

Kinemeite de Julho
Kinemeião de Julho



ANO DEZ Edição 454
Salve Geral, Hambúrguer e Apenas o Fim
> Com marketing sugerindo que é 'um filme indicado ao Oscar', estreia
Salve Geral. O filme foi o escolhido por uma comissão brasileira para
tentar uma vaga entre os cinco finalistas que concorrerão ao Oscar
de melhor filme estrangeiro em 2010. Pelo resultado nas telas,
não dá nem pra sonhar em conquistar uma vaga nessa corrida...
Estreia também o desenho que é a surpresa da temporada: Tá Chovendo
Hambúrguer, muito elogiado pela crítica e com bilheteria gorda nos EUA.
Filme entra em várias salas, mas em 3D somente no BOX Guararapes.
No Cinema Apolo, o inédito A Outra Margem, do português Luís Filipe Rocha.
O melhor da semana são os ainda em cartaz O Grupo Baader Meinhof,
no Rosa e Silva, e Bem-vindo, nas sessões extras dos multiplexes
Boa Vista e Recife. O Cinema da Fundação permanece com Anticristo
e estreia Apenas o Fim, realizado pelo carioca Matheus Souza, 20 anos.
Em pré-estreia nas sessões extras dos multiplexes Tacaruna e Plaza
Garapa, documentário de José Padilha, realizado logo após Tropa de Elite.
Assista, opine, envie comentário para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Diabel,
filme
de 1972 dirigido pelo polonês Andrzej Zulawski LEIA
AQUI
LEITOR VIP EM DIA ganha convites para Tá Chovendo Hamburguer
e pré-estreia de Distrito 9 e convites + camisas de Salve Geral AQUI


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UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009
SALVE GERAL ![]()
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Brasil 2009 2h00min
de Sergio Rezende com Andrea Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Giulio Lopes
Por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Qual o melhor filme brasileiro que você viu este ano? Taí uma resposta
difícil... De um lado, o cinema afetado de A Festa da Menina Morta e Feliz Natal,
Budapeste, do outro o horror das comédias românticas Globo Filmes, no meio o cinema
industrial 'de arte' de um À
Deriva... Seria o caso de perguntar qual o menos pior
filme nacional visto esse ano. O meu seria Jean Charles. Filme para o grande público,
no acessível formato cinebiografia, neste caso com o apelo extra de homenagem
póstuma e 'mensagem' social, com o mérito de até controlar as macaquices
de Selton Mello, a fita não funcionou nas bilheterias. Jean Charles concorria
a ser selecionado para tentar classificar o Brasil nas indicações ao Oscar
de melhor filme estrangeiro. A vaga ficou com Salve Geral. É perguntar: por que?
Salvo o óbvio lobby dos produtores, o filme oferece mais uma vez o mix
de drama social sobre a nossa violência urbana, que chama a atenção no exterior.
O problema é que o diretor Sergio Rezende é da velha guarda, realizador
que ficou lá pela 'modernidade' de um cinema brasileiro dos anos 80 e,
parece, nunca deve ter visto Cidade de Deus, obra exemplar de como
o Brasil já sabe, desde o início deste milênio, mimetizar o cinema norte
americano de Scorsese e Tarantino.
O estilo de Rezende é duro, antiquado,
com um certo charme de filme B e evidente influência do cinema de gênero
clássico americano na narrativa. Infelizmente, a escola de direção de atores
dele é pior que novela das oito, e dói ver mais de 50 personagens com
fala em Salve Geral. Péssimas falas, algumas risíveis, seja pelo texto,
seja pelas atuações com tom de locutor de radionovela.
O roteiro tenta
inserir uma forçada ficção sobre mãe coragem e filho vítima (algo que
Rezende fez bem melhor no anterior Zuzu Angel)
no contexto complexo
da tensão social que tomou conta de São Paulo na crise carcerária que
levou o caos às ruas de uma das maiores cidades do mundo, na histórica
rebelião iniciada no domingo de Dia das Mães de 2006, sob o comando
do PCC. Simplesmente não funciona. Com uma São Paulo entre tomadas
aéreas noturnas genéricas e ação em parte filmada em Paulínia,
a Hollywood brasileira, Salve Geral carece de
organicidade, realismo.
Quanto à ficção, é impossível acreditar nas informações jogadas nos quinze
minutos iniciais da fita
de que Andrea Beltrão seria uma professora de piano (!),
viúva, formada em Direito e mãe de um garoto que será preso ao matar
acidentalmente
uma garota durante um pega automobilístico na noite paulistana.
A direção desperdiça até os atores desconhecidos, vindos de teatro, como
o estreante Lee Thalor, todos presos em diálogos artificias e ação pobre.
Resta se divertir com a parte ficcional. É no mínimo muito estranha a trilha
sonora, que parece procurar um clima de Psicose de Hitchcock, toda vez
que Andrea Beltrão é filmada dirigindo um carro, em plano clássico frontal.
Entre tantos personagens que não registram, destaca-se a expressiva atriz
de teatro e cinema, pouco vista na TV, Denise Weinberg, como a advogada
sinistra A Ruiva, que ajudará Andrea Beltrão a tirar o filho da cadeia, numa
trama tosca que envolve malas de dinheiro e fugas espetaculares. Quanto
ao Oscar, não há a menor possibilidade de Salve Geral chegar lá.
Visto em 30/09 como convidado da UCI Cinemas | Downtown Filmes
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
TÁ CHOVENDO HAMBÚRGUER ![]()
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Cloudy With a Chance Of Meatballs EUA 2009 1h35min RT 8,6
animação digital de Phil Lord e Chris Miller
Por Filipe Marcena
OPINIÃO A surpresa da temporada é Tá Chovendo Hambúrguer, animação
da Sony também lançada no formato 3D, efeito valorizado pelo formato em
tela larga. É mais criativo e engraçado do que o título sugere. A história é sobre
Flint Lockwood, cientista frustrado que vive fazendo experimentos pouco úteis.
Ele mora numa cidadezinha que vive do comércio de sardinhas e um dia decide
criar uma engenhosa máquina a base de água e de nome impronunciável que cria
qualquer comida que se deseja, para acabar com o tédio gastronômico do lugar.
Mas a situação sai do controle do tímido rapaz, e a máquina vai parar no céu.
Lá em cima, por causa da chuva, a máquina simplesmente faz chover comida.
Flint acaba se tornando uma estrela da cidade junto com sua recém amiga e garota
do tempo Sam Sparks, que deu o furo da notícia para o mundo, mas a felicidade
do lugar dura pouco quando a máquina começa a mandar alimentos mutantes...
Só essa pequena sinopse mostra o quanto de inventividade foi enxertado
em Tá Chovendo Hambúrguer. As piadas são originalíssimas, aproveitando
ao máximo o inusitado tema, e os divertidos personagens são de personalidade
bem delineada e explorada. Engraçado como esse filme faria uma boa sessão
dupla com Super Size Me – A Dieta do Palhaço, já que os dois possuem várias
similaridades. É como se a animação fosse uma ficcionalização da idéia central
do documentário: comida cada vez maior e mais perigosa (o fato de ser gostosa
acentua ainda mais o perigo); ignorância e ganância dos que estão no poder,
e até o papel jornalístico de revelar isso para a população. Vale levar a criançada
ou até mesmo ir ver sozinho, e cuidado ao passar no McDonalds depois da sessão.
Visto em 02/09 como convidado do BOX Guararapes 3D
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
APENAS O FIM ![]()
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Brasil 2008 1h20min
de Matheus Souza com Erika Mader, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet
Por Filipe Marcena
OPINIÃO É triste assistir a Apenas O Fim. Sim, Mateus Souza teve boas intenções,
o filme até que é bem acabado e pode ser considerado um retrato de um pedaço
da geração da qual fazemos parte. Uma geração bunda, alienada e trancada
num universo à parte. A questão é se o problema do filme é a geração que ele
retrata ou o ponto de vista do retratante, que faz parte dessa geração.
Casal entra em colapso quando a menina (Erika Mader, sobrinha de Malu) decide
dispensar o menino (Gregório Duvivier, de PodeCrer!). Eles decidem conversar
pelo campus da faculdade e relembrar o passado, durante mais ou menos uma
hora, quase a duração total da fita. Trocando em miúdos, nada acontece no filme.
São dezenas de flashbacks mostrando como esse casal era 'fofinho' e 'engraçadinho',
para fazer o público torcer por eles. Enquanto isso um turbilhão de referências inúteis
pipocam na tela, de Pokémon a P. T. Anderson. O filme parece querer quebrar algum
recorde de referências por minuto, e provavelmente conseguiu.
E é isso. Nem o casal de atores consegue dar dimensões mais interessantes
aos personagens. Érika, fraquíssima, faz uma menina bonitinha, mas ordinária
(e insossa). Gregório, já bastante irritante no péssimo Podecrer!, repete o papel
de rapaz nerd que se julga engraçado, dessa vez encarnando o alterego do diretor.
Souza tenta dar um clima de Antes do Amanhecer, mas os protagonistas estão longe
de serem pessoas interessantes como Jesse e Celine. No filme de Richard Linklater
os diálogos eram mero pretexto para o desenvolvimento da tensão amorosa,
e não a força motivadora do filme. Como era de se esperar, a recepção na sessão
em que eu estava presente foi calorosamente positiva. Os mais jovens se identificaram
com o casal, riram das piadinhas e saíram felizes ao som de Marcelo Camelo.
Foi quando me perguntei qual o problema da minha geração. Será que o nosso poder
de percepção é raso como um pires e simplesmente não vemos que fomos representados
de forma estúpida? Ou será que assumimos essa representação e esquecemo-nos
de checar a palavra 'estúpido' no dicionário? Se não nos damos conta de quem
nós somos, é porque ainda não aprendemos a nos olhar no espelho.
Visto em 26/09 como convidado do Cinema da Fundação
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
GAMER
Gamer EUA 2009 1h35min RT 2,9
de Mark Neveldine e Brian Taylor com Gerard Butler, Michael C. Hall, Kyra Sedgwick
> Sinopse: Num futuro próximo, um revolucionário videogame on-line
será a mais popular forma de diversão. Semanalmente, milhões de internautas
assistem condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens
virtuais em um videogame. Kable, um prisioneiro, se tornará a grande estrela
deste jogo. Para o jogador, Kable é um mero personagem, mas para o grupo
de resistência ele é a peça chave para a vitória. No meio dessa batalha,
e sob o comando de um adolescente, Kable terá que usar todas suas
habilidades extravirtuais para vencer o jogo e derrubar o sistema.
A OUTRA MARGEM
Portugal 2007 1h40min
de Luís Filipe Rocha com Filipe Duarte, Maria João Luís, Tomás de Almeida
> Sinopse: Ricardo, confrontado com o suicídio inesperado de seu companheiro,
entra em depressão e tenta se matar. Maria, sua irmã, com quem não se encontra
há 16 anos, faz-lhe uma visita no hospital, em Lisboa, e leva-o de volta para
a pequena vila onde ambos nasceram e viveram até a partida de Ricardo.
Na casa de Maria, Ricardo conhece Vasco, seu jovem sobrinho portador de
Síndrome de Down, com quem estabelece uma forte relação de amizade.
Ao ganhar coragem graças a Vasco, Ricardo enfrenta José, seu pai, que não
lhe perdoa a fuga e a homossexualidade, e Luísa, a noiva que ele abandonou
na véspera do casamento. Ao descobrir que o sonho de Vasco é se tornar ator,
Ricardo convence Maria a deixá-lo ir a Lisboa para estudar teatro. Tio e sobrinho
renascem pelas mãos um do outro. Prêmio de melhor ator, conjuntamente
para Filipe Duarte e Tomás de Almeida, no Festival de Montreal de 2007.
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Fernando Vasconcelos | 02.10.2009
Apenas o Fim
.
Mesmo com alguma dose de defeitos, Matheus Souza fez um filme para ser
considerado. Apenas o Fim é bonito, bem fotografado, relativamente bem atuado
e dirigido e tem um roteiro muito especial. Mas nada disso funcionaria sem
a identificação automática que o filme causa no espectador, envolvendo
cada vez mais. A história é simples: Adriana e Antônio são um casal um tanto
improvável, porém interessante. Ela avisa ao namorado que vai largar tudo e todos
e fugir dali pra uma vida melhor, ou não, e ele tenta encontrar as razões para isso,
enquanto caminham pela faculdade. Qualquer semelhança com Antes do Amanhecer
não é mera coincidência. Talvez a mesma identificação tão gostosa que o filme causa,
seja seu maior defeito porque ninguém nascido fora dos anos 80 ou 90 vai achar graça
nas citações e piadas do filme. Matheus parece sofrer da síndrome da homenagem,
já que a todo momento quer recriar, citar, ou mesmo homenagear os filmes que
lhe fizeram diretor. Qualquer pessoa com um mínimo conhecimento cinematográfico
viu Pulp Fiction, Embriagado de Amor, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
e Elefante passarem pela tela. Ou seja, essa paixão pelo cinema se reflete no filme,
fazendo com que ele se torne talvez reverente demais, e tirando a força de seu diálogo.
À parte isso, é louvável o cinema de universidade criado aqui. Rodado inteiramente em HD,
no espaço do campus, com ajuda de amigos do curso de cinema e dinheiro vindo de leis
de incentivo e rifas de whisky (!!), o resultado é muito melhor do que eu imaginei
e me foi reportado. É um cinema interessante, mas não o futuro do cinema brasileiro.
Porém se o futuro for parecido com isso eu acho que nós teremos coisas boas chegando.
Felipe André | f_andre2@hotmail.com
Eu até concordo com o que você fala, mas não gostei do filme. Ele não me cativa,
não me encanta. Gosto apenas da forma como o filme foi feito e há de se considerar
que é obra de um menino de 20 anos, que parece ter visto toda a cinematografia
de Woody Allen e todos os filmes cultuados pela juventude universitária. Infelizmente,
não vi mais nada no filme além disso. Antes que digam que é questão de geração,
vale notar que eu adoro Antes do Amanhecer que, na minha opinião, trilha um caminho
sentimental, carinhoso, com seus personagens de forma completamente diferente
do filme do jovem carioca. Filipe Marcena, 21 anos, estudante de cinema na UFPE
que escreve sobre o filme nesta edição, também não gostou muito do que viu... Ei, onde
tu ouviu que os nomes dos protagonistas são Adriana e Antônio?? Tenho quase certeza
que, assim como no Anticristo, de Lars von Trier, eles são identificados como Ele e Ela.
Baader Meinhof

Primeiramente, um filme diverso e intenso, desde sua música de abertura
com Janis Joplin introduzindo o que deve ser um dos melhores filmes do ano.
Uma narrativa bastante agitada nos apresenta o contexto social e político
em que viviam os alemães naqueles idos do pós-guerra. Interpretações poderosas
tanto dos atores principais, Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu e de Bruno Ganz,
que mais uma vez não decepciona em nenhuma de suas aparições no filme, como
o responsável por deter a onda de 'insanidade terrorista na juventude'.
Os intérpretes se mesclam tão bem a suas personagens que em recente pesquisa
a repeito do Baader em seu site 'oficial' na internet www.baader-meinhof.com
é possivel verificar a similaridade dos atores com o cartaz de procurados
visto no filme - se não me engano, um reprodução do original feita com os atores
da película. O vigor de O GRUPO BAADER MEINHOF em mostrar trechos e imagens
reais dos atentados e também em recriá-los na tela de cinema espantam e impressionam,
bem mais que os blockbusters vigentes no mercado cinematográfico. A potencialidade
deste filme para discussões em salas de aula, mesas de bar, rodas de discussão e etc,
não tem uma margem de limites. Como docente, é um ótimo instrumento para apresentar
aos alunos a luta e a opressão em seu estado bruto. Vale lembrar que a programação
do Cine Rosa e Silva mais uma vez ressalta e nos traz mais um grande filme,
para apreciadores de boas histórias.
Adriana Lima | adriana.historia@hotmail.com
Fica a dica pra quem não viu ainda: O Grupo Baader Meinhof permanece em cartaz
na sala 3 do Cine Rosa e Silva, sessões às 14h30, 17h15 e 20h10. Não perca!
Ainda Anticristo
ANTICRISTO é um dos filmes mais inquietantes que se tem notícia!
Tive ímpetos de sair da sala de cinema antes do fim, mas resolvi suportar.
O cara é um Rousseau moderno às avessas querendo provar a todo a custo
sua teoria do 'mito do mauvais sauvage', ou melhor, da nossa natureza satânica.
Mas neste filme ele se superou... Achei misógino sim e moralista. A mulher revela-se
uma bruxa com direito à fogueira da inquisição. Mas vale a pena. Faz pensar.
Mariana Vila Nova | mpmvn@uol.com.br
Juízo Final
vi Juizo Final, que começa com uma propagação de um vírus letal a Extermínio.
Depois uma pitada de Resident Evil com Fuga de Nova York. Pelo meio ainda aparecem
punks arruaceiros (Ruas de Fogo?), com cavaleiros medievais mais adiante.
E, pra acrescentar, um finale à Mad Max com perseguição apressada tipo Adrenalina
com Jason Statham. Diga-se, a 'melhor' coisa do filme.
Jurandy Filho | dypromo@yahoo.com.br
E não é que tem uma hora que parece que você está vendo O Senhor dos Anéis? Eh eh eh
O diretor Neil Marshall é bacana (Dog Soldiers e Abismo do Medo), mas Juízo Final
é o tipo de filme abortado e com controle final feito pelos produtores. É nisso que dá...
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