

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 481
Noite, Tempo, Woodstock e Crime
> Semana que passou foi tomada pelo sucesso fenomenal de Chico Xavier,
que bateu recorde nacional de bilheteria para fim de semana de estreia
e segue lotando sessões diariamente em 350 salas de todo o Brasil.
E nessa sexta temos uma programação bem bacana, com vários bons
filmes novos, como a comédia Uma Noite Fora de Série nos multiplexes
e Aconteceu em Woodstock no Cine Rosa e Silva. O Cinema da Fundaj
relança (atenção: em apenas 3 sessões) o melhor filme do ano, até agora,
na opinião do Kinemail: O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman.
Boas pré-estreias para a comédia alemã Soul Kitchen, na Fundaj,
e
A Vída Intima de Pippa Lee nos multiplexes Plaza e Tacaruna.
Temos ainda uma última sessão para O Processo de Joana D'Arc
de Robert Bresson, neste sábado na Fundaj, após sessão do
Cineclube
Dissenso, que exibe Skin e Baise-Moi, curta e longa porno cult.
Mais estreias da semana são Caso 39 e Dupla Implacável nos multiplexes.
Ainda em cartaz, vale ver o policial Atraídos Pelo Crime, com Richard Gere.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Intervenção Divina AQUI
LEITOR VIP Ganhe convites e brindes de Uma Noite Fora de Série,
A Mente que Mente e pré-estreia de Alice no País das Maravilhas AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979
UMA NOITE FORA DE SÉRIE ![]()
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Date Night EUA 2010 1h30min RT 7,0
de Shawn Levy com Steve Carell, Tina Fey, Mark Wahlberg, Taraji P. Henson
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Comédia une dois ótimos comediantes, Steve Carell (O Virgem de 40 Anos,
The Office)
e Tina Fey (30 Rock), ela saindo-se muito bem na sua estreia como
protagonista no cinema. Vindo do diretor dos irritantes e infantilóides Uma Noite no Museu,
Doze é Demais e Recém-Casados, Shawn Levy, Uma Noite Fora de Série é
surpreendentemente bem conduzido como comédia aloprada mas não histérica
nem abilolada, visando um público mais adulto ao contar, sem grandes novidades,
a situação em que um casamento entediado é salvo quando o casal envolve-se
numa tremenda confusão noite adentro, por uma clássica troca de identidades.
O diferencial talvez esteja mesmo na feliz reunião de
Steve Carell e Tina Fey,
engraçadíssimos e com mais química de casal do que muita dupla de comédia
romântica por aí.
Lançado hoje também nos EUA, o filme tem tudo para fazer
muito sucesso nas bilheterias ianques, onde a dupla de atores é muito popular.
Steve e Tina vivem o casal Phil e Claire Foster, típico da classe média suburbana
de New Jersey. Diante da separação de casais amigos e reconhecimento que
a vida sexual deles anda meio mofada, decidem sair para uma noite romântica
começando num concorrido restaurante de Nova York, onde, para conseguir
uma mesa, decidem se passar pelo casal Tripplehorn, que não compareceu
para uma mesa reservada. Os Foster são confundidos com os Tripplehorn
e a confusão qeu se segue
remete ao pai de todos os filmes do gênero,
Intriga Internacional de Alfred Hitchcock, tanto quanto à divertida comédia
Sessão da Tarde Uma Noite de Aventuras.
Impressiona a quantidade de atores
como convidados em pequenos papéis (Mark Ruffalo, James Franco, Ray Liotta,
William Fichtner, Mark Wahlberg, Mila Kunis,
esses são os que eu lembro),
certamente atraídos pelo roteiro e diálogos acima da média. Ainda, como era
de se esperar, temos a inevitável perseguição de carros, e a de Uma Noite
Fora de Série é memorável, bastante original e realmente engraçada.
A reparar ainda o bom trabalho de câmera e cenografia, captando as ruas
e lugares de uma Nova York
noturna em largo CinemaScope com naturalidade
e leveza, em filmagem digital. Uma Noite Fora de Série pode não ter nada
de muito novo, mas garante uma rara boa sessão de comédia romântica.
Visto em 05/04 como convidado da UCI Cinemas | Fox Filmes
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
ACONTECEU EM WOODSTOCK ![]()
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Taking Woodstock EUA 2009 2h00min RT 4,8
de Ang Lee com Demetri Martin, Imelda Staunton, Leiv Schreiber, Paul Dano, Emile Hirsch
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Esse texto é de quando vi o filme na Mostra SP, postado em 26 de outubro
passado no http://www.kinemail.blogspot.com/ Acrescentei algumas observações para
melhor recomendar esse ótimo lançamento da programação do Cine Rosa e Silva,
trazendo para o Recife vários filmes que não cabem na grade massificada dos
multiplexes. Prestigie, vá ao Cine Rosa e Silva, assim você está formando uma
plateia
que garantirá a chegada de mais filmes de qualidade para Recife, neste
cinema que tem exibido alguns dos melhores (e pouco vistos) filmes da temporada,
mesmo com público pequeno, mantendo os filmes em cartaz para serem descobertos
pelo espectador,
como foi o caso do excelente O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman.
Depois de dois excelentes melodramas aclamados mundialmente, O Segredo
de
Brokeback Mountain e Desejo e Perigo (exibido exclusivamente no Cine Rosa e Silva),
Ang Lee retorna com um filme menos ambicioso, também um drama, mas em tom
de comédia leve e até com parentesco com sitcom televisiva. Não que isso seja
um defeito, Aconteceu em Woodstock tem os bons elementos que cativam
em telesséries, mas é cinema para ver na tela grande, muito por conta do admirável
trabalho de um dos maiores diretores de fotografia atuais, Eric Gautier (Ervas Daninhas,
Horas de Verão, Um Conto de Natal e Diários de Motocicleta). Com muitos pequenos
personagens engraçados e clichés dos anos 60, como o garoto que volta chapado
do Vietnã (Emile Hirsch), um travesti ex-militar (Liev Schreiber, bizarro de vestido
e peruca loira), um casal viajadão em Kombi com LSD (Kelli Garner e Paul Dano),
o lendário produtor cultural Michale Lang (Jonathan Groff, claramente homenageando
o Treat Williams do Hair de Milos Forman), o filme se concentra na 'viagem' pessoal
de um rapaz judeu, Elliot Teichberg (Demetri Martin), explorando sua sexualidade
enquanto participa a distância dos três dias do Festival de Woodstock, soltando-se
das amarras familiares, especialmente da mãe judia tradicional (a inglesa Imelda
Staunton, caricata mas divertidíssima), proprietária do hotelzinho fuleiro que vira
de cabeça pra baixo com a chegada da multidão de hippies, grupos de teatro de
vanguarda e maconheiros, muitos maconheiros,
que estiveram em Woodstock.
Ang Lee acerta no registro do evento, sempre com uma distância visual e emocional
adequada e sem temer cenas de nudez flower power e consumo de drogas (algo
que o caretíssimo Across the Universe evitou radicalmente) e o filme, estranhamente,
vai perdendo o tom de comédia e se fecha anunciando o desencanto e o fim da inocência
da geração Woodstock, com o próximo grande show dos Rolling Stones em Altmont,
onde ocorreu um crime brutal na plateia, com um rapaz assassinado pelos seguranças
do Hell's Angels. Os jovens nunca mais seriam os mesmos. Elliot Teichberg também.
Visto em 26/10/2009 como convidado da Mostra SP 2009
Revisto em 10/04 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

O QUE RESTA DO TEMPO ![]()
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Le Temps Qu'il Reste/The Time That Remains Palestina/França 2009 1h50min
de Elia Suleiman com Elia Suleiman, Saleh Bakri, Samar Tanus
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Depois de quase implorar aqui para que o leitor fosse ver esse
filme maravilhoso no Cine Rosa e Silva, onde ficou em cartaz por duas
semanas (acho que meu apelo foi ignorado...), eis que o Cinema da Fundação
tem a honra de trazer o filme de volta ao Recife, agora em exibição digital,
em apenas três preciosas sessões. Fica o meu apelo mais uma vez: NÃO PERCA!
Após o inclassificável e ótimo Intervenção Divina (2002), um dos melhores
filmes que quase ninguém viu nessa década (disponível em DVD), o diretor
palestino Elia Suleiman (espécie de Buster Keaton contemporâneo) volta
mais incisivo ao retratar a questão política e geográfica Palestina/Israel
e emociona profundamente pelo lado humano, ao contar memórias da sua relação
com a família, especialmente com a mãe, nesse filme que, iniciando com
o protagonista nos dias de hoje, pegando um táxi para visitar a mãe, enfrenta
uma tempestade no caminho e, na espera com o motorista, abre uma janela
para contar a história da sua família a partir de 1948, com a criação
do Estado de Israel, onde depois do primeiro embate bélico entre os dois
povos, os palestinos saíram perdendo e muitos deles passaram a viver
confinados sob eterna vigilância israelense em Nazaré, cidade natal do diretor.
Em saltos temporais, das décadas seguintes até os dias de hoje, Suleiman
mostra, em tom de farsa e alegoria, com um humor ferino e fortemente visual,
como nada muda, restando a nós, humanos (palestinos, no caso), continuar
a viver pelo tempo que resta. Com forte herança do cinema crítico visual
do francês Jacques Tati, Elia Suleiman faz um cinema que não se parece
com nada hoje em dia. Construído como uma coleção de vinhetas, com negação
do formal plano/contraplano clássico americano, faz uso incomum de planos
frontais e enquadramentos com forte definição e significação do espaço,
chegando a lembrar história em quadrinhos. Se há uma certa dificuldade,
inclusive para esse que escreve, em captar as sutilezas do humor referencial
à cultura daquele povo, ainda assim predomina em O Que Resta do Tempo
o tema universal do opressor e do oprimido, alcançando momentos de anarquia
visual e ironia poderosos. Mas não estaríamos diante de um grande filme
se Suleiman não fizesse deste seu mais belo trabalho uma delicada homenagem
ao seu pai, sua mãe, sua família, longe de qualquer sentimentalismo barato
ou clichê. E assim, emociona. O uso de ícones da cultura ocidental de massa
(na trilha sonora, por exemplo, temos uma versão eletrônica de Staying Alive,
dos Bee Gees, um karaokê caseiro com My Heart Will Go On, tema de Titanic,
e uma exibição em 'cine-escola' para Spartacus, de Stanley Kubrick),
configuram um filme que tem uma levada pop e, ao falar de uma sociedade
em tensão política e guerra, vai mais além, com poesia e dramaticidade
pungentes, nas cenas finais do protagonista adulto com a sua mãe.
Magnífico.
Visto em 28/10/2009 como convidado da Mostra SP 2009
Revisto em 20/03 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
CASO 39 ![]()
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Case 39 EUA 2009 1h35min RT 2,2
de Christian Alvart com Renée Zellweger, Jordelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper
por Filipe Marcena
OPINIÃO Hollywood persiste em investir nas falhas de nossa memória e mais uma vez
produz um filme de suspense completamente derivativo e previsível. Antes de assistir
a Caso 39, lembre-se que você já viu O Chamado, O Exorcista, Água Negra e A Órfã.
Emily Jenkins (Renée Zellweger, farei mais comentários sobre ela) é uma dedicada
assistente social que ajuda crianças e famílias problemáticas. Num dia particularmente
atarefado, ela recebe seu 39º caso do dia, a menina Lillith Sullivan (Jodelle Ferland).
Ela apresenta um comportamento estranho e seus pais são duas pessoas bastante
suspeitas. Quando o casal falha em matar a criança e é internado, Emily acaba adotando
Lillith. Mas como em todo filme desse tipo, coisas estranhas começam a acontecer
e Emily desconfia que sua nova e querida filha tenha culpa no cartório.
Se existe alguém que não merece ser vilipendiado nas críticas de Caso 39, esse alguém
é Jodelle Ferland, a macabra garotinha de Terror em Silent Hill. Ela tem um rosto perfeito
para esse tipo de papel, sabe parecer mais esperta do que sua idade indica e faz de Lillith,
se não assustadora, uma figura esquisita. E é isso o que Caso 39 tem a oferecer, já que não
traz nada de novo para esse gênero tão gasto, nem consegue escapar dos clichês ou mesmo
utilizá-los de forma inovadora. O filme tem claras inspirações em filmes orientais de menininhas
cabeludas, mas precisava comer muito feijão com arroz pra chegar à média deles. Christian
Alvart, diretor do absolutamente inassistível Pandorum, exibido recentemente nas salas
brasileiras, mal consegue conter os erros de continuidade, e a montagem tosca pouco faz
pelo fator suspense. Tirando uma ou duas cenas ligeiramente tensas, o filme é um saco.
Agora alguém me responda: o que aconteceu com o rosto de Renée Zellweger?
Não consegui me conter em reparar a cara distorcida da atriz. Ela faz o que pode como
Emily (bem menos que Naomi Watts fez com Rachel Keller ou Jennifer Connelly com Dahlia
Williams), mas tem algo em sua face que deixa a interpretação incompleta. Provavelmente
o excesso de botox estragou seu instrumento de trabalho, deixando seus lábios tortos
e sua expressão como se ela tivesse o sol bem na sua frente. Dá saudade da Renée
de A Enfermeira Betty e do primeiro filme da Bridget Jones. Pelo menos em Caso 39 ela
não está se levando a sério e tentando ganhar mais um Oscar, como geralmente o faz.
Visto em 08/04
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
DUPLA IMPLACÁVEL
From Paris With Love EUA 2010 1h33min RT 3,5
de Pierre Morel com John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kasia Smutniak
> Sinopse: Um jovem agente (Jonathan Rhys Meyers) da Embaixada
Americana na França alia-se a um experiente espião (John Travolta)
em uma perigosa missão
para impedir um ataque terrorista em Paris.
Título nacional faz referência ao Busca Implacável (Taken), grande
sucesso anterior de Pierre Morel, protagonizado por Liam Neeson.
ATRAÍDOS PELO CRIME ![]()
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Brooklyn's Finest EUA 2010 2h13min RT 4,1
de Antoine Fuqua com Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke, Wasley Snipes
> Publicamos aqui a crítica de João Solimeo, cinéfilo, crítico, professor, cineasta
paulista que sempre participa aqui do Kinemail e escreve no blog http://cameraescurablog.blogspot.com/
Concordamos com seu comentário para esse filme que merece ser visto:
por João Solimeo
OPINIÃO Não há nada de novo no filme policial Atraídos Pelo Crime. O que o impede
de ser dispensável, no entanto, é um bom elenco sob a direção segura de Antoine Fuqua.
O filme conta a história de três policiais, em situações que você já viu antes: Eddie
(Richard Gere) é um policial que está a uma semana da aposentadoria. Ele é alcoólatra
e mal visto pelos colegas de farda. Sal (Ethan Hawke) é casado, tem vários filhos
e a esposa está grávida de gêmeos. Para complicar, ela é asmática e sofre com
o mofo nas paredes da casa velha onde vivem. Sal não é exatamente um tira corrupto,
mas vem roubando dinheiro apreendido em batidas policiais para comprar uma casa
nova para a família. Tango (Don Cheadle) é um policial infiltrado na comunidade negra
e amigo do chefão local, Caz (Wesley Snipes), que acabou de sair da prisão. O sonho de Tango
é deixar o trabalho infiltrado e ter um trabalho policial 'normal', atrás de uma mesa de escritório.
Todas essas histórias são clichês do gênero policial, assim como a estratégia do roteiro
de mantê-las em linhas separadas de ação, entrecortadas pela montagem. Mas, como disse,
a direção e interpretação mantêm a experiência interessante. Don Cheadle, particularmente,
está muito bem como o policial infiltrado que, como costuma acontecer nestas situações,
não sabe mais direito a quem deve lealdade. Todas as suas cenas com Wesley Snipes são
muito bem conduzidas, em diálogos rápidos e bem interpretados. Ethan Hawke é um ótimo
ator, apesar de estar se repetindo. Ele já interpretou o mesmo tipo, até com o mesmo
penteado e barba, em vários outros filmes, como Antes que o Diabo Saiba que Você Está
Morto, ou Dia de Treinamento, do mesmo Antoine Fuqua. Richard Gere faz o que pode
com o velho clichê do policial que está para se aposentar. As três histórias (ou quatro,
contando Wesley Snipes) se cruzam em alguns momentos, mas vão em um crescendo
até um ótimo (e muito violento) final, que vale o filme.
Visto por Fernando Vasconcelos e Filipe Marcena
em 07/04 como convidados do multiplex Boa Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br ou jsolimeo@ig.com.br
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Cineclube Pornô
BAISE-MOI
Baise-moi França 2000 1h17min RT 2,1
de Virginie Despentes e Coralie com Karen Lancaume, Raffaela Anderson, Cecile Beugnot
CINECLUBE DISSENSO | CINEMA DA FUNDAJ | ENTRADA FRANCA | 18 ANOS
> Neste sábado 10/04, o Cineclube Dissenso, exibirá BAISE-MOI (2000, França),
de Virginie Despentes e Coralie. Baseado na novela homônima de Despentes,
O filme
é um thriller erótico sobre revolta e vingança. Duas jovens mulheres
iniciam uma saga destrutiva de sexo e violência, rompendo com as normas
de uma sociedade dominada por homens e com o bom gosto do 'bom espectador'
de cinema. Antes do longa-metragem, será exibido o curta SKIN (2009, Suécia),
de Elin Magnuson, expoente do chamado cinema pornô sueco feminista.
A sessão é gratuita mas proibida para menores de 18 anos. Segue debate.
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Inscrições para o XX Cine Ceará
Até 30 de abril acontecem as inscrições para a Mostra Competitiva
Ibero-Americana de Longa-Metragem e para a Competitiva Brasileira
de Curta-Metragem do XX Cine Ceará, um dos principais festivais
de cinema do Brasil, que acontece de 24 de junho a 01 de julho de 2010
Regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis no site www.cineceara.com.br
Para Curta-Metragem podem concorrer trabalhos de produtores e/ou diretores
brasileiros ou radicados no Brasil há mais de três anos. Os filmes devem ter
duração máxima de 20 minutos e em qualquer formato (16 mm, 35mm ou vídeo com
no mínimo 700 linhas de resolução), nos gêneros animação, ficção, documentário
ou experimental. Os trabalhos enviados devem ter sido concluídos a partir
de junho de 2008 e não terem participado de processos seletivos nas edições
anteriores deste Festival. Premiações serão nas categorias: melhor curta,
direção, fotografia, edição, roteiro, som, direção de arte, ator e atriz.
Top Ten Kinemail 2010
> Primeiro trimestre do ano foi tão animador nos cinemas, que até já configuramos
um respeitável Top Ten Kinemail 2010. O Cine Rosa e Silva destaca-se com 3 filmes,
o Cinema da Fundação emplaca 2 filmes nas primeiras posições e os 5 restantes
foram exibidos nos multiplexes. A nossa seleção ainda leva em conta que, embora
apareça no nosso Top Ten 2009, o excelente Deixa Ela Entrar só foi exibido aqui
no Recife em janeiro desse ano, no Cinema da Fundação, que ainda exibiu maravilhas
como O Processo de Joana D'Arc (1962) de Robert Bresson (com uma última sessão
a ser exibida neste sábado, confira a programação acima) e, em parceria com
o Cineclube Dissenso, filmes essenciais como A Inglesa e o Duque (2001)
de Eric Rohmer, que nos deixou este ano, e Cabaret (1972) de Bob Fosse.
Fora esses dez títulos selecionados, segue mais abaixo um bom número de filmes
de qualidade exibidos nesse primeiro trimestre. Uau! Não dá pra reclamar :)


01. O QUE RESTA DO TEMPO de Elia Suleiman
02. A FITA BRANCA de Michael Haneke
03. POLÍCIA, ADJETIVO de Corneliu Poromboiu
04. VÍCIO FRENÉTICO de Werner Herzog
05. GUERRA AO TERROR de Kathryn Bigelow
06. NÃO MINHA FILHA, VOCÊ NÃO IRÁ DANÇAR de Christophe Honoré
07. ILHA DO MEDO de Martin Scorsese
08. PRECIOSA de Lee Daniels
09. ZUMBILÂNDIA de Ruben Fleischer
10. O MENSAGEIRO de Oren Moverman
Mais 20 fitas legais que estrearam no Brasil esse ano, até agora:
Gigante, O Homem que Engarrafava Nuvens, Cheri, Amor Sem Escalas, À Procura de Eric,
Ervas Daninhas, Um Lugar ao Sol, Onde Vivem os Monstros, O Fantástico Sr. Fox,
O Desinformante!, A Caixa, Aconteceu em Woodstock, Soul Kitchen, Atraídos Pelo Crime,
A Vida Íntima de Pippa Lee, A Mente que Mente e Uma Noite Fora de Série.
Fora alguns filmes já lançados no Brasil, mas ainda inéditos no Recife, como Educação,
Um Homem Sério e Coração Louco, estreando em breve (?) por aqui.
Os Piores Filmes de 2010
> Estes são os piores filmes que vimos esse ano, até agora:
Um Sonho Possível, Contatos do 4º Grau, Pandorum,
Nine, O Lobisomem, Um Olhar do Paraíso, Chico Xavier,
Quanto Dura o Amor? e Caso 39.
Felizmente, não nos demos ao trabalho de conferir estes, sérios candidatos em muitas
listinhas de piores filmes do ano: Lula - O Filho do Brasil, Alvin e os Esquilos 2,
Premonição 4, High School Musical - O Desafio, Idas e Vindas do Amor,
O Amor Acontece, Lembranças e O Fada do Dente. Ah, Avatar é do ano passado eh eh
Fernando Vasconcelos | 09.04.2010
Os filmes da semana
Chico Xavier: Acho que Daniel Filho teria mais sucesso como diretor de comédias
televisivas (opa, Se Eu Fosse Você já está aí...), já que o drama que deveria ser a vida
de Chico Xavier se tornou um filme levíssimo, quase sem conflitos e involuntariamente hilário.
Quase todo mundo na sala lotada do Boa Vista ria descontroladamente das situações
que beiravam o pastelão. O elenco bem que tentou, mas não conseguiram salvar o filme. ![]()
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Atraídos pelo Crime: Mais um filme-policial-americano de Antoine Fuqua. No trailer parecia
Dia de Treinamento 2, mas é diferente de seu outro trabalho. Mesmo tratando os personagens
como pessoas com três dimensões e dando alguma veracidade às histórias, o filme de Fuqua
(que espécie de nome é esse?) não sai do campo esquemático a que esse gênero se prendeu. ![]()
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Soul Kitchen: Comédia muito gostosa de Fatih Akin, o mesmo que já fez filmes bem duros
como Contra a Parede e Do Outro Lado. O filme tem tudo em notas acertadas, desde uma
escolha muito feliz de elenco, até as locações, fotografia, trilha sonora, etc. Talvez seu único
problema seja um roteiro um tanto forçado que empurra as mais improváveis situações para
o espectador, que compra tudo no meio de tantas gargalhadas. O filme é tão bom que
na sessão em que vi na Fundaj todo mundo ficou pra ver créditos em alemão até o final. ![]()
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Direito de Amar: O filme do estilista Tom Ford só poderia ter sido feito por um... estilista.
Todo mundo é lindo, bem maquiado, veste roupas elegantes e tem uma educação britânica.
Além das atuações de Colin Firth e Julianne Moore, não muita coisa pode ser salva no filme.
A trilha sonora berra em todas as cenas, a fotografia tem afetações demais, e todo o resto
do elenco não passa de suporte para o protagonista. Decepcionante. ![]()
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Como Treinar o Seu Dragão: Talvez minha única surpresa da semana. A animação dos criadores
de Lilo e Stitch é uma das mais divertidas e talvez a melhor já feita pela Dreamworks. O filme
não sai do caminho de ensinamentos e lições de moral tão comuns neste nicho do cinema
americano, mas o final é um sopro (mais uma ventania) de originalidade no gênero. ![]()
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Ilha do Medo: Devo ter sido o único a não achar muita graça nesse Scorcese.
O filme é ótimo, bem atuado e dirigido, mas tem uma aparência tão forte
de homenagem e exercício de estilo que até perde a graça como produto exclusivo.
Mesmo sendo meio óbvio, Scorcese mantêm o ritmo e a tensão até o fim. ![]()
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Felipe André | f_andre2@hotmail.com
Polícia, adjetivo
Gostei de Polícia, Adjetivo. Filmado com seqüências longas de câmeras estáticas,
ele ironiza ao mesmo tempo que representa bem o que é uma operação policial daquele
tipo, com toda sua burocracia, morosidade e falta de objetivismo. O filme vai se aprofundando
à medida que se aproxima do fim, chegando a uma discussão quanto à definição das coisas
(como a lei, a polícia, a moral, etc.), em outra palavras, questionamentos sobre o relativismo
e as opiniões pessoais. Brasileiros certamente reconhecerão as agências públicas caindo
aos pedaços e os funcionários sobrecarregados e cheios de má vontade.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br
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