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Retrospectiva 2011/Expectativa 2012
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ARQUIVO 2009
ARQUIVO 2008
ANO DEZ Edição 485
Mother, Criação, Educação e Melhores Coisas
> Com a grande maioria das salas ainda ocupadas pelos blockbusters
da temporada, a programação começa a 'respirar' com novidades entre
as estreias dessa semana. Você não pode deixar de ver o espetacular
Mother - A Busca Pela Verdade, do coreano Bong Joon-ho, desde já
no Top Ten Kinemail 2010, em cartaz no Cinema da Fundaj, que exibe
ainda última semana para a esperta comédia pop Soul Kitchen e uma
sessão muito especial para o clássico pernambucano mudo Aitaré da Praia,
filmado há quase 100 anos atrás no Recife e na praia de Piedade.
O nacional As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, sobre jovens paulistas de classe média, entra em cartaz nos multiplexes e no São Luiz.
Matt Damon está em Zona Verde, dirigido por Paul Greengrass; Freddy
Krueger está de volta no remake de A Hora do Pesadelo e o drama
sobre Charles Darwin Criação, com Paul Bettany, entra nas sessões
extras dos multiplexes. Educação, indicado ao Oscar de melhor filme,
e O Preço da Traição de Atom Egoyam, são pré-estreias
dos multiplexes.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Italiano Para Principiantes AQUI
LEITOR VIP Temos convites, camisas e brindes de As Melhores
Coisas do Mundo, Zona Verde e A Hora do Pesadelo. Participe AQUI

MOTHER - A Busca Pela Verdade ![]()
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Madeo/Mother Coreia do Sul 2009 2h08min
de Bong Joon-ho com Bin Won, Hye-ja Kim, Ku Jin
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO O coreano Bong Joon-ho vem firmando-se como um cineasta que sabe
ser profundo, perturbador e inteligente sem nunca abdicar do senso de diversão.
Cinema 'sério', cinema 'pipoca', esses rótulos viram de cabeça pra baixo nos
filmes de Bong Joon-ho, como os inclassificáveis Memórias de um Assassino
(parecido com Zodíaco) e O Hospedeiro, talvez o melhor e mais inteligente
'filme de monstro' já feito. Nesse Mother - A Busca Pela Verdade (ninguém
merece esse subtítulo...), o registro é de suspense e policial, mas esqueça os
rótulos, pois também temos comédia e melodrama vigoroso,
de emocionar.
Com base no modelo americano de narrativa, é impressionante como Mother
vai para o lado oposto do cinema pobre que os falsos herdeiros de Hitchcock
fazem hoje em Hollywood. Mother nunca segue o caminho esperado, exige
que o espectador raciocine enquanto a trama envolvente desdobra-se na tela,
dá sustos, provoca suspense e medo de verdade em muitos momentos (não
o medo e o suspense previsível e formulaico que o espectador já espera) e ainda
tem um senso estético sofisticadíssimo, claramente de um diretor que conhece sua
arte (Scorsese deve vibrar assistindo esse filme e Stanley Kubrick bateria palmas),
que faz uso do espaço da tela larga em CinemaScope, provando que a tela larga
não é apenas uma tela mais larga, porém mais um elemento usado pelo diretor
para dar dramaticidade e qualidade estética ao filme. Bong Joon-ho é o cara.
Uma senhora idosa vive com seu filho retardado, Do-joon, completamente
dependente dessa mãe aos 27 anos, com comportamento infantil e ingênuo.
A vida deles muda bruscamente quando acontece um assassinato brutal de uma
garota num prédio abandonado. Do-joon é o principal suspeito, confessa o crime
e é preso. A partir daqui, sem falar muito para não estragar as surpresas, a mãe
mergulha numa investigação solitária e desesperada para provar a inocência de seu
filho. Com apuro visual fantástico, com referências claras ao 'saber usar uma câmera'
de Alfred Hitchcock, Mother impressiona também ao descer fundo nas entranhas
psicológicas do sempre intrigante 'amor de mãe', com reviravoltas que te prendem
na poltrona e ao mesmo tempo te fazem pensar sobre essa complexa relação ancestral,
afinal, mãe, todo mundo tem uma! Não deixa de ser curioso que Mother entra em cartaz
aqui no Recife justamente no final de semana do Dia das Mães, essa data que é mero
registro de consumismo histérico em shoppings lotados. Nada como um filme como
Mother pra te lembrar o valor que uma mãe tem, do que uma mãe é capaz.
Surpreendente a cada novo filme, Bong Joon-ho é cineasta atual de primeiríssimo time.
Last but not least, no papel da mãe, a atriz Hye-Ja Kim está simplesmente extraordinária.
Visto em 24/10/2009 como convidado da Mostra SP 2009
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
ZONA VERDE ![]()
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Green Zone EUA 2010 1h57min
de Paul Greengrass com Matt Damon, Greg Kinnear, Amy Ryan, Brendan Gleeson
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Filmes de guerra no Iraque não funcionam nos EUA. O oscarizado
Guerra ao Terror, que não é sobre a guerra mas sobre os personagens, três
militares, e os efeitos do cotidiano em guerra sobre eles, foi ignorado pelo
espectador americano e mal conseguiu pagar seu custo modesto de U$ 11 milhões
de dólares. Zona Verde é sobre a Guerra do Iraque, mais especificamente sobre
a manipulação dos EUA para justificar a guerra a partir da suspeita que o Iraque
tinha um arsenal de armas químicas de destruição em massa, fato que marcou
a mídia em 2003, promovido pelo então presidente Bush filho. Mesmo estrelado
por Matt Damon, com um orçamento de U$ 100 milhões, o filme foi um fracasso
mas bilheterias ianques, muito mais talvez por, além de ser uma aventura de ação
à trilogia Bourne (mesmo ator e diretor), ser também um filme que incita
o espectador a pensar um pouco sobre a política manipuladora americana
e, por fim, ter um protagonista anti-herói, o oficial militar que questiona,
percebe que algo está errado e, sozinho, desvenda uma trama que é francamente
anti-americana, num filme dirigido pelo inglês Paul Greengrass, o mesmo dos
dois últimos Bournes e também do excelente Voo United 93, que recebeu uma
indicação ao Oscar de melhor direção. Vale comentar que a direção de fotografia
de Zona Verde é do mesmo Barry Ackroyd indicado ao Oscar por Guerra ao Terror.
Comparar os dois filmes só deixa claro como Kathryn Bigelow acertou em fazer
algo mais original e realista no gênero, sem ponto de vista político mas com um senso
mais palpável de perigo, tensão e espaço, sem precisar de um roteiro em torno
de alguma verdade ou segredo político a ser desvendado, o que move a grande
maioria dos filmes do gênero hoje, incluindo Zona Verde, com ambição maior.
Mesmo com esse formato de thriller politizado, o fato é que Zona Verde não foge
muito da fórmula do gênero e, no fundo, leva a questão política como pano de fundo
para mais um filme de ação chacoalhante, com a marca registrada da 'câmera-enxaqueca'
de Greengrass, forçando um tom de documentário câmera-na-mão que funciona
em bons momentos mas, na maior parte do tempo, é desnecessário, funcionando
mais como distração e, especialmente na meia hora final, dissolvendo o tom
de denúncia, onde o personagem de Matt Damon não é muito diferente do agente
Bourne, correndo pra lá e pra cá numa trama acelerada onde cada minuto é crucial
para revelar o escândalo político que acaba sendo um tanto previsível. Zona Verde
é uma boa sessão de cinema, um filme acima da média do gênero, tecnicamente
admirável e com um elenco de primeiro time, mesmo que desperdiçados como
coadjuvantes de luxo que não evoluem dramaticamente (Brendan Gleeson e Amy Ryan
entre eles). Não espere algo mais ambicioso e Zona Verde garante a diversão,
principalmente para o público-alvo masculino, fã de filmes do gênero.
Visto em 05/05 como convidado da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
CRIAÇÃO ![]()
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Creation Inglaterra 2009 1h48min
de Jon Amiel com Paul Bettany, Jennifer Connelly, Jeremy Northan, Toby Jones
por Filipe Marcena
OPINIÃO Baseado na biografia Annie’s Box, de Randal Keynes, Criação conta
um trecho da vida de Charles Darwin (Paul Bettany), mais especificamente
na época em que escreveu A Origem das Espécies. Os conflitos do filme
giram em torno da família Darwin, como o embate entre Charles e Emma Darwin
(Jennifer Connelly), sua esposa cristã devota, e os traumas sentidos pelo
falecimento da filha mais velha Annie (Martha West). Uma pena que com uma
proposta a princípio interessante, Criação falhe em ser ao menos confrontador
como as teorias evolucionistas de Darwin foram na cristã Inglaterra do século XIX.
Jon Amiel, que dirigiu longas tão díspares quanto Sommersby, Copycat e O Núcleo,
faz um primeiro ato digno, pondo em jogo o peso das ideias darwinianas sobre
as costas do autor, e o personagem do biólogo Thomas Huxley, principal defensor
da teoria da evolução, interpretado pelo excelente Toby Jones, protagoniza
um diálogo que cimenta as supostas bases do filme, ainda que seja demasiado
explicativo. Logo Huxley desaparece pelo resto da projeção, e Criação vira
um melodrama didático sobre um homem doente que luta para superar a morte
da filha Annie - que 'aparece' para o pai – e a sua própria genialidade.
Atores e fotografia são o que o filme tem de melhor, e Connelly tem uma cena
excepcional onde Emma revela seus sentimentos para o marido numa longa e bela
tomada em plano sequência, perto do final. Mas Criação investe pouco no que
realmente interessa: no livro que está sendo escrito. Amiel por vezes recorre
a stock footage de animais em decomposição no melhor estilo Discovery Channel,
mas que nada acrescentam ao filme, assim como as narrações em off de trechos
dos escritos de Darwin, numa tentativa primária de se aprofundar nos conceitos dele.
Resta ao casal de atores dar um pouco de humanidade à personagens tão rasos.
Destaque para os estudos comportamentais que Darwin realiza com uma simpática
macaca, e que é mais emocionante em suas duas cenas do que todo o resto do filme,
que joga fora a oportunidade de discutir esse tema que, em pleno terceiro milênio,
ainda é motivo de 'polêmica', a questão Criacionismo X Evolucionismo.
Visto em 03/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
A HORA DO PESADELO ![]()
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A Nightmare on Elm Street EUA 2010 1h38min RT 1,5
de Samuel Bayer com Jackie Earle Haley, Kyle Gallner, Rooney Mara
> Sinopse: Um grupo de adolescentes compartilha um vínculo. Todos
estão sendo perseguidos por Freddy Krueger, um assassino horrivelmente
desfigurado que os caça durante seus sonhos. Quando acordados, eles
tentam proteger uns aos outros. Quando dormem, não há escapatória.
Remake do clássico de terror dirigido pelo mestre B Wes Craven.
Grande sucesso dos anos 80, apresentava um desconhecido Johnny Depp
entre os coadjuvantes, como uma das vítimas de Freddy Krueger.
Visto em 15/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL
The Spy Next Door EUA 2010 1h48min RT 1,2
de Brian Levant com Jackie Chan, Billy Ray Cyrus, Amber Valletta
> Sinopse: Bob 006 (Jackie Chan) acreditava que deixando para trás
a vida de super espião da CIA, ele finalmente conseguiria levar uma vida
normal ao lado de Gillian (Amber Valletta), sua namorada e vizinha.
Bob precisava cumprir só mais uma missão para viver feliz para sempre
e se casar com Gillian: conquistar os pestinhas dos filhos dela.
Mas, os pestinhas armam um plano de tornar a vida de Bob impossível
e sem querer entregam a sua localização a um terrorista russo.
Agora, Bob 006 e as crianças vão ter que se unir para salvar o mundo.
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Sessões Únicas
AITARÉ DA PRAIA
Pernambuco Brasil 1925 1h02min
de Gentil Roiz e Ary Severo com José Amaro, Rilda Fernandes, Pedro Neves, Jota Soares
CINEMA DA FUNDAJ | domingo 09, 16h20
> Sinopse: A história de Aitaré, namorado de Cora, uma moça da aldeia. Numa viagem
de jangada, ele salva o rico coronel Felipe Rosa e sua filha. De volta à cidade
grande, Cora e Aitaré se desentendem. Cinco anos mais tarde o motivo será
esclarecido. Clássico mudo do cinema brasileiro, pertencente ao Ciclo do Recife.
Aitaré da Praia, com pouco mais de uma hora de duração, filmado nos arredores
da praia de Piedade, nos anos 1920, é considerado uma das mais autênticas fitas
daquele período pela sua temática regional. Em cópia restaurada pela Cinemateca
Brasileira, essa sessão única é um resgate obrigatório para cinéfilos e uma rara
chance para ver na tela grande o Recife filmado no início do século passado.
Visto em 09/05 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
11 X 14
11 X 14 EUA 1977 1h21min
documentário de James Benning
CINECLUBE DISSENSO | CINEMA DA FUNDAJ | Sábado 08, 14h ENTRADA FRANCA
> Neste sábado 08/05, o Cineclube Dissenso exibe 11 X 14 (1977, EUA),
de James Benning. Desde do início dos anos 70, Benning constrói um trajetória
singular na história do cinema documental, marcada pelo afastamento dos modelos
dominantes do documentário e por um olhar rigoroso sobre o cotidiano das modernas
cidades industriais. Abdicando de entrevistas e de uma estrutura narrativa tradicional,
11 X 14 é um mosaico de sons e imagens da vida comum, em meio às paisagens
urbanas do meio-oeste americano dos anos 70.
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
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A Kinemeiete e o Kinemeião de abril
por Fernando Vasconcelos
> Já faz tempo que o Kinemail pensa nessa enquete para descontrair e divertir os leitores:
eleger em toda edição de fim de mês
a atriz e o ator mais 'interessantes' dos filmes
lançados aqui no Recife durante o mês. Interessantes entre aspas, porque uma
combinação de carisma, beleza, talento e sex appeal seriam os crítérios da escolha.
Idealmente teríamos uma enquete on line, mas como não conseguimos ainda programar
o tal bicho 'enquete default'
aqui no site (aceitamos cyber-colaboradores!), por enquanto,
para aqueles que se entusiasmarem em participar e votar, favor mandar
e-mail para fernando@kinemail.com.br. Votos com comentários, a gente publica!
Tentarei também fazer votação através do www.twitter.com/kinemail para quem
nos segue. Enfim, é uma tentativa regular (mensal) de tormar mais divertido
e interativo o seu Kinemail, já que vocês andam muuuuuito preguiçosos para mandar
opinião e comentários sobre os filmes vistos, com exceção de alguns leitores fiéis,
que sempre escrevem, concordando, discordando, mas sempre registrando aqui
suas impressões sobre os filmes.
Então, começando a brincadeira, os primeiros
Kinemeiete e
Kinemeião eleitos pela diretoria. Você pode checar os filmes do mês
no ARQUIVO (clica AQUI) do Kinemail. Elogios e desaforos, fala pra fernando@kinemail.com.br

Blake Lively é a Kinemeiete de abril. Vinda do seriado de TV Gossip Girl,
ela está em A Vida Íntima de Pippa Lee, vivendo a protagonista (Robin Wright Penn)
na juventude. Cercada de boas atuações de um elenco que inclui nomes como
Julianne Moore, Monica Bellucci, Maria Bello, Keanu Reeves, Alan Arkin e Winona Ryder,
Blake Lively marca presença não só pela beleza, mas por uma
sensualidade natural
e - talvez
pela vantagem de ser um rosto desconhecido num
filme cheio de astros
e estrelas -
é a imagem dela que fica na nossa lembrança
após o filme.
Aos 22 anos, ela vem aí em The Town, novo filme dirigido por Ben Affleck,
que estreou na direção em 2007 com o elogiado Medo da Verdade.
Concorrentes:
Valeria Bruni Tedeschi (Atrizes)
Maggie Gyllenhaal (Coração Louco)
Cécile De France (Um Segredo em Família)
Scarlett Johansson (Homem de Ferro 2)

Jeff Bridges é o Kinemeião de abril. Se você viu Coração Louco, não
precisa explicar porque ele é o eleito. Um dos astros mais másculos de Hollywood,
Jeff Brigdes mantém o charme intacto já sessentão. Coincidentemente, esteve por
duas vezes nas recentes DICAS DE CINÉFILO, esbajando beleza juvenil nos anos
70 em A Última Sessão de Cinema e como galã do sci-fi de John Carpenter Starman
nos anos 80. E nos anos 90... you know man, the guy was The Dude, THE DUDE!!!,
na memorável comédia O Grande Lebowski, um dos melhores filmes dos irmãos Coen.
Concorrentes:
Ahh, c'mon man, não dá pra concorrer com The Dude, ya know?
> Agora, acompanhe os lançamentos da semana, veja os filmes e lembre-se
de comentar/votar quem foi o atriz ou o ator
que te 'emocionou' (entre aspas
você sabe bem porque eh, eh)
no escurinho do cinema. E-mails para fernando@kinemail.com.br
Crônicas Cinéfilas
por Filipe Marcena
> O que uma distribuidora não faz para vender um filme? As nacionais então,
nem se fala. Os cinéfilos mais atentos percebem quando aparecem coisas
estranhas nos cinemas e nas prateleiras brasileiras. A PlayArte parece ser
a campeã das furadas no mercado. Só no ano passado ela cortou 20 minutos
de violência e nudez do Halloween de Rob Zombie a fim de ganhar uma
classificação de censura mais baixa nos multiplexes (para logo em seguida
despejar nas locadoras uma 'versão especial sem cortes'), como também fez
contra propaganda de Lua Nova no seu site oficial, pedindo
para que os espectadores
assistissem às pré-estreias de Atividade Paranormal ao invés do filme dos vampiros
teens. Esse ano eles estão de volta com
mais atrapalhadas tentativas de enganar
os cinéfilos, e a primeira do ano vai para o lançamento em DVD do recém-exibido
A Vida Íntima de Pippa Lee.
Opa, não seria Vidas Cruzadas?
Acredite, é o mesmo filme. Vale notar que
o cartaz de A Vida Íntima de Pippa Lee
é um dos mais pavorosos já vistos, com cabeças de astros e estrelas amontoadas
ao lado de uma silhueta com a
cabeça da protagonista dentro!
Aberta a votação dos piores cartazes do ano.

Além de criar um título diferente e colocar o original discretamente
embaixo
do novo como se fosse um subtítulo, a PlayArte ignorou a protagonista
Robin Wright Penn e apostou em duas das estrelas do longa de Rebecca Miller,
cujas participações vão de coadjuvante (Keanu Reeves) à duas cenas (Monica Bellucci)!
Sem falar na tentativa de vendê-lo como um filme de suspense, pondo uma arma
apontada para Reeves na mão de Bellucci. Imagino a cara do desavisado
que pegar o filme e descobrir que se trata de um drama cheio de gente
perturbada e humor negro. Mal sabe ele que sairá no lucro, já que o filme
é muito melhor do que esse design horroroso da capa do DVD.
Agora passando para a Swen Filmes, uma distribuidora nova na área. Ela é
responsável, em parceria com a Imagem Filmes, pelo lançamento do aguardado
I Love You, Phillip Morris, estrelado por Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro,
previsto para 4 de junho nos multiplexes. Numa atitude que me lembrou o que
a Paris Filmes fez com Direito de Amar (ou A Single Man), a Swen alterou o nome
do longa para O Golpista do Ano (!), tentando mascarar o conteúdo gay do título
de um filme protagonizado por um homossexual apaixonado por outro.
Estranhamente, o cartaz do filme é completamente gay e apela até pra
um Rodrigo Santoro com a camisa aberta. Vai entender.

Para fechar, um caso de Photoshop porcamente mal feito. O já esquecido Operação Valquíria
chamou a atenção do Kinemail ao ser lançado em DVD no Brasil. A Paramount distribuiu displays
do filme com um Cruise sem o marcante tapa-olho de seu personagem, provavelmente
mirando no reconhecimento rápido do rosto do ator por parte dos consumidores.
Mas, por alguma razão, o Photoshop não deu muito certo. Você só sabe que o homem
é Tom Cruise porque tem um nome em cima dele, de tão desfigurado que o rosto ficou!
Cinema pernambucano no Cahiers du Cinéma
> Os longas-metragens pernambucanos Pacific e Um Lugar ao Sol, documentários
dirigidos respectivamente por Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro, figuraram
entre os filmes que destacam o nordeste brasileiro na produção cinematográfica
nacional, numa reportagem de uma das mais importantes publicações de cinema
no mundo: a revista francesa Cahiers du Cinéma. O texto é sobre os destaques
da 13a Mostra de Cinema de Tiradentes, festival brasileiro que vem demonstrando
um raro e cuidadoso olhar para as forças novas e instigantes do cinema brasileiro
contemporâneo, e que premiou, em 2010, o longa cearense Estrada para Ythaca.
Pedroso e Mascaro, ambos da produtora pernambucana Símio Filmes (da qual
também fazem parte Juliano Dornelles e Daniel Bandeira), realizaram seus
longas em 2009 com patrocínio da Fundarpe. Pacific e Um Lugar ao Sol vêm
construindo uma carreira sólida e de visibilidade em festivais internacionais,
por causa de seu interesse manifesto nos desafios estéticos do documentário.
Mascaro e Pedroso trabalharam antes juntos na direção de seu primeiro
longa-metragem: KFZ-1348, vencedor prêmio do júri na 32a Mostra SP.
Descritos pelo crítico Pedro Butcher como os 'dois documentários mais
polêmicos do festival, Um Lugar ao Sol explora o imaginário de uma classe
social raramente vista no cinema documentário (sobretudo o brasileiro),
enquanto Pacific radicaliza sua própria construção narrativa ao se
utilizar apenas de filmagens pessoais dos próprios personagens numa
montagem delicada, que expressa ao mesmo tempo um olhar de interesse
afetivo para aquele universo (um grupo de turistas que viaja num
cruzeiro para Fernando de Noronha) e um posicionamento crítico.
Top Ten Kinemail 2010
> Com quatro meses já corridos de 2010, temos novidade no Top Ten Kinemail,
com a estreia
- enfim aqui no Recife - do espetacular Mother - A Busca Pela Verdade
que vai direto para as primeiras posições da lista, num excelente pódio com
O Que Resta do Tempo e A Fita Branca. Apesar de bons filmes hollywoodianos
entre os dez títulos (incluindo dois oscarizados),
os melhores do ano até agora
vieram da Palestina/França, Alemanha/Áustria e Coreia do Sul, tendo sido
exibidos aqui no Cinema da Fundação e no Cine Rosa e Silva.
Triste constatar que
o cinema brasileiro cada vez menos tem chances de entrar aqui no Top Ten Kinemail...
Fica o registro dos bons tempos em que filmes nacionais apareciam nos nossos Top Ten:
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), O Céu de Suely (2007) e Jogo de Cena (2008).


01. O QUE RESTA DO TEMPO de Elia Suleiman
02. MOTHER de Bong Joon-ho
03. A FITA BRANCA de Michael Haneke
04. POLÍCIA, ADJETIVO de Corneliu Poromboiu
05. VÍCIO FRENÉTICO de Werner Herzog
06. GUERRA AO TERROR de Kathryn Bigelow
07. NÃO MINHA FILHA, VOCÊ NÃO IRÁ DANÇAR de Christophe Honoré
08. ILHA DO MEDO de Martin Scorsese
09. PRECIOSA de Lee Daniels
10. ZUMBILÂNDIA de Ruben Fleischer
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