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ANO DEZ Edição 470

Amor Sem Escalas, Cheri, Chanel, Nine e Rohmer

>Começou a temporada de festas de prêmios com um Globo de Ouro nada convincente com os grandes premiados Avatar e Se Beber, Não Case!
James Cameron agradeceu como quem pedia desculpas e ainda falou
na língua Na'vi... Jeff Bridges e Sandra Bullock foram melhor ator e atriz,
além de Meryl Streep por Julie & Julia (?) e Robert Downey Jr (??) por
Sherlock Holmes (??). Up ganhou dois prêmios e Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas, a maior estreia dessa semana, ganharam um prêmio cada,
A Fita Branca de Michael Haneke levou o prêmio de melhor filme estrangeiro.

Estreiam também Cheri e Coco Antes de Chanel. 500 Dias Com Ela
e Deixa Ela Entrar emplacam quarta semana de sucesso, Vício Frenético, Gigante e O Homem que Engarrafava Nuvens continuam em cartaz.
O Cineclube Dissenso exibe A Inglesa e o Duque, de Eric Rohmer,
filme de 2001 em rara cópia 35mm, com entrada franca, nesse sábado.
Temos ainda pré-estreias nos multiplexes para Nine e Premonição 4
e no Rosa e Silva para o o drama Algo que Você Precisa Saber.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena redescobre Minha Adorável Lavanderia,
de Stephen Frears (de Cheri) com Daniel Day-Lewis (de Nine). Leia AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites Coco Antes de Chanel e Nine clicando AQUI







UM HOMEM SÉRIO
EUA | Joel & Ethan Coen | 2009



AMOR SEM ESCALAS
Up in the Air EUA 2009 1h49min RT 9,0
de Jason Reitman com George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Talvez seja o efeito das férias, mas ver um filme como Amor Sem Escalas
nesses dias me faz pensar em como o cinema americano pode ser tão bom. Na tradição
dos filmes movidos pelo roteiro e não pelo espetáculo visual, Amor Sem Escalas
(mas que diabos de tradução é essa para Up in the Air??) é o terceiro acerto seguido
na carreira do jovem Jason Reitman (Obrigado Por Fumar e Juno), que mistura bem
drama e comédia, realizando filmes perfeitamente americanos, dentro do padrão
comercial dos grandes estúdios mas, felizmente, com uma qualidade narrativa
que, atualmente, pode ser chamada de sofisticada, inteligente. O que não é pouco.
Comédia sobre tempos de recessão, o filme chega de certa forma meio deslocado
nesse Brazilzão economicamente eufórico de Lula 2010 (curiosamente, o filme sobre
Lula vai mal nas bilheterias). O título nacional, que foca no alvo feminino (Amor é a palavra),
e a presença do cada vez mais carismático George Clooney dão o clima de 'filme
para casal no seu multiplex'. É essa a impressão, mas o filme oferece bem mais que isso.

O protagonista Ryan Bingham (Clooney) é um desses sujeitos que trabalham em trânsito,
aéreo no caso, passando praticamente todo o seu tempo vivendo entre aeroportos, hotéis,
palestras e convenções, o que o torna um exemplo de americano de sucesso profissional
e anulação pessoal. Ryan trabalha fazendo o que muitos talvez detestariam. E é muito bom
no que faz: demitir empregados. Essa é a sua função, contratado por grandes empresas para
gerenciar as demissões, em lembrança desagradável de um momento econômico recente global,
a Crise de 2009. Solteiro convicto, sem filhos, sem laços familiares e sem mesmo uma casa como
referencial mínimo geográfico, Ryan é o tipo de sujeito que passa 322 dias do ano viajando
a trabalho e reclama que ainda restam 43 dias para ele ficar entediado no seu apartamento
alugado. Personagem difícil de gostar, mas o cara é George Clooney, e então entra aquele
fator tão esquecido pela Hollywood atual: o charme e presença de um astro à moda antiga.
Vale comentar que o personagem tem muito da persona do próprio Clooney, ele próprio
solteiro e sem filhos aos 51 anos, milionário e simpático, pra muita mulher o 'marido ideal'.

Até aqui, onde está a 'comédia romântica'? O roteiro bem escrito (que deverá faturar o Oscar
de roteiro adaptado, a partir de livro de Walter Kirn) decola quando Ryan conhece a também
trabalhadora sempre em trânsito Alex (a ótima Vera Farmiga de Os Infiltrados e A Órfã), que
deixa bem claro 'Pense em mim como igual a você, só que com uma vagina' e começa uma
relação adulta e casual, sem planos nem compromissos. E o filme voa mais alto ainda com
a entrada de Natalie (Anna Kendrick, que foi coadjuvante em Crepúsculo, e é indicação certa
ao Oscar de atriz coadjuvante), uma jovem infernalmente competente, indicada para modernizar
a profissão de Ryan, passando a demitir funcionários on line, através de monitores e web-cams,
justificando a aposentadoria do método pessoal de Ryan, proporcionando enormes cortes
de custos com as viagens pelo país. Temos então os grandes momentos de Amor Sem Escalas,
quando Ryan desenvolve as relações com as perfeitas 'esposa e fiha' que ele nunca teve.
Os diálogos são tão biscoito-fino que poderiam estar nas melhores comédias de Billy Wilder.
Se continuasse assim, Amor Sem Escalas seria excelente. Mas tudo que sobe, desce...
No terço final, que envolve o casamento de uma irmã de Ryan, um segredo (até previsível,
mas um tanto sem lógica) de Alex e um sentimentalismo que não se encaixa com o que
tínhamos visto até então, incluindo as indispensáveis canções indie melancólicas sobre amor
e o sentido da vida, tudo soa tão forçado que, bem... deve ter sido forçado mesmo, ao certo
exigência dos produtores para fazer um filme mais palatável ao gosto dos multiplexes.

Logo depois dessa derrapada feia, o filme surpreendente terminando na nota certa,
dando pra perceber que Clooney e Reitman brigaram muito para ao menos manter
o final como queriam, e o final não poderia ser mais anti-americano ou anti-Hollywood.
Pena que esse final chega tarde demais pra consertar os deslizes cometidos. Pena mesmo.
Ainda assim, Amor Sem Escalas fica bem acima da média retardada atual, lembrando
os tão bons quanto As Confissões de Schmidt e Sideways, ambos de Alexander Payne,
e, mesmo com falhas, proporciona uma sessão deliciosa de bom entretenimento.
A destacar: alguns rostos desconhecidos que participam das inúmeras cenas de demissão
não são de atores, são pessoas que foram demitidas na vida real (Ei, Coutinho! Será que Reitman
viu teu Jogo de Cena?) Entre os atores conhecidos inseridos entre eles, a participação
mais que especial de J.K. Simmons (o pai de Juno e o chefe de Peter Parker em
Homem-Aranha) e Zach Galifianakis (o gordinho sem-noção de Se Beber, Não Case!).
Repare também no excelente design de créditos, exibidos completos logo na abertura
(à moda antiga), já uma marca registrada dos filmes de Jason Reitman.
Visto em 20/01 como convidado da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

COCO ANTES DE CHANEL
Coco Avant Chanel França 2009 1h50min RT 6,5
de Anne Fontaine com Audrey Tautou, Alessandro Nivola, Marie Gillain

> Sinopse: Uma garotinha é deixada junto com a irmã num orfanato no coração
da França, e todos os domingos ela espera, em vão, que o pai volte para buscá-la.
Uma artista de cabaré com voz fraca que canta para uma plateia de soldados bêbados…
Uma humilde costureira que conserta bainhas nos fundos de uma alfaiataria de cidade
pequena… Uma cortesã jovem e magricela, a quem seu protetor, Etienne Balsan,
oferece um refúgio seguro, em meio a um ambiente de decadência… Uma mulher
apaixonada que sabe que nunca será a esposa de ninguém, recusando-se a casar
até mesmo com Boy Capel, o homem que retribuiu seu amor… Uma rebelde que
considera as convenções de sua época opressoras e prefere usar as roupas dos homens
com quem se envolve… Esta é a história de Gabrielle 'Coco' Chanel, que começa a vida
como uma órfã e, ao longo de uma jornada extraordinária, se torna a lendária estilista
da alta-costura que se tornou um símbolo atemporal de sucesso, liberdade e estilo.
Visto em 22/01 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

CHERI
Inglaterra 2009 1h40min RT 5,4
de Stephen Frears com Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Rupert Friend

> Sinopse: A relação amorosa entre a linda cortesã aposentada Léa e Cheri,
filho de sua antiga companheira de profissão e rival, Madame Peloux. Léa educa
o imaturo e mimado garoto nas artes do amor, mas depois de seis anos Madame
Peloux planeja secretamente um casamento entre Chéri e Edmée, filha de outra
rica cortesã, Marie Laure. Enquanto o inevitável momento de separação se aproxima,
Léa e Chéri tentam se acostumar, mas a vida de prazer e alegria dos dois
é mais profunda do que eles imaginavam e, tardiamente, percebem.
A direção é de Stephen Frears, veterano diretor inglês que destacou-se recentemente
com o aclamado A Rainha, e já realizou filmes como The Hit, Minha Adorável Lavanderia
(recomendado dessa semana no DICAS DE CINÉFILO) Os Imorais e Ligações Perigosas.
Visto em 22/01 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS
Brasil 2008 1h50min
de Lírio Ferreira com Caetano Veloso, David Byrne e outros músicos

> Reproduzo aqui crítica de José Geraldo Couto, na Folha SP de 15.01.2010:
"Perto do final de O Homem que Engarrafava Nuvens, Humberto Teixeira diz
que seu sonho é o de 'um único mundo, sem fronteiras e sem guerras'. O maior
mérito desse belo documentário é mostrar o potencial integrador da arte que Teixeira
e Luiz Gonzaga criaram: belezura universal, patrimônio da humanidade inteira
e não só do sertão do Brasil. Lírio Ferreira busca as origens do baião, em imagens
de época, em depoimentos iluminadores, mas não com espírito de folclorista.
Seu foco é o que essa música, poesia, ainda tem de viva e fecunda. Mais do que
a raiz, o que interessa é a seiva. Por isso, o núcleo do filme é uma apoteose multicultural.
Vemos o baião cantado e dançado em japonês, em espanhol (num filme italiano!), em
inglês. David Byrne, sem medo do ridículo, canta White Wing com chapéu de cangaceiro.

A essa altura, já teremos constatado que essa música perpassa toda a cultura brasileira
do século 20, da chanchada ao tropicalismo, da era do rádio ao mangue beat.
No contrafluxo desse movimento para fora, do sertão para o mundo, o filme documenta
a viagem íntima da atriz Denise Dumont em busca do pai, Humberto Teixeira, com quem
teve uma relação problemática. Um momento forte é a conversa de Dumont com a mãe,
a pianista Margarida Jatobá (que morreu depois das filmagens), em que esta fala sobre
a separação do casal e, de quebra, ilumina o lado machista sertanejo do 'doutor do baião'.
O filme recusa o potencial melodramático desse desvelamento familiar, optando
por um tratamento discreto. Um exemplo: Denise Dumont relata seu último encontro
com o pai, na véspera da morte dele. Em vez de a câmera buscar suas lágrimas,
há um corte seco e entra a imagem documental, silenciosa e em preto e branco,
de Teixeira montando num camelo. Poesia visual pura." José Geraldo Couto | www.folhasp.com.br
Visto em 19/01 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

O FADA DO DENTE
The Tooth Fairy EUA 2009 1h41min RT 1,8
de Michael Lembeck com Dwayne 'The Rock' Johnson, Ashley Judd, Julie Andrews

> Sinopse: O jogador de hockey Derek Thompson é chamado de Tooth Fairy
(Fada do Dente) em função de sua habilidade de quebrar os dentes dos adversários.
Quando desencoraja uma jovem promessa, Derek é obrigado a trabalhar como
uma verdadeira fada do dente durante uma semana, com direito a asas, varinha
mágica e a saia. Durante a experiência, ele descobre os seus sonhos perdidos.

ASTRO BOY
Astro Boy EUA 2009 1h34min RT 4,8
animação digital de David Bowers baseado nos quadrinhos criados por Osamu Tezuka

> Sinopse: Metro City é uma metrópole reluzente que fica no céu. É lá que o Dr. Tenma
cria Astro Boy, na intenção de substituir o filho que perdeu. Astro Boy possui poderes
extraordinários, sendo dotado com o que há de melhor nas características humanas.
Após ser expulso, por não conseguir cumprir as expectativas geradas por Tenma,
Astro Boy precisa aprender a viver como um robô e aceitar o fato de não ser humano.

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Cineclube Dissenso




A INGLESA E O DUQUE
L'anglaise et le Duc França 2001 2h05min RT 7,1
de Eric Rohmer com Alain Libolt, Caroline Morin, Christian Ameri, Eric Viellard
CINEMA DA FUNDAJ | sábado 23, 14h ENTRADA FRANCA

> Sinopse: Grace Elliot é uma jovem aristocrata escocesa que vive em Paris
durante a Revolução Francesa e teve um romance com o Duque de Orléans,
primo do rei da França. Quanto mais os acontecimentos políticos se agravam,
mais complexo torna-se o relacionamento entre eles. Grande defensora da monarquia,
Grace não é capaz de conciliar seus sentimentos com as escolhas políticas do Duque,
partidário da morte do monarca. Ela corre o risco de ser condenada à guilhotina,
acusada de ser espiã da Inglaterra, grande inimiga da Revolução.
Cópia em 35mm da Cinemateca da Embaixada da França.

Curiosidade: Em 2001, Eric Rohmer surpreendeu a todos com experimentação
em tecnologia digital. A Inglesa e o Duque é um 'filme de época' cujos
cenários são pinturas à maneira do século XVIII, com utilização de tecnologia
digital, de forma que os atores são inseridos e 'vivem' na paisagem, assim
as pinturas não são usadas apenas como ilustração de fundo. Em 2001, o efeito
foi considerado inovador, com design inédito para o que se chama 'filme de época'.

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Vício Frenético na sala certa

Assisti Vício Frenético e confesso que gostei muito desse filme neo noir!
Nicolas Cage parece querer alavancar sua carreira novamente, pois seu papel
nesse filme em alguns momentos me lembrou o roteirista alcoólatra que ele
fez há 15 anos em Despedida em Las Vegas e pelo qual ganhou um Oscar.
Graças a Deus, moro longe do Multiplex Recife, e pra mim o Plaza é mais perto.
Mas lendo seu comentário e o de Kleber Mendonça Filho quanto à projeção escura
do UCI Recife, acho que o público DEVE procurar o PROCON quando se sentir
lesado em pagar um preço de ingresso tão alto e não ter uma projeção a altura.
Pedro Henrique | phmmts@hotmail.com

Crepúsculo X Deixa Ela Entrar

Entre Crepúsculo e Deixa Ela Entrar, Prefiro... MIL VEZES Deixa Ela Entrar,
um romance entre adolescentes, as cenas de crueldade frias e violentas,
Deixa Ela Entrar com certeza me conquistou. Que Lua Nova de Belinha
e Edwardizinho que nada! Filme bom de vampiro é esse Deixa Ela Entrar.
A parte em que Eli ensina Oskar a reagir contra as agressões constantes
que ele sofre é ótima. O suspense que o filme traz deixa você cada vez
mais interessado em como será o fim dessa relação entre o menino e a vampira.
Deixa Ela Entrar é ótimo. Tomas Alfredson, diretor do filme, realizou um FILMAÇO!
Obs. Adorei o filme, mas eu mesmo não deixaria ela entrar de jeito nenhum! He he
Hittalo Rodrigues | hittalo.rodrigues@hotmail.com

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