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ANO DEZ Edição 471

Eric, Invictus, Nine, Preciosa e Sr. Raposo

> A temporada de prêmios continua, com The Hurt Locker - Guerra
ao Terror
tomando a dianteira nas premiações mais importantes, não
só como melhor filme, mas especialmente como melhor direção, numa
rara unanimidade em torno de uma diretora, Kathryn Bigelow, 58 anos,
a vencedora do prêmio do Sindicato dos Diretores, que aconteceu no
último sábado. O filme é um caso inédito no Brasil. Foi lançado em DVD
em 2009 e será lançado nos cinemas nas próximas semanas, diante
da séria expectativa de que ganhe o Oscar 2010 de melhor filme e direção.

Semana tem Invictus de Clint Eastwood, o musical Nine, com elenco
estelar, À Procura de Eric de Ken Loach, Algo que Você Precisa Saber
e O Fim da Escuridão, com Mel Gibson. Em pré-estreias, dois filmes
muito elogiados pela crítica, o drama Preciosa, com fortes chances
no Oscar, e a animação O Fantástico Sr. Raposo, de Wes Anderson.
No Cineclube Dissenso, a tradicional Sessão Surpresa de fim de mês.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Desonra, drama
com John Malkovich lançado direto em DVD. Leia AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites e brindes Invictus, Amor Sem Escalas
e pré-estreia de High School Musical - O Desafio clicando AQUI







O SEGUNDO ROSTO
EUA | John Frankenheimer| 1966



À PROCURA DE ERIC
Looking For Eric Inglaterra 2009 1h56min RT 8,8
de Ken Loach com Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop

por Filipe Marcena

OPINIÃO O carteiro de meia-idade Eric (Steve Evets) vive uma fase
atormentada de sua vida. Sua família está em crise, sua segunda esposa
sai da prisão mas não volta pra casa e seus enteados vivem procurando
problemas. A situação começa a mudar quando o espectro do ex-jogador
do Manchester United Eric Cantona (interpretando a si mesmo) faz visitas
frequentes a Eric, tornando-se uma espécie de conselheiro do carteiro.
O britânico Ken Loach (que está no DICAS DE CINÉFILO com seu
segundo filme Kes) mostra em À Procurade Eric o que há
de bom no esporte mais popular e cultuado do mundo.

Eric usa a imagem heróica de seu jogador favorito como motivação
para organizar sua vida e, como entrega o título, encontrar a si mesmo.
Ao mesmo tempo, existe a união afetiva dos personagens através do futebol,
e isso fica destacado em cenas bem humoradas e às vezes emocionantes
em que o grupo se ajuda em conjunto. Apesar do tom pesado e cru, o filme
é bastante cômico graças à relação de Eric com seu mentor e com seus
amigos, e os ótimos atores navegam entre o drama e a comédia
com facilidade, inclusive Eric Cantona. Um filme sobre superação
sem os clichês esperados nesse tipo de história.
Visto em 23/10/2009 na Mostra Internacional de Cinema de SP
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


INVICTUS
EUA 2009 2h13min RT 7,7
de Clint Eastwood com Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Curioso estrear na mesma semana dois filmes sobre futebol.
No empolgante, divertido e cheio de energia humana À Procura de Eric,
temos o tradicional futebol inglês, igual ao nosso. No Invictus de Clint
Eastwood, temos o indecifrável futebol americano, o rugby, num filme
que, embora realizado com a já marca registrada do cinema americano
clássico e elegante de Clint, 79 anos, resulta num ' filme esportivo' simples
(não simplista) e frio demais para emocionar o espectador. Feliz na sua
narrativa clara e calma, sem qualquer fricote visual moderninho, Invictus
conta uma história edificante e real, quando Nelson Mandela (Morgan Freeman,
apenas correto) usou o apelo de 'união social' do esporte, numa manobra
política inteligente que levou o time da África do Sul, de maioria branca,
a conquistar a Copa do Mundo de Rugby em 1995. Clint narra o episódio
em tom quase de conto de fadas perfeito, idealizado. Mandela é um santo,
o capitão do time, vivido por um Matt Damon um pouco velho para o papel
e caprichando no sotaque, vem de uma tradicional família racista, mas 'ilumina-se'
espiritualmente, depois de um encontro pessoal com o presidente Mandela.

O filme não procura nenhum tipo de tensão ou conflito, embora personagens
marcantes como seguranças (negros e brancos) do presidente sugiram que
algo dramático possa acontecer. Não acontece. É uma narrativa sábia
do veterano Clint (cineasta que quem lê o Kinemail sabe que eu venero),
mas o efeito pode ser um tanto tedioso, especialmente nas sequências
ilustrativas de algumas partidas de rugby e em algumas passagens em que
o filme perde o ritmo ou emperra, pela falta de ação ou pelo drama que
não decola. Fica ainda uma incômoda sensação de 'filme-quero-Oscar'.

Trilha sonora com standars americanos e canções world music dos
negros sulafricanos não ajuda muito. A trilha sonora pontual com tema
de piano assinada pelo próprio Clint, aqui não se sobressai, ao contrário
das felizes trilhas de Menina de Ouro, A Troca e Gran Torino. Spike Lee,
que ataca o olhar 'paternalista' de Clint sobre os negros, diz que o filme
se apoia numa grande mentira, pois após a tradicionalmente hipócrita
'união nacional' na vitória da Copa, logo tudo voltou ao tradicional racismo,
especialmente dentro do próprio time, o que faz questionar o valor
da 'mensagem' do filme. Ainda assim, vale destacar alguns grandes
momentos de Invictus, como duas estranhas sequências maravilhosas,
envolvendo aviões gigantescos sobre a cidade, filmadas majestosamente
tirando proveito do impacto da larga tela em CinemaScope, daquelas
cenas que só fazem sentido mesmo se vistas numa tela de cinema.
A primeira é um raro momento de humor e a segunda eu não vou contar,
mas é um desses poucos momentos ainda surpreendentes de cinema num
multiplex, que encanta e desorienta igualmente o espectador. Cena linda.
Visto em 25/01 como convidado da UCI Cinemas | Warner Bros.
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br




NINE
Nine EUA 2009 2h00min RT 3,8
de Rob Marshall com Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Penelope Cruz, Marion Cotillard
MULTIPLEX RECIFE e BOX GUARARAPES

por Filipe Marcena

OPINIÃO Sete anos atrás, Chicago ganhava 6 Oscar, incluindo melhor filme, e faturava
milhões nas bilheterias, seguindo o 'revival musical' iniciado por Moulin Rouge dois anos
antes. Hoje pouco se lembra das cafonices e exageros desse filme, a não ser que você
seja um hiper fã do gênero, e talvez nem assim. O diretor vindo dos palcos Rob Marshall
realizou logo em seguida o igualmente brega e tedioso Memórias de Uma Gueixa, que nem
a Academia gostou tanto assim. Agora Marshall retorna com Nine, mais um 'Oscar contender'
caro e pretensioso almejando prêmios e sucesso financeiro com apoio de um elenco de
estrelas. O resultado foi um redondo fracasso de público (US$ 19 milhões nos EUA contra
os US$ 80 milhões de custo), poucas lembranças na temporada de prêmios e rejeição pela
maioria maçiça da crítica especializada. Se fosse um grande sucesso e favorito ao Oscar,
eu provavelmente me uniria ao coro dos odiadores do filme, mas confesso que,
com todos os problemas, Nine não é a grande bomba que eu achava que ia assistir.

Baseado no musical da Broadway de Mario Fratti, é uma espécie de remake-homenagem
à 8 e 1/2 de Fellini. O mestre italiano deve estar se sacudindo em sua tumba,
mas ninguém esperava grande coisa de tal projeto. A história contada é a de Guido
Contini (Daniel Day-Lewis, sabe-se lá por quê), grande autor do cinema italiano que
encontra-se em crise criativa e com problemas para lidar com as mulheres de sua vida.
Enquanto tenta encontrar harmonia, delira com suas fêmeas em números musicais
extravagantes. Na primeira meia hora, Nine mostra-se surpreendentemente eficiente:
Day-Lewis promete um Guido divertido e cínico enquanto fracassa em suas tentativas
de escrever o roteiro de 'Itália', filme que já se encontra em pré-produção. Judi Dench,
como a figurinista Lilli, domina a cena com bom humor e charme, mesmo seu número
Folie Bergère não sendo a coisa mais original do filme. Até então o filme diverte e serve
de colírio para os olhos graças à fotografia de Dion Beebe. Mas as coisas vão longe demais...

Em primeiro lugar, há tantas mulheres na vida de Guido que jamais o filme realmente
se aprofunda em qualquer uma delas. Kate Hudson como a repórter Stephanie,
por exemplo, parece estar lá apenas para atrair os jovens com seu número clonado
de um show da Christina Aguilera. Nicole Kidman, que interpreta a estrela Claudia,
tem apenas uma música pra mostrar a que veio, e não mostra. Fergie, que tinha tudo
pra decepcionar, tem uma personagem aparentemente interessante (prostituta
da infância de Guido, persona comum em filmes de Fellini), mas como Saraghina só
precisa mostrar o corpo e cantar, a 'cantriz' até que não faz feio em 'Be Italian' - e também
não faz mais nada quando é descartada da narrativa. Sobram Sophia Loren, como a mãe
de Guido, que ganha alguma importância; Penélope Cruz como a amante Carla
(muita perna aberta em 'A Call From The Vatican'); e Marion Cotillard como a esposa
Luisa Contini, que acaba sendo a mais interessante personagem (e atriz) do filme.

No meio da confusão, o que parecia despretensioso termina desastroso. Os arcos
dramáticos são mal-resolvidos ou resolvidos de forma óbvia, as músicas pioram a cada
número que passa, a montagem é excessivamente videoclíptica e a extravagância chega
no limite do risível. Sem comentários quanto ao inglês dos personagens italianos (licença
poética, sei), mas que sotaque é aquele? Já que é pra chutar o balde, chuta de vez, certo?
E aí vem o maior problema de Nine: onde diabos um mestre do cinema imaginaria sequências
teatrais tão cafonas como pequenos filmes em sua cabeça? Ele é cineasta ou diretor de teatro?
Talvez deva-se pelo fato da sanidade de Guido estar seriamente comprometida, mas tais
sequências não deixam de ser ridículas dentro do contexto, além de atrapalharem no conceito
de 'mestre' agregada à Guido. Quando a bela tomada final dá as caras já é tarde demais para
perdoar Nine. Felizmente, o filme tem alguns bons momentos que quase disfarçam
o mico. Ao menos é melhor que Chicago, já que não me fez dormir na poltrona...
Visto em 22/01 como convidado da UCI Cinemas | Sony Pictures
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


ALGO QUE VOCÊ PRECISA SABER
Quelque Chose À Te Dire França 1h40min
de Cécile Telerman com Charlotte Rampling, Mathilde Seigner, Pascal Elbé

> Sinopse: Mady Celliers passa a maior parte do tempo falando mal de suas
filhas e de seu marido. Antoine seu filho mais velho, tem dificuldades profissionais.
Alice, a filha do meio, dedica-se à pintura para afastar a depressão. Já Annabelle,
a caçula, trabalha como enfermeira e tenta prever o futuro de sua família através
das cartas. A situação da família Celliers permanece estável até o surgimento
de Jacques de Parentis, um policial solitário que acaba com a aparente harmonia.


O FIM DA ESCURIDÃO
Edge of Darkness EUA 2009 1h40min RT 5,6
de Martin Campbell com Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston

> Sinopse: Thomas Craven (Mel Gibson) trabalha como detetive na polícia
de Boston. Após testemunhar a morte de sua filha, Craven passa a acreditar
que era o verdadeiro alvo. Ele passa a investigar o crime e descobre uma rede
de corrupção, que envolve políticos e a indústria norte-americana de armas
nucleares. Retorno de Mel Gibson à frente das câmeras após sete anos do
fracasso Crimes de Um Detetive e do sucesso de seus filmes como diretor.

AH... O AMOR!
Ex França/Itália 2009 2h00min
de Fauto Brizzi com Vincenzo Alfieri, Claudio Bisio, Nancy Brilli

> Filippo (Vincenzo Salemme) e Caterina (Nancy Brilli) estão se separando
e brigam para que não tenham a custódia dos filhos. Luca (Silvio Orlando)
tem 50 anos e está se divorciando de Loredana (Carla Signoris). Em uma
tentativa de recuperar a juventude, ele resolve morar com seu filho estudante.
Sergio (Claudio Bisio) precisa lidar com a repentina morte de sua ex-mulher,
em especial com a criação de suas duas filhas adolescentes. Elisa (Claudia Gerini)
está prestes a se casar com Corrado (Gianmarco Tognazzi), mas reencontra
um ex-namorado exatamente na cerimônia de casamento, já que ele é o padre.
Todas estas situações românticas ocorrem entre o Natal e o Dia dos Namorados.

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Cineclube Dissenso

SESSÃO SURPRESA!
CINEMA DA FUNDAJ | sábado 30, 14h ENTRADA FRANCA

> Tradicionalmente, no último sábado de cada mês, temos um 'filme
surpresa', especialmente selecionado pelos integrantes do Cineclube
Dissenso. O filme desse sábado 30 dura 1h30min e censura 18 anos.

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3D e Nuvens

O BOX devia tirar pelo menos uma sessão de Avatar 3D e colocar
a pré-estreia de Premonição 4 em uma sessão em 3D! Tudo bem que
Avatar tá faturando alto mas... Putz! Avatar já tá enchendo também!
Acho que vai ficar feito Lua Nova, um bom tempo em cartaz ainda.

Vi O Homem que Engarrafava Nuvens e me arrependi. O filme
é mais um documentário musical nacional cheio da opinião dos artistas
de sempre (Chico, Caê, Gil...) sobre o Humberto Teixeira. Odeio filme assim :(
Hittalo Rodrigues | hittalo.rodrigues@hotmail.com

Amor Sem Escalas

Gostei bastante de Amor sem Escalas (e também não entendi o título brasileiro).
Os diálogos são ótimos, George Clooney é realmente um astro à moda antiga
e o nível de inteligência geral é bem maior do que o que se encontra nos cinemas
de hoje. A cena mais inteligente, pra mim, foi aquela em que a garota conversa
com os dois companheiros mais velhos e vividos, muito bem escrita. Também
acho que a 'surpresa' mais para o final é meio forçada e não faz muito sentido,
mas foi para mostrar que o personagem de Clooney colheu o que sempre plantou.
João Solimeo | cameraescurablog.blogspot.com

Gigante, Sherlock e Coco

O 'média-metragem' Gigante é interessante. A direção acertadamente
optou por uma trama simples e visual do mesmo naipe. O papel de Jara
facilita as coisas para um não-ator, mas Horacio Camandule se sai
muito bem fazendo o feijão-com-arroz. Os poucos diálogos e a repetição
de alguns recursos/cenas no filme dão a impressão de que, com um pouco
de concisão, o filme se sairia bem no formato de curta.

Sherlock Holmes foi enlatado para o cinemão, mas isso não é necessariamente
ruim. Guy Ritchie soube imprimir suas marcas típicas, como a forma de filmar
as lutas e os diálogos rápidos. Os bons atores e a 'repaginada' que deram
nos personagens ajudam o filme, trazendo novos ares à história. Holmes
é encaixotado no perfil do anti-herói moderno (rebelde de bom coração),
e coube a Watson o papel do bom moço. Uma crítica justa seria dizer que,
ao que se propõe, o filme é bem divertido. Mas não espere mais.
Mark Strong é a cara de Andy Garcia mais novo (e a atuação também é parecida!).
As limitações de Robert Downey Jr. ficam claras quando você assiste a muitos
filmes com ele num curto espaço de tempo: ele se repete.
Comparado ao insípido Rock'n'Rolla, este Sherlock Holmes vira um colírio.

Coco Antes de Chanel tem, pelo menos, um defeito: o ritmo arrastado.
É bem verdade que o filme traz algo de inovador ao gênero biografia:
Coco é uma personagem com quem é difícil estabelecer uma empatia imediata,
o que deixa a personagem mais humanizada. Mas a fita não tem clímax,
parece que oscila muito entre crônica da sociedade da época e a própria
história de Coco, cozinhando o espectador em banho-maria até apagar o fogo.
Aprecio a sinceridade da diretora em não forçar cenas chorosas com uma
trilha sonora xarope, mas Coco Antes de Chanel simplesmente não me tocou.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br

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