora em pré-estreia domingo na Fundaj. Lembro que fui assistir
pelas ótimas críticas e recomendações dos jornais, o que gerou sessões lotadas
para esse filme que parece vir com um letreiro piscando 'Filme de Arte Esquisito
Para Exibição em Festivais'. Não gostei muito do que vi e, em ritmo de Mostra,
assisti olhando pro relógio e pensando que poderia estar vendo outro filme
no mesmo horário. Vocês, os Vivos é uma dessas esquisitices européias
que passam muito longe do cinema narrativo convencional, formatado como
uma colagem de mais de 50 quadros vivos curtos, acho, sem conexão entre si,
além da temática de humor bizarro sobre vários personagens condenados
à incomunicabilidade etc e tal Apesar da grande força visual dos quadros, com
imagens morbidamente cinzentas e alguns planos inesquecíveis (especialmente
o encerramento com uma esquadra de aviões ou um edifício que ganha
movimento deslocando-se como um trem), o filme não me tocou.
É também o tipo de filme que tem sequências com gente feia, gorda, tocando
trombone de pijamas, numa esquisitice clichê quase publicitária. De qualquer
forma, apesar de ter influências infinitas do cinema de Jacques Tati, Charlie
Chaplin, Jim Jarmush, David Lynch, Woody Allen e até Ingmar Bergman,
Vocês, Os Vivos se impõe por uma personalidade forte, original, que no fim
das contas não se parece com nada, é muito estranho mesmo. É o primeiro
filme do sueco Roy Andersson lançado por aqui e merece atenção. Fiquei
suspreso com a unanimidade do RottenTomatoes nota 10, para um filme
que acho fácil levar uma boas pedradas de críticos...
Vou rever
nessa pré-estreia e, fora do contexto de uma maratona de Mostra,
semana que vem revejo a minha opinião. Assistam e comentem.
Visto em outubro de 2007 como convidado da Mostra SP 2007
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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Curta Petrobras - junho
> O projeto Curta Petrobras às Seis exibe a partir dessa sexta 22 de maio
o programa RELACIONAMENTO, com 3 curtas-metragens diariamente
no Multiplex Recife, às 18h, em sessão única com ENTRADA FRANCA.
Esse projeto da Petrobras exibe curtas brasileiros premiados em blocos temáticos,
que
agora contam com um espaço na internet para encontros virtuais para discutir
os filmes que já foram exibidos no programa. Para participar www.curtaasseis.com.br
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO
de Kleber Mendonça Filho PE 2006 15min
Homem encontra mulher.
JONAS E A BALEIA
de Felipe Bragança RJ 2006 20min
Jonas tem uma moto, um par de sapatos e um revólver.
Um dia ele se apaixona. E mata um homem.
TRÓPICO DAS CABRAS
de Fernando Coimbra SP 2007 23min
Road movie. Um casal em crise parte do litoral para o interior
de São Paulo num Chevette para salvar ou perder de vez sua relação.
Aos poucos, se entregam a um estranho jogo sexual.
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
Kinemail recomenda, ainda em cartaz
> Lamentavelmente começamos recomendando, para aqueles que nos leem
fora de Recife, o documentário Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei,
que só ficou em cartaz uma semana por aqui, no distante multiplex BOX
do Shopping Guararapes. Imagens raras e uma incrível história de vida de
um dos maiores ídolos da música pop brasileira dos anos 60, pouco conhecido
pelas novas gerações. Não perca. Como o filme só exibe em projeção digital,
torça para que a outra única sala com projeção
digital do Recife, o Cinema
da Fundação, dê nova chance ao público para assistir ao filme. Enquanto o povo
lota as salas para ver os bem ruins Wolverine e Anjos e Demônios, o delicioso
(não enconto outra palavra...) de ver Star Trek já foi defenestrado dos multiplexes
locais. Já vi três vezes, adoro e recomendo. Atenção: Star Trek ainda exibe
em sessão única diariamente às 13h35 no BOX Guararapes, cópia legendada
e precinho BOX Party (R$ 5,oo para todos). Em tempo: nos EUA, Star Trek
é sucesso estrondoso de bilheteria, já deixou Wolverine pra trás e, em sua
terceira semana de exibição, ainda está faturando mais alto do que a semana
de
estreia de Anjos e Demônios! Levando em conta que Exterminador do Futuro:
A Salvação estreia com críticas bem negativas, ao certo Star Trek seguirá forte
nas bilheterias na sua quarta semana de sucesso nos EUA. Vida longa e próspera!
O Cinema da Fundação permanece exibindo KFZ-1348 e o algo inclassificável filme
do inglês Mike Leigh Simplesmente Feliz. Não se engane com o cartaz nacional
que vende a fita como um débil 'filme de mulherzinha'. Não é nada disso. Confira
e veja, entre outras coisas, porque Sally Hawkins, mesmo ignorada pelo Oscar, ganhou
vários prêmios de melhor atriz. Ela está sensacional como Pauline, ou simplesmente 'Poppy'.
O filme que rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz para a jovem Anne Hathaway,
O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme (Oscar por O Silêncio dos Inocentes),
segue com sucesso nas restritas 'sessões de arte' dos multiplexes, dividindo a semana
com o medonho filme italiano Lição de Amor. Atenção: O Casamento de Rachel terá
somente mais duas sessões, na segunda 25 e quarta 27, às 19h10, no multiplex Recife.
Fernando Vasconcelos | 22.05.2009
KFZ-1348, Alphaville e Dúvida
É impressão minha ou todo filme nacional que presta é quase sempre pernambucano?
Muro no ano passado. KFZ-1348 nesse ano. O filme traz um panorama da sociedade
brasileira tendo como fio narrativo um fusca de placa KFZ-1348. Desda a época em que
ter um fusca era um artigo de luxo, até 2007, quando ele esta caindo aos pedaços,
o automóvel passou pelas mãos de 8 proprietários. O filme ja é interessante pela linguagem
escolhida pelos diretores Marcelo Pedroso e Gabriel Mascarro. É quase de um voyerismo,
na medida que observamos os personagens fazerem seus afazeres cotidianos, ignorando
a câmera, com planos bem deculpados, quase ficcionais, enquanto escutamos seus depoimentos
através das suas vozes em off. O filme tem um ritmo lento, quase contemplativo, e embarca
com seus personagens como se eles conduzissem a narrativa do filme. Primeiro, ele nos
apresenta os oito proprietarios de mandeira didatica e linear, para depois cruzar seus
depoimenos e imagens de maneira aleatória. Lovavel, em uma época em que se chamar
atenção em filmes virou sinônimo de anúncios publicitários nas salas de cinemas.
KFZ-1348 é muito mais do que um documentário sobre a história de vida dos donos
de um fusca, ou sobre o fusca em si (que não tem muita importância no filme, como
constatamos no final). A escolha de um automóvel se deu por que esse provavelmente
passaria por donos de diferentes classes sociais, o que daria um amplo painel sobre
a sociedade brasileira, desde um bem sucedido engenheiro de São Paulo até um dono
de ferro-velho em Reciife. A partir dessas oito pessoas, escutamos como e por que
o fusca foi parar em suas mãos, suas histórias de vidas, e chegamos a conclusão
de que, apesar de suas classes sociais diferentes, o brasieiro é bem parecido entre si.
O curta Alphaville 2007 D.C. é, sem duvida, o melhor filme que vi esse ano nos cinemas.
Dirigido por Paulinho Caruso em 2007, ganhou um monte de prêmios no 'glamuroso' Festival
de Gramado. Visto no Curta Petrobras às Seis, gratuito, no multiplex Recife. Com fortes
influências do cinema de Rogerio Sganzerla e Jean-Luc Godard, o filme é uma irônica sátira
com o estado de paranoia da violência urbana que se instalou no Brasil. 'Você pode tentar
entender a situação, ou encarar tudo como um bang bang!', diz a narração em off em francês
ao longo do filme. Encarar a situação como uma guerra civil é o que vem acontecendo (com
muita ajuda da imprensa sensacionalista), pois o que é muito investido em segurança pública
e privada, não é investido em nada no social. A linguagem é quase anárquica, com uma
narrativa simbólica, bem ao estilo de O Bandido da Luz Vermelha. Vale a pena conferir,
ou na internet ou no cinema (que seria o ideal). P.S. Para as antas que so leem a SET,
é preciso dizer que Alphaville é o nome de um filme de Godard?
Desde o ensino médio sou fã de Dom Casmurro, de Machado De Assis. Deve ser por isso
que Dúvida funcionou tão bem comigo. Assim como o clássico texto do bruxo do cosme velho,
o filme trabalha com o dúbio nos fatos apresentados, transformando o filme em um interressante
exercicio de interpretação daquilo que é mostrado na tela. Seriam fundadas as suspeitas
de pedofilia cometida pelo padre a um aluno da escola? Ou seria apenas implicância
de uma freira que parece estar sempre a procura de algo errado na escola?
Os indícios podem ser interpretados de várias maneira, todos deixando dávidas no ar.
Tudo caminha na barreira entre a malícia e a ingenuidade, não deixando nada definido,
já que nenhuma prova definitiva é dada, nem contra, nem a favor. A dubialidade é uma
caracteristica bem inerente ao ser humano, pois a verdade é sempre uma interpretação
de fatos, e a falta de certeza definitiva sempre atormenta a todos. A necessidade
de uma verdade absoluta é que faz as religiões terem tantos seguidores. O triste
é que sempre constatamos, assim como a freira Aloysius, que a fé cega nem sempre
é suficiente para nos fazer dormir à noite. Tecnicamente o filme é correto. Filme de atores,
a câmera esta sempre a serviço da mise en scene, com uma fotografia de cores frias
e uma direção de arte competente. O escorregão fica a cargo da trilha sonora genérica,
evocativa e, às vezes, irritante, mas que sabe fica calada em momentos cruciais do filme.
A grande cena é a conversa entre a irmã Aloysius e a mãe do menino, que é surpreendente
pela franqueza dessa última. Um filme de pontas soltas no cinema americano
de finais bem definidos é raro. Parabéns para a coragem dos realizadores.
Luiz Guilherme | luizpad@hotmail.com
Revista SET - O Retorno
Ao contrário do informado aqui no Kinemail na EDIÇÃO 428,
a revista SET não fechou
suas portas. Após uma última edição de abril, com Wolverine na capa, a revista passou
por uma negociação e continuará nas bancas, pela Editora Peixes, agora com um novo
editor, Mario Marques, que fez declarações à imprensa sobre mudanças na revista:
'Não vamos fazer julgamento do que era a SET. A revista que Roberto Sadovski fazia
era produzida com uma paixão enorme por ele. Mas tinha o modo dele, as concepções
dele, a postura dele. Respeitamos a história dele na revista, mas pensamos diferente
e a revista decerto vai mudar. A SET é uma revista de cinema. Não uma revista de
super-heróis do cinema ou de blockbusters. Nesse sentido, ela vai ter um espectro maior.'
A edição de maio sai com capa Exterminador do Futuro: A Salvação (blockbuster
que está estreando nessa sexta 22 nos EUA, com críticas bem negativas)
aparentemente
sem grandes novidades na linha editorial. Não vou julgar apressadamente, deixa eu ver
o que tem dentro da revista... A capa está com design um pouco mais limpo,
sem os excessos habituais. Espero mudanças gráficas
também no miolo, cujo
projeto gráfico atual era um dos mais feios dos 20 e poucos anos da revista.
Fernando Vasconcelos | 20.05.2009
Anticristo em duas versões
> Notícia de Cannes 2009: Já comprado para o Brasil o novo e comentado
filme do sempre provocador Lars von Trier (Dogville, Os Idiotas, Dançando
no Escuro), Anticristo, com Charlotte Gainsbourg e Willen Dafoe. O distribuidor
TrustNordisk anunciou que serão disponibilizadas duas versões para exploração
comercial desse filme cuja versão exibida em Cannes teve imagens de sexo explícito
e mutilação de órgãos genitais. As duas versões serão chamadas, no que parece
piada do cineasta dinamarquês, the naughty protestant one e the nice catholic one
(ou a protestante safadinha e a católica bacana, como chamou Kleber Mendonça Filho).
Fernando Vasconcelos | 22.05.2009
Participe do Kinemail, comente, mande e-mail para fernando@kinemail.com.br