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ANO DEZ Edição 446

Moscou, G.I.Joe, Caramelo e um Gosto de Mel

> Encerrada a temporada de férias, com o fenomenal sucesso do medíocre
A Era do Gelo 3, visto por quase 9 milhões (!!) de espectadores no Brasil.
Agora, teremos mais lançamentos semanais nos cinemas, e essa semana
já começa com o lançamento nacional de Moscou, novo filme do maior
documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho. Cinéfilos agradecem pelas
pré-estreias do novo Sam Raimi, o terror Arrasta-me Para o Inferno
e do premiado filme romeno Como Eu Festejei o Fim do Mundo.

O Rosa e Silva estreia Caramelo, crônica romântica dirigida e estrelada
por Nadine Labaki, e continua exibindo Desejo e Perigo de Ang Lee.
Nos multiplexes, estreia mundial para G.I. Joe - A Origem do Cobra,
divertido blockbuster de ação; o desenho animado adulto Branca de Neve Depois do Casamento do belga Picha; o nacional O Contador de Histórias, baseado em história real, e a comédia romântica Marido por Acaso com
Uma Thurman. No Apolo, encerramento hoje da mostra de filmes franceses,
com La Jetée de Chris Marker e Au Hasard Baltazhar de Robert Bresson.
E não perca a sessão do Cineclube Dissenso deste sábado 08, 14h na Fundaj,
com entrada franca para o cativante filme inglês Um Gosto de Mel, de 1961.
Assista, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br

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UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009

MOSCOU
Brasil 2009 1h12min
documentário de Eduardo Coutinho com o grupo de teatro Galpão

FERNANDO Assim como em Jogo de Cena (Top Ten Kinemail 2008), Eduardo
Coutinho sobe novamente ao palco, com atores, para oferecer ao espectador
uma experiência que observa os limites entre ficção e realidade, ou ficção
e documentário, para ficarmos no gênero de cinema que ele realiza e que,
com esses dois filmes, se diferencia de sua brilhante obra anterior (Cabra Marcado
Para Morrer
, Santo Forte, Babilônia 2000, Edifício Master, entre outros).
Dessa vez, Coutinho estabeleceu um ponto de partida de workshop: o grupo
mineiro de teatro Galpão, atores e diretor, irá ensaiar por apenas três semanas
a peça As Três Irmãs, escrita em 1901 pelo russo Anton Tchekhov. Certos de que
é impossível montar a peça neste tempo de ensaio, todos ficam livres para
trabalhar o material durante três semanas. E Eduardo Coutinho registra, filma.

O resultado como filme é Moscou, com fragmentos desse workshop, com duração
de pouco mais de uma hora (o primeiro corte de Coutinho tinha 4h40min). Por ter
um envolvimento particular recente com a experiência teatral (Os Sertões e Os Bandidos,
pelo Teatro Oficina), a proposta já me pareceu atraente. Mas Coutinho não está
interessado nos bastidores do teatro, nem parece querer repetir o processo 'mágico'
de Jogo de Cena, de impacto direto no espectador, ao confundir os limites do real
e da ficção. Percebi o filme mais como um estudo sobre a memória, captando como
os atores usam memórias pessoais na construção de personagens fictícios, como
um texto de um século atrás comunica-se com a nossa realidade no presente,
como os atores fazem um processo semelhante à terapia, na busca de memórias
para dar vida ao texto etc. E, sem querer viajar muito, na construção de um trabalho
final (o filme) a partir desse workshop que, aparentemente, não tem muito a ver
com cinema ou até com documentário, já que foi um processo pré-estabelecido.

Por fim, Moscou é um trabalho aberto, inacabado, sinal de que Coutinho, 75 anos,
está numa fase entre estagnação e mutação e, se lhe faltam temas mais objetivos,
ele procura estar sempre trabalhando, filmando, documentando. Talvez Moscou
coubesse melhor como um documentário nos extras de um DVD duplo de Jogo
de Cena
, como um exercício complementar, e não uma obra completa, como
um filme para cinema. Ou não. Difícil escrever sobre Moscou. Melhor é ver.
Visto em 05/08 como convidados do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


G.I. JOE - A Origem do Cobra
G.I. Joe - The Rise of Cobra EUA 2009 1h58min RT 3,8
de Stephen Sommers com Chaning Tatum, Sienna Miller, Dennis Quaid

FERNANDO Depois de uma temporada de blockbusters decepcionantes
como X-MEN Origens - Wolverine, O Exterminador do Futuro - A Salvação
e atrocidades abomináveis como Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados
(a maior bilheteria mundial do ano, com quase 1 bilhão de dólares arrecadados),
o que esperar de um filme baseado nos bonecos Comandos em Ação, dirigido
por Stephen Sommers, o homem que nos deu A Múmia e Van Helsing? Não muito...
E sem esperar muito, considerando como um produto para garotos de 12 anos
de idade (física ou mental) loucos por videogame, gadgets, naves e explosões,
G.I. Joe - A Origem do Cobra até que não faz feio. É quase uma boa surpresa.

A trama versa sobre uma tropa de elite militar ianque que precisa enfrentar
vilões terroristas corporativos para resgatar poderosas ogivas com nova tecnologia
secreta capaz de fazer evaporar todo material metálico de uma cidade, ou seja,
apagar uma cidade do mapa. A primeira vítima é Paris, que será atacada a partir
da Torre Eiffel, na melhor sequência de ação da fita, onde os heróis do Comandos
em Ação literalmente destróem a cidade para poder salvá-la. Bem divertido.
Infelizmente, o filme tem longas duas horas de duração e um novo desafio
quando os alvos serão Moscou e Washington. A tradicional overdose de efeitos
especiais digitais, barulho e explosões domina a segunda parte, pouco palatável
para quem não vai ao cinema para jogar videogame e basicamente armada
para mostrar 'a origem do cobra' do título, pavimentando caminho para G.I. Joe 2.

Para um filme de ação honestamente trash, que não se leva a sério, impressiona
o elenco com Jonathan Price, Christopher Eccleston, Said Taghmaoui, Dennis Quaid,
Joseph Gordon-Levitt, Marlon Wayans e até uma ponta cameo de Brendan Fraser!
O poste loiro Chaning Tatum, depois de uma participação mínima no Inimigos Públicos
de Michael Mann, é aqui o astro, o G.I. Joe Duke, e a loira inglesa Sienna Miller
(Alfie e Factory Girl) vira morena e convence bem como vilã gostosa de filme de ação.
Visto em 06/08 como convidados da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


CARAMELO
Caramel França/Líbano 2007 1h35min RT 9,2
de Nadine Labaki com Nadine Labaki, Yasmine Al Masri, Joanna Moukarzel

> Com bastante atraso, chega ao Recife graças à boa programação
do Rosa e Silva esta simpática e divertida crônica sobre cinco mulheres
com apelo exótico oriental ambientada em Beirute, no Líbano.

Sinopse: Caramelo se passa em Beirute, no salão de beleza Sibelle, onde cinco
mulheres se encontram regularmente. Layale é amante de um homem casado e espera
que um dia ele deixe a mulher. Nisrine vai se casar, só que não é mais virgem e não
sabe como contar ao noivo. Rima sente atração por mulheres. Jamale não
quer envelhecer. E Rose abdicou de sua vida para cuidar da irmã mais velha.
No salão, entre cortes de cabelo e depilação à base de caramelo, homens,
amor, sexo, casamento, maternidade e amadurecimento estão no centro
das conversas mais íntimas. Seleção Quinzena dos Realizadores Cannes 2007.
Visto em dezembro de 2007 como convidado da Expectativa Fundaj 2008
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


O CONTADOR DE HISTÓRIAS
Brasil 2009 1h49min
de Luiz Villaça com Maria de Medeiros, Marco Antonio, Paulo Henrique

> Filme conta a incrível história real de Roberto Carlos Ramos,
ex-interno da Febem que hoje é professor e escritor, e cuja vida
deu origem ao filme. Misturando realidade com fantasia, o protagonista
tornou-se 'um dos maiores contadores de histórias do mundo'.
Roberto Carlos cresceu numa época em que o internato na Febem
era opção da classe desfavorecida para dar estudo a seus filhos.
Com 13 anos, porém, foi considerado irrecuperável pela instituição.
Entra a francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros), que abre
sua casa ao garoto e lhe dá o que sempre faltou: carinho de mãe.


BRANCA DE NEVE DEPOIS DO CASAMENTO
Blanche Neige, la Suite França/Belgica 2007 1h20min 16 ANOS
animação adulta dirigida por Picha

> O cartunista e diretor belga Picha, 66 anos, marcou seu nome na animação
adulta com Tarzan, a Vergonha da Selva (1975), na época proibido no Brasil.
De volta ao gênero, ele remexe agora nos contos de fada dos Irmãos Grimm.
Sinopse: O que teria acontecido após a lua-de-mel de Branca de Neve
e o Príncipe Encantado? Assediada por um ogro faminto e se transformando
em objeto de disputa dos taradinhos sete anões, ela aguarda o retorno
do amado. O Príncipe, no entanto, está tentando seduzir a insaciável
Bela Adormecida. Para completar, Cinderela também capricha para ter
o belo príncipe em sua cama. Nem pense em levar as crianças...


MARIDO POR ACASO
The Accidental Husband Inglaterra 2008 1h32min RT 0,0
de Griffin Dunne com Uma Thurman, Colin Firth, Jeffrey Dean Morgan

> Sinopse: Trabalhando como consultora sentimental em um programa de rádio,
Emma Lloyd (Uma Thurman) aconselha uma de suas ouvintes a terminar
o relacionamento com o namorado. Inconformado, o ex da garota, o bombeiro
de Nova York Patrick (Jeffrey Dean Morgan), resolve se vingar da radialista: com
a ajuda de um hacker, muda as informações sobre o estado civil de sua inimiga
nos registros sociais. Quando Emma fica noiva e vai dar o próximo passo em sua
relação, descobre que, oficialmente, já é casada com o próprio Patrick!

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Cineclube

> Nesse sábado 08, 14h, no Cinema da Fundaj com entrada franca,
o Cineclube Dissenso exibe o filme que o Kinemail descobriu e publicou
recentemente na seção Cara, Eu Adoro esse Filme! Excelente oportunidade
para você também descobrir essa joia do cinema inglês dos anos 60
e, ainda, participar do debate que sempre acontece após a sessão.

UM GOSTO DE MEL
A Taste of Honey Inglaterra 1961 1h45min
de Tony Richardson com Rita Tushingam, Murray Melvin, Dora Bryan, Robert Stephens
CINECLUBE DISSENSO | Fundaj, sábado 08, 14h

> Tony Richardson, diretor inglês mais conhecido por vencer o Oscar com As Aventuras
de Tom Jones
(1963), cometeu essa maravilha chamada Um Gosto de Mel em 1961.
Representante máximo da Nova Onda do cinema inglês, que trouxe para as telas a classe
trabalhadora e temas até então evitados, o filme é versão para cinema da peça teatral
de Shelagh Delaney, sobre uma garota pobre, Jo (Rita Tushingham, inesquecível), que mora
com a mãe quarentona e decadente. Jo viverá seu primeiro amor e iniciação sexual com
um marinheiro negro e terá como único amigo um rapaz homossexual (Murray Melvin).
Filme e personagens são cativantes desde os primeiros minutos e impressiona a leveza
com que se trata o drama, melancólico mas nunca pesado ou pessimista. Pontuado por uma
inocente canção infantil, incluindo abertura e final, Um Gosto de Mel é um clássico do início
dos anos 60 que não envelheceu nadinha. Ao contrário, continua ainda ousado na temática
social e sexual, e é um retrato nostálgico da Manchester da época. Mais que tudo, é um filme
universal sobre crescer, procurar amor, afeto, levar porrada da vida mas continuar em frente.

Morrissey, o líder do The Smiths, sempre falou que esse era o seu filme predileto, do qual
usou até linhas de diálogos da personagem Jo para a poesia das letras de suas músicas,
como I dreamt about you last night/And I fell out of bed twice (em Reel Around the Fountain)
ou The dream has gone but the baby is real (em This Night has Opened my Eyes).
Por Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br

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Um Gosto de Mel

UM GOSTO DE MEL é muito bonito mesmo. Despretensioso, mas universal.
Fico cada vez mais convencido de que, pra uma obra ser poética, tem que
ser universal. Realmente, é clara a influência do filme em algumas músicas
dos Smiths e também é fácil perceber a identificação de Morrissey com
o retraído Geoffrey. Como gosto muito dos Smiths, entre os diálogos ingênuos
ou geniais ouvi diversos ecos das músicas. A atriz que faz a mãe é fantástica.
Um Gosto de Mel é despojado e simples, com tomadas lindas, como a do arco
e a das pontes de Manchester. E você tem razão quando diz que não é
um filme triste: só vi a melancolia de quem continua vivendo apesar de tudo.
Valeu, por mais essa dica de um filme a ser descoberto!
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br

Assisti Um Gosto de Mel. Que filme maravilhoso! Vibrante,
inteligente e extremamente ousado para a época (1961).
André Balaio | andrebalaio@gmail.com

Que bom saber que Um Gosto de Mel, recentemente descoberto por nós, será
exibido nesse sábado 08, 14h no Cinema da Fundaj, com entrada gratuita. Cinéfilo,
agende-se! Eis aqui um filme pelo qual você pode se apaixonar. Coisa rara...

Sinédoque, Halloween e Borboleta

A primeira cena de Sinédoque, Nova York é matadora, e já é um prenúncio
do que vem pela frente: um café da manhã apresentando três personagens,
um homem amargurado, monossilábico e que, em suas contidas falas, consegue
no máximo descrever reportagens terciárias de um jornal matinal; uma mulher
amargurada, com um forte desejo de renascer, tão egoísta quanto o seu companheiro
e uma menina que é o único elo que os une, pelo menos no início.
Há tempos não me deparava com personagens tão ricos, que em algum momento
são meros coadjuvantes e que em outros podem se tornar os atores principais
de uma peça de teatro. Uma fábula inquietante, de um morto vivo que tenta,
através da arte, renascer. A película é cheia de contrapontos, alguém precisa
morrer para que outra viva. Foi assim com a viagem da sua esposa que teve como
custo o enterro de si próprio. Egoísmo, individualismo, esperança, são sentimentos
que se confundem e estão presentes no casal principal.

As personagens são atemporais, passam-se 1, 2, 17 anos, cria-se uma NY fictícia,
as idéias são mutantes, a complexidade da vida cresce na mesma proporção
do cenário e da NY real, pessoas morrem, são substituídas e crescem, podendo
tornar-se protagonistas da vida do nosso herói, e o filme vai tomando uma referência
circular agonizante, personagens se confundem com a vida real e o nosso morto vivo
padece na realidade conturbada e vive perante a ficção. São centenas de pessoas
que podem hoje ser uma ponta de meio minuto no filme/vida de alguém
e que no futuro pode ser protagonista da vida de outra. Em Sinédoque, Nova York
não há uma só cena desperdiçada, não há um só personagem gratuito. Belo filme,
um exercício do que é a vida e do que é a morte, que em alguns casos se confundem.

Complementando, assisti o novo Halloween e Efeito Borboleta 3. O primeiro me retoma
a adolescência quando tinha 14 anos, larguei da escola e fui com alguns amigos, caminhando
Pela Rua da Aurora e do Sol, ver Halloween 4 no Cine Moderno e, no ano seguinte,
Halloween 5, no São Luiz. Confesso que fui ver com um pouco de nostalgia, totalmente
atropelada pelo clima 'Shopping Center Tacaruna'. Que saudades do 'malassombrado Moderno'.
Por sinal, o filme tinha cortes bruscos ao longo de todas sua extensão, chegando ao ponto
de eu achar que, por ser um remake, era uma homenagem aos filmes B. Já Efeito
Borboleta 3
, fui meio contra-gosto com minha namorada, que queria muito ver.
O Efeito Borboleta foi bem legal, inclusive tenho em DVD em casa.
O Efeito Borboleta 2 foi terrível, não justificando essa continuação tenebrosa.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com

Muito legal teu comentário sobre Sinédoque, Nova York mas... eu preciso insistir,
Charlie Kaufman fez também um filme muito, muito engraçado. Claro que não
estou falando aqui do humor imbecil que predomina nas comédias de multiplex,
mas um humor negro, non-sense, sobre o patético 'sentido da vida'. Minha impressão
dos comentários dos leitores é que as pessoas acham o filme muito 'sério', 'profundo'.
Será? Bem, cada um faz a sua leitura, mas eu acho que Sinédoque, Nova York
está bem mais pra Woody Allen ou um Monty Phyton do que pra Ingmar Bergman eh eh

Sobre Halloween, lamentável que o filme tenha sido mutilado a machadadas pela
própria distribuidora PlayArte, que retirou quase meia hora (!!!) de filme para conseguir
o certificado de censura 14 anos, garantia de mais trocentos adolescentes pagando
entrada. Se eu fosse fã de filme de terror e pagasse ingresso pra ver esse
absurdo num multiplex, mandava um e-mail desaforado para a PlayArte!


Ryan Gosling e a garota ideal

Assisti A Garota Ideal baixado no notebook mesmo. Aqui em Belo Horizonte
passou normalmente nos cinemas e não em poucas sessões de arte, como
no Recife. Eu vou resumir o filme em nome e sobrenome: Ryan Gosling.
Perfeito em todos os seus trejeitos de sujeito anti-social e consequente
perturbação emocional. O que eu pensava que seria uma comédia trash
no melhor estilo American Pie transformou-se num tormento psicológico,
com constantes sentimentos de vergonha alheia. Aliás, a atuação de Gosling
é tão boa que não sei se o filme seguraria a onda se ele não estivesse ali.
Paulo Oliveira | pauloolivieri@gmail.com

John Hughes 1950 - 2009


Faleceu na manhã dessa quinta 06 John Hughes, o produtor e diretor que
popularizou a angústia adolescente em comédias que marcaram gerações,
vistas no cinema pelos mais velhos e na Sessão da Tarde pelos mais novos.
Produtor de grandes sucessos como Esqueceram de Mim, Hughes dirigiu apenas
oito filmes, da estreia com o maravilhoso Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984),
que já usava em tom critico a canção Young Americans de David Bowie, bem antes
de Lars von Trier em Dogville eh eh até Curly Sue - A Malandrinha (1991). Entre eles,
fez história com Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985), comédia adolescente
cuja foto do cartaz, de Annie Leibovitz, foi a primeira (talvez a única) em que
os jovens atores NÃO apareciam sorrindo, e o filme pelo qual será lembrado:
Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986), um irresistível dia
de aula 'gaseado' por Ferris Bueller, com direito a Twist and Shout zoando na parada
escolar. Ter visto Curtindo a Vida Adoidado no Cinema São Luiz... não tem preço! :)
Por Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br