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ANO DEZ Edição 445

Desejo e Perigo, À Deriva e A Garota Ideal

> Semana cheia de novidades nas telas. Temos o provocante e adulto
Desejo e Perigo, realizado por Ang Lee em 2007 e só agora chegando
por aqui; À Deriva, o novo filme do pernambucano radicado em São Paulo
Heitor Dhalia, filmado em Búzios com elenco internacional; Sinédoque,
Nova York
, mais uma experiência funde-cuca do roteirista Charlie Kaufman,
aqui estreando na direção. Boa notícia, a princípio programada para uma
sessão única semana passada, a elogiada comédia A Garota Ideal, indicada
ao Oscar de melhor roteiro original e estrelada pelo talentoso Ryan Gosling,
está de volta nas sessões de arte dos multiplexes Boa Vista e Recife.
Watchmen - o Filme permanece no Apolo e temos as últimas sessões
na Fundaj para o ótimo documentário O Equilibrista, de James Marsh.

A semana tem ainda uma preciosa mostra gratuita de filmes franceses,
no Apolo e na Fundaj, com obras essenciais como La Jetée de Chris Marker
e Au Hasard Baltazhar de Robert Bresson, e a chance de rever filmes
recentes como O Ódio de Mathieu Kassovitz, de 1995. Agende-se.
Que bom que temos muitas cartas dos leitores nesta edição, sinal que,
passada a temporada de férias, já temos filmes que valem ser discutidos.
Assista, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Confira Zazie no Metrô de Louis Malle, adaptado
do livro de Raymond Queneau, que comemora 50 anos em nova edição AQUI

LEITOR VIP Já (re)cadastrado? Ganhe convites para os três melhores filme
em cartaz: A Garota Ideal, Sinédoque, Nova York e Desejo e Perigo AQUI









UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009



DESEJO E PERIGO
Lust, Caution China/Hong Kong//EUA 2007 2h37min RT 7,1
de Ang Lee com Tony Leung, Tang Wei, Joan Chen, Wang Leehom

OPINIÃO Não pude ir na pré-estreia e reproduzo aqui a matéria de Kleber Mendonça
Filho, do JC desta sexta, com a qual concordo linha por linha. Mais abaixo, reproduzo
o texto do KINEMAIL BLOG, de quando eu vi Desejo e Perigo na Mostra SP 2007:

Dramas humanos de amor em tempos de guerra parecem, em geral, divididos em dois
tipos. No primeiro, duas pessoas são separadas pela morte de uma delas, vide o popular
O Suplício de uma Saudade (1954) ou a obra prima russa Quando Voam as Cegonhas (1959).
O segundo tipo mostra uma relação de amor engolida por eventos bem maiores e poderosos,
exemplo clássico de Casablanca (1941) ou do recente filme de Ang Lee, Desejo e Perigo
(Se, Jie, EUA/China/Taiwan/Hong Kong, 2007), uma história envolvente cujo sabor frio
da sua beleza permanece com o espectador bem depois de finda a sessão.

Desejo e Perigo se passa na Xangai de 1942. No filme de Lee (taiwanês radicado nos EUA),
temos uma movimentação política por parte de estudantes chineses que embarcam numa ação
patriótica que visa matar Yee (Tony Leung), oficial chinês que trabalha para os japoneses
durante a dramática ocupação da China. Um dos estudantes perdeu a família pelas mãos severas
de Yee, um homem frio que executa seu trabalho de maneira brutal. A intenção do grupo,
à frente de encenações universitárias bem-sucedidas com toques claramente ufanistas,
é oferecer uma isca sexual para Yee. A isca será a bela Mak Tai Tai (Wei Tang), atriz de talento
capaz de emocionar centenas no palco, e que terá de contracenar sexualmente com Yee para
conquistar sua confiança. Mais à frente, irá colocá-lo numa armadilha. É o clássico personagem
da espiã Mata Hari, algo revisto recentemente no também muito bom A Espiã (2006),
de Paul Verhoeven, onde uma judia é enviada disfarçada para conquistar a cama
de um oficial nazista, na Holanda ocupada. Se no filme holandês temos uma empolgante
aventura sobre a ética da guerra, no filme de Lee o tom é ainda mais sombrio. Ele vai fundo
na relação física entre a isca e sua presa, filmando o sexo de maneira honesta e direta.
Desejo e Perigo é um daqueles filmes raros que comporiam lista de obras que ajudam
a construir a imagem filmada do coito no cinema, algo que permanece um tabu em 2009.

A presença de Tony Leung reforça ainda mais paralelos possíveis nas lembranças
do espectador com Amor à Flor da Pele (2000), de Wong Kar Wai, onde o sexo constante
entre um casal estava no ar, e não na tela. No filme de Lee, no entanto, o amor
e o romantismo, desenvolvido a partir de uma relação carnal inicialmente violenta,
passa para a discreta delicadeza rumo a uma conclusão que volta a ser brutal, como
a própria guerra. Mistura sentimentos humanos como traição, decepção e a violência
absoluta do poder. É um desses filmes clássicos, bem-filmados. Uma seqüência
importante (e muito violenta) parece não apenas servir de informação para o espectador
sobre as medidas extremas influenciadas por uma Guerra, mas ainda evoca Hitchcock
e a sua afirmação de que 'matar um ser humano é algo trabalhoso e que dura muito,
mas muito tempo'. Não só o sexo está perfeitamente iluminado, mas partidas
de majongue e cenas de rua são show. O roteiro de Lee, James Schamus
e Hui Ling Wang constrói firmemente personagens e situações humanas,
dando espaço ainda para que você preencha espaços. Instigante.
Kleber Mendonça Filho | cinemascopio@gmail.com

Depois do sucesso O Segredo de Brokeback Mountain, Ang Lee está de volta
com outro filme que polemiza, desta vez por cenas de sexo explícito, ao contar
um romance proibido envolvendo uma estudante de um grupo chinês de resistência
à ocupação japonesa, escolhida para seduzir um importante figurão chinês traidor,
na Shangai de 1942. O momento histórico complexo e delicado é bastante metafórico
(trata-se de um 'filme de guerra' sem nenhuma cena de 'guerra') e o filme não tem
pressa narrativa, de forma que leva mais de uma hora (das quase 3 de duração)
pra criar envolvimento do espectador. Basicamente, é um filme de tensão erótica
entre opressor e oprimido (me lembrou O Porteiro da Noite), muito bem dirigido
por Ang Lee, com a sua habitual sensibilidade para registrar amores reprimidos.

O filme chamou muita atenção da mídia pela surpresa das cenas de sexo, que
acontecem apenas no terço final da fita. Apesar de fortes para o padrão americano
(onde o filme já está amaldiçoado, a ser exibido no restrito 'circuito de arte'),
não espere o divulgado sexo explícito. Tony Leung e a novata Tang Wei ousam cenas
de nudez e simulação do ato sexual, mas nada que chegue ao sexo gráfico explícito
de um Império dos Sentidos, por exemplo. No mais, é um cinema de impecável reconstituição
de época, premiada direção de fotografia de Rodrigo Prieto e duas grandes atuações.
Tony Leung (Amor à Flor da Pele, Infernal Affairs, Hero) está excelente como sempre,
mas a jovem chinesa Tang Wei rouba a cena, numa composição sutil de personagem
e, claro, em corajoso desnudamento físico. Desejo e Perigo venceu o Festival
de Veneza 2007, Leão de Ouro de melhor filme e melhor direção de fotografia.
Visto em 20 de outubro de 2007 como convidado da Mostra SP de Cinema
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br




A GAROTA IDEAL
Lars and the Real Girl EUA 2007 1h44min RT 8,1
de Craig Gillespie com Ryan Gosling, Patricia Clarkson, Emily Mortimer

FERNANDO A Garota Ideal não é nenhum grande filme, mas é um filme especial.
Primeiro, porque conta uma história que, à primeira vista, não renderia mais que
um curta metragem ou uma comédia grosseira à Globo Filmes. Lars (Ryan Gosling,
numa atuação impecável, perfeita) mora só numa pequena cidade americana.
Seu irmão e cunhada, da casa vizinha, andam preocupados com a solidão
do rapaz. Um dia, ele anuncia que tem uma namorada. Acontece que a namorada
de Lars é uma boneca de sex shop, Bianca. O irmão de Lars pede ajuda a uma
psicóloga, que diagnostica o caso como um delírio talvez passageiro e sugere
a todos na cidadezinha tratarem Bianca como uma mulher de verdade, para
não causar um choque em Lars. Bianca, a boneca, dividirá a atenção das
garotas pelo doce Lars com Margo, uma colega de trabalho a fim dele.

Filme de estreia de Craig Gillespie, A Garota Ideal leva às telas com inspiração
o bizarro roteiro original para cinema criado por Nancy Oliver, que mereceu uma
indicação ao Oscar na categoria, equilibrando humor, romance e um estudo
melancólico sobre a solidão, num filme narrado sem nenhum deboche fácil pela
situação. Ao contrário, A Garota Ideal trata o tema com um tom irretocável
de drama e fantasia, com momentos tão belos que até me fizeram chorar.
Conta muito a favor do filme a brilhante atuação de Ryan Gosling, totalmente
convincente como um sujeito que namora uma boneca inflável. Apesar de pequena
produção independente, o filme conta com um elenco luxuoso (Emily Mortimer,
Patricia Clarkson, Paul Schneider e a ótima novata Kelli Garner) e, se o roteiro
peca por algumas passagens explicativas (os traumas de infância de Lars
explicando sua dificuldade de relacionar-se socialmente), o saldo é mais que
positivo nesse filme leve, bizarro, carinhoso, engraçado, esperto e tocante que,
por poder ser classificado com tantos adjetivos, torna-se um filme sem igual,
desses que justificam uma coisa que inexiste atualmente: a magia do cinema.

TRIVIA Numa festa onde Lars leva sua namorada Bianca, para desconforto de tantos,
repare na cena em que ele dança sozinho ao som de This must be the place (Naive melody)
dos Talking Heads, momento tão esquisito que poderia estar num filme de David Lynch.
Visto em 25/07 como convidado do multiplex Boa Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


SINÉDOQUE, NOVA YORK
Synecdoche, New York EUA 2008 2h04min RT 6,7
de Charlie Kaufman com Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Emily Watson,
Michelle Williams, Hope Davis, Catherine Keener, Dianne Wiest, Jennifer Jason Leigh

FILIPE Charlie Kaufman é o único roteirista 'estrela' que conheço. O sucesso de Quero Ser
John Malkovich
, Adaptação e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças o transformou
no 'roteirista da moda', a ponto de milhares de fãs esperarem pelo novo filme do Kaufman.
Os filmes citados não foram dirigidos por ele, mas o poder de seus roteiros é grande
o suficiente para que a sua marca esteja impressa em cada cena. Com Sinédoque, Nova York,
esse sim um filme de Charlie Kaufman, temos sua estréia na direção e um filme que separa
quem realmente gosta do autor e quem apenas entrou na onda da moda.

Kaufman faz o que sempre fez, brinca com a linguagem narrativa. Do cinema, do teatro,
das artes em geral e, como o próprio título diz, com as figuras de linguagem. Sinédoque,
Nova York
seria o endereço de um galpão onde o dramaturgo Caden Cotard pretende fazer
uma peça. Uma peça sobre ele mesmo e sua miserável vida, trabalho ambicioso a ponto
de ser necessário construir uma mini Nova York dentro do galpão. Seu relacionamento
com as mulheres e filhas será retratado nessa peça, que acaba confundindo realidade
e ficção quando Caden se relaciona com os atores e personagens, o que o obriga
a incluir novos personagens para os atores que por sua vez interpretam personagens
dentro da peça... sim, é complexo. Mas não se assuste, no filme não é tão complicado
quanto parece. Fiquei surpreso ao constatar o quanto a direção de Kaufman é eficiente,
ele provoca uma estranheza que é perfeita para o tipo de roteiro que ele escreve.
Os cortes rápidos do montador Robert Frazen não só dão um humor próprio
ao filme como também uma fluidez bizarra à narrativa.

Ainda por cima Kaufman se mostra um excelente diretor de atores. Claro que ter Phillip
Seymour Hoffman, Catherine Keener, Samantha Morton, Michelle Williams, Hope Davis,
Emily Watson, Dianne Wiest e Jennifer Jason Leigh (que invejável elenco feminino!) no elenco,
cada um com personagem mais interessante que outro, só contribui. Um time desses é
a prova cabal de que todo ator é louco trabalhar com Kaufman, nem que seja em uma cena.
Em meio às dezenas de personagens, o peso de carregar o filme cai inteiro nas costas de Hoffman,
ator sempre brilhante e capaz de interpretar personagens tão diversos quanto Caden e o Padre
Brendan Flynn, de Dúvida. Aqui seu protagonista é egotista, tímido, hipocondríaco
e definitivamente perturbado, com Hoffman atenuando a melancolia de acordo com o roteiro.
O filme é um drama sobre a vida de um homem fadado à solidão, mesmo que esteja
rodeado de pessoas, ou seja, a grande questão da nossa existência. Mas também é uma comédia
sobre as neuroses humanas à Woody Allen. E sobre a importância e a interferência da arte
na vida e vice-versa. Enfim, classificar Sinédoque, Nova York é difícil e inútil, dizer que é
um filme belíssimo, único, tocante e que merece uma visita já basta. Uma excelente estreia para
Charlie Kaufman e um presente para os que se aventurarem nesse pedaço de cidade/filme/vida.
Visto em 24/07 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


À DERIVA
Brasil 2009 1h41min
de Heitor Dhalia com Vincent Cassel, Debora Bloch, Camila Belle, Laura Neiva

FERNANDO A síndrome do Quero-Ser-Lucrecia-Martel
(diretora argentina dos excelentes O Pântano e A Menina Santa) ainda persiste
nos jovens cineastas brasileiros. Depois do Feliz Natal de Selton Mello, é a vez
de Heitor Dhalia mergulhar no cinema sensorial da cineasta argentina. Após
uma boa recepção de público e crítica para o divertido exercício em cinismo pop
O Cheiro do Ralo, protagonizado por Selton Mello, feito com pouquíssimo
dinheiro e muito bom resultado nas telas, Dhalia conquistou investidores estrangeiros
e realizou À Deriva com elenco internacional (o francês Vincent Cassel e a americana
Camila Belle) e uma boa janela de divulgação com o lançamento em Cannes 2009,
onde o filme foi ao final aplaudido por vários minutos, não se sabe bem por que...
A estética peculiar do cinema de Lucrecia Martel está a serviço de um olhar crítico,
incômodo e muito pessoal sobre a classe média argentina. Infelizmente, Heitor Dhalia
não consegue ir além do mimetismo estético e, pior, retira a sujeira visual de Martel.

A protagonista do filme é a adolescente Filipa (a fotogênica estreante Laura Neiva,
escolhida pelo Orkut) que, durante férias de verão na praia de Búzios do início dos
anos 80, vive suas primeiras experiências sexuais enquanto descobre que seus
pais não vivem um casamento perfeito e estão decidindo a separação. No já cansado
campo da 'entrada no mundo adulto', 'perda da inocência', o roteiro, também
escrito por Dhalia, não tem muito a oferecer. Uma pena, porque esse é um raro
filme brasileiro ambientado na classe média alta. O pai é um escritor francês,
a mãe (Débora Bloch, em boa atuação) é uma mulher liberal e chegada num copo,
a família tem lancha e bela casa com piscina etc Indeciso entre tomar o ponto
de vista de Filipa, fazendo uma crônica intimista feminina, ou fazer um melodrama
(com diálogos fracos, explicativos) sobre a separação do casal, o filme fica literalmente
à deriva e boiando já na sua primeira metade em preciosismo técnico, onde a direção
de fotografia orgulhosa, a montagem competente, a direção de arte cuidadosa,
ficam dois passos na frente do interesse pelos personagens. Acrescente uma das mais
irritantes trilhas sonoras (um tema de piano) recentes, num filme que cresceria
se preferisse os silêncios. O que fica é a impressão que Heitor Dhalia adora filmar,
procurar a mais bela imagem, mas À Deriva carece de aproximar-se mais de seus
personagens, que muitas vezes são apenas belos manequins para um desfile de maiôs
e roupas de praia retrô do bem cuidado figurino de época (início dos anos 80).

De qualquer forma, o filme funciona como um produto bem acabado para
o mercado, de qualidade técnica invejável, um cartão de visitas eficiente para
Heitor Dhalia no cinema internacional e, ao certo, não tem nenhuma conexão com
o lamentável cinema nacional que domina o público com coisas como Se Eu Fosse Você 2
e A Mulher Invisível. Apesar do acabamento industrial convencional, À Deriva é,
para o público médio bitolado pelas comédias toscas da Globo Filmes, o que
se rotula como 'filme de arte'. Vamos ver como funcionará nas bilheterias.

FILIPE À Deriva. O título não poderia ser mais apropriado.
Garota de 14 anos que vê sua família desmoronar ao descobrir que seu pai francês
tem uma amante americana. História velha, batida e contada sem a menor inspiração
aqui. Um roteiro raso e mal escrito, uma fotografia belíssima que chama a atenção para si,
uma trilha sonora tão marcante que faz você querer arrancá-la de seu cérebro com as mãos,
uma pretensão de ser um filme profundo sobre relacionamentos, uma protagonista
inerte. Assista aos filmes da Lucrecia Martel para saber de onde o visual foi copiado.
Heitor Dahlia, que veio da publicidade, filma À Deriva como uma propaganda de luxo.
E é essa a sensação que o filme passa, a de assistir a um comercial onde a bela
e estreante Laura Neiva boia no mar com seu biquíni Alexandre Herchcovitch
por 1h40min: no início é tudo muito lindo, mas meia hora depois você está
contando os segundos para que o tédio acabe. Cuidado pra não se afogar.
Visto em 29/07 como convidados da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


TINHA QUE SER VOCÊ
Last Chance Harvey EUA 2008 1h32min RT 7,0
de Joel Hopkins com Dustin Hoffman, Emma Thompson, Kathy Baker

> Harvey Shine (Dustin Hoffman) está em Londres por causa
do casamento de sua filha. É quando o inesperado acontece e ele
conhece Kate Walker (Emma Thompson), uma inglesa que desperta
no protagonista sentimentos há muito tempo esquecidos.
Visto em 03/08 como convidados da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


EFEITO BORBOLETA 3
Butterfly Effect 3 - Revelations EUA 2008 1h30min
de Seth Grosman com Chris Carmack, Rachel Miner, Melissa Jones

> Terceiro filme da franquia iniciada com um filme estrelado por Ashton Kutcher,
sobre pessoas com o dom de viajar no tempo e alterar a realidade. Depois
de um segundo filme realizado direto para DVD, mas que passou nos cinemas
no Brasil, agora temos Sam Reed (Chris Carmack) ajudando a polícia a identificar
assassinos usando seus dons. Sam quebra as regras temporais para salvar a sua
namorada e tudo se complica cada vez mais nas suas tentativas de alterar
a linha do tempo. Efeito Borboleta 3 foi lançado nos EUA direto em DVD.

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Mostra Cinema Francês

> Numa parceria do Cineclube Dissenso com os Cinemas Apolo e Fundaj, temos a
Mostra Especial de Filmes Franceses (exibição em DVD, com entrada franca). A mostra
conta ainda com a participação, na segunda 03, no Cinema da Fundaj, do diretor francês
Ladj Ly, que exibirá curtas-metragens e promoverá debate com o público sobre os principais
conflitos recentes na França, no que diz respeito a revolta da periferia. Segue a programação:

Segunda 03
18h30 - Fundaj O ÓDIO (La Haine) de Mathieu Kassovitz 1995 1h36min
20h - Fundaj Curtas-metragens + Debate com o diretor francês Ladj Ly
20h – Apolo E DEUS CRIOU A MULHER (Et Die... Créa la Femme) de Roger Vadim 1956 1h35min

Terça 04
20h20 - Fundaj E DEUS CRIOU A MULHER (Et Die... Créa la Femme) de Roger Vadim 1956 1h35min
20h – Apolo BRINQUEDO PROIBIDO (Jeux Interdits) de René Clement, 1962 1h22min

Quarta 05
20h20 – Fundaj A GRANDE TESTEMUNHA (Au Hasard Baltazhar) de Robert Bresson 1966 1h35min
20h – Apolo O ÓDIO (La Haine) de Mathieu Kassovitz, 1995 1h36min

Quinta 06
19h40 - Fundaj LA JETÉE de Chris Marker 1962 28min
20h20 - Fundaj BRINQUEDO PROIBIDO (Jeux Interdits) de René Clement 1962 1h22min

Sexta 07
18h - Apolo LA JETÉE de Chris Marker 1962 28min
+ ENTREATO 1924 22 min e PARIS ADORMECIDA 1923 34min, ambos de René Clair
20h – Apolo A GRANDE TESTEMUNHA (Au Hasard Baltazhar) de Robert Bresson 1966 1h35min

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Sinédoque, Nova York

Eu não conhecia essa palavra, sinédoque, e muito menos o seu sentido.
Diante disso, fui procurar no dicionário. Descobri que sinédoque é um tipo
de metonímia. Pelo que eu me lembro de minhas aulas de português do colégio
(e olhe que já se vão sete anos), metonímia é uma figura de linguagem. As figuras
de linguagem servem para dar uma estética maior à estrutura dos textos; para
deixá-los mais bonitos. São de vários tipos: metáfora, hipérbole, metonímia
etc. É essa última que nos interessa, porque foi dela que Charlie Kaufman se
utilizou para estruturar esteticamente seu filme (louco como sempre e tão
interessante quanto). A metonímia diz respeito à troca do todo pela parte, ou
seja, você se utiliza da parte para falar do todo. Por exemplo: 'Os vagões
estão chegando à estação (referindo-se ao trem)'. Pois bem, partindo dessa
ideia, Kaufman metonimiza sua estória. Em tese, utiliza-se da parte (a peça
teatral constituída de uma Nova Iorque diminuída em um galpão) para falar
do todo (a Nova Iorque propriamente dita). Quer dizer, seria isso.

Contudo, com Kaufman você pode esperar tudo e a tese pode virar antítese. Na verdade,
no filme ocorre uma inversão. Não é a parte que fala do todo. É o todo que fala da parte.
O todo (a construção da peça teatral durante anos a fio e as pessoas/personagens
que a circundam) a falar da parte (o protagonista – um diretor de teatro frustrado,
sem inspiração, cheio de manias e de culpas – um loser, para os padrões americanos).
Mais uma vez ele se utiliza da metalinguagem em suas obras, construindo uma metalinguagem
sobre outra metalinguagem, ou seja, uma loucura total, onde se mistura delírio com
'realidade'; ou seria apenas delírio? Ou seria uma 'realidade' simbolicamente
construída? Talvez um pouco dos dois ou talvez seja preciso vasculhar a mente
conturbada do roteirista, agora diretor, Charlie Kaufman. Há quem ame Kaufman;
outros acham que ele é superestimado. Talvez ele até não seja esse grande
roteirista que dizem, mas uma coisa não se pode negar: ele é um ótimo criador
de estórias malucas e inventivas. Por fim, cabe dizer que não há nada melhor
que um filme ocupar toda a tela do cinema. O Cinema parece realmente cinema.

P.S. Você tem notícias se algum dia nós ainda iremos ver, nas telas
recifenses, o novo-velho filme de Tarantino À Prova de Morte?
Rodrigo Tenorio | tenorio@hotlink.com.br

Faltou dizer que Sinédoque, Nova York é muito, muito engraçado, embora com
um humor dodói, desencantado, onde Kaufman brinca o tempo todo com a ideia
de que somos criaturinhas-especiais-de-deus para, ao final, mostrar lindamente que
a existência humana é mesmo uma grande bobagem ou, em palavras mais cínicas,
que a vida não tem sentido algum. Humor peculiar de Kaufman em plena forma.
Acho fascinante como a indústria de cinema norte-americano consegue fazer
tanto lixo que faz sucesso astronômico nas bilheterias e, ao mesmo tempo,
produzir filmes caros e tão pessoais e tão absurdamente estranhos como esse
OVNI de Charlie Kaufman, um retumbante fracassos nas bilheterias, é claro.

Sobre À Prova de Morte, primeirão do Top Ten Kinemail 2007 (!!!), permanece
inédito não só nas salas recifenses, mas em todo o Brasil! A Europa Filmes
promete lançá-lo até o fim do ano, depois que chegar aos cinemas o novo
Bastardos Inglórios, tentando aproveitar a poeira da mídia sobre Tarantino.
Vale aguardar, também é cinema que ocupa toda a tela, em mais de um sentido.

Sinédoque, Guerra, Inimigos e Harry Potter

Charlie Kaufman já tinha desafiado a capacidade cognitiva do público em seus roteiros
anteriores, mas este Sinédoque, Nova York vai além dos limites. O filme, que começa
linear, rapidamente transforma-se num buruçu, igualzinho à cabeça do protagonista.
Embora tenha boas sacadas, o filme é torturante a maior parte do tempo. E não é torturante
no sentido de 'me faz pensar', mas no sentido de 'me faz olhar o relógio'. Eu sai da sala
com duas certezas: Phillip Seymour Hoffman é mesmo um ator fantástico e Kaufman
tem problemas (mais do que a maioria). A idéia da vida-dentro-da-peça-dentro-da-vida
(com toda a repetição de situações) é interessante, mas o roteiro perde ótimas
oportunidades de fechar a história, descambando para uma loucura tão grande
quanto a do próprio personagem. Eu até duvidei da minha capacidade de entender
um filme, mas tenho certeza que Sinédoque forçou demais a barra.

Guerra ao Terror é mesmo uma grata surpresa que devo ao DICAS DE CINÉFILO
(aka Filipe Marcena). Um filme consistente, sem afetação e sem clichés que vai
entrar para minha coleção. Não é nada superinovador, mas de algum modo
as câmeras fogem ao padrão. Para um filme de guerra, escapar ao lugar comum
é um desafio até para os diretores mais cultuados do gênero, no entanto é o que
Kathryn Bigelow consegue. Isso mesmo: o olhar de uma mulher sobre a guerra
acabou sendo — não 'mais sensível' — mais pungente do que o de muitos homens.
Contando a história de um esquadrão anti-bombas do exército atuando no Iraque,
ela não cede a explicações fáceis, maniqueísmos ou dramalhão. A palavra 'bomba'
pode até lembrar a pirotecnia dos filmes de ação: esqueça, você não vai ver um fogaréu
a cada explosão, e sim poeira, pedras e morte. Embora conte com figurantes de luxo
(Guy Pierce e Ralph Fiennes, em rápidas aparições), o elenco é basicamente desconhecido
e segura muito bem as pontas. Pra mim, o firme equilíbrio da direção tirou
o melhor das atuações e criou um conjunto harmonioso e cativante.

Inimigos Públicos é bom, com boas atuações e boa trama. Novamente Michael Mann
dá preferência a closes e tomadas escuras/noturnas na maior parte do tempo.
Gosto do estilo seco dele, com estampidos surdos (mais realistas) a cada tiro
e os litros de sangue na medida certa. O elenco realmente ajuda muito: Depp, Bale,
Cottillard e uma série de caras conhecidas das telas americanas como coadjuvantes.
A trilha também é boa, exceto a parte instrumental que recai no mais-do-mesmo,
ou seja: música orquestrada nos momentos de romance e clímax. Concordo com
o que você falou: faltou alguma coisa para chegar num filme de gângsters de alto nível.
O Gângster de Ridley Scott chegou muito mais perto, ao meu ver. Acho que Mann
é um cara criativo, mas muito submisso ao cinemão/estúdio para ousar mais.

Para mim, Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um dos melhores da série.
Muito equilibrado nos tons e com inclinação maior para o sinistro. O bom elenco
(que já contou com Kenneth Brannagh, Gary Oldman, Emma Thompson, Helena
Bonham-Carter, entre outros) é sem dúvida um ponto de destaque. Concordo
com o leitor Victor Leal quando diz que deixar algumas coisas de fora atrapalha,
pois mesmo sem ter lido o livro percebi saltos no roteiro. No entanto, o mérito desse
sexto filme é prender o espectador por 2h30 sem exagerar demais na parafernália visual
e sem exigir conhecimento dos livros. Além disso, o fechamento instiga para o próximo
filme, lembrando os filmes da série O Senhor dos Anéis. Para mim, mesmo com altos
e baixos, a série Harry Potter ainda vai bem. Especialmente considerando que,
salvo engano, é a mais longa história contínua do cinema. Sim, pois filmes-personagem
como James Bond são como contos separados, e não como uma obra inteira.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br

Louco pra ver, mas ainda não arrumei tempo pra pegar Guerra ao Terror nas locadoras.
Já lançado por aqui em DVD, o filme está atualmente em exibição nos EUA, coberto
de elogios e com sinais de ser um dos primeiros filmes do ano com possibilidades
de boas indicações ao Oscar 2010. Sobre Sinédoque, Nova York, alguém já falou
que um filme que precisa ser revisto é um filme com problemas. Mas se os filmes
fossem feitos para serem vistos uma vez só, não existiriam os cinéfilos eh eh

Só sei que tive a mesma impressão sua, na primeira vez que vi, uma sensação
de overdose de metalinguagem e confusão excessiva. Mas... visto mais uma vez,
o filme fica muito mais simples e, longe de parecer excessivo, tem um roteiro
fechado e preciso como um relógio e, mais que tudo, ganha mais em poesia
e visão pessoal do autor. Um bom filme a ser descoberto e cultuado, que fecha
um ciclo temático iniciado por Quero Ser John Malkovich, seguido de Adaptação
e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Sinédoche, Nova York
fecha tão bem o assunto que fica a intrigante questão: E agora, Charlie Kaufman?

Sobre Inimigos Públicos, confesso que o filme já caiu no meu esquecimento.
Uma pena, gosto do cinema
de Michael Mann, mas esse não funcionou.
Gosto do alto nível técnico, mas o filme não me diz muita coisa.

O Equilibrista

O Equilibrista é de perder o fôlego. Por mais que se saiba desde o início que
o cara não vai morrer, ficava agoniado com a simplicidade com que ele encarava
suas travessias. E como é perfeito como ato rebelde - apesar de eu entender que
não era a rebeldia o que o motivava, mas o desafio, uma verdadeira vontade de viver
na corda-bamba, como ele mesmo diz - um homem andando num cabo-de-aço.
Se corta o cabo, é assassinato. Se não corta, quem vai buscá-lo? E um dos
grandes personagens é o amigo dele francês. Era o juízo que o equilibrista
não tinha! No choro dele em seu depoimento, se vê a lembrança do peso
da responsabilidade de participar de um ato tão arriscado como botar a bala
no revólver do amigo que vai fazer roleta russa. E há a forma apaixonada como
o Phillip relata toda a história. Ele curte a fama, e se sente realizado na vida.
Um cara que realizou seu sonho com 24 anos... coisa rara.
Nem sei mais o que dizer. Apesar de não achar essas coisas
todas o resultado técnico do documentário, achei muito bom!
Cezar Martins | czrmartins@gmail.com

Escrevo voltando de O Equilibrista, esse puta documentário a respeito
do francês que se balançou num cabo entre as torres gêmeas. numa cena
que define muita coisa do tema do filme, mostra-se um feixe de microfones
diante da janela do carro de polícia onde o Philippe estava algemado, depois
da performance. e cada microfone perguntava: 'por quê?'. A gente entende
ali que a beleza do negócio todo é a sua absoluta inutilidade, sua ausência
de razão. E é isso que faz daquela travessia uma obra de arte; por contraste,
é a presença de um motivo claro que retira esse caráter de ‘arte’ ao episódio
(igualmente plástico e, porque não dizer, belo) dos dois boings cravando
naqueles mesmos edifícios. Philippe queria atravessar o void entre as duas torres
simplesmente porque elas estavam lá (e um amigo diz mesmo: 'é como se eles
as tivessem construído para ele'). Um dia ele abre um jornal e lê: 'dois gigantes
paralelos', 'enormes', 'os mais altos do mundo', coisas assim, tudo no superlativo.
E ele, óbvio: 'é ali que quero me exibir'. Muito de vaidade nisso (e ele parece
ser mesmo um cara muito vaidoso). Mas não será a mesma lógica
que determina que se construa um prédio tão alto?
Edgar Costa Neto | www.dizdigo.com

O Equilibrista AINDA está em cartaz na Fundaj,
já é Top Ten Kinemail e os leitores recomendam :)


Há tanto tempo que te amo


Cara, fui 'obrigado' a assistir O Casamento de Rachel, que ainda não tinha visto,
por seu comentário sobre Há tanto tempo que te amo. Olha, concordo que há muitas
semelhanças entre os filmes mas... acho meio injusto comparar. Complicado falar
dos dois filmes sem entregar o 'segredo' do final, mas a principal diferença é que
o motivo dos atos muda tudo. Gostei bastante de Há tanto tempo que te amo
mas concordo que aquela 'explicação' final acabou prejudicando a estória.
A propósito.... que filmão o do Demme! O Casamento de Rachel é meio
documental, as coisas parecem que estão realmente acontecendo
na sua frente e você está lá na casa, acompanhando aquela paranoia toda
daquela família. E a Debra Winger? Quem diria... sumida há tanto tempo.
Joao Solimeo | cameraescurablog.blogspot.com

Justamente, essa diferença entre os filmes muda tudo. Enquanto O Casamento
de Rachel
não dá refresco ao espectador, Há tanto tempo que te amo prefere
o melodrama fácil, conciliador, mais para as lágrimas do seu Supercine... No entanto,
é falado em francês, é contido, elegante, então... vira 'cinema de arte'. Gato por lebre.


Há tanto tempo que te amo é bem produzido, belas atrizes, crianças fofinhas,
fotografia massa, locações bonitas... mas achei previsível demais.
Li sua crítica no Kinemail. É bem por ali o que eu achei também.
Andre Moraes | alumebr@gmail.com

Oscar 2010

> O Oscar 2010, para quem ainda não sabe, terá 10 filmes indicados ao prêmio máximo
de melhor filme do ano, o que sugere a inclusão de alguns bons blockbusters de férias
entre os indicados. A revista Entertainment Weekly considera que Star Trek,
o filme-diversão predileto do Kinemail esse ano, tem chances de sair indicado. Torcemos! :)

Atualizando o Top Ten Kinemail 2009

> Já no início de agosto, atualizamos o Top Ten Kinemail 2009 com 3 novidades (Star Trek,
Valsa com Bashir e O Equilibrista) e mais 15 filmes para você fazer uma apreciação
do que melhor foi exibido nas telas brasileiras até agora. Levando em conta que ainda
temos cinco meses pela frente (incluindo novidades de Cannes 2009), não dá
pra desanimar. Se a grande maioria dos filmes exibidos não valem um vintém furado
(e a lista de Piores do Ano vem por aí, aguarde, eh, eh), que tenhamos uns 25 bons
motivos para ter ido ao cinema em 2009 já é uma enorme satisfação pro Kinemail.

Esta lista abaixo, ilustrada com cartazes, reflete a minha opinião. Logo após, você confere
a lista de Filipe Marcena, agora colaborador fixo, que cita praticamente os mesmos filmes,
com variações de posição na lista e incluindo Sinédoque, Nova York, Foi Apenas um Sonho
e Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei, que não estão na minha lista. Confira:






01. GOMORRA
02. O LUTADOR
03. A QUESTÃO HUMANA
04. UM CONTO DE NATAL
05. VALSA COM BASHIR
06. CANÇÕES DE AMOR
07. ENTRE OS MUROS DA ESCOLA
08. STAR TREK
09. CORALINE E O MUNDO SECRETO
10. O EQUILIBRISTA

Completo a lista com mais 15 filmes que foram muito boas sessões nesse primeiro semestre:








11. Desejo e Perigo
12. Frost/Nixon
13. Na Mira do Chefe
14. A Garota Ideal
15. O Silêncio de Lorna
16. A Troca
17. Gran Torino
18. Watchmen
19. O Casamento de Rachel
20. Simplesmente Feliz
21. Eu Te Amo, Cara
22. Leonera
23. CHE - Parte 1
24. Intrigas de Estado
25. A Janela

>
Segue o listão Top 25 de Filipe Marcena filipeap1988@hotmail.com

01. SIMPLESMENTE FELIZ
02. VALSA COM BASHIR
03. ENTRE OS MUROS DA ESCOLA
04. O LUTADOR
05. CORALINE E O MUNDO SECRETO
06. O EQUILIBRISTA
07. SINÉDOQUE, NOVA YORK
08. A QUESTÃO HUMANA
09. GOMORRA
10. CHE - Parte 1

11. Frost/Nixon
12. A Garota Ideal
13. Canções de Amor
14. Star Trek
15. Um Conto de Natal
16. O Casamento de Rachel
17. Watchmen
18. Na Mira do Chefe
19. O Silêncio de Lorna
20. A Janela
21. Desejo e Perigo
22. Foi Apenas um Sonho
23. Intrigas de Estado
24. Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei
25. Eu Te Amo, Cara

Quantos você viu? Quais seus melhores filmes de 2009?
E-mails para fernando@kinemail.com.br ou filipeap1988@hotmail.com