

Kinemeite de Julho
Kinemeião de Julho



ANO DEZ Edição 440
Frost, Nixon, Jean Charles e a Menina Morta
> Semana tem estreia de Transformers - A Vingança dos Derrotados
com Shia LaBeouf e Megan Fox na mais nova obra (ops!) de Michael Bay.
O Brasil entra na briga pela bilheteria nos multiplexes com Jean Charles,
com Selton Mello dirigido por Henrique Goldman.
Vale lembrar que A Mulher Invisível vem humilhando Exterminador do Futuro: A Salvação nas bilheterias.
Na Fundaj, A Festa da Menina Morta, primeiro filme dirigido pelo ator
Matheus Nachtergaele, com Daniel de Oliveira, Dira Paes e Cassia Kiss.
Nas sessões extras dos multiplexes, chega ao Recife Frost/Nixon,
indicado aos Oscar de melhor filme, direção, roteiro e ator (Frank Langella)
e, na opinião do Kinemail, o melhor dos cinco concorrentes, de longe.
No Rosa e Silva estreia o documentário Paulo Gracindo - O Bem Amado.
O Cinema Apolo
oferece novas chances para você ver CHE - Parte 1.
Ainda temos pré-estreias sexta 26 e sábado 27 nos multiplexes para
a comédia romântica A Proposta, com Sandra Bullock e Ryan Reynolds.
Leia, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br
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UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009
FROST/NIXON ![]()
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Frost/Nixon EUA 2008 2h00min RT 9,2
de Ron Howard com Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell
OPINIÃO Não posso evitar começar esse comentário deixando claro meu
preconceito com o diretor Ron Howard. Típico diretor bom artesão mas de visão
humana estreita, limitada, ele faz filmes tão 'importantes' quanto esquecíveis,
como o oscarizado Uma Mente Brilhante, o tipo do filme que sua mãe e aquele
seu tio mamão acham lindo.
São dele também Apolo 13, A Luta pela Esperança
e coisas abomináveis de encomenda como O Código Da Vinci e Anjos e Demônios.
Só sei que nunca pensei um dia dar quatro estrelas para 'um filme de Ron Howard'.
Mas eis que Frost/Nixon mereca cada estrelinha da cotação. É o melhor filme
de Ron Howard desde o simpático Splash - Uma Sereia em Minha Vida.
No escândalo Watergate, Richard Nixon renunciou à presidência dos EUA em 1974,
recusando-se a revelar à nação as razões de seu ato. Em 1977 ele concordou
em dar uma entrevista, visando esclarecer pontos obscuros do período em que esteve
no governo e usá-la para uma possível volta à política. Contava, para isso, com o fato
de seu entrevistador, David Frost, ser um jovem jornalista australiano, desacreditado
e em decadência na imprensa de seu país. Nixon acreditava na informação de seus assessores
de que seria fácil dobrá-lo. Entretanto, o que ocorreu foi uma grande batalha, a qual resultou
em um confronto assistido por 45 milhões de espectadores ao longo de quatro noites.
Convenhamos que trata-se de um projeto de encomenda, dado que o material
é um fato real e que o filme é adaptação de uma premiada versão original para teatro.
Ron Howard simplesmente não tinha como errar. Mas ainda assim, ele surpreende.
Não pense em teatro filmado ou reprodução fiel da entrevista televisiva. Frost/Nixon
é espetáculo cinematográfico
em cada detalhe, da tela larga ao uso de som e grandes
close-ups.
Evita o caminho explicativo sobre o Watergate, não cede a recursos
melodramáticos fáceis
nem trilha sonora edificante e investe no essencial: criar suspense
com o enredo e tirar o máximo de seus dois atores magníficos, reforçados por um
competente elenco de apoio. A atuação de Frank Langella
como Nixon não fica nada
a dever aos seus nobres concorrentes no Oscar, Mickey Rourke e Sean Penn, e o ótimo
Michael Sheen (o Tony Blair de A Rainha) repete o papel que já fazia no teatro.
Ok, o Oscar 2009 foi um dos mais fracos dos últimos anos, mas agora que
vi os cinco concorrentes, não resta dúvida que Frost/Nixon, o único que
ficou sem prêmios, era o melhor, cinemão americano pra Oscar. Não perca!
Visto em 22/06 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
JEAN CHARLES ![]()
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Brasil/Inglaterra 2009 1h33min
de Henrique Goldman com Selton Mello, Vanessa Giacomo, Sidney Magal
> Sinopse: Filme é baseado no mundialmente conhecido caso do brasileiro
Jean Charles de Menezes, assassinado no metrô de Londres por agentes
do serviço secreto britânico em 2005, ao ser confundido com um terrorista.
O filme revela os últimos meses da vida do eletricista mineiro, a partir da chegada
a Londres de sua prima Vivian, que vai morar com ele e os primos Alex e Patrícia.
A trágica morte de Jean Charles abala seus primos, que precisam reconstruir
suas vidas após a dolorosa perda, em meio à luta por justiça.
Mais um lançamento de grande porte na mídia estreia aqui no Recife sem exibição
prévia para a imprensa. Embora com um trailer nada animador, Jean Charles
recebeu boas críticas da imprensa e conta com o prestígio de ser uma co-produção
com nomes ingleses de peso
como Stephen Frears e produtores do diretor Ken Loach.
Visto em 27/06 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
A FESTA DA MENINA MORTA ![]()
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Brasil 2009 1h50min
de Matheus Nachtergaele com Daniel de Oliveira, Cássia Kiss, Dira Paes
OPINIÃO Selecionado para a mostra Un Certain Regard de Cannes 2008,
A Festa da Menina Morta é a estreia na direção do ator Matheus Nachtergaele,
com a marca de sua personalidade corajosa, de ator de tradição teatral.
Da produção complexa, que levou a equipe para um lugarejo isolado
na Amazônia, até a ousadia temática, que mexe com religião, morte,
sexualidade e incesto, Matheus comenta em entrevistas o quanto é difícil realizar
um 'filme de arte' no Brasil. Essa consciência 'artística' do projeto é talvez
o que mais ne incomodou no filme, muito mais do que sua própria temática.
Numa sinopse rápida, há 20 anos que uma pequena população ribeirinha do alto
Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado
por Santinho (Daniel de Oliveira), que após o suicídio da mãe, recebeu em suas
mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida.
O filme concentra-se em um dia de preparativos para a festa religiosa, mas o roteiro
escrito com o experiente pernambucano Hilton Lacerda está longe de ser linear,
investindo numa narrativa mais sensorial, onde detalhes visuais e diálogos fornecem
as peças para o espectador construir a história, num formato oposto ao cinema
nacional retardado que domina as comédias que atraem milhões e os pobres
dramas de narrativa linear e novelesca do cinema nacional que faz sucesso.
Não posso deixar de comparar o filme de Matheus com o de Selton Mello, Feliz Natal,
com o qual compartilha a mesma proposta de cinema de pretensões 'artísticas'. Se
o filme de Selton não se sustenta em si, revelando mais um vazio e orgulhoso projeto
de ator cinéfilo, A Festa da Menina Morta merece elogios por ser mais consistente,
íntegro, como exercício pessoal de cinema de um artista inquieto. Mas, no meu caso,
o filme nunca pega pela emoção. Ao contrário, atravessei suas longas quase duas
horas de duração incomodado pela redundância 'visceral', pela fotografia virtuosa,
pela
direção de arte orgulhosa, pelas atuações teatrais (particularmente o protagonista
Daniel de Oliveira, beirando a afetação insuportável), tudo ficando sempre num tom
cerebral bem acima de um cinema que poderia simplesmente encantar, emocionar.
Visto em 16/06 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
PAULO GRACINDO - O BEM AMADO
Brasil 2008 1h24min
documentário de Gracindo Jr. com depoimentos de Daniel Filho, Paulo José, Lima Duarte
> Sinopse: Filme recupera a trajetória de Paulo Gracindo, um dos atores
mais populares da história brasileira. Dirigido pelo filho Gracindo Jr.,
acompanha a carreira do ator, da juventude em Maceió, passando
pelo início da carreira no Rio de Janeiro até a consagração no teatro
e rádio, culminando com memoráveis papéis na TV nos anos 70 e 80.
TRANSFORMERS - A Vingança dos Derrotados
Transformers: Revenge of the Fallen EUA 2009 2h27min RT 1,9
de Michael Bay com Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel
> Sinopse: Dois anos se passaram desde que o jovem Sam Witwicky (Shia LaBeouf)
salvou o universo de uma batalha decisiva entre duas raças de alienígenas
robóticos em guerra. Apesar de seu heroísmo, Sam é ainda um adolescente comum.
Justamente quando a vida está quase de volta ao normal, ele é perturbado
por visões que brilham em seu cérebro como raios. Sam mantém suas visões
em segredo até não conseguir mais ignorar as mensagens e símbolos que passam
através de sua mente. Sam está novamente no centro de uma guerra entre
os Autobots e os Decepticons com o destino do universo em jogo.
Kinemail foi convidado para a cabine de imprensa e agradece. Não pudemos ir
e admitimos que não estamos nem um pouco animados para ver o que, segundo
um crítico ianque é 'a mesma coisa do primeiro, só que mais barulhento e mais longo'.
Filme tem recorde histórico de bilheteria: U$ 200 milhões (!!!) no fim de semana de estreia.
Assista e mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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Cara, eu adoro esses filmes!
> For falta de tempo pra escrever, sempre adio postar Cara, eu adoro esses filmes!,
que é muito mais que dica de cinema. São aqueles raríssimos filmes que te deixam
maravilhado e que dão uma vontade danada de avisar a todos seus queridos
amigos cinéfilos no maior bocão: VOCÊ TEM QUE VER ESSE FILME!!! Do jeito que
o cinema atual anda vagabundo, essa sensação só tem acontecido comigo quando
vejo alguma jóia de muitos tempos atrás. Nessa edição, só farei breve comentário
sobre dois desses filmes pelos quais me apaixonei, vistos recentemente em DVD:
PAI E FILHA de Yasujiro Ozu ![]()
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Banshun Japão 1949
Visto em 20/06 em DVD da Lume Filmes
> Um dos grandes mestres do cinema oriental, chamado pelos cinéfilos apenas
como Ozu, é pouquíssimo conhecido por aqui, onde são raros lançamentos
de seus filmes. Pai e Filha, simples, delicado e cheio de sabedoria oriental,
conta a história de uma filha que mora só com o pai viúvo. Ele entende que
ela deve seguir sua vida, casar. Ela quer viver apenas para o pai, sem se
preocupar em 'ficar pra titia'. As mudanças de comportamento da sociedade
às vésperas dos anos 50, a influência da cultura pop americana, a força
das tradições da cultura oriental, a solidão inevitável da velhice, está tudo lá,
nas entrelinhas das milimétricas composições visuais de Ozu,
de uma grandeza
humana e beleza estética de encher os olhos d'água.
Saiu pela Lume Filmes
e, entre vários elogios, já foi chamado de 'um dos mais belos
filmes da história do cinema.' Não precisa dizer mais nada, né?
UM GOSTO DE MEL de Tony Richardson ![]()
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A Taste of Honey Inglaterra 1961
Visto em 21/06 em DVD pirata baixado da internet por amigo cinéfilo
> Tony Richardson, diretor inglês mais conhecido por vencer o Oscar com As Aventuras
de Tom Jones (1963), cometeu essa maravilha chamada Um Gosto de Mel em 1961.
Representante máximo da Nova Onda do cinema inglês, que trouxe para as telas a classe
trabalhadora e temas até então evitados, o filme é versão para cinema da peça teatral
de Shelagh Delaney, sobre uma garota pobre, Jo (Rita Tushingham, inesquecível),
que mora
com a mãe quarentona e decadente. Jo viverá seu primeiro amor e iniciação sexual com
um marinheiro negro e terá como único amigo um rapaz homossexual (Murray Melvin).
Filme e personagens são cativantes desde os primeiros minutos, e impressiona a leveza
com que se trata o drama, melancólico mas nunca pesado ou pessimista. Pontuado por uma
inocente canção infantil, incluindo abertura e final, Um Gosto de Mel é um clássico do início
dos anos 60 que não envelheceu nadinha. Ao contrário, continua ainda ousado
na temática
social e sexual, e é um retrato nostálgico da Manchester da época. Mais que tudo, é um filme
universal sobre crescer, procurar amor, afeto, levar porrada da vida mas continuar em frente.
Morrissey, o líder do The Smiths, sempre falou que esse era o seu filme predileto, do qual
usou até linhas de diálogos da personagem Jo para a poesia das letras de suas músicas,
como I dreamt about you last night/And I fell out of bed twice (em Reel Around the Fountain)
ou The dream has gone but the baby is real (em This Night has Opened my Eyes).
Por Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
O fim das revistas impressas está próximo?
> Com a velocidade que as coisas acontecem atualmente, em menos de 10 anos
de existência o Kinemail já viu o fim do VHS, a aurora e crepúsculo do DVD e
a febre dos filmes piratas baixados pela internet, desde o sucesso ainda em cartaz
no seu multiplex até aquele raro filme húngaro ou japonês que nunca foi lançado
no Brasil. Em 2007, fiquei triste ao ver o fim da revista PREMIERE, edição USA,
(uma das bases para a concepção do Kinemail) revista mensal que colecionei
por quase 20 anos e hoje existe apenas como website www.premiere.com
Aqui vimos o fim da SET, a prima pobre da PREMIERE, que renasce através de nova
editora com uma edição maio/junho e nova equipe editorial prometendo mudanças.
Agora tomei tremendo susto com um dos maiores ícones editoriais da imprensa moderna:
Depois de 55 anos nas bancas, a revista PLAYBOY, edição USA, lança uma inédita
edição bimensal julho/agosto, reduzindo sua publicação para 11 edições anuais.
Independente da crise atual, este passa a ser o número oficial de edições anuais.
Modelo editorial já adotado por várias revistas menores lá fora, funciona como redução
de tiragem e gasto com papel e impressão e também como 'férias' forçadas para
os jornalistas, fotógrafos, designers e funcionários. A publicação de Hugh M. Hefner,
82 anos, já fechou este ano escritórios em Nova York e mantém atualmente apenas
seus escritórios originais em Chicago e filial em Los Angeles. A tiragem mensal da revista
ainda gira em torno de sólidos 3.000.000 de exemplares, mas vem caindo regularmente
a cada mês. É um número ainda impressionante, mas considere que mais de 35 anos
atrás, em 1972, PLAYBOY vendia somente nos EUA inacreditáveis 12.000.000 de exemplares
mensais! Ainda por comparação, a edição brasileira recordista, de dezembro de 1999,
vendeu 'apenas' 1.250.000 exemplares. Atualmente, a revista tenta recuperar fidelidade
com assinantes virtuais, que não recebem mais a revista em papel. Já sou assinante
desse formato desde 2007 e bastante satisfeito. Não confundir com website. PLAYBOY
tem seu website www.playboy.com. A revista digital é uma assinatura para receber
a revista em seu formato tradicional capa, páginas e poster, no seu computador pessoal.
Ainda, na última década, PLAYBOY expandiu suas edições internacionais, agora editada
em mais de 20 países, incluindo uma polêmica edição filipina e lançamento em Portugal.
Atualmente, o portal www.zinio.com oferece várias assinaturas digitais, incluindo a nossa
semanal VEJA, primeira revista brasileira oferecida neste novo formato. PLAYBOY mantem
um preview gratuito de várias edições antigas clássicas em www.playboyarchive.com
A última edição regular mensal, de junho, deu capa para a atriz America Olivo, figurante
em Transformers 2, fotografada por Terry Richardson, que criou uma ótima capa estilo
anos 70 com boa sacada do 'coelhinho na capa'. Entrevista com Shia LaBeouf, perfil do
soul man Booker T. Jones, ficção de James Elrroy e a Playmate do Ano foram os destaques.
A boa notícia é que a 'edição-crise' de julho/agosto está sensacional, recheada com mais artigos,
ilustrações e ensaios de nu, com a estranha novidade de não ter quase mais nenhuma
foto de nu frontal, o que parece ser estratégia para conquistar os leitores mais 'puritanos'
de várias publicações masculinas atuais que usam farto material fotográfico com modelos
seminuas, de alto apelo erótico mas dentro dos limites gráficos comportados de revista aberta.
A garota da capa, Olivia Munn, NÃO está nua na revista, que tem entrevista com Alec Baldwin,
20 Perguntas para Judd Apatow, preview exclusivo das primeiras 20 páginas da nova versão
em quadrinhos de Tim Hamilton para Fahrenheit 451, o clássico da literatura de Ray Bradbury,
publicado também em capítulos em
PLAYBOY mais de 50 anos atrás. Em reportagem especial,
7 pensadores analisam o futuro próximo, depois da histórica crise e mudanças de 2009.
Moda, gastronomia, design, arquitetura, literatura e mais reportagens completam a edição.
E como resolver a questão da playmate do poster para julho E agosto? Gêmeas, é claro!
Top model Monica Hansen, filha de brasileira com norueguês, é o ensaio de nu principal
e temos ainda especial das gêmeas e trigêmeas já lançadas por PLAYBOY e, o melhor
dos ensaios, grande reportagem fotográfica Porque Amamos os Anos 70, incluindo:
Farrah Fawcett, John Travolta, Star Wars, Studio 54, Tubarão, Ramones, Garganta Profunda,
a playmate Bebe Buell (mãe de Liv Tyler...), Barbara Bach, Saturday Night Live, Monty Phyton,
David Bowie, Marilyn Chambers, The Clash, O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, Donna Summer,
Lynyrd Skynyrd, Taxi Driver etc e, claro, as loucas festas na Mansão Playboy pré-AIDS.
Oh yeah! Diante dos dias atuais... A década de 70 merece mesmo ser celebrada :)
Por Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br
Frost/Nixon
Nem mesmo a fumaceira do São João embaçou minhas boas impressões sobre Frost/Nixon.
Não queria cair no clichê da 'grata supresa'... agora já foi. Para quem viu Todos os Homens
do Presidente, o filme é uma boa companhia, mas de um gênero diferente. Se não viu esse
filme nem conhece a história dos EUA, não tem problema: é muito bom independentemente disso.
A grande sacada é justamente não tentar explicar o caso Watergate, e sim focar na forte
relação de dois personagens bem construídos, oponentes e, de certo modo, íntimos.
Depois de ter pego o papel polêmico de Tony Blair em A Rainha, Michael Sheen nos oferece
um complexo David Frost. Frank Langella pegou o talvez ainda mais difícil Richard Nixon.
Assumindo o cinema como não-realidade, a escolha do elenco não baseou-se simplesmente
em semelhança física (um dos problemas de W. de Oliver Stone), mas em competência
expressiva. Some-se a esses coadjuvantes que seguram qualquer rojão (hehe),
como Oliver Platt, Kevin Bacon e Sam Rockwell, e o resultado é um filme denso
e com uma tensão que só mesmo a ficção poderia gerar em duas horas.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br
Intrigas de Estado
Vi Intrigas de Estado. Tá certo que eu sou suspeito pois
adoro livros e filmes de conspirações corporativas, thrillers de
política internacional etc. Mas gostei bastante do filme, da condução
do mesmo, e em particular das cenas com a Rachel McAdams.
Dois pontos negativos: Ben Affleck deveria seguir como diretor
e roteirista (na minissérie original da BBC era o Edward Norton...)
e o fato de ser uma produção de 6 horas condensada em 127 min.
Alexandre Perin | alexandre.perin@gruporbs.com.br
Também gostei bastante do filme e, engraçado, questão de ponto de vista:
eu gostei mesmo
foi pelo aspecto jornalístico, de como o filme mostra
o processo de realizar uma reportagem, como funciona um jornal etc.
Cineclubes e cinéfilos
Assisti As Harmonias de Werckmeister, de Bela Tarr, no Cineclube Dissenso,
que acontece aos sábados à tarde na Fundaj, com entrada gratuita, uma
excelente iniciativa. O filme mostra o impacto da chegada de uma baleia gigante
empalhada sobre os moradores de uma pequena cidade de interior na Hungria.
O filme pode ser discutido em três níveis.
No filosófico:
'Se Deus está morto, Então tudo é permitido.'
A frase acima está no livro Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, e parece resumir
nela todo o sentido do filme do diretor húngaro. Anti-niilista, o filme nos dá uma ideia
de como essa ideologia pode ser mal interpretada e como o preceito de destruir toda
e qualquer limitação e verdade que aprisiona o homem, pode fazer a sociedade
entrar em colapso e se destruir. O filme trabalha de maneira dialÉtica a questão
da desarmonizaçÃo de uma verdade e da novidade, que nem sempre chega para o bem.
No político:
Não é preciso saber muito sobre História para se ter uma noção do que países como
a Hungria sofreram com a chegada de ideologias como a soviética e a nazi-fascista.
O filme é uma lirica e bela alegoria sobre as invasões da Alemanha e da URSS nesse país.
No estético:
Filme esteticamente impecável. Praticamente todo filmado em planos-sequências
(quando não, de plano longo para plano longo) e em preto-e-branco, ele ja começa
com uma belíssima e simbolica cena aonde Janos Valuska (Lars Roudolph) explica
em um bar como se dá o movimento da Terra, do Sol e da Lua para que haja a passagem
dos dias e como acontece um eclipse solar, usando os frequentadores do bar para
representar os astros. A narrativa investe em tempos mortos, fazendo o ritmo ficar lento.
Assim, temos uma melhor leitura das imagens. Essencial em um filme tão simbólico como
esse, que exige compreensão e não simplesmente ver passivamente as imagens.
Outras cenas que merecem destaque são a da invasão e destruição de um hospital pela
população (essa é a cena que Kim-Ki Duk sempre tentou filmar, e nunca teve competência
para tal) e a cena final, que parece ser uma alfinetada em todo filósofo que defende ideias
sem nunca ter real vontade de contemplar suas possíveis, e negativas, consequências.
Bom, de filme político, filosófico, lírico e metafórico você pode chamar
As Harmonias de Werckmeister disso tudo, mas o que fica, principalmente,
é que é um dos mais belos filme já feitos. Logo depois assisti à sessão extra
de Hiroshima, Meu Amor de Alain Resnais. O que eu posso falar a mais sobre
tudo o que já foi dito sobre essa obra-prima? Que é, além de um filme anti-guerra,
um melodrama de primeira? Quem ainda não viu, vai muito mal como cinéfilo.
Luiz Guilherme Padua | luizpad@hotmail.com
E pra quem vai mal como cinéfilo, Hiroshima, Meu Amor terá uma quarta exibição
no Cinema da Fundaj, nesse sábado 27, às 16h. Agende-se e não perca!
Novidades no Oscar 2010
O Oscar 2010 terá o dobro de concorrentes ao prêmio máximo. A categoria Melhor Filme
terá dez filmes indicados, para a votação do 82° Oscar pelos membros da Academia.
Nos primeiros 16 anos de Oscar, uma média de dez filmes competiam anualmente
ao prêmio e o último filme a vencer nove concorrentes foi Casablanca, em 1943.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com
Classificados de cinema
Estou querendo me desfazer da minha coleção de revistas SET. Tenho 8 edições
de 1990, todas as edições de 1991 até 2006 e mais 6 de 2007, todas em ótimo
estado.
Interessados entrem em contato por e-mail.
Sandra Moraes | sandramoraes19@hotmail.com
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Cartaz de Cinema - jogo da memória
> Passeando pelos corredores de cinemas multiplexes, tenho reparado a grande
coincidência de design dos cartazes
de quatro filmes em exibição atualmente.
São boas peças gráficas, mas a repetição remete à preguiça criativa ou, no mínimo,
à uma tremenda cara de pau em copiar uma fórmula rápida de solução gráfica.
Primeiro, com fundo branco, temos Duplicidade e Frost/Nixon. Conceitualmente,
os dois opõem os personagens protagonistas, como amantes ou como rivais.
O primeiro
faz simetria rigorosa com imagens a cores do casal central e paisagens, utilizando a cor
azul. Já o segundo, faz uso de uma diagramação menos rígida e, minha opinião, ganha
em beleza estética por trabalhar com a clássica combinação preto, branco e vermelho.
Vale notar ainda a semelhança das tipografias usadas, todas em maiúsculas e em blocos.
AAA 
Já com fundo escuro, temos os casos de Trama Internacional e Intrigas de Estado,
tão parecidos que chegam a confundir o observador! Ambos trabalham com tonalidades
sépias e fundo preto, com letras maiúsculas em vermelho. Uma diferença mínima
é que o primeiro utiliza fotos de paisagens e cenas de ação, enquanto o segundo
investe apenas nos rostos conhecidos dos astros e estrelas protagonistas.
Curiosamente, ainda temos na mesma área inferior dos cartazes, em um uma
foto de um homem correndo e, no outro, a silhueta de um homem andando.
AAA 
Por fim, dos quatro, Kinemail recomenda Intrigas de Estado e Frost/Nixon.
Trama Internacional e Duplicidade são boas sessões de multiplex, acima da média.
Assista, comente os filmes e essa matéria para fernando@kinemail.com.br