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ANO DEZ Edição 482

Coração, Kitchen, Katyn, Pippa Lee e Gerry

> Semana com poucas novidades no circuitão, mas muitas opções no circuito
dito 'alternativo'. O bom melodrama Coração Louco, vencedor de 2 Oscar,
incluindo melhor ator para Jeff Bridges e a comédia romântica Caçador
de Recompensas
são as estreias do circuitão. O Cinema da Fundação
lança a deliciosa comédia Soul Kitchen e oferece um cardápio saboroso
de sessões únicas e imperdíveis: Katyn de Andrzej Wajda, indicado
ao Oscar de melhor filme estrangeiro; uma última chance para
você conferir O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman e o raríssimo
Gerry, filme de Gus Van Sant com Matt Damon e Casey Affleck,
na sessão gratuita do Cineclube Dissenso, neste sábado às 14h.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br

A Vída Intima de Pippa Lee, tragicomédia dirigida por Rebecca Miller
com grande elenco, está nas sessões extras dos multiplexes Boa Vista,
Plaza e Recife. Atrizes, da italiana Valeria Bruni Tedeschi, tem pré-estreia
no multiplex Tacaruna. Kinemail recomenda Aconteceu em Woodstock
de Ang Lee, ainda em exibição no Cine Rosa e Silva. Nesta edição, muitas
cartas dos leitores e um especial com as melhores revistas de abril.

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Garota Fantástica em DVD AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites Soul Kitchen e Caçador de Recompensas AQUI








UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979



CORAÇÃO LOUCO
Crazy Heart EUA 2009 1h52min RT 9,2
de Scott Cooper com Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, Robert Duvall, Colin Farrell

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO O cinema americano tem essa coisa mítica dos grandes atores
e atrizes que nasceram para encantar a audiência com beleza, charme e talento,
que chegam a nos fazer confundir personagem e ator, nos melhores casos.
Jeff Bridges. Existe astro americano mais cool que Jeff Bridges???
Grande ator que já merecia um Oscar pelo The Dude de O Grande Lebowski
(1998) dos irmãos Coen, Jeff Bridges está de volta, agora com uma
muito justa estatueta do Oscar na prateleira, nesse Coração Louco,
um bom melodrama de diretor e roteirista estreante, Scott Cooper,
mas que passaria despercebido se não fosse estrelado por Jeff Bridges,
que vive o personagem Bad Blake, músico country alcoólatra e solitário,
com aquela grandeza cinematográfica que falei nas primeiras linhas.

No filme, acompanhamos um processo convincente de ajustes com o passado,
Um romance nem tão convincente com uma jovem jornalista (Maggie Gyllenhaal,
sempre uma presença, linda e adorável) e uma redenção moralista quanto a relação
de Bad Blake com a garrafa, entre números musicais tão cafonas quanto
verdadeiros da música country tradicional do oeste americano. Conduzido
com elegância, com imagens largas em CinemaScope, o filme corre sem pressa
na tela, tem a boa participação de Collin Farrell, como o jovem cantor
country protegido e cria de Bad Blake, a luxuosa ponta de Robert Duvall,
co-produtor do filme que vive o único amigo de verdade de Bad Blake,
que afunda-se no álcool, depois de 4 casamentos e um filho que ele
não vê há 20 anos (mas que não será apelo lacrimoso redentor, graças
à mão leve do roteiro) e outra tentativa de redenção no relacionamento
com a jornalista bem mais jovem e mãe solteira de um garotinho de 4 anos.

Nas observações mais interessantes, Coração Louco fala da arte que
nasce do sofrimento e, uau!, Jeff Bridges é o grande trunfo do filme,
trazendo tridimensão (sem óculos 3-D) e verdade para um personagem
que, na pele de outro ator, talvez não rendesse mais que um drama esquecível,
televisivo. Ao final, Coração Louco é bom entretenimento que não tem surpresas
mas deixa você mais que satisfeito por ter ficado quase duas horas conhecendo
Bad Blake, na pele desse monstro de ator que é Jeff Bridges.
Visto em 15/04 como convidado do Cine Rosa e Silva | Fox Filmes
Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


SOUL KITCHEN
Soul Kitchen Alemanha 2009 1h39min
de Fatih Akin com Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Pheline Rougan, Birol Unel

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Depois de circular nos circuitos de festivais com os 'densos', 'sérios'
e 'pesados' Head On - Contra a Parede (muito bom) e Do Outro Lado (nem tanto),
o jovem diretor alemão de ascendência turca Fatih Akin provoca surpresa com
uma 'comédia gastronômica', rótulo que identifica comédias bobinhas e edificantes
destinadas a um público médio feminino careta, como Chocolate, Simplesmente
Marta
, Como Água Para Chocolate, Sem Reservas e tantos outros títulos do gênero.
Mas, graças a muita energia, levada rock'n'roll na trilha sonora e um gosto
para simpatizar com o caldeirão cultural de imigrantes pobres na Alemanha,
Soul Kitchen radicaliza na comédia, não tem medo de ser pastelão ingênuo
e cativa pelo elenco sensacional, do protagonista ao mais rápido coadjuvante.
Longe de ser um 'filme de arte', é uma comédia acessível, sem grandes ousadias
no roteiro e que provavelmente será refilmada em Hollywood em breve. Prefira o original.

O protagonista é o grego Zinos (Adam Bousdoukos), dono do restaurante Soul Kitchen,
que não vai muito bem das finanças. Sua bela namorada o troca por um emprego
em Shanghai e Zinos entra em crise (incluindo uma lesão na coluna) e decide vender
o estabelecimento. Logo, da forma mais improvável, típica de comédias, mudanças
repentinas começam a acontecer: chega um novo chef de cozinha, um DJ e uma
banda de rock agitam o espaço, que torna-se o lugar da hora para a juventude
alternativa da região e começa a dar dinheiro, muito dinheiro. Belas garçonetes,
parentes trambiqueiros, lindas fisioterapeutas e uns russos malucos são alguns
dos personagens que entram na história para cativar e, mais que tudo, provocar
boas gargalhadas. E a trilha sonora, ao certo, fará você querer comprar o CD.

Prêmio Especial do Júri e Prêmio Jovem Cinema em Veneza 2009, Soul Kitchen
fica num ótimo meio termo entre a comédia comercial, planejada para agradar
a muitos, e um toque de cinema pessoal mais anárquico. Nas comédias gastronômicas
do seu Telecine, temperos afrodisíacos levam ao encontro sensual e descoberta do amor.
Em Soul Kitchen, temperos afrodisíacos provocam é uma orgia federal no restaurante!
Esses pequenos detalhes é que fazem a diferença. Ah, programe-se para jantar
depois da sessão, porque Soul Kitchen dá uma fome danada...
Visto em 03/04 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


A VIDA ÍNTIMA DE PIPPA LEE
The Privates Lives of Pippa Lee EUA 2009 1h35min
de Rebecca Miller com Robin Wright Penn, Alan Arkin, Keanu Reeves,
Blake Lively, Maria Bello, Winona Ryder, Julianne Moore, Monica Bellucci

por Filipe Marcena

OPINIÃO A Vida Íntima de Pippa Lee é o quarto longa-metragem da diretora
americana Rebecca Miller (O Mundo de Jack & Rose, O Tempo de Cada Um), baseado
no romance homônimo da própria. Ela deve ser bastante respeitada em Hollywood,
já que atraiu um elenco impressioannte para uma produção de pequeno porte.
Como Robin Wright Penn, excelente como a protagonista Pippa Lee. O filme é uma
coleção de memórias dessa mulher de 50 anos, casada com um homem bem mais
velho, Herb (Alan Arkin, sempre ótimo), com dois filhos problemáticos, um vizinho
por quem tem interesse (Keanu Reeves) e um passado incrivelmente turbulento. Quando
criança, viveu um relacionamento perigoso com sua mãe Suky (Maria Bello), atordoada
dona de casa dos anos 50 viciada em remédios psicotrópicos. Pippa acaba se tornando
uma versão mais tranquila e menos medicada de sua mãe e, enquanto acompanhamos
o desenrolar de sua vida no presente, conhecemos sua história através de flashbacks.

Pippa Lee é uma mulher madura que guarda dentro de si uma jovem e rebelde ovelha negra
pedindo para respirar, e que tenta se desvencilhar de seus traumas e neuroses para poder
viver plenamente. E não só as suas neuroses, mas a de todos ao seu redor. E haja neurose,
pois não há uma criatura nesse filme que chegue perto do normal. Julianne Moore, Monica
Bellucci e Winona Ryder fazem mulheres estranhas e que beiram a insanidade, trabalhando
no escorregadio terreno da tragicomédia, assim como Bello. A Vida Íntima de Pippa Lee
nem sempre é bem sucedido na busca por esse tom, talvez pelo caráter fragmentado
do roteiro, mas através dos detalhes e da necessária contribuição de Wright Penn possui
um sólido poder emocional. Além disso, a imprevisibilidade do que acontecerá na próxima
cena torna o filme mais divertido e excitante do que se esperaria. Do grande elenco
de atores experientes, também vale prestar atenção na linda Blake Lively (de Quatro
Amigas e Um Jeans Viajante
), que interpreta com vivacidade Pippa na juventude.
Visto em 05/04 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


CAÇADOR DE RECOMPENSAS
Bounty Hunter EUA 2010 1h50min RT 0,8
de Andy Tennant com Jennifer Aniston, Gerard Butler, Giovanni Perez

> Sinopse:
Milo Boyd (Gerard Butler) é um ex-policial que se tornou
caçador de recompensas. Sua missão era prender a repórter Nicole Hurly
(Jennifer Aniston) e tinha tudo para ser uma tarefa das mais fáceis.
Afinal, ela é sua ex-esposa. Mas o problema é que tinha mais gente interessada
nela, por conta de uma reportagem sobre um possível assassinato e então os dois
entram na mira de criminosos. Se antes não conseguiram ficar unidos no casamento,
agora precisam juntar forças para sobreviver a esta grande confusão.

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Sessões únicas


GERRY
Gerry EUA 2003 1h43min RT 6,0
de Gus Van Sant com Matt Damon, Casey Affleck
CINECLUBE DISSENSO | CINEMA DA FUNDAJ | sábado 17, 14h ENTRADA FRANCA
+ curta Lo Sguardo di Michelangelo (Itália, 2004) de Michelangelo Antonioni

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Neste sábado 17/04, o abençoado Cineclube Dissenso exibe
Gerry, filme inédito de Gus Van Sant que pode ser considerado como
filme gêmeo de Elefante, o melhor filme de 2004 no Top Ten Kinemail.
Elefante, que ganhou visibilidade e status de filme cult ao vencer a Palma
de Ouro no Festival de Cannes, não foi sucesso de bilheteria nos EUA,
onde Gerry, realizado um pouco antes, como projeto paralelo conceitual,
também foi um grande fracasso nos EUA, mesmo estrelado por Matt Damon
e Casey Affleck. Tanto Elefante como Gerry foram bem no circuito
comercial europeu e, aqui no Brasil, somente Elefante ganhou exibição
nos cinemas. Gerry foi um dos primeiros filmes a circular entre cinéfilos
como 'baixado da internet', em 2005/2006, bem antes da pirataria via web
estar banalizada como nos dias atuais. Muito bom que o Cineclube Dissenso
ofereça essa rara oportunidade de assistir Gerry no cinema, para melhor
apreciar a direção de fotografia de Harry Savides (o mesmo de Elefante).

Realizado em largo CinemaScope com imagens poderosas de desertos americanos,
o filme pede para ser visto muma tela grande. Se Elefante ainda tinha um mínimo
de apelo ao ser baseado na tragédia de Columbine (tema também do documentário
de Michael Moore Tiros em Columbine), Gerry impressiona por ser uma obra
minimalista radical, com ação praticamente inexistente, levando ao limite
a negação do cinema narrativo convencional numa experiência incomum de
narrativa existencialista, que remete, pelo menos, ao cinema de Michelangelo
Antonioni e Alain Resnais. No filme, temos dois amigos, ambos chamados Gerry,
que aventuram-se num passeio por um deserto e acabam perdendo-se, sem
achar o caminho de volta. Avesso a psicologismos fáceis, tanto Elefante quanto
Gerry não procuram explicar seus personagens e suas ações. Se alguns criticam
o cinema de Van Sant pela esteticismo virtuoso, seria o caso de pensar nestes
filmes como obras onde a forma é o conteúdo e o ritmo das imagens quase
hipnóticas faz com que o espectador passe por uma experiência marcante
e, dependendo da sua entrega sensorial ao proposto, inesquecível.

Em Elefante, Gerry é citado na cena em que os dois amigos Alex e Eric, antes de saírem
para cometer a carnificina na escola, estão em casa jogando videogame. O jogo tem
dois personagens num deserto, um deles com a mesma camiseta de um dos Gerry.
Gus Van Sant, que vinha praticando um cinema acomodado em Hollywood (com
o oscarizado Gênio Indomável, o mediano Encontrando Forrester e o inexplicável
remake quase quadro a quadro de Psicose de Alfred Hitchcock), é hoje um dos
autores mais pessoais e interessantes do cinema americano com filmes espetaculares
como Elefante, Últimos Dias e Paranoid Park. Gerry, de 2003, foi o pontapé inicial
nessa mudança de rumo e, se não é o melhor, é o mais radical e impressionante deles.
Visto baixado da internet em 2006
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


KATYN
Katyn Polônia 2007 2h01min RT 9,1
de Andrzej Wajda com Maja Ostaszewska, Artur Zmijewski, Andrzej Chyra

> Sinopse: Na Segunda Guerra Mundial, cerca de 20 mil homens que representavam
a nata da sociedade polonesa (intelectuais, técnicos, acadêmicos, artistas e militares
foram exterminados metodicamente em abril de 1940 pelos soviéticos. O episódio
é uma das maiores cicatrizes na já trágica história da Polônia: o Massacre da Floresta
de Katyn, uma das maiores atrocidades da Segunda Guerra Mundial, cometida pela
polícia secreta de Stalin. O líder soviético queria degolar a Polônia de qualquer
pensamento relacionado à resistência. O célebre cineasta Andrzej Wajda (Kanal,
Geração
, Homem de Mármore), o maior cronista da história polonesa através
do cinema, fez de Katyn um projeto pessoal, pois seu pai foi vítima do massacre.
Ele examina não apenas os efeitos da tragédia, como também a tentativa de os
soviéticos jogarem a culpa nos nazistas, que também ocupavam o país.
Katyn foi indicado ao Oscar 2008 de melhor filme estrangeiro.
Visto em 18/04 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


Distruktur no Recife

> Os cineastas Gustavo Jahn & Melissa Dullius apresentam no Cinema
da Fundação o programa de filmes Distruktur em Recife. Na sessão,
seis filmes da dupla, realizados entre 2002 e 2010. Gustavo Jahn & Melissa
Dullius trabalham atualmente em Recife, colaborando na produção Animal Político,
da Trincheira Filmes, um filme dirigido por Tião e produzido por Leonardo Lacca.
CINEMA DA FUNDAJ | Segunda 19, 19h30 ENTRADA FRANCA

Programa:
DON’T LOOK BACK 16mm 7min
2003 video 5min
TRIANGULUM 16mm 22min
POSTCARDS 16mm 7min
ÉTERNAU 16mm 21min
ABRIL Super8 15min


É Tudo Verdade

> Numa parceria com o festival É Tudo Verdade, que encerra nesse final
de semana sua 15ª edição, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco irá
exibir uma projeção do documentário vencedor do festival.
O resultado do título selecionado será divulgado neste sábado 17.
É Tudo Verdade é o principal evento dedicado exclusivamente ao documentário
na América do Sul. Criado em 1996 pelo crítico Amir Labaki, o festival tem
exibido anualmente cerca de uma centena de obras não-ficcionais brasileiras
e internacionais, entre lançamentos e clássicos, simultaneamente em SP e RJ.
Mais sobre o festival no site oficial www.etudoverdade.com.br
CINEMA DA FUNDAJ | Terça 20, 20h ENTRADA FRANCA

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O que resta da minha paciência...



Qualé, Fernando? 'Magnífico' para O Que Resta do Tempo???  
Vou simplificar bastante o que achei do filme : 'filme para intelectual burro'!
A primeira parte do filme, aonde ele conta a historia dos pais
e da infância até que vai bem como narrativa, mas quando o cara começa
com a 'sutileza' do estado de catatonismo em que uma pessoa normal tem
que viver sob a opressão de Israel, aí, me nego, não dá!
quando você houve uma piada duas vezes ela perde a graça , o cara conta
a piada dez vezes e todos temos que achar graça porque ele é oprimido.
Se torna repetitivo e burro, pra mim é igual a filme americano que explica tudo
direitinho para o espectador não se sentir incomodado. Reveja seus conceitos!
Otto Neuenschwander | ottomln@uol.com.br

Rapaz, não imaginas minha felicidade ao receber um feedback tão
inttensamente discordante! Vejo o filme - que também é sobre
a questão política/histórica das consequências da criação do Estado
de Israel em 1948 - mais pelo lado universal de sentimentos sobre
família, pai, mãe. E, nesse sentido, acho o filme tão pessoal quanto
generoso e comovente, narrado com um humor nonsense e visualmente
inteligente, mas não 'intelectual', culminando com cenas emocionantes.
Mas graças a Deus e Alá, cada pessoa vê um filme de um jeito.
Muito obrigado! Kinemail anda precisando de opiniões assim! :)

Quanto aos meus conceitos, mudam não. Assim como nada muda
entre os palestinos e israelenses. Sem a menor graça. Grande
é Elia Suleiman, que consegue transformar em humor (arte?)
essa realidade trágica, repetitiva e burra. O Que Resta do Tempo
é cinema maior, na cabeça do Top Ten Kinemail 2010.


Ilha do Medo



É um corpo estranho esse A Ilha do Medo na programação dos multiplexes.
Na sessão onde assisti ao filme, dez pessoas saíram antes da metade da história.
Três garotinhas - que ainda na fila já davam a entender que estavam atrás do
DiCaprio baby face - foram embora assim que acabaram seus pacotes de pipoca
que dariam para me alimentar por uns dois dias. O restante - casais - devia estar
procurando os sustos que o título nacional malandramente propunha.
Ou, ao menos, um filme policial nos moldes que Hollywood adora fazer:
muitos tiros, perseguições, um romance aqui e ali e o inevitável final feliz.

A montagem não-linear da história e as lembranças/visões/alucinações do durão
Teddy Daniels são mesmo de causar um certo estranhamento. Não sei se foi proposital,
mas elas acabam entregando quem seria o tal paciente 67, apesar de eu ter ficado
com uma pulga atrás da orelha depois da cena do penhasco. Apesar disso - de já sacar
o final da história -, Scorsese conduz o personagem e suas paranoias de uma forma
que não teve como sair daquela poltrona até ver os créditos subindo a tela.
E o melhor, sem ouvir ninguém exclamar: 'Ah, eu já sabia!'.
Anderson Lima | andersonbac@gmail.com

Rapaz, tive o prazer de assistir Ilha do Medo mais uma vez, agora no Cinema São Luiz,
que eu não tinha ido ainda depois da reabertura. Vale comentar aqui que, apesar dos
preços populares (bem menos da metade do valor cobrado nos multiplexes), a qualidade
técnica da sala está impecável: projeção perfeita, som potente, ar condicionado perfeito
e o prazer cinéfilo emocionante de ver aquele vitral acendendo antes das cortinas
vermelhas abrirem-se para o sagrado ritual de ver bom cinema, numa das salas mais
charmosas e belas do Brasil (segundo o viajado cineasta Kleber Mendonça Filho, do mundo!).
Assim como é uma sessão estranha para públicos bitolados de shoppings, o filme também
não funciona muito bem para o povão do centro da cidade... Foi muito engraçado
ouvir uma senhora falar (falar não, berrar) ao final da sessão:
- Ave, graças a Deus acabou! Eu já não tava era entendendo mais nada!


Segredo, Ilha, Tempo e Preciosa

Um Segredo em Família já é um dos filmes mais lindos do ano. Sensível,
ambientado nos anos 40, tendo a rotina de uma família judia com plano de fundo,
para contar a história de um garoto que descobre já na adolescência um grande
segredo que irá mudar o seu olhar perante os seus pais.
Em Ilha do Medo Scorcese está mais afiado do que nunca ao filmar esse suspense
psicológico em uma ilha aterrorizante. O clima lembra o incrível Cabo do Medo.
Gostei bastante das três primeiras partes de O Que Resta do Tempo.
A quarta e última, foi um teste de paciência, apesar de belas seqüências;
Preciosa em uma palavra: chocante. Atuações matadoras.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com

Ilha do Medo, Guerra ao Terror e Bastardos


Ilha do Medo é um exemplo claro de boa condução de um filme.
Isso se deve ao ótimo diretor que é Martin Scorsese. Contudo, é preciso
dizer que o filme é exatamente isso, um modelo de como se conduzir uma
história e a partir disso transformá-lo em algo interessante para se
ver, porque não existe nenhuma novidade na narrativa. Inclusive,
o filme é bastante previsível, principalmente depois do segundo
comprimido para dor de cabeça... Fora isso, Ilha do Medo é muito bom.
Uma boa trilha sonora (que cria um crescendo de suspense muito legal),
bons atores (DiCaprio está bem) e, claro, tudo muito bem filmado e editado.

Finalmente, eu vi Guerra ao Terror. Um bom filme de guerra, cru
e verossímil. Principalmente, naquela excelente cena no deserto
em que ocorre uma troca de tiros entre soldados e insurgentes.
Agora, melhor que Bastardos Inglórios não é de jeito nenhum!
Rodrigo Tenório | tenorio@hotlink.com.br

Coração Louco

'De onde vieram todas as músicas?', pergunta a repórter. 'Da vida, infelizmente',
responde o artista. O grande Jeff Bridges, vencedor do Oscar pelo papel, é Bad Blake,
um cantor de country das antigas, que já fez muito sucesso, teve quatro casamentos,
um filho que não vê há mais de vinte anos e que dirige uma velha perua de cidade
em cidade. Em Santa Fé, Novo México, ele conhece uma jovem repórter chamada Jean
(a doce Maggie Gyllenhaal), que faz uma entrevista com ele e acaba cedendo ao charme
do cantor. Jean é divorciada e mãe de um garoto de quatro anos chamado Buddy,
que é o centro de sua vida. Ela tem medo de se aproximar de Blake, muito mais
velho, alcoólatra e não confiável, mas acaba ficando com ele mesmo assim.
Blake vai para Phoenix abrir o show da última sensação da country music, um rapaz
chamado Tommy Sweet (Colin Farrell, competente). Tommy é 'cria' de Blake, fazia parte
da sua banda nos velhos tempos e aprendeu tudo com ele. Blake gosta de ser independente
mas está velho, precisa de dinheiro e a apresentação com Tommy pode reviver sua carreira.
O romance com Jean também parece ser uma chance de fazer as coisas direito.
Mas como toda boa canção sertaneja, a história não vai ser tão cor-de-rosa assim.

Coração Louco é filme bonito de se ver, em glorioso 2D, fotografado em widescreen
e lidando com personagens que, estes sim, são tridimensionais. Jeff Bridges tem uma longa
carreira e é um ótimo ator, encarnando de tal forma Bad Blake que até mesmo canta
as canções compostas por T-Bone Burnett. O roteiro, baseado no livro de Thomas Cobb,
é do diretor Scott Cooper, em seu primeiro longa metragem. Robert Duvall, um dos produtores,
faz uma participação como um amigo de Blake, dono do bar em Houston onde este se apresenta.
É também um road-movie, com a fotografia de Barry Markowitz mostrando aquelas evocativas
paisagens do Oeste americano, com suas cidades pequenas e histórias para contar.
Em outra boa cena, Bridges está tocando uma canção e pergunta a Gyllenhall se ela já
a ouviu antes. Quando ela diz que sim, ele declara que a acabou de compor. 'Uma música
boa é assim', diz ele, 'você acha que já a ouviu antes'. Coração Louco tem a qualidade
de superar os clichês do gênero e, mesmo assim, dar algo original ao espectador.
Um filme sobre amor, música e pessoas. Não é pouca coisa.
João Solimeo | cameraescurablog.blogspot.com

Revistas de abril

> Com o mercado editorial impresso agonizante, com quedas galopantes de vendas,
as revistas precisam se reinventar, apostar cada vez mais no conteúdo, para que
o leitor sinta necessidade da revista em papel, para ler com calma, e na interatividade
com as possibilidades da internet. Acompanho em versão digital www.zinio.com
a PLAYBOY americana que, depois de uma crise que reduziu a periodicidade para
dez edições anuais, vem apostando, arriscando, em novos formatos e ideias espertas.
Desde a grande sacada de por Marge Simpson nua na capa, em novembro passado,
a revista está com um projeto editorial cada vez mais criativo, instigante e atraente.
A edição de abril vem com uma capa de babar, com a estonteante supermodelo
Candice Boucher em ensaio fotografado na África do Sul. Desde a clássica edição
do final dos anos 80 com Cindy Crawford na capa que PLAYBOY não acertava tanto!
No conteúdo variado, Máfia americana, reportagens sobre uso de LSD e Ecstasy
em tratamentos psiquiátricos, paraísos ao redor do mundo para quem quer 'sumir',
ficção de Ariel Dorfman e Paul Theroux e entrevista matadora com a comediante
Sarah Silverman. Ah, claro, e tem também a playmate de abril, nua no poster.
Na edição de maio, ficção de Ethan Coen e entrevista com Matthew Fox (LOST).
O melhor é que quase todo o conteúdo está disponível FREE em www.playboy.com/magazine

Enquanto isso, a PLAYBOY brasileira tenta segurar as vendas com uma repetitiva
e baixo-astral série de capas para as sub-sub-celebridades ex-BBBs, esquecendo
que, hoje em dia, ninguém compra mais revista só pra ver mulher pelada...

Entre as revistas mais inovadoras e criativas está a tradicional ESQUIRE, mais
antiga que a PLAYBOY, mas rejuvenescedo todo mês, com um dos melhores
websites de revista no www.esquire.com, com conteúdo integral da revista FREE.
A primeira revista a apresentar a ferramenta interativa Augmented Reality
(Realidade Aumentada), via webcam, a ESQUIRE é mais focada em estilo,
moda masculina e serviço, mas sempre tem grandes reportagens investigativas
e está cada vez mais antenada com cinema, música e cultura pop. Edição
de fevereiro deu a bela atriz Blake Lively na capa (ela está em cartaz nos
nossos cinemas em A Vida Íntima de Pippa Lee). Edição de março saiu com
Leonardo DiCaprio na capa (ele ainda está em cartaz aqui em Ilha do Medo)
e uma incrível reportagem sobre o lendário crítico de cinema Roger Ebert, após
a luta conta o câncer que o obrigou a extrair a maior parte do maxilar inferior
e não poder mais falar. Em abril, a comediante Tina Fey posa de sexy na capa
promovendo a boa comédia Uma Noite Fora de Série, em cartaz nos multiplexes.
E nem precisa dizer que o projeto de design gráfico da ESQUIRE é super top de linha.

Aqui no Brasil, vale destacar a nossa versão para a RollingStone, que tenta firmar-se
no mercado, em formato grande, projeto gráfico idêntico à matriz e periodicidade mensal
(a edição americana é quinzenal). A edição de abril sai com grande reportagem sobre
Jimi Hendrix
e, numa matéria de arquivo, uma antiga entrevista com Martin Scorsese.
Também merece destaque a TRIP, projeto editorial independente de monopólios editoriais,
com premiada excelência gráfica e formato pioneiro de duas capas para o leitor escolher.
Todo mês, a TRIP dá na capa aquela tremenda gata que a gente queria ver na PLAYBOY...
A edição de abril tem Nanda Costa, atriz do filme Sonhos Roubados, breve nos cinemas,
e Wagner Moura, que vai viver o Capitão Nascimento de novo em Tropa de Elite 2.

RollingStone brasileira e TRIP também têm conteúdo disponível FREE nos sites oficiais
www.rollingstone.com.br e www.revistatrip.com.br. Mas, para quem gosta de ler revista,
vale a pena o passeio à banca da esquina, conversar com o jornaleiro, essas coisas
de convivência social que a geração jovem de hoje desconhece. E nada como acordar
com preguiça num sábado e ler a sua revista preferida na cama, computador desligado.
Fernando Vasconcelos | 15.04.2010

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também pode acompanhar as dicas de cinema, DVD, filmes na TV etc
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