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ANO DEZ Edição 450

UP, Testemunhas, Órfã, Partida e Metrô

> Fim de semana de feriadão tem 10 novos filmes em cartaz! Kinemail já
viu e comenta 4 deles. A melhor estreia da semana é UP - Altas Aventuras,
a primeira animação da PIXAR em 3D. O efeito visual é bom mas, melhor
ainda, o filme não depende dele, apostando num excelente roteiro original
desse grande estúdio de animação que não se acomoda em continuações
e fórmulas fáceis. O Rosa e Silva continua surpreendendo e lança o drama
francês As Testemunhas, sobre os primeiros anos da Aids, visto pelo
Kinemail em outubro de 2007 na Mostra SP. A Bela Junie e Amantes
permanecem em cartaz. O terror A Órfã, com uma garotinha do Mal
que bota pra quebrar (ossos, inclusive eh eh) é a pedida para os fãs
do gênero. No cinema da Fundaj, o melodrama japonês A Partida,
Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro. Agende-se, assista e comente.

A semana ainda tem O Sequestro do Metrô com John Travolta e Denzel
Washington e Inimigo Público - Instinto de Morte com Vincent Cassel.
Mais 4 filmes em pré-estreia completam a movimentada programação
e ainda tem Mar de Rosas, nacional de 1977 no Cineclube Dissenso.
Assista, comente, participe, envie comentários para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Confira Peeping Tom - A Tortura do Medo (1960),
considerado um dos filmes mais perturbadores da história do cinema,
comentado nesta edição pelo leitor Pedro Henrique LEIA AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites para UP - Altas Aventuras,
O Sequestro do Metrô
e pré A Verdade Nua e Crua AQUI









UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009



UP - Altas Aventuras
UP EUA 2009 1h45min RT 9,7
animação digital PIXAR/Disney dirigida por Pete Docter

FILIPE Todo ano é aquela ansiedade pra ver qual é a nova surpresa que a Pixar
vai lançar nos cinemas. Filmes como Vida de Inseto, Toy Story, Os Incríveis,
Wall-e, os clássicos Monstros S/A, Procurando Nemo e o maravilhoso Ratatouille
angariaram fãs de todas as idades ao longo dos últimos 15 anos. Em maio,
Up – Altas Aventuras estreou com ótima recepção no Festival de Cannes,
primeira animação a abrir o festival, e agora chega no Brasil. Todos já esperavam
que o filme viesse com o selo de qualidade da Pixar mas, pelo menos eu,
não esperava um filme tão emocionante. O recurso 3D é maravilhosamente
usado mas, felizmente, o filme nunca precisa do efeito especial. Ótimo isso.

De cara, um prólogo arrasador, que narra o encontro entre as crianças Carl,
garoto aficionado por um famoso aventureiro, e Ellie, menina um tanto amalucada.
Eles prometem viajar um dia para a América do Sul e construir uma casa perto
das cachoeiras. Acabam casados e passam a viver felizes juntos, mas nunca
realizam o sonho. Em 10 minutos sem diálogos, assistimos praticamente toda
a vida do casal, incluindo quando Ellie perde um filho e morre algum tempo depois.
Carl, agora um velhinho ranzinza e solitário, continua morando na mesma casa
de sempre, mas ela está prestes a ser demolida e ele despejado. Num ato inesperado,
Carl amarra centenas de balões na sua casa (tipo aquele padre que desapareceu há
algum tempo aqui no Brasil, rsrs) e decide flutuar até a América do Sul com casa
e tudo. Acidentalmente ele leva consigo o escoteiro gorducho e aventureiro
Russell, garotinho que acaba atrapalhando os planos do velho senhor.

A primeira hora de Up - Altas Aventuras é originalíssima. Impressiona como o filme
dialoga com adultos e crianças com a mesma intensidade, mesmo ao tratar de assuntos
delicados como a superação da perda de um ente querido e a solidão. Sem nunca deixar
de divertir, é claro. Mas quando um vilão se apresenta e o filme vira um jogo de gato e rato,
o filme perde um pouco as forças. São seqüências bem feitas e divertidas, mas parecem
estar lá apenas pra cumprir o seu papel de blockbuster de verão. Não compromete tanto,
mas o antagonismo poderia continuar sendo as forças da natureza e a dificuldade da viagem.
Merece elogios a dublagem de Carl, feita pelo mestre Chico Anísio. Mesmo que você conheça
'aquela voz de algum lugar', a identidade vocal do personagem é precisa. Também devo
dizer que há muito tempo não chorava tanto num filme, do começo ao fim. Quando digo
que Up - Altas Aventuras é emocionante, eu não estou brincando, portanto leve
um lencinho. Afinal é uma história triste, ainda que bem humorada, sobre estar
no fundo do poço. E quando se está no fundo do poço, o único caminho é pra cima.
Visto em 30/08 como convidado do BOX Guararapes 3D | Buena Vista
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


AS TESTEMUNHAS
Les Temoins França 2007 1h55min RT 8,4
de André Techiné com Michel Blanc, Emmanuelle Béart, Sami Bouajila

FERNANDO O francês André Techiné é nome querido nos festivais de cinema e circuito
arternativo. Seu As Rosas Sevagens fez sucesso no Brasil, com sua bela trama
de desejos adolescentes entre uma moça e dois rapazes. O Anjo da Guerra teve
menos sorte e, embora muito bem recebido em festivais, foi direto para as locadoras
em DVD aqui no Brasil. Esse novo filme As Testemunhas, eu vi em 2007 na Mostra SP
e só agora chega ao Recife, em mais um esforço da programação do Rosa e Silva
em conseguir a única cópia com que o filme foi lançado comercialmente no Brasil.

Ambientado no início dos anos 80, o filme aborda as pessoas que testemunharam
de perto o surgimento da doença, de início no meio homossexual, que mudaria
o comportamento sexual do final do século XX, a Aids. O filme conta a história
do jovem Manu (Johan Libéreau), 20 anos, imigrante e homossexual assumido, que chega
a Paris para dividir apartamento com a irmã. Logo conhece o médico homossexual Adrien
(Michel Blanc), 50 anos, bem de vida e culto, e passa a viver uma vida sexual livre, envolvendo-se
até com o policial 'machão' Mehdi (Sami Bouajila), casado com a escritora Sarah (Emmanuelle
Béart) e pai de um recém-nascido. Todos eles formam uma espécie de família alternativa,
que irá sentir o impacto da Aids quando Manu começa a apresentar estranhas manchas
no seu algelical corpo jovem. Longe de uma narrativa melodramática (como fez o americano
Meu Querido Companheiro), Techiné registra com honestidade, franqueza, seus personagens,
que têm consciência e responsabilidade sobre suas opções de vida hedonista, fora dos
padrões convencionais, e o filme tem algumas cenas de nudez e sexo bem honestas,
que não procuram polemizar nem fazer discurso militante ou julgamento moral, apenas
estão lá, registrando o cotidiano dos personagens. Manu, o mais jovem, pagará
o preço mais caro, ao rejeitar tratar a sua doença, então ainda desconhecida.

Na primeira hora, As Testemunhas é fascinante retrato de uma época e comportamento,
o início dos anos 80. Na parte final, seca, brutal, mas de certa forma com previsível
dramaticidade e o peso da tristeza que encerra a narrativa, perde um pouco o brilho,
mas Techiné nos deixa um honesto testemunho cinematográfico de quem viveu
a história de perto e viu como as relações humanas foram modificadas pela Aids.
Visto em outubro de 2007 como convidado da Mostra SP 2007
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


A ÓRFÃ
Orphan EUA 2009 2h03min RT 5,6
de Jaume Colett-Serra com Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman

FERNANDO Com um trailer feijão-com-arroz do gênero, A Órfã prometia ser mais
um filme ruim de terror nos seus multiplexes mas... acaba sendo uma grata surpresa!
Não chega a ser um bom filme, mas honra a tradição dos legítimos filmes B
malvados e dodóis que fazem a festa dos fãs. O diretor espanhol Jaume Collet-Serra
leva a coisa a sério e, mesmo afogado em todos os clichês esperados, consegue
oferecer uma atmosfera de terror psicológico nessa historinha horripilante
de uma garotinha russa adotada por uma linda família americana de papai,
mamãe e casal de filhos. De perto, nada é perfeito. Mamãe (Vera Farmiga)
caiu no vício alcoólico após traumática perda na sua terceira gravidez.
Papai (Peter Sarsgaard) não lida muito bem com o trauma da esposa.
A filha caçula (uma garotinha ótima!) é surdo-muda, garantia dos melhores
momentos de terror. Entra Esther (Isabelle Fuhrman, anote o nome dela)
na família, garota de 9 anos adotada, com obscuras referências do passado
com outras famílias. Ah, e como sempre nesses roteiros, os pais dela morreram
num incêndio... O filho (o garoto que faz o Capitão Kirk criança em Star Trek)
é o primeiro a perceber que há algo de muito errado com Esther. Temos
ainda uma avó que parece ser uma boa vítima para Esther mas, curiosamente,
tem participação nula na fita, a velha não serve pra nada o filme inteiro.

Você lembrou de O Chamado ou A Profecia? Ok, são as referências, mas esqueça
esses filmes também porque aqui, a melhor surpresa, é que não tem nada do Além
ou do Demo, a garotinha Esther é só muito freak da cuca e não está pra brincadeira.
Faz tempo que eu não via cenas tão violentas envolvendo crianças no cinema
americano!! Só pra começar, Esther mata explicitamente uma freira do orfanato
com marteladas na cabeça, sangue espirrando no seu vestidinho. Não é careta!
Crianças com arma na mão e um prólogo com um parto sanguinolento que eu não
recomendo às garotas com doces sentimentos maternais, estão entre as cenas
sujas, dementes, desse filme que surpreendentemente constrói bons personagens
nos integrantes da família, com momentos que lembram até um David Cronenberg.

Dê os descontos para os furos e momentos forçados do roteiro um tanto preguiçoso
e o saldo é bem positivo, ponto a favor para a produtora Dark Castle, que nunca mais
tinha feito nada memorável. O mistério da nossa malvadinha órfã é revelado na
tradicional reviravolta. Aqui ela é absurda, sem noção, mas milagrosamente não
é previsível, duvido que alguém adivinhe antes. Além de jogar a trama nos quase
risíveis confrontos finais, a reviravolta também tem a função de justificar todas
as terríveis cenas cometidas por Esther, que sempre me deixaram com a cabeça
coçando, perguntando 'Como é que eles deixaram essas crianças participarem
dessas cenas chocantes?' Com duas horas de duração, o filme só patina na
ação trivial do desfecho, que inclui um previsível mas sembre bem-vindo berro
de 'I am not your fucking mother!!!'. A Órfã tem um elenco muito acima da média
e é garantia de boa diversão para os aficionados do gênero. Pelo que eu entendi,
não sobrou espaço para um A Órfã 2, mas até que dava uma boa série de terror eh eh
Visto em 02/09 como convidado da UCI Cinemas | Warner Bros.
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


A PARTIDA
Okuribito/Departures Japão 2008 2h10min RT 7,8
de Yojiro Takita com Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue
OSCAR 2009 DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

FERNANDO Num ano que teve a concorrência dos ótimos Valsa com Bashir
e Entre os Muros da Escola, não tive como deixar de ser preconceituoso com a vitória
do japonês A Partida como melhor filme estrangeiro no Oscar 2009. Ninguém sabia
nada desse filme e, depois de ver, entendo perfeitamente porque ele ganhou o Oscar,
fazendo parelha com Quem Quer Ser um Milionário? como filmes que agradam multidões
mas me deixam a certeza de que esse ano o Oscar decepcionou bastante. A Partida
tem suas qualidades, mas o saldo final é de filme oriental pra ocidental ver,
num melodrama pra lá de convencional, cheio de minutos de sabedoria oriental
para as plateias de 'filme de arte' e apelo melodramático universal e quase
novelesco para o público médio descobrir um 'lindo filme estrangeiro'.

Qualquer filme que tenha cenas de músico tocando instrumento em montanha
com câmera rodopiante e fotografia 'belíssima' já é bastante suspeito... Mas vamos lá:
a historinha acompanha Daigo (Masahiro Motoki), músico que perde o emprego
com o fechamento da Orquestra de Tóquio e decide voltar com a esposa para
sua pequena cidade natal, onde deixou traumas familiares para trás (que serão
devidamente resolvidos nos momentos finais). Lá, consegue um emprego incomum,
de assistente em uma empresa que prepara mortos para funerais. Num Japão
fortemente ocidentalizado (com enterros cristãos e celebração de Natal não
muito diferente de uma Nova York), ainda resistem as tradições seculares orientais
que olham a morte de forma bem diferente de nós ocidentais. O trabalho de Daiko
não tem muito a ver com o da família Fisher de A Sete Palmos. Consiste mais de um
belo ritual de prepararação do corpo diante da família em luto, resgatando a dignidade
da carne, através de maquiagem, vestimentas, mas principalmente elevação espiritual.

São estes os momentos que valem a pena no filme, além de um punhado de personagens
coadjuvantes, como o sábio patrão de Daiko e uma graciosa senhora dona de uma
tradicional casa de banho. Infelizmente, predomina o melodrama fácil e manipulativo
na interminável meia hora final, meio que soterrando o que o filme tinha de sutil e belo.
Daiko e o espectador aprenderão lições de vida e mensagens sobre a Morte, a Vida
e o Amor num dos finais mais previsíveis e manipuladores que eu já vi, onde dói no
pé do ouvido a trilha sonora de violoncelos e pianinhos clássicos e o diretor Yojirô Takita
(que veio da televisão e de leves comédias eróticas) parece estar sentado ao seu
lado, pegando você desagradavelmente pelo pescoço e berrando: 'Chora, miserável!!'
O público em peso da pré-estreia chorou rios e achou tudo muito lindo e sensível. Eu não.
Visto em 30/08 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


INIMIGO PÚBLICO N.1- INSTINTO DE MORTE
Mesrine - L’Instinct de Mort França/Itália/Canadá 2007 1h53min
de Jean-François Richet com Vincent Cassel. Cecile De France, Gerard Depardieu

> Sinopse: França, anos 60. Nascido numa família de classe média de Clichy,
Jacques Mesrine obtém rápida e fulminante ascensão no submundo de Paris.
Na década seguinte, o seu poder de ameaçar, corromper e matar os que não
aceitam suas regras o torna o marginal caçado pela polícia e os órgãos de segurança
como o inimigo número 1 do país. Primeira parte de um projeto do diretor Richet,
com a intenção de levar ao público uma reconstituição capaz de promover reflexão
sobre os aspectos obscuros e a complexidade da personalidade de um fora-da-lei
que, hoje, é visto como um mito. A segunda parte é L'Ennemi Public nº 2 (2008).

Vincent Cassel conquistou prêmios de melhor ator por esse filme em festivais
na França e Japão. Inimigo Público - Instinto de Morte, embora lançado no restrito
circuito alternativo de 'sessões de arte' (por ser francês, talvez), é um filme policial
tradicional, com influências do cinema virtuoso de Martin Scorsese e Michael Mann.


O SEQUESTRO DO METRÔ
The Taking of Pelham 1 2 3 EUA 2009 1h46min RT 5,2
de Tony Scott com Denzel Washington, John Travolta, James Gandolfini

> Sinopse: Remake de O Sequestro do Metrô (1974), no qual quatro bandidos tomam
um trem do metrô e pedem um milhão de dólares para libertar os reféns. O título
original refere-se ao horário de partida da estação Pelham: 1h23. Denzel Washington
é um controlador de tráfego do metrô da cidade de Nova York, que tem seu dia
transformado em caos. John Travolta é a mente criminosa, líder de uma gangue
de bandidos fortemente armados, que ameaça executar os passageiros em troca
de enorme resgate. Mesmo que os ladrões consigam o dinheiro, como poderiam fugir?

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UP - Altas Aventuras

Assisti aqui em Portugal UP - Altas Aventuras e estou boquiaberto
com aquilo! Tô achando incrível como a Pixar anda utilizando a tecnologia
pra contar histórias à moda antiga. Tudo muito bem construído e trabalhando
a favor da história. Queria destacar o colorido impressionante da primeira
cena dos balões. Assisti em 3D digital, foi minha primeira experiência nessa
tecnologia, mas achei que não havia necessidade para isso. Parece-me mais
uma tentativa de chamar mais atenção pra um filme que nem precisa de tanto
fogo de artifício. Não vi nenhuma necessidade para o 3D nesse filme,
mas como é a nova tendência de Hollywood...
André Ferreira | afcferreira@gmail.com

Se Beber, Não Case!

Vi The Hangover - Se Beber, Não Case!, quase morria de rir
no final da sessão. O filme é todo bacana. Ficava com medo
o tempo todo de descambar praqueles roteiros de Tela Quente,
mas a parada sempre se mantém cool, esperta.
Danilo Fontelles | danilofontelles@gmail.com

Borat, Ali-G e... Brüno? NOT!

Sinceramente, eu esperava mais de Sacha Baron Cohen. Depois do muito bom
Borat, era de se esperar um exemplar igual ou melhor. Não é o que acontece com
Brüno, filme bem inferior àquele outro. Talvez Sacha Baron Cohen tenha querido,
com esse Bruno, chocar mais que o filme anterior. E ele até pode ter conseguido
seu intento, mas Borat é muito mais contundente. A grande maioria, se não
todas, das cenas do filme parecem forçadas. Na verdade, Brüno parece ser um
único esquete de humor, sendo que repetido ao extremo. Não tem, nem de longe,
a mesma ironia e sagacidade de Borat. Para não dizer que Ali-G Indahouse
ainda consegue ser bem melhor que esse Brüno.
Rodrigo Tenorio | tenorio@hotlink.com.br

Junie, Caramelo, Brüno, Inferno...

A Bela Junie: Excelente filme francês, o universo adolescente mostrado em cores sóbrias,
escuras. Conflitos se desenrolam sem uma sequência definida. Normalmente só leio
os comentários do Kinemail após ver o filme. No entanto, com A Bela Julie, ocorreu
o contrário, e ficou difícil escrever algo que o Kinemail já não tenha destacado. Concordo
em todos os pontos, principalmente na questão da imaturidade do professor em relação
a dos alunos. No início achei que o mestre era apenas mais um aluno, devido a pouca
idade do ator, a impressão que eu tive é a de que havia alunos na sala com mais idade.

Caramelo: Surpreendente, não tem outra palavra para definir esse belíssimo filme. Para ser
visto por todos. No entanto, como o filme não é americano... Pessoas de carne e osso totalmente
normais, que podemos encontrar, no trabalho, na escola, na esquina ou no cabeleireiro
do quarteirão ao lado. Lindos personagens que vão nos conquistando a medida que os minutos
vão passando. Linda a cena da dupla de senhoras onde a aparentemente mais nova desiste
de seguir um caminho em detrimento ao amor pela outra. O celular que não toca, a mulher
na menopausa que simula menstruação para continuar jovem perante as amigas, A garota
que vai a uma 'costureira' remendar algo irremediável, o guarda que está mais próximo
de todos do que todos imaginam. A cena final é tudo de belo. Em resumo: É Cinema!

Brüno: Constrangedor, exagerado, sem noção, engraçado, sem limite. Enfim, diferente
de tudo que já havia visto. Na minha opinião, excessos poderiam ter sido cortados.
No entanto, como o filme é curtinho, se fosse cortar todos os excessos, o filme virava curta.
Arraste-me para o Inferno: A mesma sensação que eu tive quando assisti Brüno, senti
ao ver esse 'terrir'. Poucas vezes tive chances de assistir no cinema cenas tão nojentas!

O Contador de Histórias: Filme didático, bem filmado, segue o piloto
automático, nunca se aprofundando, sempre tangenciando algo melhor.
No entanto, é bastante honesto ao que se propõe.
A Era do Gelo 3: Convencional, porém atende perfeitamente
ao seu público. Divertido tanto quanto os dois primeiros.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com

Pra quem ainda não viu, A Bela Junie continua em cartaz no Rosa e Silva, Caramelo
entra em exibição no Apolo a partir dessa segunda feriado. Desejo e Perigo de Ang Lee,
um dos grandes filmes do ano, depois de passar no Rosa e Silva e Apolo, agora está
no Cinema do Parque, com ingresso por apenas R$ 1,oo. Fique ligado que o maravilhoso
filme Amantes, de James Gray, entra em segunda e última semana só no multiplex Recife.
Anotou? Agende-se, bom feriadão cinéfilo e mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br