

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 486
Traição, Educação, Hood, Elly, Rouch e Meu Tio
> Semana com poucas novidades nas telas. A grande estreia dessa sexta
é o novo Robin Hood, de Ridley Scott, com os australianos Russell Crowe
e Cate Blanchett vivendo os lendários Robin e Marion da Inglaterra
do século XII. O Preço da Traição, drama adulto de Atom Egoyan, chega
dividindo opiniões, mas é um filme que vale a pena conferir, Kinemail
recomenda.
Criação e Educação continuam nas sessões extras dos
multiplexes.
O Cine Rosa e Silva exibe pré-estreia para o tenso e intrigante
filme iraniano Procurando Elly, melhor direção no Festival de Berlim 2009.
Mother - A Busca Pela Verdade, do coreano Bong Joon-ho, entra em
segunda e ÚLTIMA semana de exibição na Fundaj. Não perca por nada!
Na Fundaj acontece também a Mostra Jean Rouch, com retrospectiva
da obra do cineasta francês que revolucionou o gênero documentário.
Ótima notícia é que o Cinema São Luiz começa a diversificar horários
e programação, oferecendo nessa sexta 20h e domingo 10h da manhã
Sessão de Arte
para o clássico de Jacques Tati, Meu Tio. Agende-se!
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta IF... de Lindsay Anderson
com Malcom McDowell, de 1968, em DVD pela Lume Filmes AQUI
LEITOR VIP Temos convites para Mother - A Busca Pela Verdade AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979
ROBIN HOOD ![]()
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Robin Hood EUA 2010 2h20min
de Ridley Scott com Russell Crowe, Cate Blanchett, William Hurt,
Max Von Sydow
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Ridley Scott, depois de consagrado com o superestimado Gladiador, vem
especializando-se em grandiosos filmes de época, Idade Média no caso, onde funciona
mais como maestro de uma grande produção industrial do que diretor de cinema. Isso
se reflete em filmes como esse Robin Hood, produção cara, com direção de arte
e figurinos detalhistas, elenco de primeiro time mas... história e roteiro enfadonhos,
repetitivos, com tudo que você já viu em Coração Valente, Gladiador, Cruzada, Rei Arthur etc
ironicamente anunciando uma história de Robin Hood como você nunca viu antes, espécie
de prequel do herói antes de tornar-se o lendário fora-da-lei
que rendeu as divertidas
aventuras pelo qual é conhecido de tantos outros filmes e até de desenhos da Disney.
A história contada abrange o final das cruzadas cristãs contra o expansionismo muçulmano
no século XII, quando Robin era um arqueiro a serviço do rei Ricardo Coração de Leão,
de volta à Inglaterra quando o rei é morto e uma trama política complexa é armada por
um falso amigo do jovem herdeiro do trono, João, envolvido numa emboscada que trará
um batalhão de franceses em invasão surpresa pelo mar. Por quase uma hora de filme,
a gente fica tentando entender o que está acontecendo e quem é quem, pouco familiarizados
que somos com o momento histórico da Idade Média na Europa. E na segunda metade,
quando Robin chega às terras de Nottingham, onde conhece a viúva Marion (Cate Blanchett,
limpinha e elegante demais para uma mulher daqueles tempos), com a dupla de atores na faixa
dos 40 anos vivendo um romance fofinho, típico de filmes para adolescentes, entendemos
que esse é um filme de produtores de Hollywood, sempre pensando em que elementos
o filme deve ter para atrair o público jovem às bilheterias dos multiplexes de shoppings,
especialmente um filme que não tem nenhum jovem no elenco principal (não esqueça
que o esquecível Cruzada, também de Ridley Scott, foi estrelado por Orlando Bloom).
Dá uma saudade danada dos anos 80, quando o então vigoroso diretor holandês Paul
Verhoeven (Robocop, A Espiã) nos levava para uma Idade Média realmente medieval,
violenta e adulta em Conquista Sangrenta (Flesh + Blood), com Rutger Hauer e Jennifer
Jason Leigh. Pior, dá a impressão que um dos piores e mais cafonas filmes dos anos 90,
Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões com Kevin Costner, era, ao menos, mais divertido.
Voltando ao filme de Ridley Scott, previsivelmente tudo se encaminha para o final com
a 'grande batalha', com a violência maquiada pra não gerar censura 18 anos, um efeito digital
aqui outro ali, em meio ao visual 'realista', com a participação de Marion com uma tropa
de jovens
guerreiros (no mínimo, um equívoco histórico) e a deixa final para uma improvável
sequência, onde de fato teremos o Robin Hood
ladrão que roubava dos ricos para dar aos pobres.
Essa continuação, ao certo, já é uma lenda. Ah, e os desenhos dos créditos finais são lindos...
Visto em 12/05 como convidado da UCI Cinemas | Universal
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
O PREÇO DA TRAIÇÃO ![]()
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Chloe Canadá/EUA 2009 1h36min
de Atom Egoyan com Julianne Moore, Amanda Seyfried, Liam Neeson
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO E a outra estreia da semana é esse cada vez mais raro exemplar
de filme para 'gente grande', adultos. Dividindo radicalmente a opinião dos críticos,
o novo filme do bom diretor canadense Atom Egoyan, mais conhecido do circuito
de 'filmes de arte' com os excelentes Exotica, O Doce Amanhã e Adoração,
traveste-se de thriller erótico comercial, fácil de ser associado ao soft porn
do Cine Privé da Band por olhares mais bitolados e preguiçosos. Obviamente,
O Preço da Traição tem qualidades que o elevam muito acima do que o título
nacional sugere. Assim como o filme francês Nathalie do qual é remake, o título
original é Chloe, nome da misteriosa moça que entra na vida de uma família
perfeita.
O filme é bem desenvolvido na primeira parte, com boa construção
de personagens e duas atrizes empenhadas em torná-los interessantes:
Julianne Moore, de volta a um bom papel, e a surpreendente evolução da princesa
loira de filmes bobos como Mamma Mia!, Garota Infernal e Querido John,
Amanda Seyfried, vivendo a protagonista de forma exemplar, inclusive
encarando as cenas de sexo e nudez como uma Megan Fox jamais faria.
Com roteiro de Erin Cressida Wilson (do provocante Secretária), a história começa
quando o professor David provoca desconfiança na sua esposa, a médica Catherine,
ao perder o voo que o traria de volta para sua festa de aniversário, que Catherine
armou como festa surpresa, convidando todos os seus amigos. Em frases cortantes como
a que a médica explica a uma paciente que 'o orgasmo é apenas uma contração muscular
na região do clitóris, não há nada de especial nisso', ficam bem definidos os estados
emocionais dos personagens
e entendemos perfeitamente pelo que passa aquele casamento
de gente de classe média alta, com um filho perfeito (no que só pode ser uma brincadeira
intencional de Egoyan e seu roteirista com o gênero, o rapaz é talentoso pianista clássico
e também jogador do time de hóquei na escola). Então entra em cena a misteriosa
Chloe, garota de programa contratada por Catherine para seduzir seu marido e comprovar
que ele é capaz de traí-la. Num jogo altamente erótico, Chole descreve com detalhes
sexuais
gráficos seus encontros
com David, para uma Catherine cada vez mais confusa
e claramente excitada sexualmente com a situação. Mais não deve ser dito, embora
seja até previsível que essa história não vai acabar muito bem. Aí é que está a fraqueza
de O Preço da Traição, que resolve-se com uma pouco convincente 'reviravolta' final.
Talvez por conhecer bem o cinema de Atom Egoyan, eu prefiro acreditar que ele está
usando o clichê do gênero para subvertê-lo, usá-lo a favor do filme. Por exemplo,
há uma clara inversão de valores de quem é vítima e quem é vilão. Nada é tão simples
visto com mais atenção. Ainda, a reviravolta final pode soar forçada, mas nunca diminui
o drama que foi construído antes, que é sólido, defendido por atores bem dirigidos.
Mais ainda, esse é um thriller erótico em que NENHUMA das cenas de nudez e sexo
são gratuitas, elas fazem parte de um roteiro adulto que percebe o sexo como parte
natural das ações dos personagens, inclusive com um ponto de vista feminino sobre
o sexo, algo raro no mundo infantilizado e machista de Hollywood.
Por fim, O Preço
da Traição é cinema superior, com um trabalho de câmera e imagens (direção de fotografia
do colaborador habitual Paul Sarossy) que não se confunde com a média do gênero,
incluindo uma trilha sonora elegante de Mychael Damma, que dá clima, atmosfera,
ao filme, sem nunca fazer redundante comentário dramático
sobre o que se vê.
Longe de ser um grande filme,
O Preço da Traição vale a sessão, especialmente para
um público mais maduro, acostumado a ver sexualidade adulta apenas em filme europeu.
Visto em 08/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
AS MELHORES COISAS DO MUNDO ![]()
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Brasil 2010 1h47min
de Laiz Bodanski com Francisco Miguez, Fiuk, Caio Blat, Denise Fraga, Paulo Vilhena
> Sinopse: Mano (Francisco Miguez) é um adolescente de 15 anos. Ele está
aprendendo a tocar guitarra com Marcelo (Paulo Vilhena), pois deseja chamar
a atenção de uma garota. Seus pais, Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos
Machado), estão se separando, o que afeta tanto ele quanto seu irmão mais velho,
Pedro (Fiuk). Sua melhor amiga e confidente é Carol (Gabriela Rocha), que está
apaixonada pelo professor Artur (Caio Blat). Em meio a estas situações, Mano
precisa lidar com os colegas de escola em momentos de diversão e também
nos momentos mais
sérios. O filme é inspirado na série de livors Mano,
escritos por Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto e é o terceiro longa
de Lais Bodanski que, depois de ter realizado os elogiados Bicho de Sete
Cabeças e Chega de Saudade, vem se firmando como uma diretora
competente, que sabe equilibrar o apelo comercial com a qualidade artística.
Com roteiro de Luiz Bolognesi, parceiro e também marido, Lais Bodanski
realizou um filme sobre adolescentes, tema raro no cinema basileiro, onde
os jovens espectadores tem como referência apenas os filmes americanos.
As Melhores Coisas do Mundo aborda um grupo de jovens estudantes, filhos
de uma classe média abastada de São Paulo, experimentando as primeiras
coisas do mundo adulto, álcool, sexo e entorpecentes, num contexto atual
onde a internet, os celulares e gadgets digitais fazem parte de uma juventude
que, de certa maneira, é bem mais conservadora que a geração dos seus pais.
As maiores qualidades do filme estão na excelência técnica e na boa direção
de atores, a maioria deles inexperientes e
estreantes, como o filho de Fábio Jr,
o Fiuk, e o excelente protagonista Francisco Miguez, de apenas 15 anos de idade.
OPINIÃO As Melhores Coisas do Mundo em 10 twittes www.twitter.com/kinemail
1.
Fiuk é uma das piores coisas do mundo. Quanto tempo vamos ter que aguentar o filho de Fabio Jr.?
2. Só mesmo no CinePE pra o filme sair como grande vencedor de festival de cinema.
3. Mais um exemplo de mal uso de música dos Beatles no cinema. Something total fail.
4. Uma coisa boa: o moleque Francisco Miguez, 15 anos. Um achado, ótimo ator estreante.
5. Outra coisa boa: direção de elenco. Dos adolescentes aos montes de figurantes, competência.
6. Filme peca por não dar muita chance à imagem. Nunca vi CinemaScope tão desperdiçado.
7. Famoso no elenco é o erro: Paulo Vilhena de professor de violão/psicólogo de botequim não dá. Muito ruim.
8. Famoso no elenco é o erro: Denise Fraga no mesmo papel de sempre, depressão e olheiras. Cansou.
9. Laís Bodanski caprichou tecnicamente, montagem, direção de arte, locações, muito bons. Já o roteiro...
10. Não dava pra contar só a história de Mano? Filme brazuca tem que fazer amplo painel sociológico do tema?
Visto em 07/05 no Cinema São Luiz
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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Cinema São Luiz
> Além da programação normal, que exibe As Melhores Coisas do Mundo,
o Cinema São Luiz passa a oferecer aos espectadores horários para Sessão
de Arte e matinês com filmes infantis, além de exibir curtas pernambucanos
antes das sessões. Excelente iniciativa, prestigie, compareça. Além da reforma
que trouxe de volta uma das salas mais especiais do Brasil, é preciso público
para que a programação melhore cada vez mais, resgatando bom cinema
clássico e novidades do cinema independente. Kinemail estará presente
hoje na Sessão de Arte inaugural às 20h para o adorável e genial Meu Tio.
Em todas as sessões, ingressos por apenas R$ 4,oo e R$ 2,oo para estudantes.

MEU TIO ![]()
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Mon Oncle França 1958 1h56min
de/com Jacques Tati com Alain Becourt, Jean Pierre-Zola, Adrienne Servantie
CINEMA SÃO LUIZ | sexta 14, 20h e domingo 16, 10h
R$ 4,oo e 2,oo (estudante)
> Sátira inspirada do cineasta à modernidade já vigente na Paris dos anos 50,
Meu Tio flui na tela com humor ao mesmo tempo ingênuo e acidamente crítico,
ao mostrar a felicidade das pessoas mais simples que moram nos bairros
pobres da periferia, ao contrário da pressa e do vazio daquelas mais abastadas
que vivem num mundo automatizado. Monsieur Hulot, solteirão e desempregado,
passa a ser admirado por seu sobrinho Gérard, justamente por viver fora dos padrões.
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes,
foi o primeiro filme colorido de Tati e permanece belo e atual nos seus enquadramentos
limpos, modernos, arrancando risadas com seu humor gráfico vigoroso,
com memoráveis gags puramente visuais
(o filme quase não tem diálogos).
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Mostra Jean Rouch
> Dessa sexta 14 até o domingo 23 de maio o Cinema da Fundação exibe
a Mostra Jean Rouch, grande retrospectiva com a obra do francês
Jean Rouch (1917 - 2004), cineasta que marcou o documentário mundial,
considerado como pioneiro do cinema-verdade, com influência em todo o cinema
moderno, da nouvelle vague ao cinema novo brasileiro.
A mostra acontecerá no Cinema
da Fundação e
na sala de vídeo João Cardoso Ayres (no mesmo hall do cinema)
em blocos de filmes, palestras e debates com professores e cineastas convidados,
diariamente em sessões a partir de 14h30, com todos os filmes legendados
em português e ENTRADA FRANCA. A sessão deste sábado 15 do Cineclube
Dissenso também fará parte da mostra.
Mais informações em www.fundaj.gov.br
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc
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