

Kinemeite de Julho
Kinemeião de Julho



ANO DEZ Edição 443
Potter, o bruxinho, e Petit, o equilibrista
> Semana tem estreia do último arrasa-quarteirão de 2009, a sexta
aventura do bruxinho que é o maior sucesso da literatura infanto-juvenil
da década, em Harry Potter e o Enigma do Príncipe.
Estreia também
nessa sexta, somente no Cinema da Fundaj, o eletrizante documentário
Man on Wire - O Equilibrista, filme do inglês James Marsh, vencedor
do Oscar 2009 na categoria, sobre as travessias não autorizadas
do francês Philippe Petit, aos 24 anos, entre as torres do World Trade
Center equilibrado num cabo de aço, em 1974. Não perca por nada!
O novo filme de Spike Lee, o drama de guerra Milagre em Sta. Anna,
chega ao Recife em única sessão nesse sábado 18, às 11h da manhã,
no multiplex Boa Vista. Não é pré-estreia. Perdeu, dançou. Pré-estreia teremos
na Fundaj para
o drama Há Tanto Tempo que te Amo, com elogiada atuação
da inglesa Kristin Scott Thomas.
O Apolo relança Watchmen - O Filme,
ótima oportunidade para reavaliar esta boa adaptação
de quadrinhos.
Cineclube Amoeda/Central exibe o ótimo documentário O Lixo e a Fúria.
Curta Petrobras às Seis estreia programa Cinefilia, incluindo o inspirado
curta pernambucano Eisenstein, de
Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião.
Assista, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Confira Naked, de Mike Leigh. Leia AQUI
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UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE ![]()
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Harry Potter and the Half-Blood Prince EUA/Inglaterra 2009 2h33min RT 8,3
de David Yates com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Jim Broadbent, Alan Rickman
OPINIÃO Dois anos depois do último capítulo (o irregular A Ordem da Fênix), Harry Potter
desembarca novamente nos cinemas com a sexta parte da saga, O Enigma do Príncipe,
também dirigida por David Yates. Enquanto o gran finale não chega, esse pode ser
facilmente considerado o filme mais singular da série. E não é por ser mais maduro
e dark que os antecessores – essa sempre foi uma óbvia tendência -, mas por
fazer escolhas surpreendentes para o tipo de produção que é. Retornando ao posto
de roteirista após a pausa no quinto filme, Steve Kloves mostrou-se a vontade para mexer
na obra de J. K. Rowling, para o desespero dos fãzóides. Retirou seqüências inteiras,
adicionou novas cenas e escreveu um roteiro enxuto, no tom ideal. Mas, enquanto
os outros cinco filmes tinham um vilão (geralmente Voldemort) com quem se travava
uma batalha no final, este aqui nem se deu ao trabalho de dar uma ponta para Ralph Fiennes.
O Enigma do Príncipe é um filme de ligação entre o quinto e o último episódio, logo o importante
aqui é desenvolver o clima conspiratório que envolve a comunidade bruxa e dar o pontapé
inicial para As Relíquias da Morte, parte final que será dividida em dois. Claro, isso
sem esquecer que os hormônios dos jovens heróis estão a ponto de bala.
Mesmo sem Voldemort, Harry Potter (Daniel Radcliffe, melhorando a passo de tartaruga,
mas ainda pouco expressivo) ainda tem três mistérios a resolver. Um é descobrir como
você-sabe-quem sobreviveu tanto tempo, isso através das memórias do próprio e com
ajuda de seu mentor Dumbledore (Michael Gambon). O segundo é descobrir quem afinal
é o Príncipe Mestiço do título do filme, dono de um livro de poções cheio de feitiços
ilegais anotados, que Harry encontra num armário. E o mais complicado de todos: entrar
no universo romântico adulto. A dinâmica entre Harry, Gina (a fraca Bonnie Wright), seu
irmão Rony (Rupert Grint, quase sempre ofuscando) e Hermione (Emma Watson, linda)
é charmosa e engraçada, garantindo a comicidade do filme com louvor. Se amor juvenil
já é um poço de embaraço, imagina então no universo bruxo...
O elenco é tão grande e tão bom que parece um desperdício. Jim Broadbent é o mais novo
integrante, acertando em cheio como o inseguro professor Horácio Slughorn, peça importante
da trama. Ele é um dos poucos a ganhar um maior destaque no filme, pois Robbie Coltrane
(Hagrid), Maggie Smith (Minerva McGonagall), David Thewlis (Remo Lupin), Alan Rickman (Snape),
Timothy Spall (Rabicho) e Helena Bonhan Carter (a ensandecida Belatriz Lestrange) parecem
fazer apenas participações especiais. Pena mesmo é o curto tempo em cena de Evanna Lynch,
a adorável Luna Lovegood. Ela é garantia de boas risadas com seu humor estranho e jeito aluado.
Como de costume, O Enigma do Príncipe é tecnicamente impecável, destacando-se a fotografia
sombria e dessaturada de Bruno Delbonnel (Amelie Poulain, Across The Universe), que se encaixa
perfeitamente com a direção de arte mais realista de Stuart Craig. O diretor britânico perdeu
a ânsia de sua estréia em A Ordem da Fênix e realizou um filme calmo, cheio de silêncios,
sem pressa para contar a história, aproveitando ao máximo cada plano. Nem mesmo existem
grandes cenas de ação, sendo o ponto do alto do filme a cena de suspense numa caverna,
absolutamente tensa. Os elegantes efeitos especiais e a montagem são um alívio em tempos
de Transformers. Pena que o grande problema da produção seja justamente seu maior mérito:
Ao se concentrar na história maior da saga (Potter versus Voldemort, Bem versus Mal,
amadurecimento) e escantear a subtrama do Príncipe Mestiço, O Enigma do Príncipe
praticamente exclui do filme qualquer não-iniciado nesse universo. Ele não perde tempo
explicando certas situações e os desavisados que vão só pelo oba-oba de grande
lançamento multipléxico vão se sentir mais perdidos do que pomo de ouro em estádio
de quadribol. Não é que o filme não seja divertido, mas ele é mais divertido exclusivamente
pra quem é capaz de reconhecer as sacadas e auto-referências do roteiro, isto é, quem
leu os livros. Se dividirmos a história em duas partes, Harry Potter e O Enigma do Príncipe
pode ser considerado o melhor filme da trilogia juvenil (O Cálice de Fogo, A Ordem, O Enigma),
assim como Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é o melhor da trilogia infantil (A Pedra Filosofal,
A Câmara Secreta, Azkaban). Comparar os dois renderia um novo texto, então resta dizer
que são pontos altos de uma série que iniciou aos tropeços, mas vem se mantendo sólida.
Agora é esperar pra ver o pega-pra-capar dos dois filmes finais, As Relíquias da Morte.
Visto em 16/07 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
COMENTÁRIO A opinião acima é de Filipe Marcena, colaborador do Kinemail,
que tem mais autoridade para escrever sobre o filme do que eu. Não é um fã
devoto da seita Herry Potter, mas leu os livros e cresceu assistindo os filmes,
tendo visto o primeiro aos 12 anos. Faço apenas um rápido comentário, até
porque confesso que dormi e cochilei acho que mais de uma hora de filme...
As qualidades: o filme não se confunde com a tralha de férias que invade os multiplexes
com caça-níqueis que fazem muito barulho por nada (Wolverine, Exterminador do Futuro 4,
Transformers 2, Anjos e Demônios, A Era do Gelo 3). Harry Potter e o Enigma do Príncipe
garante seu lugar ao lado de Star Trek e Watchmen como bons filmes arrasa-quarteirão.
Chover no molhado é elogiar o fino elenco
inglês, a direção de arte impecável, a fotografia
maravilhosa do francês
Bruno Delbonnel (talvez muito escura, ou será problema de projeção
dos multiplexes de Recife?). Elogiável também a decisão em privilegiar a narrativa
e não a ação e os efeitos especiais, resultando num filme extremamente lento
e calmo para os padrões atuais que monopolizam os 'filmes de multiplex'.
Os problemas: A calma narrativa, para não-iniciados, tende ao tédio bocejante, levando
em conta que temos 2 horas e meia de filme. Não consigo elogiar um filme que depende
absolutamente do conhecimento prévio
do material em outra fonte (no caso, os livros).
Como se trata de um filme 'ponte de ligação', a minha memória dos filmes anteriores
é quase nula, os filmes nunca me seduziram a ponto de cativar meu interesse pelos
personagens, sempre foram 'filmes-evento' que eu esqueço rápido, com a única exceção
do terceiro
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que de fato me encantou, me levou
a um mundo convincente de magia e fantasia. Pelo mesmo motivo, o filme não desperta
meu interesse para o que virá a acontecer nos episódios finais.
A trama desse sexto filme,
com poções mágicas que acessam memórias
de personagens que não estão em cena,
é impossível de ser compreendida por quem não conhece o fio narrativo completo da saga
do bruxinho. Cada vez mais, os filmes se fecham num culto que não inclui os ímpios
não-leitores.
Por fim,
há problemas numa saga onde o protagonista é insosso, tão sem
graça como esse Daniel Radcliffe, qualquer outro aluno ou aluna de Hogwarts é sempre
mais interessante
que ele. Balanço final, o filme fica na seara da cotação quase bom,
sendo esse bem melhor do que O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix, que acho ruins.
Visto em 16/07 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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O EQUILIBRISTA ![]()
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Man on Wire EUA/Inglaterra 2008 1h30min RT 10,0
documentário dirigido por James Marsh
OPINIÃO Muito do que se falou sobre esse documentário descreve a sinopse
básica do filme:
Em 7 de agosto de 1974, Philippe Petit, um francês de 24 anos,
montou uma pequena operação clandestina para realizar um sonho, uma idéia
fixa, e andou sobre um fio de aço entre as torres gêmeas do World Trade Center,
em Nova York. Sem qualquer proteção e a 400 metros de altura, fazendo a proibida
travessia de 60 metros 8 vezes... até ser capturado pela polícia. Fala-se também
bastante que o filme também mostra Philippe realizando a mesma travessura,
em escalas monumentalmente menores, na igreja francesa de Notre Dame ou
numa ponte australiana.
Estranho ler alguns críticos americanos dizendo que
o documentário nem é tão bom assim, porque as imagens são toscas, o humor
na reconstrução dos fatos é bobo ou
a tragédia de 11 de setembro de 2001 não
é sequer citada. São os comentários imediatos e pragmáticos dos nossos dias...
O que muitos esquecem de comentar no filme vencedor do Oscar 2009 e com rara
aprovação unânime no RottenTomatoes (nota dez!), é que o documentarista
inglês James Marsh fez um filme totalmente acessível a todos os públicos, que faz
uso de uma narrativa de suspense tradicional, conduzida por uma trilha sonora
empolgante (de Michael Nyman), incluindo um ótimo humor na reconstrução
da invasão clandestina de Petit e sua turma no World Trade Center porém, mais
que tudo, numa análise que parece inexistir no que se comenta sobre o filme,
que O Equilibrista é um fascinante estudo de personagem, no caso bem real,
investigando sem pretensão
as encruzilhadas entre arte, crime, subversão
dos valores, aventura, loucura humana,
num filme que, de fato, é único.
A incrível aventura de Phillipe Petit e seus adoráveis comparsas malucos só teria
espaço mesmo no início dos anos 70, na ressaca do falido movimento hippie num
mundo às portas do capitalismo corporativo que nos define hoje, onde a felicidade
burguesa
e a indústria dos antidepressivos já teriam mandado Petit e seus amigos
pro psiquiatra da esquina mais próxima. Philippe Petit, tivesse caído e morrido durante
a sua mágica transgressão, seria considerado apenas mais um louco, que desafiou
as regras e se fudeu, como manda o pensamento contemporâneo. Mas Petit realizou
seu sonho maior (morramos de inveja, todos nós, os pobres mortais) e, pela entrevista
conduzida com ele nos dias de hoje, continua um excêntrico visivelmente maluco
beleza, um artista nato, um sujeito fascinante, a prova viva de que a definição
de loucura é relativa, e fica lindamente equilibrada apenas num fio. Emocionante.
Visto em 12/07 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
MILAGRE EM STA. ANNA ![]()
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Miracle at Sta. Anna EUA 2008 2h40min RT 3,4
de Spike Lee com Derek Luke, Joseph Gordon-Levitt, John Turturro, John Leguizamo
> Adaptação do romance homônimo de James McBride, Milagre em Sta. Anna
é o mais novo filme do provocador e sempre interessante cineasta Spike Lee,
realizador de filmes como Faça a Coisa Certa, O Verão de Sam e O Plano Perfeito.
Filme foi mal recebido pela crítica norte-americana, que considerou-o muito
irregular na sua longa duração de quase 3 horas. Mas um filme de Spike Lee,
um dos raros cineastas autorais
nos EUA, sempre merece atenção.
Sinopse: EUA, 1980. Ao atender um cliente, um caixa de banco, sem motivo aparente,
o mata a tiros. Um jornalista investiga o assassinato e os acontecimentos remontam
à Itália, em agosto de 1944, quando quatro soldados negros da 92ª Divisão
de Infantaria americana ficaram encurralados numa vila na Toscana. O que
aconteceu ali afetou profundamente os soldados e os moradores da vila.
ATENÇÃO Esta 'sessão de arte' NÃO é uma pré-estreia. Milagre em Sta. Anna
será exibido nos cinemas somente nesta sessão única, por motivo da 'falta
de espaço' nas salas dos multiplexes durante esse período de férias e blockbusters.
Visto em 18/07 como convidado do Multiplex Boa Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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Cineclube Amoeda Digital
> O Bar Central oferece mais um item no cardápio: toda segunda-feira
ás 18h30, o happy-hour tem o Cineclube Amoeda Digital, exibindo filmes
em telão no salão do bar, com ar condicionado. A entrada é franca.
Rua Mamede Simões, 144 Centro (ao lado do Parque 13 de Maio).
Informações 3222.7622
O LIXO E A FÚRIA ![]()
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The Filth and The Fury Inglaterra 2000 1h48min RT 9,4
documentário de Julien Temple
ENTRADA FRANCA
segunda 20
> Os Sex Pistols existiram por apenas 26 meses e gravaram
um único álbum, mas mudaram a cara da música para sempre.
Este filme documenta sua história, do surgimento à implosão da banda.
Tendo como pano de fundo a cena política, econômica e social
de Londres em meados dos anos 70, descreve um momento chave
de transição na história social inglesa. A essência do movimento
punk, resultando numa envolvente experiência cultural.
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Curta Petrobras - Julho
> O projeto Curta Petrobras às Seis exibe a partir dessa sexta 17 de julho
o programa CINEFILIA, com 4 curtas-metragens incluindo o pernambucano
Eisenstein de
Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião, diariamente
no Multiplex Recife, às 18h, em sessão única com ENTRADA FRANCA
Esse projeto da Petrobras exibe curtas brasileiros premiados em blocos temáticos,
que
agora contam com um espaço na internet para encontros virtuais para discutir
os filmes que já foram exibidos no programa. Para participar www.curtaasseis.com.br
ACOSSADA
de Karen Akerman e Karen Black RJ 2006 7 min
Princesinha perdida no Rio de Janeiro se depara com
mafiosos do cinema nacional. Quem poderá salvá-la?
TARANTINO'S MIND
de Selton Mello RJ 2006 13 min
Dois amigos se encontram em um bar tradicional de São Paulo para falar
sobre uma interessante tese sobre os filmes do diretor Quentin Tarantino.
EISENSTEIN
de Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião PE 2006 20 min
Ivan se apaixona por Alessandra, a neta de Sergei Eisenstein.
SATORI USO
de Rodrigo Grota PR 2007 17 min
Um poeta das sombras, um cineasta sem filmes e uma musa
enigmática. Um falso documentário sobre um poeta que nunca
existiu apresentado por um cineasta imaginário.
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
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