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ANO DEZ Edição 444

Inimigos Públicos, Tempo e Halloween

> Chegando ao final da temporada de férias, a maioria das salas
dos cinemas de Recife ainda continuam tomadas por apenas 4 filmes:
Harry Potter 6, A Era do Gelo 3, A Proposta e A Mulher Invisível, mas já abrem espaço para novos filmes, como o aguardado Inimigos Públicos, de Michael
Mann, com Johnny Depp. O Rosa e Silva capricha na programação alternativa
com estreia de Sinédoque, Nova York de Charlie Kaufman e pré-estreia
para o instigante e polêmico Desejo e Perigo, realizado por Ang Lee
em 2007 e só agora chegando por aqui. O Cinema da Fundaj estreia o drama
Há Tanto Tempo Que Te Amo, com Kristin Scott Thomas, e permanece
exibindo o ótimo documentário O Equilibrista, de James Marsh.

Que pena que a elogiada comédia A Garota Ideal, indicada ao Oscar
de melhor roteiro original e estrelada pelo jovem e talentoso Ryan Gosling,
chega ao Recife em SESSÃO ÚNICA nesse sábado 25, às 11h da manhã,
no multiplex Boa Vista. Não é pré-estreia: Perdeu, dançou!
O Apolo permanece exibindo a boa adaptação da HQ Watchmen - O Filme.
Assista, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Confira Half Nelson, drama independente inédito
que rendeu indicação ao Oscar de melhor ator para Ryan Gosling AQUI

LEITOR VIP Já (re)cadastrado? Convites para Inimigos Públicos,
Watchmen
e pré-estreia de Desejo e Perigo AQUI









UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009

INIMIGOS PÚBLICOS
Public Enemies EUA 2009 2h20min RT 6,5
de Michael Mann com Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, Billy Crudup

OPINIÃO Apesar de fazer parte dos detratores que sempre acharam que o cinema
de Michael Mann (Fogo Contra Fogo, O Informante) é muito mais pose do que substância,
a partir do momento em que Mann começou a experimentar câmeras digitais, em Colateral,
eu fiquei encantado com o aspecto visual único de seus filmes e especialmente
em Miami Vice, adaptação da famosa série policial dos anos 80, acho que Mann atingiu
um equilíbrio brilhante entre experimento estético e narrativa envolvente, sedutora.
Minha expectativa estava lá em cima para este seu novo filme, Inimigos Públicos,
e a sensação de insatisfação durante e ao final da fita só me faz lamentar que
Michael Mann não tenha conseguido realizar o grande filme moderno de gangster
que ele ambicionou. Baseado no livro War on Crime - America’s Greatest Crime Wave
and the Birth of the FBI
, o filme conta a história do famoso ladrão de bancos John Dillinger
(Johnny Depp, esforçado) durante os anos 30 do século passado e da caçada empenhada
do agente do futuro FBI Melvin Pervis (Christian Bale, apagado) a ele e a vários outros
famosos e carismáticos ladrões de bancos e trens, enquanto Dillinger se envolve
com Billie Frenchette (Marion Cotillard, Oscar por Piaf - Um Hino ao Amor, e a melhor
presença aqui). O resultado, longe da fluência narrativa, anda aos trancos e barrancos,
nunca ficando muito claro qual o foco ou ponto de vista que Mann quer abordar. Uma pena,
pois a grandeza da produção, com um elenco invejável de vários famosos em papéis
quase de figurantes, sugere que poderíamos ter um novo clássico do gênero.

Uma das maiores ousadias de Mann, na minha opinião é também o maior problema:
simplesmente não funciona usar a imagem digital, com várias sequências com câmera
na mão, associada a um cinemão clássico de época. É uma 'modernidade' forçada,
ainda por cima quando, nos planos fixos, Mann escolhe alguns posicionamentos esquisitos
de câmera que remetem ao cinema inventivo de um Orson Welles na década de 50.
Tudo isso, somado a uma luxuosa produção de cenários, figurinos, carros antigos,
parece sufocar a história que está sendo contada, e não ajuda que a narrativa
também seja indecisa. Há momentos de diálogos românticos com frases feitas
à moda antiga, alternados com cenas de ação quase documentais, urgentes,
realistas. Há sequências de significado quase abstrato mas também uma sensação
de dejá vù de um sem número de filmes anteriores e melhores no gênero. Com quase
duas horas e meia de duração, ainda fica uma sensação desagradável de que Mann
tinha muito material filmado e meio que teve que editar tudo às pressas, talvez
por pressão dos produtores, para lançar o filme na alta temporada de férias, pois
apesar de procurar por um tom de filme adulto, Inimigos Públicos, não esqueçamos,
é um filme estrelado por Jack Sparrow (Piratas do Caribe) e Bruce Wayne (Batman)
e, apesar de 'sério' e violento, o filme entra na dança de preencher todos os requisitos
que garantam os limites da censura adequada para o público adolescente.

É um filme ruim? De jeito nenhum. Em sequências isoladas, como na excelente
abertura (uma fuga de prisão) e na virtuosa sequência final, quando Dillinger é enfim
capturado e morto por Melvin Pervis na saída de uma sessão de cinema (filme
policial estrelado por Clark Gable) vemos porque Michael Mann é um dos
melhores diretores americanos atuais. Mas no conjunto, Inimigos Públicos sofre
de uma falta de dramaticidade fatal, que não me fez interessar-se pela saga
de John Dillinger, e a culpa não é de Johnny Depp, é do filme. É mais ou menos o que
aconteceu com o Martin Scorsese da fase Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados.
A admirável Marion Cotillard merece palmas por conseguir sobressair-se e até emocionar,
sendo notável que o filme cai em interesse quando ela fica muito tempo fora de cena.

Inimigos Públicos também almeja fazer algum tipo de paralelo com os dias de hoje
e é evidente que John Dillinger é abordado como uma 'celebridade', algo altamente
interessante diante do circo de mídia que domina o mundo atual das celebridades.
Mas um filme como O Assassinato de Jasse James pelo Covarde Robert Ford,
com Brad Pitt, foi bem mais longe sob esse ponto de vista. Por fim, o filme
acaba sendo prejudicado também pelo grande número de rostos jovens famosos
de Hollywood desperdiçados em pequenos papéis que simplesmente não
encontram tempo em cena para compor personagens que funcionem, dando
aquela má impressão de um monte de atores 'brincando' de vestir figurinos
de época em um filme de gangster. Vejamos a lista: Channing Tatum, Stephen Dorff,
Billy Crudup, Giovanni Ribisi, Shawn Hatosy, Lili Taylor, Leelee Sobieski, David Wenham,
Stephen Graham (ator inglês de Snatch) e outros mais que não lembro agora.
Assim, nada em cena é lá muito crível, restando apenas um belo e virtuoso exercício
de cinema, que fica acima da tralha geral que ocupa os multiplexes atualmente.
Visto em 22/07 como convidado da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO
Il y a Longtemps que Je T'aime França/Alemanha 2008 1h55min RT 9,0
de Phillippe Claudel com Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Laurent Grevill
CINEMA DA FUNDAJ

OPINIÃO Entre os rótulos que a mídia costuma conferir aos 'estilos' de filmes,
temos o famigerado 'filme com sensibilidade feminina', nem sempre dirigido
por mulheres, mas ao certo tendo mulheres como protagonistas. É fato
curioso que o universo da direção de cinema seja quase que totalmente
masculino. Mesmo dirigido por um homem, o francês Philippe Claudel,
eis aqui um filme que merece o tal rótulo carimbado em cada fotograma:
Há Tanto Tempo que te Amo. Valorizado pela boa atuação, merecedora
de prêmios, da inglesa Kristin Scott Thomas, o filme conta a história
do retorno à famíilia da personagem Juliette, que passou 15 anos
na prisão, por um crime terrível que eu não vou revelar aqui e que
o filme informará aos poucos ao espectador, enquanto acompanhamos Juliette
ser recebida pela irmã mais nova, com quem vai morar temporariamente
enquanto tenta reorganizar sua vida, a princípio procurando emprego.

A irmã de Juliette mora com o marido, duas filhas e o sogro, que farão parte
do difícil processo de Juliette em readaptar-se ao mundo fora das grades
de uma prisão. Enquanto o roteiro empurra artificialmente a grande revelação
do motivo do crime para o final, estamos diante de uma personagem
interessante, que não faz esforço algum para ganhar a simpatia dos
espectadores, embora em nenhum momento eu consegui acreditar que
Kristin Scott Thomas tivesse passado 15 anos na prisão. Eu não posso deixar
de fazer aqui uma comparação com o recente O Casamento de Rachel, com
um roteiro tão parecido que, sorry!, pra quem viu eu praticamente já contei
qual é o 'segredo' de Há Tempo que te Amo. No filme de Jonathan Demme,
cada personagem da família carrega no semblante o peso devastador de uma
tragédia familiar do passado. Não é por acaso que Anne Hathaway ganhou a vaga
no Oscar que poderia ser de Kristin Scott Thomas. A favor de Kristin, ela parece estar
num personagem que é muito mais 'denso' do que o filme e o diretor a oferecem.

Rumo aos momentos finais, Há Tempo que te Amo revela sua previsibilidade
dramática e superficialidade novelesca onde, do reencontro com a mãe à revelação
do motivo do crime à trilha sonora acústica bonitinha, tudo resvala em drama
nobre e inofensivo que tanto agrada aos letrados consumidores de 'belos filmes
de arte', com mira certeira no público feminino. O filme não cai no melodrama
hollywoodiano rasteiro, mantendo o tom de filme elegante europeu, o que explica
o alto prestígio com a crítica norte-americana (vide RottenTomatoes) mas também
nem incomoda nem provoca o espectador, resultando em filme correto porém inócuo.
Visto em 18/07 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


A GAROTA IDEAL
Lars and the Real Girl EUA 2007 1h44min RT 8,1
de Craig Gillespie com Ryan Gosling, Patricia Clarkson, Emily Mortimer

> Comédia independente escrita por Nancy Oliver (roteirista de episódios
da telessérie A Sete Palmos), rendeu uma indicação ao Oscar 2008
de melhor roteiro original, além de uma indicação para Ryan Gosling
ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia. Sinopse: Lars Lindstrom,
rapaz tímido e introvertido, vive na companhia do irmão, Gus, e da cunhada
Karin. Um dia ele encontra Bianca na Internet, uma boneca de silicone.
Compra-a e passa a tê-la como se fosse uma mulher real, apresentando-a
a todos. Preocupados, Gus e Karin decidem procurar uma psicóloga, que
recomenda que todos concordem com Lars, como parte de um processo
de terapia a fim dele lidar e superar seus problemas pessoais e afetivos.
Confira comentário de leitor que já viu, nas cartas do Kinemail, logo abaixo.
ATENÇÃO Esta 'sessão de arte' NÃO é uma pré-estreia. A Garota Ideal
será exibido nos cinemas somente nesta sessão única, por motivo da 'falta
de espaço' nas salas dos multiplexes durante período de férias e blockbusters.
Visto em 25/07 como convidado do multiplex Boa Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


SINÉDOQUE, NOVA YORK
Synecdoche, New York EUA 2008 2h04min RT 6,7
de Charlie Kaufman com Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton,
Emily Watson, Michelle Williams, Catherine Keener, Dianne Wiest

> Estreia na direção do festejado roteirista Charlie Kaufman, de Quero Ser
John Malkovich
, Confissões de uma Mente Perigosa, Adaptação e Oscar
de melhor roteiro original por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.
Sinopse: Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) é um diretor de teatro frustrado,
hipocondríaco e egoísta. Quando recebe a missão de escrever uma peça, resolve
criar no palco uma obra de brutal realismo e honestidade. Para a empreitada,
reúne o elenco num galpão em Manhattan, onde os atores passam a viver
seus personagens, criando um microcosmo de Nova York na encenação.
Visto em 24/07 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


HALLOWEEN - O INÍCIO
Halloween EUA 2007 1h50min RT 2,6
de Rob Zombie com Scout Taylor-Compton, Danny Trejo, Malcolm McDowell

> Remake de 2007 para o clássico B de terror Halloween (1978) de John Carpenter
chega bem atrasado ao Brasil. Em agosto nos EUA, já estreia a continuação deste.
Terrror dirigido por Rob Zombie está mais para anos 70 do que para o 'terror
de multiplex' que esterelizou o gênero para o gosto adolescente. Infelizmente,
a versão que a PlayArte lança no Brasil tem 25 (!!) minutos de cenas cortadas,
eliminando a violência explícita e cenas de sexo, para baixar a censura para 14 anos.
Tantos cortes deixaram o filme com montagem truncada e algumas cenas sem
sentido. Prefira conferir o DVD, de preferência a versão original de 1h50min.
Ainda, há uma versão do diretor Rob Zombie, com 2 horas de duração.
Visto em 27/07 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

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Cineclubes

1. O Cineclube Dissenso continua exibindo excelentes e raros curtas
e longas todo sábado às 14h no Cinema da Fundaj. A entrada é franca
e, oferecendo debate após a sessão, o pessoal do Dissenso está de parabéns
pela formação de um público fiel, que comparece regularmente às sessões.
Os filmes dos últimos sábados de cada mês, como no caso deste sábado 25,
são 'sessão surpresa' com os filmes escolhidos (um curta e um longa) só divulgados
no início da sessão. Cinéfilos podem ir sem medo: só passa biscoito fino!

2. O Bar Central oferece mais um item no cardápio: toda segunda-feira
ás 18h30, o happy-hour tem o Cineclube Amoeda Digital, exibindo filmes
em telão no salão do bar, com ar condicionado. A entrada é franca.
Rua Mamede Simões, 144 Centro (ao lado do Parque 13 de Maio).
Informações 3222.7622

JOHN LENNON - IMAGINE
John Lennon - Imagine EUA 1988 1h40min RT 9,2
documentário de Andrew Solt ENTRADA FRANCA
Segunda 27

> O filme foi concebido a partir de informações do arquivo pessoal
do lendário Beatle. Com a ajuda criativa de Yoko Ono, os produtores
David L. Wolper e Andrew Solt trabalharam com imagens nunca
antes vistas pela público. O resultado foi a transformação
de simples filmagens em um fascinante legado.

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc


A Garota Ideal

Lars é um rapaz tímido. Timidez tamanha que não arranja uma namorada. Um belo dia
Lars conhece a mulher da sua vida. Poderia ser em um bar, festa, cinema, mas não foi
em nenhumas destas opções. Na Internet, no entanto, encontrou sua felicidade.
Era notável a sua felicidade ao apresentar a namorada ao irmão e a cunhada, até que
eles descobrissem que algo estava errado. Bianca, a mulher da vida de Lars, não é
de verdade e, sim, uma boneca de sex shop. Lars não procura sexo, apenas uma companhia
pra sua vida solitária, acreditando plenamente que sua boneca é real, situação que faz seu irmão
pensar em internamento. Vendo que a cura da ilusão de Lars estava cada dia mais difícil, não
apenas os seus familiares, mas também toda a população da pequena cidade incentiva o rapaz
nessa ilusão. Ryan Gosling vem mostrando que tem um carisma único e sua capacidade
de interpretar personagens nada convencionais é incrível. Difícil acreditar que alguém faria
melhor do que ele. Sem precisar de diálogo, só de pequenos gestos para emocionar, com
uma atuação precisa e lírica. Méritos também para as ótimas Patrícia Clarkson e Emily Mortimer,
que reagiram muito bem nos momentos dramáticos e hilários de Uma Garota Ideal.
Uma direção simples e funcional e um roteiro sem maquiar a falsa realidade humana.
Alessandro Isidio | aleh_lupin@hotmail.com

Então, quem quiser ver no cinema, nada de farra nessa sexta, acorde cedo
no sábado e corra pro Shopping Boa Vista, onde Uma Garota Ideal será exibido
em solitária sessão matinal, já que as 40 salas dos multiplexes locais não tem espaço,
assim como para Milagre em Sta. Anna de Spike Lee, exibido só sábado passado...


O Equilibrista

Simplesmente fantástico o feito desse francês. Tanto que até o momento estou
embasbacado. Dá até vontade de aprender a se equilibrar numa corda daquela
e atravessar o Rio Capibaribe, amarrando-a entre o Edf. Duarte Coelho e o prédio
dos Correios. O sonho, a obstinação de realizá-lo e, acima de tudo, o espírito
de liberdade faz-nos querer nos libertar também, pelo menos por um momento.
E sem ter que explicar o porquê de ter realizado tal façanha, como o próprio
Petit fala em uma passagem de O Equilibrista. Pela simples vontade
de fazê-la e senti-la, sem explicações, apenas sentimentos. Excepcional.
Rodrigo Tenorio | tenorio@hotlink.com.br

O Equilibrista ainda está em cartaz na Fundaj, Kinemail recomenda :)

Harry Potter

Gostei dos comentários de vocês sobre o novo Harry Potter. Achei muito boa ideia colocar
a crítica de Filipe, alguém que conhece e gosta dos livros, para comentar. Sinceramente, Fernando,
os seus comentários possuíam uma carga exagerada de um sentimento negativo (desprezo?).
De qualquer forma, acho que o grande defeito da saga de filmes Harry Potter pode ser resumido
facilmente: é tão simplesmente uma adaptação mal feita. Quando se vai utilizar um livro para
inspirar um filme, tem-se duas opções: 1) usa-se simplesmente o tema geral e elabora-se
a história única (como em A Identidade Bourne ou nos filmes de Stanley Kubrick)
ou 2) faz-se uma adaptação fiel (como em O Senhor dos Anéis). No caso, acho que a comparação
com O Senhor dos Anéis é perfeita. Tínhamos uma obra completa, terminada, e uma única mente
por trás do projeto, Peter Jackson, criando e guiando tudo. Ao final, o filme agradou tanto aos fãs
como àqueles que não tinham lido os livros, e independe destes para ser compreendido.

Em Harry Potter, há 4 diretores, um filme tem um roteirista diferente de todos os outros,
e o que considero o pior problema: a obra não estava completa quando começaram a lançar
os filmes. Os primeiros filmes foram lançados quando só havia 4 livros, o quarto filme
estava em plena produção quando o sexto livro saiu e o quinto filme foi lançado pouco
antes do último livro. Em resumo, é impossível dar unidade, concisão à obra. Muitos filmes
deixaram detalhes importantes de fora porque esses detalhes só se mostraram importantes
em livros que saíram depois que os filmes foram feitos. E, além disso, tem-se 4 diretores
que imprimiram 4 visões completamente conflitantes da obra aos filmes. Por isso, os filmes
não se conectam, não são parte de um todo. Colocar David Yates para cuidar dos dois
últimos filmes ajuda, mas o estrago já foi feito. A única coisa que une os filmes são
os mesmos atores com personagens de mesmos nomes. Eu assisto os filmes e gosto,
porque li os livros. Mas imagino que a falta de unidade da obra torna quase impossível
compreender os filmes para quem somente os assiste. Independente de qualquer
julgamento dos méritos dos livros, que são bons, mas não são uma maravilha literária.
Victor Leal | victor.leal@gmail.com

II Festival Paulínia de Cinema

Acompanhei grande parte do II Festival Paulínia de Cinema. Dei sorte
de não ir no dia de Destino, a única unanimidade do Festival (igualmente odiado
por todo mundo!). Preferi ir ver a pré-estréia de Desejo e Perigo, que finalmente
chega ao Brasil. Gostei MUITO do filme do Ang Lee. Filme pra gente grande,
e não digo pelas cenas de sexo quase explícito, mas pela inteligência do roteiro,
pela recriação de época caprichada, pelo ótimo elenco, filmão.

O Festival teve seus altos e baixos. Por um lado, fica certa sensação de 'oba oba' causada
pela grandiosidade do teatro onde o festival ocorre. É tudo grandioso, reluzente, com tapete
vermelho, luzes, fotógrafos...às vezes dá a impressão de se estar em um parque de diversões.
Mas o projeto cinematográfico de Paulínia é um negócio sério, com muita grana investida
e resultados a curto prazo. Quanto aos filmes, tive a impressão de que este ano estava mais caído
do que no ano passado, mas vi coisas bem interessantes. Destaques para Quanto Dura o Amor?,
de Roberto Moreira, que ficou famoso com seu tijolo digital sujo Contra Todos. Este é um filme
melhor tanto tecnicamente (filmado com a badalada câmera RED One) quando humanamente
(ótimo elenco, história interessante). O Contador de Histórias caiu na graça do público, mas
achei com cara de institucional do Criança Esperança (que, não coincidentemente, está ligado
ao projeto). E tem um narrador que não deixa o filme respirar...parece que ele está narrando
o filme para um cego, de tanto que ele descreve e diz o óbvio. Antes que o Mundo Acabe
foi o filme mais 'legal' do Festival. Feito com a competência de sempre pela Casa de Cinema
de Porto Alegre, o filme de Ana Luíza Azevedo é uma delícia de ver, lidando com adolescentes
em uma cidade pequena do Rio Grande do Sul. Já No Meu Lugar é um filme difícil, leeeeento
e com estrutura não linear, sobre três histórias interligadas por um mesmo crime.

Também vi bons documentários, como Caro Francis, sobre o jornalista Paulo Francis, Sentidos
à Flor da Pele
, sobre como os cegos enfrentam o mundo e Herbert de Perto, ótimo retrato
dos Paralamas do Sucesso e seu vocalista. Moscou, do mestre Eduardo Coutinho, é uma mistura
de documentário com ficção, seguindo a linha iniciada com Jogo de Cena. Leia comentários
mais detalhados sobre estes filmes no meu blog cameraescurablog.blogspot.com
João Solimeo | jsolimeo@ig.com.br

Pelo jeito, ano que vem Kinemail tem que conferir o Festival de Paulínia. Só falta
patrocinador... Legal que você tenha gostado muito de Desejo e Perigo de Ang Lee.
É um filme de difícil digestão, complexo, detalhista, mas intenso, adulto e gratificante.
Não gostei tanto quando vi na Mostra SP em 2007, mas desde então o filme só
cresce na minha mente e, estreando agora aqui em Recife, estou doido pra ver de novo.
E aguardo ansioso o novo documentário do mestre Eduardo Coutinho, Moscou.


Janela Crítica

> Estão abertas as inscrições para a Janela Crítica, oficina do festival da II Janela Internacional
de Cinema do Recife
, que acontece entre 17 e 29 de outubro de 2009. A oficina busca incentivar
o pensamento crítico de jovens universitários e/ou cinéfilos do estado de Pernambuco,
a partir de encontros com o jornalista e crítico de cinema Luiz Joaquim. Para participar da seleção,
os candidatos precisam enviar e-mail para janelacritica@janeladecinema.com.br com uma crítica
de 25 linhas sobre um filme da sua escolha e os seus dados pessoais: nome, idade, cidade, telefone,
universidade (curso e periodização), conhecimento de línguas estrangeiras, endereço do blog
ou site (caso possua um). O prazo para inscrição vai até 20 de setembro. Serão selecionados
sete jovens para participar da iniciativa. Além dos encontros da oficina, os selecionados ganham
passe livre nas sessões de cinema do festival. Ao final, os selecionados formam o júri especial
Janela Crítica, que elegerá os melhores filmes, nas categorias de curtas nacionais e internacionais.

Continuam abertas as inscrições para as mostras competitivas brasileira e internacional.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site www.janeladecinema.com.br
O prazo para inscrições segue até 1 de agosto para filmes estrangeiros e até 10 de agosto
para filmes brasileiros. Podem concorrer filmes produzidos em qualquer formato de captação
de imagem (35 mm, digital, celular...) e de qualquer gênero, realizados a partir de janeiro de 2008,
com duração máxima de 35 minutos. Cada realizador poderá concorrer com quantos filmes desejar.

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