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ANO DEZ Edição 469

Vício, Nuvens, Gigante e Eric Rohmer

> Correndo por fora do cinema lixão de férias que domina a programação
de janeiro, os bons 500 Dias Com Ela e Deixa Ela Entrar emplacam
mais uma semana de sucesso, enquanto o elogiado Vício Frenético
de Werner Herzog é arremessado nos multiplexes sem aviso nem exibição
prévia para a imprensa local. Gigante ainda exibe no Rosa e Silva
e temos a estreia no Cinema da Fundaj do documentário O Homem
que Engarrafava Nuvens
, realização do pernambucano Lírio Ferreira
em parceria com a atriz Denise Dummont, sobre a vida e obra do seu
pai, Humberto Teixeira, autor de clássicos da MPB como Asa Branca.
Temos pré-estreias para Arranca-me a Vida, Astro Boy, Premonição 4
e O Fada do Dente. Opine, comente para fernando@kinemail.com.br

Nessa edição, comentamos os filmes de Eric Rohmer, que nos deixou
essa semana aos 89 anos e cuja filmografia está milagrosamente disponível
no Brasil em DVD. Boa hora para você conhecer a obra desse mestre.

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena continua fazendo seu precioso trabalho
de destacar o que de melhor está nas locadoras, com foco nos inéditos nos
cinemas como Lunar, elogiado filme de 2009 com Sam Rockwell. Leia AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites e brindes de Lula - O Filho do Brasil,
Gigante e Alvin e os Esquilos 2 clicando AQUI







O SEGUNDO ROSTO
EUA | John Frankenheimer | 1966



VÍCIO FRENÉTICO
The Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans EUA 2009 2h01min RT 8,5
de Werner Herzog com Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer, Jennifer Coolidge

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Muito se comentou sobre a validade de se fazer um remake
de um filme tão recente (o original homônimo de Abel Ferrara, com Harvey
Keitel, é de 1992). Diante dos inúmeros remakes inúteis que Hollywood
cospe todos os anos nos multiplexes, Vício Frénetico é mais que válido.
Não apenas um remake, o fime é uma recriação a partir do mesmo argumento,
sob um olhar pessoal de um diretor que ainda impõe a sua personalidade,
mesmo num projeto de encomenda para a indústria de cinema. Depois
de uma passagem brilhante por documentários como Meu Melhor Inimigo,
O Homem-Urso e o inédito Além do Azul Selvagem, o alemão Werner Herzog
voltou à ficção com O Sobrevivente, no qual vimos surpresos uma atuação
devastadora de Steve Zhan, ator que conhecemos melhor de inúmeras comédias
abiloladas. Em Vício Frenético, Herzog consegue nos fazer enxergar que,
apesar de um currículo deplorável nos últimos 20 anos (O Motoqueiro Fantasma,
pra você bem lembrar...), ainda existe um bom ator na carcaça de Nicolas Cage.

O tenente McDonagh é um homem que divide sua vida entre dedicação radical
tanto ao trabalho - investiga um assassinato brutal de uma família inteira num
caso de tráfico de drogas - quanto ao consumo de drogas - afunda-se em cocaína
e fortes remédios, junto com a namorada, uma prostituta igualmente viciada.
Ao contrário da versão original, onde o personagem na pele de Harvey Keitel
vivia o dilema e a culpa cristã, numa narrativa quase surreal em simbolismos
religiosos, o tenente McDonagh de Cage é um personagem um tanto indecifrável.
Seu 'vício frenético' (péssima tradução para O Mau Tenente original) decorre
da sua condição física, após um acidente que o deixa com a coluna avariada,
e potencializa a sua desesperada e compulsiva descida ao inferno humano.
Abel Ferrava, diretor do filme original, cuja filmografia concentra-se no dilema
do catolicismo, sendo seu filme mais radical justamente Vício Frenético, detestou
a versão de Herzog. Então, melhor pensar nos dois filmes separadamente.

A ação muda de Nova York para a sinuosa, selvagem, Nova Orleans, aqui também
caótica, após ser castigada pela fúria do furação Katrina. Como obra imediatamente
reconhecível de Herzog, o filme abre com uma cobra entre as águas de uma
penitenciária submersa. E entre as ótimas e estranhas referências à natureza
selvagem, veremos acidentes provocados por crocodilos que atravessam avenidas
e, na melhor sequência, iguanas numa sala de delegacia, produto da paranoia
ambulante que torna-se o tenente McDonagh. Destaque no elenco feminino para
Eva Mendes (em outra feliz participação depois de Os Donos da Noite, de James Gray)
e a ótima Jennifer Coolidge, atriz veterana que só é escalada para papéis grotescos
em comédias imbecis para adolescentes, aqui brilhante como a decadente madrastra
de McDonagh. Sem fugir da narrativa clássica do gênero, como pede a regra
de um 'filme policial' para multiplexes, Herzog insere aqui e ali cenas que poderiam
estar num filme de David Lynch, como a batida policial de rotina que Nicolas Cage
faz em saídas de boates, humilhando e abusando de autoridade policial com
jovens casais burgueses da cidade, ou que só poderiam estar mesmo num filme
de Herzog, como a assombrosa sequência em que McDonagh aterroriza duas senhoras
velhinhas, completamente chapado de drogas, ainda nas primeiras horas da manhã.

ATENÇÃO Vício Frenético estreou em todos os multiplexes da cidade. NÃO ASSISTA
o filme na sala 1 do multiplex Recife. Deficiências da projeção deixam o filme escuro
ao ponto de mal de conseguir enxergar o rosto dos atores. Com ingressos por até R$ 16,00,
é um descaso imperdoável com o espectador. NÃO ASSISTA nenhum filme na
sala 1 do multiplex Recife. Passei pelo mesmo problema ao assistir lá Sherlock Holmes.
Visto em 15/01 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


GIGANTE
Gigante Uruguai 2009 1h30min RT 8,9
de Adrián Biniez com Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Fernando Alonso

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Gigante, uma coprodução entre Uruguai, Argentina, Alemanha e Espanha,
foi o vencedor de três prêmios no Festival de Berlim, incluindo o Grande Prêmio
do Júri. O diretor, Adrián Biniez, já fez antes uma participação como ator em outro
raro filme uruguaio a chegar por aqui, o superior Whisky. Junto com o peruano
A Teta Assustada e o também uruguaio O Banheiro do Papa, Gigante faz parte
de uma recente safra de filmes latino-americanos que ganharam destaque nos festivais
de cinema mundo afora. O filme é bacana, interessante, mas as premiações talvez
revelem mais um certo olhar paternalista do estrangeiro para com o 'cinema
do terceiro mundo', simpatizando com filmes que, de preferência, sejam
do agrado de um já adestrado consumidor de pequenos 'filmes de arte'.
Gigante se encaixa perfeitamente nesse modelo, sem conotação negativa.

Com muita simplicidade e uma narrativa basicamente visual, com imagens que falam
por si, dando a boa impressão que Adrián Biniez conhece bem o cinema mudo e a obra
de cineastas como Jacques Tati (Meu Tio) e Elia Suleiman (Intervenção Divina),
acompanhamos a triste vida do solitário e imenso Jara (Horacio Camandule, ator
não-profissional, um professor de escola primária descoberto pela produção do filme),
que trabalha como segurança de um supermercado e passa o tempo a observar
os funcionários através de monitores de vídeo. Ganhará atenção especial a faxineira
Julia (Leonor Svarcas), por quem Jara se apaixona platonicamente. O que
se segue é bastante previsível, com um humor agridoce e uma leve reflexão
social e política sobre operários. Ao final, Gigante cumpre sua função de bom
entretenimento, em rápidos 90 minutos de duração, e talvez não se deva esperar
mais que isso do filme, que não arrisca maiores ousadias, mas cativa com um bom ator
e personagem e sempre nos lembra: porque o cinema brasileiro popular atual é tão ruim?
Visto em 08/01 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS
Brasil 2008 1h50min
de Lírio Ferreira com Chico Buarque, Caetano Veloso, David Byrne e outros músicos

> Sinopse: Documentário musical sobre a vida e a obra do compositor, advogado,
deputado federal e criador das leis de direitos autorais, Humberto Teixeira, também
conhecido como O Doutor do Baião pela autoria de clássicos populares como Asa Branca.
O filme acompanha sua filha, a atriz Denise Dummont (Rio Babilônia), numa viagem em
busca de aprender mais sobre o pai, o que confere tom pessoal e humano ao filme.
Visto em 19/01 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

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Avatar? NOOOOT!

O tal do Sam-sem-gracinha-Worthington, o 'ator do ano', vai estrelar
também o remake de Fúria de Titãs! Não que eu espere que o filme
vá ser grande coisa, porém eu tinha uma certa expectativa.
Ainda não vi Avatar por causa da sua crítica, do trailer que odiei e por
estar difícil conseguir ingressos em 3D, mas há tantas, mas tantas pessoas
falando que eu tenho que ver isso de todo jeito e até agora só vocês
do Kinemail e um amigo não gostaram. Quero engrossar esse coro... hehehe
Elisangela Moura | elisangelamourag@gmail.com

Se depender da revista Gentlemen's Quarterly americana, James Cameron
e Sam Worthington não tem lugar entre os astros de 2009 em Hollywood.
Com 3 capas diferentes para a edição de dezembro, os escolhidos foram:
Clint Eastwood (The Badass), o trio Ed Helms, Zach Galifianakis e Bradley Cooper
(The Funnymen) de Se Beber, Não Case! e o Kirk de Star Trek, Chris Pine (The Breakout).
As garotas do ano escolhidas pela revista foram Zooey Deschanel e Megan Fox.


Diário Proibido

Venho aqui defender um filme execrado pelo Kinemail, o Diário Proibido. Visto
no meu próprio computador, pois temia não valer o ingresso, e não vale mesmo.
É um filme abertamente apelativo, há nudez quando menos se espera, tipo de coisa
que lembra o Cine Privê, Sexta Sexy ou o que o valha, porém com uma atriz mais talentosa,
onde se imprime uma história de genuína autenticidade. É a história de uma mulher
arruinada pela própria sexualidade (cuja espécie de 'perversão', repetida à exaustão
durante a trama, ainda não é compreendida pela nossa sociedade, ainda que
a espanhola-europeia. Um defeito do filme, há de se apontar, este didatismo, justificar
a própria existência. Valérie, linda e bem-sucedida como parece ser, tornou-se escrava
de seu apetite sexual, ainda que isto possa parecer aos homens um não-problema
para mulheres bonitas e independentes, para ela tornou-se um entrave até para
conseguir um homem que a ame, viu-se arrastada para uma armadilha.

O excesso de opções torna mais difícil a escolha correta. Após superar o primeiro
momento, na segunda metade da trama, continua a buscar soluções, um 'casamento
profissional', unir o útil ao agradável, o que a leva à prostituição por opção.
Segundo erro, pois é lá que encontra seus semelhantes masculinos, escravos
da sexualidade desviante, a procurar por prostitutas na ocasião de não conseguir unir
o sexo ao amor (ou não conseguir obter sexo), que é o ideal que perseguimos todos.
Ou tentamos, em um primeiro momento. Culmina com a ótima cena do paraplégico.
Bom argumento, tão complexo e amplo mas que logo resultou em mau roteiro e tudo o mais.
João Marcelo Duarte | caoandaluz@gmail.com

Gigante

Bom filme esse Gigante. Nunca havia assistido a uma película oriunda do Uruguai,
mas independentemente da nacionalidade, gostei muito da simpática história
de um vigilante de supermercado amorfo que se apaixona platonicamente
por uma bela funcionária noturna. Achei interessante a maneira lenta e quase
didática que o roteiro vai evoluindo, mas é fato que a falta de um 'clímax' prejudica
um pouco. Um belo e raro bom filme em início de ano, junto com o ótimo Deixa Ela Entrar.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com

Sobre filmes uruguaios, são mesmo raros, e temos disponível em DVD o excelente
e também premiado Whisky (2004), dirigido em dupla pelos jovens cineastas
Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, este último suicidou-se aos 32 anos em 2006.


500 Dias Com Ela

No começo de ano, fiz algumas revisões, a mais importante delas
foi a de 500 Dias Com Ela. O filme tinha parecido extremamente forçado
e enfadonho na primeira vez que o assisti, parecia que existia um grande
esforço em não ser um filme de amor, o que deixava o filme sem alma.
Mas na revisão que fiz sábado no multiplex Boa Vista o filme cresceu
um bocado, talvez fosse só meu mau humor. De novidades inéditas
nos cinemas, vi Funny People - Tá Rindo de Que? do Judd Apatow,
uma tentativa de drama pontuado por apresentações de stand-up comedy
que pouco tem a ver com seus filmes anteriores. Interessante, mas nada como
Ligeiramente Grávidos. Também conferi Onde Vivem os Monstros e Preciosa.
O filme do Spike Jonze vem sendo incompreendido por aí. Apesar de lindo
e complexo, ninguém tem gostado do recado dele. E Preciosa... bem...
Felipe André | f_andre2@hotmail.com


Eric Rohmer 1920-2010

> Na segunda-feira 11 de janeiro, faleceu Eric Rohmer aos 89 anos. Calmo e elegante,
este encantador senhor francês já havia declarado que O Amor de Astrea e Celadon,
realizado em 2007, era o seu último filme. Lançado no Festival de Veneza,
O Amor de Astrea e Celadon foi considerado um filme difícil de rotular (como todos
os filmes dele, aliás) baseado num romance de Honoré D'Urfé, contemporâneo
de Shakespeare. Alguns críticos acreditam que Rohmer lançou esse filme como o seu
último, 'uma despedida que festeja com poesia e beleza sua visão romântica da eterna
juventude, com cenários bucólicos, jovens atores e atrizes angelicalmente belos e uma
concepção visual que não faz qualquer concessão às noções contemporâneas de realismo.
Se o cinema já existisse 500 anos atrás, O Amor de Astrea e Celadon parece com
o que seria um filme feito naquela época.' Foi exibido no FestRio 2008 e sumiu.
Um de seus filmes mais elogiados, Minha Noite Com Ela (1969), indicado
ao Oscar de melhor filme estrangeiro e roteiro original, quase foi exibido
na Retrospectiva/Expectativa Fundaj em dezembro último mas... foi cancelado
de última hora. O único filme de Rohmer que eu vi no cinema foi O Joelho de Claire
(1970), veja só: um filme PROIBIDO pela censura da ditadura militar que só
chegou aos cinemas com a abertura política de 1980 (entre vários outros
enfim liberados, como Laranja Mecânica, Emmanuelle e O Último Tango em Paris).

Tenho uma memória deliciosa dessa época pois, completando 16 anos em 1980,
eu completava 18 na carteira de estudante falsificada e pude ver todos esses filmes
'proibidos' nos cinemas! O Joelho de Claire passou no extinto Cinema Art Palácio,
com censura 18 anos e, claro, ninguém entendia muito bem porque o filme
havia sido proibido por tanto tempo... Desde então e sempre, filmes de Eric Rohmer
são muito raros de encontrar nos cinemas e eu nunca tive oportunidade de construir
uma relação afetiva com o cinema tão particular desse mestre. Mas eis que em 2007
a Europa Filmes lançou praticamente a filmografia inteira de Rohmer em DVD e aí foi
uma paixonite aguda, devidamente documentada aqui no Kinemail. O efeito de ver
os filme de Rohmer é viciante e eu tive o prazer de ver o feedback de alguns
leitores também ficando literalmente apaixonados ao descobrirem esses filmes.



A Europa Filmes acaba de relançar num BOX OS CONTOS DAS QUATRO ESTAÇÕES,
que Rohmer realizou nos anos 90. São quatro filmes que gosto muito, em especial
Conto de Verão
, o primeiro Eric Rohmer que eu assisti nessa retomada em DVD,
hoje já revisto mais de uma vez e para sempre na minha memória cinéfila.
Só posso aqui recomendar que você descubra esses filmes únicos e maravilhosos,
reproduzindo abaixo duas matérias especiais que fiz no Kinemail, em 2007 e 2008.

Eric Rohmer: ajoelha aí e reza, cinéfilo!

> A Europa Filmes lança no Brasil a cine-série das quatro estações do mestre
francês Eric Rohmer: Conto da Primavera (1990), Conto de Inverno (1992),
Conto de Verão (1996) e Conto de Outono (1998), que já podem ser encontrados
aqui nas locadoras SMS (Madalena) e Classic (Torre). Eu já tive o prazer de ver
o maravilhoso Conto de Verão, sobre jovem (Melvil Poupaud, de O Tempo que Resta
e Um Conto de Natal) que vai passar as férias de verão numa praia e, esperando
a chegada da namorada loira, envolve-se com uma garçonete ruiva e uma estonteante
morena. Por quem ele está de fato apaixonado? Qual será o desfecho dessa 'comédia romântica'?

Nascido em 1920 e ainda vivo, Rohmer é admirado por cineastas americanos
como Quentin Tarantino e Richard Linklater e desafia os críticos e a imprensa,
que não conseguem rotular seus filmes. Reconhecido como nome importante
da nouvelle vague francesa dos anos 60, seus filmes não têm muito em comum
com os dos colegas Truffaut, Godard ou Rivette. Os filmes de Rohmer, na falta
de um rótulo, têm um 'je ne se quoi' que só compreende quem assiste. Lembro que vi
ainda adolescente, no cinema, O Joelho de Claire (1970), sobre um senhor que
apaixona-se por uma garota ao admirar o seu... joelho. Estranho e inesquecível.
Além do quarteto das quatro estações, A Europa Filmes lança em breve mais
raridades de Rohmer, incluindo o cultuado Pauline na Praia (1983).
Já estou aguardando ansioso... Se existe alguém aí que ama cinema e nunca viu
um Eric Rohmer, comente de volta assim que assistir um. Eu agradeço. :)
Fernando Vasconcelos | 08.04.2007

Mais Eric Rohmer nas locadoras

> O pacote de DVDs de Eric Rohmer inclui todos os filmes citados abaixo, dos
três blocos temáticos que abrangem a maior parte da sua filmografia: OS SEIS
CONTOS MORAIS
(1 curta e 5 longas dos anos 60/70), as COMÉDIAS E PROVÉRBIOS
(6 longas dos anos 80) e OS CONTOS DAS QUATRO ESTAÇÕES (4 longas dos anos 90).
Depois de todos vistos, o que posso dizer que eles têm em comum é que são tão deliciosos
de assistir quanto difíceis de classificar. Rotulam como 'filme de arte' mas eu diria que
são como novelas, se as novelas fossem sobre gente de verdade, em situações
cotidianas naturalistas e dirigidas por um artista conhecedor da melhor literatura.
Sem exceção, em todos eles os personagens parecem gente real e imperfeita e, faltando
uns 15 minutos para cada um desses filmes terminar, eu já fico morrendo de saudade deles!

Aqui no Brasil a coleção Eric Rohmer foi lançada com um certo desleixo no design gráfico
do material. No exterior, os DVDs de Eric Rohmer recebem o tratamento que merecem,
como a espetacular caixa da Criterion Collection para OS SEIS CONTOS MORAIS.
Comentado pela revista PREMIERE como um dos grandes lançamentos em DVD de 2006,
O luxuoso BOX contém 6 DVDs, com uma quantidade de extras surpreendentes até mesmo
para os lançamentos da Criterion Collection, com curtas raros de Rohmer, longas entrevistas,
um documentário realizado nos anos 60 e um livro com as versões literárias dos contos:

A Padeira do Bairro (1963), A Carreira de Suzanne (1964) - no Brasil
em um único DVD, com A Padeira do Bairro, curta de 21 minutos, como extra -
A Colecionadora (1967), Minha Noite Com Ela (1969) - o mais prestigiado
filme de Rohmer nos EUA, tendo recebido indicações ao Oscar de roteiro original
e filme estrangeiro - O Joelho de Claire (1970) e Amor à Tarde (1972).
Para quem pretende conhecer esses seis filmes, críticos recomendam assistir
em ordem cronológica. Não foi o meu caso, tendo assistido em ordem aleatória.

> Para a coleção COMÉDIAS E PROVÉRBIOS, encontrei uma versão em BOX espanhol,
com os seis filmes que formam este conjunto temático de Rohmer nos anos 80:

A Mulher do Aviador (1981), O Casamento Perfeito (1982), Pauline na Praia (1983),
Noites de Lua Cheia
(1984), O Raio Verde (1986) - Leão de Ouro no Festival de Veneza -
e O Amigo da Minha Amiga (1987).

Todos esses filmes estão disponíveis nas melhores locadoras e à venda nas melhores
lojas e livrarias. Além desses três conjuntos temáticos, a Europa Filmes também lançou
outros títulos como A Árvore, O Prefeito e a Mediateca, As Quatro Aventuras
de Reinette e Mirabelle
, A Inglesa e o Duque e dois filmes que eu ainda não vi:
O Signo do Leão
(1960) - estreia de Rohmer no cinema - e A Marquesa d'O, totalizando
21 DVDs (Rohmer realizou 24 filmes em 50 anos). A obra está realizada. O artista, o pensador,
o humanista, o libertário se foi, mas os seus filmes permanecem aqui para você.
Fernando Vasconcelos | 14.01.2010

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