

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 477
Scorsese, Honoré, Soderbergh, Terror e Amor
> E o grande vencedor do Oscar 2010, Guerra ao Terror, está de volta
aos cinemas aqui
apenas no BOX Guararapes, numa única sessão diária
em projeção digital. Isso reflete o curioso lançamento do filme no Brasil,
jogado nas locadoras no ano passado e mal lançado no início desse ano
nos cinemas, por distribuidores e exibidores que apostavam tudo em Avatar...
Mas o Oscar já é passado: essa semana aqui no Recife temos tantos
bons lançamentos que, provavelmente, essa será uma daquelas raras
semanas em que você fica doido pra ver um bocado de filmes. Aproveite!
Ilha do Medo é a nova parceria Martin Scorsese/Leonardo DiCaprio,
fazendo bom cinema e surpreendendo nas bilheterias. Não perca.
Não Minha Filha, Você Não Irá Dançar é a nova joia de Christophe
Honoré, com Chiara Mastroianni magnífica. Atrasados mas bem-vindos,
estreiam aqui Onde Vivem os Monstros de Spike Jonze e O Desinformante!
de Steven Soderbergh.
Semana ainta tem pré-estreia de mais uma surpresa
do incrível cinema que atualmente vem da Romênia, Polícia, Adjetivo.
Lembranças e Quanto Dura o Amor? são mais novidades da semana.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Starman (1984) , romance
sci-fi de John Carpenter com o recém oscarizado Jeff Bridges. Leia AQUI
LEITOR VIP Ganhe convites e brindes de Onde Vivem
os Monstros, Lembranças e O Desinformante AQUI


![]()


UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979

ILHA DO MEDO ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Shutter Island EUA 2010 2h18min RT 6,7
de Martin Scorsese com Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Michelle Williams,
Ben Kingsley, Emily Mortimer, Elias Koteas, Patricia Clarkson, Max Von Sydow
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Martin Scorsese continua no seu 'exercício de cinema de gênero', na quarta
parceria com seu ator-muso Leonardo DiCaprio. Scorsese tem cinema no sangue,
talvez no próprio DNA, de forma que é sempre um prazer imenso ver seus filmes.
Se o remake Os Infiltrados sofria na comparação com o original chinês bem melhor,
dessa vez Scorsese adapta o livro Paciente 67 de
Dennis Lehane (mesmo autor
de Sobre Meninos e Lobos), uma obra de suspense psicológico passado num hospital
psiquiátrico isolado numa ilha, em 1954, onde o policial federal Teddy Daniels (Leonardo
DiCaprio sempre esforçado mas algo insatisfatório)
chega com um parceiro (Mark Ruffalo)
para investigar o misterioso desaparecimento de uma paciente. Ilha do Medo
segue então em clássico formato de filme B de gênero, filmado com extrema elegância
e um padrão de produção classe A, mas com a marca registrada do mais puro filme B.
Assim como Clint Eastwood causa estranhamento com seu cinema tão clássico e elegante,
tão acima do tipo de
filme que Hollywood despeja hoje nos multiplexes, este filme de Scorsese
também causa esse estranhamento, de parecer que estamos vendo uma obra anacrônica
no melhor dos sentidos, numa praia onde também se encaixam os moderníssimos filmes
de Quentin Tarantino. Scorsese, um pouco mais velho e com conhecimento enciclopédico
de cinema, volta-se para o cinema americano da década de 50, com muita influência
de Alfred Hitchcock
e filmes como Laura (1944) de Otto Preminger e especialmente o magistral
Paixões que Alucinam (Shock Corridor, 1963) de Samuel Fuller. Só influência biscoito fino.
Não dá pra falar muito sobre a trama, pois Ilha do Medo, sim, é um filme com um segredo
e uma reviravolta. Com trama mais complexa do que a média atual no gênero, o filme demora
a engrenar e sofre de excesso de diálogos explicativos na primeira metade. O grande
segredo do filme pode até ser desvendado bem antes do final por espectadores mais atentos
ou cinéfilos já escolados nos truques de roteiro, mas não vou dar nenhuma pista aqui.
Scorsese compensa a dureza inicial desenvolvendo o desenrolar da misteriosa trama
de forma envolvente, muito clara mas sempre ambígua, com uma reviravolta coerente
e, thanksgod!, nenhum desses sustos baratos de som dolby-surround de filmes de multiplexes.
Também não espere o medo - no sentido de terror - que o título nacional e o trailer tentam
vender. A trama do filme é um quebra-cabeças psicológico, com tensão constante mas nada
de sobrenatural. Os 'fantasmas' de Ilha do Medo existem na imaginação dos personagens,
em
sequências de sonhos belamente executadas ou dentro da cabeça paranoica
de Teddy Daniels, que ainda tem um passado traumático como soldado na Segunda
Guerra Mundial e sofre com a morte trágica da esposa (Michelle Williams).
O estado mental de Teddy é transformado em imagens impecáveis sob a direção de fotografia
de Robert Richardson (Bastardos Inglórios, Kill Bill, Cassino)
ambientadas numa década
de 50 'de cinema', com luxuoso trabalho de direção de arte (Dante Ferretti)
e figurino
(Sandy Powell), todos, claro, de veteranos de premiações do Oscar.
Também é notável
o uso farto de efeitos CGI, mas sempre a serviço da trama.
A trilha sonora espetacular
felizmente não vai na corrente pop (nada dos Stones dessa vez, afinal estamos nos anos 50)
e desenha uma atmosfera pesada, tensa, com temas musicais de Kzrysztof Penderecki,
John Cage, Brian Eno e música clássica de Gustav Mahler, usadas com efeito impactante.
No elenco,
DiCaprio é cercado por pequenas participações de um elenco bem superior a ele,
em especial a ótima aparição de Patricia Clarkson como a paciente Rachel Solando. Se Scorsese
não alcança mais o brilho e energia de suas grandes obras-primas, não dá pra sair insatisfeito
de Ilha do Medo, visto como bom entretenimento adulto. E, apesar da trama bem resolvida,
Scorsese instiga com um incômodo final em aberto, dramaticamente dúbio e perturbador.
Visto em 10/03 como convidado da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

NÃO MINHA FILHA, VOCÊ NÃO IRÁ DANÇAR ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Non Ma Fille, Tu N'iras Pas Danser França 2009 1h45min
de Christophe Honoré com Chiara Mastroianni, Jean-Marc Barr, Marina Fois, Louis Garrel
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO O cinema francês do diretor e roteirista Chistophe Honoré conseguiu
emplacar bem no circuito alternativo brasileiro com filmes como Em Paris,
Canções de Amor e A Bela Junie - em resumo, filmes que quase ninguém
viu mas um seleto grupo de cinéfilos adoram. Como devoto, foi com grande
expectativa que eu assisti a esse filme de título estranho e quilométrico na Mostra SP
e saí do cinema mais uma vez encantado com a beleza melancólica de um filme
de Christophe Honoré. Depois de muito falar do amor entre jovens, Honoré avança
na idade dos personagens, entrando num mundo mais adulto e inevitavelmente
mais doloroso. Não, Minha Filha, Você não irá Dançar é estrelado pela
belíssima (em mais de um sentido) atriz Chiara Mastroianni, filha de dois
ícones do cinema europeu, Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni.
Chiara vive com intensidade dramática pungente Lena, uma mulher chegando
aos 40 anos, num momento delicado, com sua vida desorganizada, concluindo
um divórcio, sem emprego e obsessivamente tentando proteger seus dois filhos.
A cena inicial resume seu estado emocional, quando a vemos correndo
afobada pra lá e pra cá numa estação de trem, a procura do filho mais
velho, que perdeu de vista. Logo depois de encontrá-lo, a filha mais
nova encontra um pássaro ferido e implora para a mãe levá-lo para
cuidarem dele. Lena bota desajeitadamente o pássaro na bolsa e, nem
preciso dizer, logo o pássaro estará morto. De forma nada sutil, esses
fatos deixam claro que Lena está tão instável emocionalmente que é incapaz
de cuidar de algo ou de alguém. Vale lembrar que o título americano,
Making Plans for Lena (Fazendo Planos Para Lena) define bem o desenrolar
da trama. Lena está indo com os filhos encontrar a família numa casa de campo e,
chegando lá, todos de certa forma tentarão ajudá-la, a irmã, a mãe, um jovem
amante,
o que só irá colaborar para amplificar mais ainda seu inferno pessoal.
É um personagem trágico, que deixa claro a ideia recorrente do cinema
de Honoré, onde personagens pagam um preço alto por não se adaptarem
aos padrões normais da sociedade, algo que pode parecer ingenuamente
romântico mas é, no fundo, o grande dilema de abdicar da liberdade pura
em troca da ilusão de segurança da família, da maternidade, de uma crença
religiosa, da estabilidade financeira. Chiara mergulha fundo no personagem
e é incrível ver como ficamos aflitos diante da sua fragilidade como também
do seu egoísmo infantil. Honoré continua filmando com sua eterna nostalgia
pelo 'cinema livre' da nouvelle vague francesa, algo tido por muitos como
um cacoete estilístico. Aqui, mais do que nunca, esse estilo se encaixa
perfeitamente na personagem. Montagem truncada, idas e vindas narrativas
e outros recursos pouco convencionais pontuam a história, que ilumina-se
num momento de poesia visual quando, a partir de um livro que o filho de Lena
lê, a narrativa é interrompida e conta, sem diálogos, uma lenda bretã de onde
foi tirado o título do filme. É um conto sobre uma camponesa que só casará
com o felizardo que dançar com ela por 12 horas seguidas. Todos os candidatos
falham, morrem exaustos, e ela está condenada a sucumbir a um homem misterioso
que chega vestido de vermelho.... Esse é o drama de Lena, que culminará numa cena
dura, cruel, na qual ela põe em risco, acidentalmente, a vida do filho. Honoré
não vislumbra esperança, resta a Lena continuar dançando ou desistir de vez.
Mantendo a veia pop certeira dos filmes de Christophe Honoré, uma canção
que toca em cena é Making Plans For Nigel, do XTC,
que justifica o título americano
da fita, Making Plans for Lena. Nigel é o ex-marido dela, vivido por Jean-Marc Barr.
E se nesse filme, pela primeira vez, Honoré não bota um personagem para cantar
em cena, o desfecho melancólico acontece ao som da tristonha canção I Need
Another World, em versão de Antony and The Johnsons, para despedaçar
o coração do espectador. Lena é um personagem primo dos vividos por
Louis Garrel (que faz aqui uma pequena participação) em A Fronteira da Alvorada
e Amantes Constantes, ambos de Phillipe Garrel,
e numa referência mais distante,
da protagonista da obra-prima de
Robert Bresson, Mouchette. Belo e triste final.
Visto em 02/11/2009 como convidado da Mostra SP 2009
Revisto em 13/03 como convidado do Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
O DESINFORMANTE! ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
The Informant! EUA 2009 1h48min RT 7,7
de Steven Soderbergh com Matt Damon, Scott Bakula, Melanie Lynskey
por Filipe Marcena
OPINIÃO Chega ao Recife O Desinformante!, mais recente produção de Steven
Soderbergh (que ano passado ainda lançou Confissões de Uma Garota de Programa
e Che, dividido em duas partes), com cinco meses de atraso em relação ao lançamento
nacional da fita no Brasil e depois da chegada em DVD.
Vale conferir no Rosa e Silva
se você ainda não viu o filme. Baseado numa história verdadeira, O Desinformante!
conta a vida de Mark Whitacre (Matt Damon), sujeito neurótico e tipicamente
americano que trabalha para a ADM, uma grande corporação
no início dos anos 90.
Vice-presidente da empresa, Mark acaba se envolvendo com o FBI numa investigação
contra
a ADM, acusada de trabalhar com cartel ilícito, e vira informante. Para o azar
tanto da empresa quanto do FBI, o bipolar Mark não consegue
controlar sua língua,
contando verdades e mentiras a torto e a direito e atrapalhando sua própria vida.
Muitas coisas podem estarrecer o espectador de O Desinformante!, a começar
pela cama-de-gato que foi a vida de informante de Mark Whitacre. A investigação
é uma complicação só e é destrinchada por um roteiro bem humorado, ainda que
bastante complexo com seus termos restritos de economia. Também impressiona
Matt Damon, vários quilos mais gordo e certeiro na composição do personagem,
além da muito bem utilizada narração em off, que oferece informações sobre
o protagonista dadas pelo mesmo, e que constrói junto com ator e espectador
a personalidade de Mark.
Mas o que realmente choca é a capacidade de Soderbergh
de fazer um filme de estúdio com temas específicos, ritmo incomum para multiplexes
e humor fino e conseguir aprovação geral e lançamento de grande porte, quase
um milagre. Mesmo irregular, O Desinformante! segura o interesse enquanto dura.
Destaque para a excelente trilha sonora de Marvin Hamlisch, o melhor do filme.
Visto em 11/03
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
QUANTO DURA O AMOR? ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Brasil 2009 1h20min
de Roberto Moreira com Silvia Lourenço, Paulo Vilhena, Danny Carlos
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Depois do marcante e divisor de opiniões Contra Todos, o paulista Roberto
Moreira escolheu como tema
o amor nas grandes metrópoles, através de um punhado
de personagens de 'sensibilidade diferente', ou seja, o velho chichê de ter como
protagonistas escritores, atrizes, artistas, prostitutas e pessoas sexualmente dúbias.
O filme é Quanto Dura o Amor?, que dura muito pouco (80 minutos) para
ter alguma consistência e, talvez cinicamente,
aborda relacionamento frágeis
demais para serem chamados de 'amor'. Após a abertura, que acompanha a atriz
do interior vivida por Silvia Lourenço (co-autora do argumento do filme)
a caminho
da grande São Paulo ao som de High and Dry do Radiohead
(segundo informam,
cedida pela banda após terem visto e gostado do filme) para morar num prédio antigo
da Avenida Paulista, o que garante belas cenas aéreas da famosa avenida.
Infelizmente, talvez por restrições da produção, São Paulo
nunca ganha vida. Por exemplo,
O Signo da Cidade, de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli, era bem mais generoso
ao mostrar a paisagem e atmosfera paulista. Aqui não, os enquadramentos são muito
fechados e até cenas de rua parecem filmadas em estúdio. Essa pobreza visual
atrapalha, já que a dança de amores do filme pede pelo clima urbano. Isso não seria
problema se o roteiro e os atores funcionassem. Não é o que acontece. Os diálogos são
muito fracos, os personagens são recortes de papelão. Silvia Lourenço, que é boa atriz,
fica perdida fazendo caras e bocas, descobrindo-se apaixonada (sabe-se lá porque)
pela cantora junkie vivida por Danny Carlos. Danny foi muito elogiada como atriz
(sabe-se lá porque). Sua personagem é só pose, não tem a menor consistência dramática
e não ajuda muito que ela basicamente só cante em cena (sempre em inglês, como
manda o seu cardápio musical de cantora). Resta a surpresa da novata Maria Clara Spinelli
(foto), mal aproveitada como advogada num romance com tintas almodovarianas.
É a única historinha que tem algo a dizer sobre a dificuldade de encontrar um amor
na cidade grande, mas não chega a emocionar. De resto, o filme foi comentado pelas
cenas de sexo lésbico entre
Silvia Lourenço e Danni Carlos. Bom ver, no cinema nacional
atual tão careta, que todos os atores em Quanto Dura o Amor? aparecem desnundados
em cenas de sexo. Pena que
os personagens sejam tão fracos e mal escritos.
Visto em 08/03 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
LEMBRANÇAS
Remember Me EUA 2010 1h58min RT 2,7
de Will Fetters com Robert Pattinson, Emilie De Ravin, Chris Cooper, Pierce Brosnan
> Sinopse: Mesmo depois de muitos anos após o estudante Tyler Roth (Robert Pattinson)
ter perdido seu irmão, que cometeu suicídio, ele não consegue se recuperar da extrema
dor que sente. Conhece Ally (Emile de Ravin), a filha de um policial, que teve sua mãe
brutalmente assassinada. Percebendo que pode compartilhar seu pesar com ela, os dois
acabam se apaixonando, ao tentar, por meio do amor, se libertar da angústia. Assim,
Tyler descobre que a perda pode ser superada e a amargura curada, junto de Ally.
___________________________________________________________________________________________
Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
Siga o Kinemail no Twitter

> Além das críticas e programação local completa aqui no Kinemail, agora você
também pode acompanhar as dicas de cinema, DVD, filmes na TV etc
que o Kinemail posta quase todo dia no Twitter. Follow www.twitter.com/kinemail
Corey Haim 1971-2010
> Mais um jovem ator de Hollywood perde a luta contra o vício das drogas.
Corey Haim, aos 38 anos, foi encontrado morto na manhã de 10/03 no seu
apartamento, vítima de overdose. O ator, que conheceu a fama e o sucesso
aos 17 anos no final dos anos 80 em Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987)
e Sem Licença Para Dirigir (License to Drive, 1988), lembrados nostalgicamente
pelos espectadores
da Sessão da Tarde, tinha um histórico complicado e constante
de envolvimento com drogas. Adulto e com dificuldades na carreira, o amigo Corey Feldman
o ajudou recentemente, protagonizando juntos o programa de TV The Two Coreys.
Feldman desistiu de tentar ajudá-lo a livrar-se das drogas. Corey Haim vinha
ultimamente tentando voltar aos filmes para cinema. Fez uma participação
em Adrenalina 2 e participou de 5 novos filmes obscuros como protagonista.
Oscar 2010
> Apesar dos prêmios justos, a festa do Oscar 2010 foi uma das mais burocráticas
e tediosas dos últimos tempos, sem graça até nos momentos tradicionalmente interessantes,
como a homenagem aos que morreram ano passado ou o clipão
de filmes temáticos
(uma montagem fraca para filmes de terror). Exceções foram a emocionante homenagem
a John Hughes e seus filmes juvenis eternizados
na memória dos quarentões de hoje
e alguns poucos momentos de bom humor (Ben Stiller esculhambando com Avatar,
Steve Martin e Alec Baldwin parodiando Atividade Paranormal). De resto, tédio e sono.
Para registro final, eis abaixo os dez filmes vencedores das principais estatuetas:

GUERRA AO TERROR
Filme, direção (Kathryn Bigelow), roteiro original, montagem, som e edição de som
AVATAR
Direção de arte, direção de fotografia e efeitos especiais
PRECIOSA
Roteiro adaptado, atriz coadjuvante (Mo'Nique)
UP - ALTAS AVENTURAS
Animação, trilha sonora
CORAÇÃO LOUCO
Ator (Jeff Bridges), música

UM SONHO POSSÍVEL
Atriz (Sandra Bullock)
BASTARDOS INGLÓRIOS
Ator coadjuvante (Christoph Waltz)
STAR TREK
Maquiagem
A JOVEM RAINHA VITÓRIA
Figurino
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS
Filme estrangeiro (Argentina)
O Oscar e o leitor
1. O Oscar desse ano foi muito justo. Guerra ao Terror deveria superar
Avatar que, na minha opinião, mesmo custando milhões de dólares, não
passa de um mero filme de entretenimento. Apenas discordo de duas categorias,
a de filme estrangeiro, onde A Fita Branca não levou a estatueta, e a
categoria de figurino onde Coco Antes de Chanel também não levou.
Os outros prêmios foram muito justos, todos que ganharam foram merecedores.
Hittalo Rodrigues | hittalo.rodrigues@hotmail.com
2. Fiquei emocionada com a homenagem que fizeram a John Hughes, e também
na subida de Mo'Nique ao palco para receber a estatueta pela performance
histórica em Preciosa. E o povo todo aplaudindo de pé, inclusive Meryl
Streep, foi lindo. Tive dificuldade de lembrar qual o filme ganhou o Oscar
no ano passado. Só 'lembrei' quando entrei na internet hoje. Já não
se fazem mais Danny Boyles como antigamente...
Na entrega do Oscar de melhor atriz coadjuvante (quando o ator do ano
passado faz tradicionalmente a entrega), apareceu Robin Williams (hã?!),
aí eu, esquecida do acontecido a Heath Ledger, pensei, 'que desfeita
do ator que ganhou no ano passado!'. Não dava mesmo pra ele ter aparecido...
Este ano fui dormir mais cedo, até porque não estava torcendo por nenhum
filme com possibilidade de ganhar o Oscar de melhor filme. Por fim:
1. Por que George Clooney tava com aquela cara de quem comeu e não gostou?
2. Por que Invictus não concorreu a melhor filme?
Me arrependi de não ter entrado em algum bolão. Só errei
por achar que A Fita Branca iria levar. Fica para a Copa.
Debora Nascimento | deboranascimento@gmail.com
Respondendo:
1. George Clooney anda meio cansado de 'sobrar' no Oscar, né?
2. Entre os dez indicados, cada estúdio pegou uma vaga. A Warner Bros.
preferiu investir em Um Sonho Possível, com a agora oscarizada Sandra Bullock.
O Oscar e os filmes da semana
Oscar 2010: A melhor coisa desse Oscar foi a careta de pavor do James Cameron,
quando anunciada a vitória da ex-mulher. Divertidíssimo, mesmo que a vitória
de Guerra ao Terror tenha me custado a vitória em diversas apostas. E os filmes da semana:
A Fita Branca: Filme pesado e estranho do Haneke sobre regras, família, crueldade
e infância. Ele parece tratar das raízes do nazismo sem dizer exatamente o que
quer, ou onde quer chegar, o que confere ao filme um tom de estranheza.
Difícil e poético, como boa parte dos filmes dele. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Idas e Vindas do Amor: Atores entregando a pior performance possível,
direção desleixada e roteiro infantilóide. Eu esperava ver algo desse tipo,
mas o Gary Marshall e seu elenco tiveram esmero na hora de destruir
o que poderia ter sido uam simpática comédia. ZERO ESTRELAS
Percy Jackson: Possível sucessor de Harry Potter deve agradar os pré-adolescentes,
mas com atuações fracas e condução enlouquecida digna de Michael Bay, o filme
não quebra as barreiras de público, e mal convence nem como diversão de domingo. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Simplesmente Complicado: Mais uma bobagem engraçadinha de Nancy Meyers.
O filme é salvo pela química entre Streep e Baldwin e por algumas piadas
interessantes no meio da confusão que a diretora criou. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A Erva do Rato: Brilhante ensaio sobre amor e morte. Bressane outra vez
se aproxima do teatro para contar uma bizarra história de ciúme e perversão,
mas de uma maneira extremamente difícil de ser acompanhada. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Vírus: Tentativa frustrada de somar drama familiar à suspense pós-apocalíptico
resulta num filme afetado e entediante. Se os diretores escolhessem um dos gêneros
para investir mais pesado, a coisa teria funcionado melhor. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Gente da Sicília: Experimento interessante do casal Straub-Huillet, Sicília
é um filme sobre as raízes do homem e a memória de seu povo. Também
um filme difícil de se acompanhar, mas repleto de poesia. ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Felipe André | f_andre2@hotmail.com
A Fita Branca, Vírus e Lobisomem
O final deixa muitos com uma grande "?" na cabeça. Fato constatado nas duas
sessões que tive o prazer de assitir de A Fita Branca. Uma história sublime,
passada num vilarejo no interior da Alemanha pré Primeira Guerra. Fotografado
num p&b lindo, como na cena do camponês no quarto para ver a esposa moribunda
na cama. Intimista e tocante. Além daquela cena na qual o pastor vai punir os filhos
(sem no entanto mostrá-la, só sugerida) é demais! Um filme que faz refletir
sobre os acontecimentos em cenas primorosas. Espero que o argentino O Segredo
de Seus Olhos seja tão bom quanto esse que, desde já, figura no meu Top Ten 2010.
Pelo visto a criatividade anda em baixa no pessoal que traduz os títulos originais
para o nosso idioma. Batizar um filme com o mesmo título de outro que já se encontra
no mercado de DVD é dose! Deve ser para confudir o público, só pode. Este Vírus
(no original, Carriers) é um filme seco, que vai logo ao ponto. São pessoas normais
fugindo de um mal, o tal vírus do título, e que só querem chegar vivos a um lugar
que em um passado mais sadio foram felizes. Não perde tempo explicando o porque
do Mal que vem dizimando os seres humanos. O filme tem furos, mas tem a dignidade
de mostrar crianças moribundas fadadas a um triste fim. Mais felizes foram
os nossos hermanos que encontraram um título mais adequado, Infectados.
Interessante que o filme nos faz pensar nessa louca logística de distribuição
de filmes em Hellcife. Enquanto filmes como Onde Vive os Monstros (entre outros)
penam para entrar em cartaz nas telas recifenses, Vírus, sem atores conhecidos
do grande público, encontra espaço mais fácil nas salas. Vai entender...
E o que dizer de Lobisomem? Decepcionante. Sem ritmo, sem empolgação nenhuma.
Jurandy Filho | dypromo@yahoo.com.br
Pois é. Muito bom que os nossos hermanos tenham conquistado a estatueta de melhor
filme estrangeiro, mas O Segredo de Seus Olhos vai ter que provar que mereceu vencer
A Fita Branca...
Aguardemos. Gosto também de Vírus, um filme diferente, embora
insatisfatório, dentro de um gênero
tão estragado por Hollywood, com suas tralhas
repetitivas de terror e suspense semanalmente sendo despejadas nos shopping centers.
Vírus, de certa forma, é um corpo estranho e merece ser visto.
Quanto à logística
sem lógica (eh, eh) dos exibidores locais,
Onde Vivem os Monstros vira 'sessão de arte'
para multiplexes cujo exibidor/espectador não sabe como rotular ou consumir um filme desses.
Martin Scorsese, o contrabandista, bota Leonardo DiCaprio para estampar o poster
num filme que não é o que o público espera. Ilha do Medo vai deixar
muita gente
que entrou no cinema com balde de pipoca e litro de Coca-Cola com
uma grande "?" na cabeça...
Teta, Escalas e Mensageiro
A Teta Assustada é um filme bonito, poético e quase místico. A bela
protagonista Fausta se vê em medo constante do mundo e do que pode
acontecer a ela, metaforizando com batatas e desmaios nossos medos também.
As mulheres devem ficar particularmente impressionadas pelas sensações
que podem advir do filme. Senti que o filme deixou um pouco a desejar
no aspecto técnico, com algumas atuações bem amadoras e um trabalho
de som bem fraco em alguns momentos. No mais, é um filme com muitas
imagens bonitas e que deixa muita coisa pra pensar.
Amor Sem Escalas foi mais um passo certo na carreira de Jason Reitman,
contando com a atuação boa, mas cheirando a déjà-vu de George Clooney,
além das outras duas atrizes, no mesmo ritmo e sintonia. Mais uma vez,
o roteiro é recheado com ótimos diálogos e situações bem pensadas, ainda
que familiares. Além de facilmente digerível, conta com um visual caprichado
e uma fotografia simples e segura. A trama surpreende por escapar de alguns
clichés. Junto a minha voz ao coro que grita: 'Que título nacional nada a ver!'.
O Mensageiro foi uma surpresa. A história do 'herói de guerra' que é designado
para a Divisão de Notificação de Baixas de Guerra é muito mais do que essa curta
sinopse pode sugerir. No papel do protagonista, Ben Foster extravasa toda
a amargura e solidão de um ser humano, assim como os conflitos com que ele
se depara. Woody Harrelson está mesmo muito convincente, trabalhando no papel
do complexo Capitão Stone, que aparenta um desenvoltura, mas luta desesperadamente
com sua solidão. Cada notificação é cortante, e a cena em que o Sargento e Olivia
(Samantha Morton) se vêem sozinhos num impasse diante seu dilema moral é uma das
mais fortes que vi ultimamente. O filme sofre uma ligeira queda no último terço,
mas nada que prejudique o conjunto. Uma história simples, com grande poder.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br
Sessão especial Recife Digital
> Em comemoração ao aniversário do Recife, o multiplex do Shopping Tacaruna
exibirá uma sessão especial gratuita do curta-metragem RECIFE DIGITAL,
nesse sábado 13/03, às 10h30 da manhã. O filme foi produzido pelos alunos
do curso de Organização de Eventos do SENAC–Recife e teve como proposta
realizar um documentário participativo sobre a cidade. Durante um final
de semana, cerca de 50 participantes do projeto Recife Digital captaram imagens
de lugares e pessoas. Foram usadas câmeras fotográficas, filmadoras e celulares
para mostrar a cidade do Recife sob diversos ângulos diferentes. O curta-metragem
em vídeo tem duração de 15 minutos. Após a exibição, a jornalista Silvana Marpoara,
coordenadora do projeto, fará uma breve explanação sobre a proposta do filme.
Para saber mais acesse o blog http://projetorecifedigital.blogspot.com
Siga o Kinemail no Twitter

> Além das críticas e programação local completa aqui no Kinemail, agora você
também pode acompanhar as dicas de cinema, DVD, filmes na TV etc
que o Kinemail posta quase todo dia no Twitter. Follow www.twitter.com/kinemail