

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 483
Alices, Atrizes, Katyn e Pippa Lee
> Semana é tomada pelo megalançamento de Alice no País das Maravilhas
de Tim Burton nos multiplexes, exibindo em 3-D também na nova sala digital
do multiplex Recife, além do BOX Guararapes. A Estrada, com Viggo Mortensen,
enfim estreia nos multiplexes. O Cinema da Fundação lança Utopia
e Barbárie, documentário de Silvio Tendler, exibe
mais uma sessão
para o drama de guerra Katyn de
Andrzej Wajda e, na sessão gratuita
do Cineclube Dissenso, temos Sessão Surpresa! neste sábado 24.
A Vída Intima de Pippa Lee, de Rebecca Miller, e Atrizes, de Valeria
Bruni Tedeschi, dois raros filmes dirigidos por mulheres, exibem nas
sessões extras dos multiplexes Plaza, Boa Vista, Tacaruna e Recife.
KINEMAIL RECOMENDA: ainda em cartaz no Cine Rosa e Silva, Coração
Louco, Oscar de melhor ator para Jeff Bridges, e Aconteceu em Woodstock
de Ang Lee. Soul Kitchen de Fatih Akin, no Cinema da Fundação, e nos
multiplexes, Uma Noite Fora de Série, com Steve Carell e Tina Fey.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Alice de Claude Chabrol,
viagem de uma Alice adulta (Sylvia Kristel) para uma outra 'Wonderland'
AQUI
LEITOR VIP Ganhe convites para Alice no País
das Maravilhas, Soul Kitchen e Katyn AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS ![]()
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Alice in Wonderland EUA 2010 1h49min RT 5,2
de Tim Burton com Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Já que a histeria atual dos consumidores de filmes se chama 3D Digital,
deixo bem claro aqui que meus comentários sobre tal efeito técnico referem-se à sessão
na qual vi o filme como convidado em pré-estreia, na nova sala 3D do multiplex Recife.
Acredito que a sala está passando por ajustes, pois o sistema acaba de ser instalado lá.
Resumindo, o filme foi exibido com problemas claros de enquadramento
(cabeças
cortadas na parte superior da tela), o som soava desregulado e, por fim, poucas
vezes achei o efeito 3D tão irritante à vista e, apesar do filme ser coloridíssimo,
a imagem estava escura demais
e as cores em tons feios, amarelados, cinzentos.
Espero que a partir dessa sexta, os espectadores tenham outra impressão, porque
se for assim mesmo, eu preferia ter visto o filme em projeção convencional plana.
Ao filme: Alice no País das Maravilhas é um projeto antigo de Tim Burton, claro
admirador do universo surreal dos escritos de Lewis Carroll. Ao contrário de James
Cameron - que levou 10 anos para enfim realizar Avatar, certo de que só a tecnologia
3D e os efeitos CGI de ponta poderiam fazer seu filme chegar ao espectador como ele
sonhava (e realizou, de fato) -, não sei ao certo se Tim Burton também tinha essa
obsessão pelo efeito 3D para realizar seu filme. Porque, no final das contas, o efeito
3-D pouco acrescenta aqui e, na maior parte do tempo, só causa incômoda distração.
Quanto à adaptação do clássico para a marca autoral de Tim Burton, duvido bastante
que o resultado nas telas seja o que Tim Burton ambicionava. A adaptação de Alice para
uma adolescente de 19 anos pouco tem a ver com o interesse de Burton nos conflitos
e complexidade da passagem para a vida adulta, muito menos em afastar as suspeitas
de pedofilia que sempre foram associadas ao autor Lewis Carroll e sua protagonista
original criança, a Alice de 8 anos de idade.
Infelizmente, essa Alice protofeminista
de Tim Burton, com referência visual até a Joana D'Arc, parece ser mais uma tentativa
confusa de encaixar o filme nesse filão milionário de mercado que atinge as leitoras
da revista Capricho, fãs de Crepúsculos e Hannas Montanas, afinal é sempre bom
lembrar que esse é um filme megamilionário produzido pela Disney.
Dessa forma,
todo o universo delirante de Carroll torna-se apenas escada para um desfile pouco envolvente
de bichinhos falantes digitais engraçados para a gurizada, misturados ao toque sombrio
e surreal de Tim Burton para oferecer suas versões do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp
com pouco espaço para brilhar como sempre) e das rainhas irmãs rivais vividas por Helena
Boham Carter (conseguindo sobreviver bem à feérica maquiagem e um complexo efeito
digital que a torna 'cabeçuda') e Anne Hathaway (bela mas um tanto ridícula atuando como
uma bonequinha de caixinha de música)
em meio a monstros e dragões que procuram
equivocadamente fazer de Alice no País das Maravilhas algo na linha de Harry Potter,
O Senhor dos Anéis ou As Crônicas de Nárnia. Não sei quanto a você, mas eu simplesmente
não aguento mais filmes
multipléxicos onde um adolescente precisa vencer um dragão
digital, decapitando o bicho, como exemplo de desafio e aprendizado humano!!
Para espectadores tradicionais que queriam apenas se encantar mais uma vez com
o universo fantástico da clássica história de Lewis Carroll
e para espectadores mais
moderninhos, que queriam ver o que Tim Burton poderia acrescentar à obra,
a palavra é uma só: decepção. Mas o problema mais grave de Alice no País
das Maravilhas é mais simples: essa aventura de Alice é previsível, com poucos
momentos de real magia, graça ou emoção.
Um espetáculo sem encanto, sem vida.
Para Tim Burton recuperar-se desse passo em falso, terá que caprichar muito em
seu próximo projeto, de preferência com algo em menor escala, despretensioso.
E já está mais do que na hora dele realizar um filme SEM Johnny Depp no elenco.
Visto em 19/04 como convidado da UCI Cinemas | Buena Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
Opinião do leitor
> Cara, eu saí de Alice no País das Maravilhas com uma única certeza:
essa sanha dos produtores pelo 3D ainda vai estragar muito filme nos próximos anos.
Não que Alice precise de muita coisa para ser estragado. Conseguiram a façanha
de pegar o universo lisergicamente rico de Lewis Carroll e esvaziar os personagens,
referências, metáforas, parábolas, hipérboles, paralelepídedos, tudo enfim...
Senti-me assistindo a uma mistura de Avatar com Crônicas de Nárnia. Pense numa agonia!
Confesso que posso estar exagerando, porque minhas expectativas para esse filme
eram bem altas: um filme baseado nas estórias de Carroll e dirigido por Tim Burton!
O que poderia sair errado? Tinha esquecido de um detalhe importante: é um filme
da Disney (que todo mundo sabe que, junto à Coca-Cola e à Rede Globo,
formam a linha de frente do exército de Belzebu). Eu acho que Burton não teve
nada a ver com esse filme. Ele só ajudou a criar alguns dos designs dos personagens
e emprestou a mulher e o amiguinho (hum... sei!) dele pro elenco. Vale ressaltar
que as atuações fracas são pioradas pela dublagem nacional. Para manter minhas
boas lembranças de Edward Mãos de Tesoura, prefiro acreditar que Tim Burton
aceitou botar o nome na direção só pra pagar as contas no final do mês.
Além disso tudo, ainda me fazem uma conversão desgraçada pra o pior 3D que eu já
vi num blockbuster. Tá certo que a sala 3D do UCI Recife não estava ajudando muito,
cortando a parte superior da imagem, com o sistema de som (que eu suponho ser novo)
pipocando mais que filme de Michael Bay e a imagem um pouco escura, mas a confusão
visual de algumas cenas mais frenéticas (como a descida na toca do coelho) é de deixar
qualquer um epiléptico. A imersão no mundo fantástico conseguida com sucesso pelo 3D
de Avatar não se repete aqui. 3D feito nas coxas para arrancar mais grana dos coitados
incautos frequentadores de shoppings. Um conselho que estou dando a todos meus amigos:
se você ainda estiver curioso pra ver Alice no País das Maravilhas (como a maioria,
sem dúvida, dever estar), veja no 2D, legendado, bonitinho. Boicote aos 3D$$$ já!!!
Luiz Duarte | lweezz@gmail.com
> A pré-estreia de Alice no País das Maravilhas 3D, tão esperada por mim
e acredito que por muitos, deixou a desejar. Não sei se os encantos da história
foram-se embora junto com a minha infância, só sei que achei o filme
muito fraco e pouco explorado, poderia ter mexido mais com a nossa
imaginação. O 3D nem se fala. Não entendo muito desta tecnologia,
então não sei se foi falha do filme ou dos equipamentos do cinema,
mas a única coisa que fazia um pouco de 'cosquinha' na minha frente
eram aqueles insetos. Enfim, prefiro voltar ao passado, pois lá
tenho lembranças de um verdadeiro País das Maravilhas.
Manoela Souza | manoela_souza@hotmail.com
> Sabe aquele momento em que a gente se dá conta que nosso pai não é
um super-herói? Esse instante pode ser devastador. Não temos mais com quem
contar para salvar-nos desse desengano. Todos os nossos planos geniais vão por
água a baixo. Pois foi bem assim que me senti ao fim de Alice no País das Maravilhas.
O filme é lindo de ver, não quero desmerecer o conceito visual de Tim Burton,
mas todo o resto cai, cedo ou tarde, num sonífero clichê. Desde a maquiagem
de Alice, excessivamente lânguida, às soluções do roteiro, por demais lógicas
e facilitadoras, tudo faz parecer que o diretor perdeu a mão. Ao comparar Alice
a filmes como Edward Mãos de Tesoura e O Estranho Mundo de Jack, percebemos
que tudo de criativo e tocante que encontrávamos na obra de Tim Burton, e que
parecia tão próximo do texto de Lewis Carroll, foi trocado por uma 'razão'
(nunca contida na história) que fez da aventura de Alice um grande filme
de Sessão da Tarde. A opção do diretor por cortar personagens e incluir outros,
não me pareceu nem um pouco acertada. E a importância dada a Johnny Depp,
o chapeleiro, não tem nada a ver com o personagem que este interpreta.
Entre dragões e vilões dignos de filme da Xuxa, apenas dois personagens
mantém-se bem sólidos, o Gato de Cheshire e a Lagarta Azul. Outra que
se destaca, como sempre, é Helena Bonham Carter, a Rainha de Copas.
Sua interpretação consegue se fazer mais presente que a caracterização visual.
Um pedaço do meu incômodo, devo assumir, provém da cópia dublada que foi
exibida na pré-estreia. Disso e de uma fragilidade nos efeitos 3D tão alardeados.
Não quero parecer retrógrada, mas se for para ver filmes com imagens parecidas
com antigos brindes de salgadinho, prefiro que não haja mais 3D. Agora só me resta
recompor-me da revelação de que Tim Burton também erra, e esperar que numa próxima
vez ele se mostre pelo menos parecido com o super-herói pelo qual eu lhe tomava.
Ingrid Santos | juremabrazylina@hotmail.com
> Bom, já havia me decepcionado com o filme antes, ao saber da estratégia
dos produtores em envelhecer Alice pra poder ter mais liberdade de criar
um roteiro próprio. Mas, ainda assim, eu pensava: Tim Burton é Tim Burton,
ele vai criar coisas legais! E aí, outra decepção. O filme já é decepcionante
pela história, que, de fiel à original só tem alguns personagens e poucas
referências. É extremamente clichê, com os tipicos problemas/desventuras/
destinos/arquétipos/(...) encontrados em qualquer filme hollywoodiano
de aventura/infantil/ficção. Sem falar na supervalorização do Chapeleiro
Maluco, que apareceu quase tanto quanto a própria Alice, apenas por
ser representado por Johnny Depp, o ator queridinho do diretor.
Mas a maior decepção é por ter sido Tim Burton, que é TIM BURTON,
por ele ter inserido esse tom épico à ilógica de Lewis Carroll.
Amanda Xavier Beça | donaamandjinha@gmail.com
UTOPIA E BARBÁRIE
Brasil 2010 2h00min
documentário de Silvio Tendler
> Sinopse: Com depoimentos de Susan Sontag, Zé Celso Martinez, Cacá Diegues,
Denys Arcand, Ferreira Goulart, Utopia e Barbárie retrata o mundo pós-Segunda Guerra
Mundial e suas transformaçõe, as utopias que nele foram criadas e as barbáries
que o pontuaram. Descreve o desmonte das utopias da geração sonhadora de 1968
e analisa a criação de novas utopias neste novo mundo globalizado.
O filme é narrado por Chico Diaz, Letícia Spiller e Amir Haddad.
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Os filmes da semana
Caso 39 - 'Uma menininha linda, delicada, que sofre agressões dos pais
é ajudada por uma assistente social que tenta trazer o bem e paz para
as famílias'. Parece mais um enredo de um filme dramático que te leva
no final às lágrimas, porque a assistente social briga na justiça pela
menina, consegue tirá-la dos pais e juntas são felizes para sempre!
Porém, Caso 39 traz algo a mais, traz Renné Zellweger em uma ótima atuação.
E só digo uma coisa, depois da Eli de Deixa Ela Entrar, a criança que
eu tenho mais medo é essa do Caso 39. Senti muito medo dela!
Chico Xavier - É melhor Daniel Filho fazer comédia. Dá mais futuro!
O Caçador de Recompensas - Mais um filme que é considerado comédia,
mas não achei a menor graça, deu tanto sono no cinema que nem lembro
mais do filme e ao escrever esse comentário, já esqueci o que ia comentar!
Resumindo, O Caçador de Recompensas é um filme tosco.
Dupla Implacável - Boa atuação de John Travolta, esperava mais do filme.
Hittalo Rodrigues | hittalo.rodrigues@hotmail.com
Katyn e Coração Louco
Vi o bom filme polonês Katyn, de Andrzej Wajda, também diretor da trilogia
de guerra que inclui Kanal. Este Katyn conta de forma angustiante
e irreversível a história que culmina com o massacre de oficiais poloneses
por parte de tropas russas. Embora seja um filme linear e sem grandes
propostas criativas — já que o objetivo principal é mesmo contar
a história —, a produção é bem esmerada e em nada deixa a desejar.
Como desgraça chama desgraça, foi a caminho de Katyn que morreram, agora
no dia 10 de abril, o presidente polonês Lech Kaczynski e mais 96 pessoas,
muitas delas autoridades polonesas, num desastre aéreo. A comitiva iria
justamente prestar homenagem aos mortos do massacre, que completa 70 anos.
Gostei bastante de Coração Louco. Mostra como um roteiro simples (mas não
medíocre), ritmo bem dosado e atuações firmes ainda rendem bons filmes, ainda
mais quando tudo é regado por country americano de raiz sem afetação.
Nem precisa inventar muito: a história do cantor decadente e alcóolatra
que mais uma vez conhece o amor é cativante e proporciona bons momentos
dramáticos. Para coroar, Jeff Bridges numa de suas melhores performances.
Em tempo: Jeff Bridges se garantiu no vocal e no violão.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br
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