

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 488
Neve, Olhos, Quincas e Irandhir Santos
> Semana surpreendente tem cinema do bom em O Escritor Fantasma
de Roman Polanski, nos multiplexes, e o argentino vencedor do Oscar
de melhor filme estrangeiro, O Segredo dos Seus Olhos, em pré-estreias
no Cine Rosa e Silva, que permanece exibindo Procurando Elly, filme
que merece ser descoberto pelos espectadores.
Em pré-estreia no multiplex
Tacaruna, temos o projeto coletivo Tokyo!, que reúne três médias
metragens dirigidos por Michel Gondry, Bong Joon-ho e Leos Carax.
A semana ainda conta com a ótima presença do ator pernambucano
Irandhir Santos em três filmes em cartaz: Quincas Berro D'Água, Olhos
Azuis e como narrador do delicado road-movie experimental Viajo Porque
Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karin Ainouz,
em exibição limitada por apenas uma semana no Cinema da Fundação,
que terá a sala ocupada pelo Festival Varilux de Cinema Francês 2010
a partir da próxima sexta 04. Mais filmes da semana: Pânico na Neve,
Sex and The City 2 e Sessão Surpresa! do Cineclube Dissenso.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta O Inquilino, 1976, biscoito
fino de Roman Polanski, finalmente lançado em DVD no Brasil. Leia AQUI
LEITOR VIP Para ganhar convites e brindes de Fúria de Titãs,
Quincas Berro D'Água e pré-estreia de O Príncipe da Pérsia, clica AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979

VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO ![]()
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Brasil 2009 1h12min
de Marcelo Gomes e Karin Ainouz narrado por Irandhir Santos
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Eis aqui um filme muito especial. Indefinido entre uma linguagem
de documentário, um tom literário de filme-poema e também linguagem
de ficção, em formato de road-movie, Viajo Porque Preciso, Volto
Porque Te Amo, um longo título justificado como frase de para-choque
típica do universo mostrado no filme, onde o ator Irandhir Santos
é um protagonista que nunca aparece, a não ser pela voz que narra
o filme, vivendo um geólogo que viaja a trabalho pelo interior
nordestino, durante 60 dias de estradas percorridas, contando para
a mulher amada sobre as pesquisas que fez, as pessoas e os lugares que
conheceu e principalmente, fazendo um relato delicado e poderoso
sobre o processo de autoconhecimento e amadurecimento pelo qual passou.
Por mais que possa parecer cerebral, 'cabeça', o que temos aqui é algo
verdadeiramente emocionante, muito por conta da apaixonada 'atuação'
de Irandhir Santos, ao narrar sua história intimista em meio a imagens
quase experimentais, com cara de filme caseiro, pelos lugares onde
passa. Quando tanto se fala da relação complicada entre literatura
e cinema, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo é uma aula de
como valorizar o poder das palavras com as imagens - e nunca apenas
sublinhá-las - como tão bem fez o cinema de Alain Resnais (Noite e Neblina,
Hiroshima Meu Amor) nos revolucionários anos 60. Curioso como
algumas cenas narradas transformam-se em imagens na nossa memória,
embora nunca tenham sido mostradas na tela. Muito bonito isso.
Dirigido por Karim Ainouz (O Céu de Suely) em parceria com Marcelo Gomes
(Cinema, Aspirinas e Urubus), o filme é quase um média metragem, com
apenas 71 minutos de duração, e um objeto voador não identificado num
cinema nacional que só aposta em fórmulas fáceis que nunca alcançam
o que aqui é pleno e constante: a magia do cinema. Sim, ela ainda existe.
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo é um filme pequeno, que
não inventa a roda, mas precisa ser sentido, experimentado, mais do que
simplesmente explicado ou analisado. As chances de você se apaixonar pelo
filme são grandes. Se não, vale pela rara experiência de mergulhar por
pouco mais de uma hora nesse delicado relato cinematográfico. Por conta
da agenda lotada do Cinema da Fundação, só ficará em cartaz por uma semana,
em quatro sessões diárias. Não perca. É cinema nacional sem igual.
Visto em 16/10/2009 como convidado da II Janela de Cinema do Recife
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
OLHOS AZUIS ![]()
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Brasil 2010 1h50min
de José Joffily com David Rasche, Irandhir Santos, Cristina Lago, Branca Messina
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Mais um filme nacional que vem coberto de prêmios em festival nacional
de cinema, no caso, Festival de Paulínia, 6 prêmios incluindo melhor filme, tem lá
as suas boas intenções mas decepciona. Olhos Azuis, de José Joffily, é uma mistura
de gêneros - drama, policial, suspense e denúncia social - que tem pequenos
pontos a elogiar (mais uma vez, repare a boa presença do ator Irandhir Santos),
mas o filme afoga-se nas suas pretensões em ser algo maior do que realmente é.
O roteiro desmembra a narrativa em três tempos e lugares diferentes
e bem definidos: uma claustrofóbica sala de imigração em aeroporto
norte-americano, uma penitenciária e um ensolarado nordeste brasileiro,
com locações em Recife, Olinda, sertão pernambucano e Petrolina, para
traçar um quadro crítico à xenofobia ianque pós-11 de setembro,
centrado na busca de redenção de um policial americano aposentado,
vagando moribundo pelo Brasil, tentando consertar um erro do passado.
Mais uma vez, mesmo que num registro de filme B e em personagens mal
desenhados dramaticamente, o que sobressai é a boa direção de elenco,
que conta com os americanos David Rasche, protagonista aqui e coadjuvante
veterano nos EUA, Frank Grillo e Erika Gimpel (policiais da alfândega),
além dos pernambucanos Irandhir Santos e Cristina Lago (mais uma
prostituta de bom coração, um clichê cansado), Branca Messina (vivendo
com competência uma cubana), argentinos (um casal de escritores que
entra nos EUA traficando cocaína) e outros 'cucarachas', incluindo
um grupo de esportistas tentanto entrar com o time inteiro nos EUA.
Irandhir é um professor que vive de pequeno comércio nos EUA há dez
anos, mas é barrado - na volta de uma das visitas regulares que faz
à filha que deixou no Brasil - por um intransigente e preconceituoso
policial (David Rasche) que, bêbado e no último dia de trabalho antes
de aposentar-se, decide escolher aleatoriamente pessoas para barrar.
Na sala de imigração americana acontece o melhor do filme, incluindo
interessante ambiguidade nas histórias contadas pelos latinos para entrar
nos EUA. Por exemplo, nunca sabemos se a garota cubana é, de fato, uma
bailarina clássica convidada por uma companhia de balé americana, como
ela conta com humildade, ou mais uma imigrante tentando vida ilegal nos
EUA. Mas, no geral, os personagens são duros, preto no branco, clichês.
Lembrei que o bom e pouco visto Jean Charles consegue bem melhor resultado
nas telas no mesmo tema e uma lembrança incômoda de filmes que eu detesto
(Babel e Crash- No Limite) vinha sempre à minha mente. O recurso do roteiro
embaralhado não tem muita função, o filme talvez funcionasse melhor com
narrativa linear. A montagem de ação paralela prejudica bastante rumo
ao final, alternando tensão na alfândega e drama existencial de redenção
no desolado sertão nordestino, com direito a cenas onde o gringo descobre
a cachaça e o forró com uma prostituta que fala e entende fluentemente
o inglês (o filme é na maior parte falado em inglês, legendado em português)
mas, sem lógica alguma, enrola-se para falar algumas palavras
básicas em inglês. A revelação final do que realmente aconteceu e dá
sentido à narrativa em três tempos é previsível demais, desde o início,
e só será comovente ou surpreendente para quem não sabe somar 2 + 2.
Desculpem pelo bairrismo, mas vale a pena conferir a fita pelo trabalho do ator
pernambucano Irandhir Santos, mais uma vez valorizando os filmes em que está.
Visto em 25/05 como convidado da UCI Cinemas | Imagem Filmes
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PÂNICO NA NEVE ![]()
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Frozen EUA 2010 1h34min
de Adam Green com Emma Bell, Shawn Ashmore, Kevin Zegers
> Pequeno filme independente com argumento semelhante ao do sucesso
Mar Aberto (onde um casal ficava perdido em alto mar), Pânico na Neve
chamou atenção no Festival de Sundance e foi comprado por uma distribuidora
que apostou num possível sucesso nas bilheterias. Lançado nos EUA em 300 salas
e bastante prejudicado por um trailer imbecil que conta o filme inteiro,
o filme não funcionou. Mas nos parece bem interessante, uma fita a conferir.
Sinopse: Um dia típico nas montanhas se torna um pesadelo gelado para
três esquiadores que ficam presos em um teleférico antes de sua última descida.
A equipe da estação de esqui desliga as luzes da pista e o trio percebe, em pânico,
que foram esquecidos. Com hipotermia e queimaduras de frio, os amigos são
forçados a tomar medidas extremas, antes que morram congelados.
Visto em 30/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
QUINCAS BERRO D'ÁGUA ![]()
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Brasil 2010 1h44min
de Sergio Machado com Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Irandhir Santos
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Não posso deixar de começar a escrever minha opinião lembrando
a leitora que enviou o seguinte comentário, ao falar de As Melhores Coisas do Mundo:
'Sobre os prêmios em festivais nacionais de cinema e algumas críticas elogiosas,
você não acha que há uma tendência de a crítica ter critérios diferentes quando
se trata de filme brasileiro? Eu penso que a galera é mais condescendente
com os erros, faz mais vista grossa, baseada naquela vontade de que o cinema
brasileiro dê certo. Coisa que eu entendo, mas não acho nada bom,
acabamos avaliando os nossos filmes nivelando por baixo.' Márcia Lira | marcialira@gmail.com
Pois é justamente essa a minha sensação ao ler matérias e críticas tão elogiosas
a essa adaptação de um romance de Jorge Amado, Quincas Berro D'Água.
Vale lembrar que o posto de maior sucesso de bilheteria da história do cinema
nacional ainda é de Dona Flor e Seus Dois Maridos, um delicioso exemplo de bom
cinema nacional popular, de entretenimento.
Revisto num relançamento em
cópias novas alguns anos atrás, o filme mantém o charme, com elenco inspirado
(Mauro Mendonça sensacional) e qualidades de bom cinema narrativo tradicional.
Quincas Berro D'Água tem valores de produção (direção de arte cuidadosa, fotografia
em largo CinemaScope, bom figurino, boas locações)
e um elenco competente, para
contar, do ponto de vista de um morto - um ex-funcionário público com grande vocação
para a boemia -
o dia do seu enterro, quando amigos de farra, desconhecidos pela família,
roubam o corpo para uma última noite de bebedeira e festa em uma Salvador dos anos 50,
entre botecos, bordéis e gafieiras.
Estão lá todos os elementos para fazer um bom filme
de pura diversão, mas falta molho, falta liga. A vontade de fazer um comentário elogioso
é enorme. Infelizmente, o filme, a cada instante, só ressalta seus problemas, seus
defeitos.
O diretor Sergio Machado vinha realizando projetos bem pessoais (o documentário
Onde a Terra Acaba e o longa de ficção Cidade Baixa) e este é seu primeiro filme
de grande porte, incluindo efeitos especiais digitais e design de créditos de abertura
estilizados à Saul Bass.
São efeitos de produção que procuram atrair as plateias
mais jovens e afastam o filme de um tom mais orgânico e autêntico do universo
tão baiano (no bom sentido) da obra de Jorge Amado. Embora haja uma preocupação
em ser 'cinematográfico' (externas com figurantes são bem realizadas), a montagem
tem aquele tique nervoso televisivo, editando mal e com excesso de cortes que
dão uma sensação de pressa, com muita montagem paralela, sem 'descansar'
em nenhuma cena, como se na sala de montagem o diretor e o editor estivessem
desesperados em evitar que o espectador vá à geladeira ou mude de canal.
E o que poderia dar errado no humor? Se você já leu Jorge Amado, sabe aquela sensação
gostosa de ficar com um sorriso no rosto enquanto lê um livro? Pois é, ela não existe
no filme. As piadas são fáceis demais, óbvias demais e, quando existe bom humor, ele vem
exclusivamente
do texto de Jorge Amado. Comédia não é algo fácil de fazer. Exige ritmo,
timing de montagem, algo que é bem precário aqui.
Os atores são o que salva o filme do
esquecimento logo após a sessão. O carismático veterano Paulo José marca presença,
mesmo ficando 'morto' na maior parte do tempo. A limitada Mariana Ximenes até que está
bem. E o quarteto formado por Pastinha (Flávio Bauraqui), Pé de Vento (Luis Miranda),
Cabo Martin (Irandhir Santos, o pernambucano que está brilhando atualmente nas telas)
e Curió (Frank Menezes) valem o ingresso, melhores do que o filme em que estão.
Mesmo subaproveitados pelo roteiro, cada um deles compõe seu personagem com detalhes
e veia cômica, com referência a atores das ótimas comédias clássicas do cinema italiano.
Encerrando com mais uma nota negativa, a sequência final investe em efeitos visuais CGI
num barquinho numa tempestade, que estão mais pra Mar em Fúria do que Jorge Amado.
Visto em 27/05 como convidado da UCI Cinemas
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SEX AND THE CITY 2
Sex and The City 2 EUA 2010 2h26min RT 1,5
de Michael Patrick King com Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kim Cattrall
Não é apenas uma continuação, é um 'épico-perua' com 2 horas e meia de duração!
Lembro que o jornalista Edson Aran publicou um twitte impagável:
'Cara, eu pegava a Sarah Jessica Parker. E enchia de porrada!'
Bem, Kinemail não viu o primeiro, nunca viu a telessérie e não foi ver esse
Sex and The City 2 nem de graça e convidado. Será um sucesso, mas
ainda não conseguimos entender como tem gente que paga pra ver. Boa sorte!
> Sinopse: Samantha (Kim Cattrall) tentará encontrar uma mãe de aluguel
para ter um filho. Charlotte (Kristin Davis) passará por uma crise no casamento
por achar que está sendo traída. Miranda Hobbs (Cynthia Nixon) abrirá um restaurante
em família. Carrie (Sarah Jessica Parker) mostrará as desventuras de sua relação
com Mr. Big (Chris Noth), ao mesmo tempo em que volta a encontrar um antigo caso.
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Mother, Elly, Cinema São Luiz e o público recifense
Mother - A Busca Pela Verdade é um dos mais belos filmes de amor que já
tive o prazer de ver. Que inveja dos coreanos, iranianos... Os caras sabem fazer
cinema e mostram que não precisam de muito dinheiro para isso. Interessante notar
a feição do rosto do público ao final da sessão, se existe uma palavra que resume
a impressão que eu tive é satisfação. Roteiro inteligente, feito para grudar na nossa
memória. Os três personagens principais, bem construídos, bem dirigidos, são figuras
que tão cedo sairão da minha mente. Dentre tantas cenas memoráveis, duas sintetizam
o amor de mãe: No inicio do filme, a tomada inicial de dois acidentes em paralelo e ao final
a cena que a mãe visita um rapaz na prisão e faz uma pergunta que resume bem o filme.
Depois dos coreanos, chegam os iranianos e passam novamente aquela mensagem:
nós sabemos fazer cinema melhor do que vocês! O meu consolo é que temos um Cinema
da
Fundação e um Cine Rosa e Silva para nos fornecer essa constatação. Foi realmente
um prazer assistir a Procurando Elly, esse Big Brother iraniano (no bom sentido),
em uma sala cheia, com um público educado e formador de opinião. Quanto ao filme,
no início tudo é festa, os personagens são nos apresentados numa naturalidade invejável,
e logo nos identificamos com eles, afinal que nunca teve um grupo de amigos no colégio
ou na faculdade e foram fazer um churrasco na praia? No entanto, em um segundo momento
algo acontece e tudo muda, as relações antes de cumplicidade, se tornam uma artilharia
de acusações e as diferenças se sobressaem, o nervosismo crescente vai se tornando
insuportável, até um fechamento improvável ou provável, como o cliente venha a desejar.
As Melhores Coisas do Mundo: Sabe aquele filme simpático que, quando você não está
fazendo nada, coloca no DVD para passar o tempo? Comigo é assim com Dez Coisas que
Odeio em Você, Um Tira no Jardim da Infância, Meu Tio Matou um Cara e agora com esse
As Melhores Coisas do Mundo. Esses títulos estão longe de serem 'obra' de arte', mas geram
uma sensação boa em assisti-los. As Melhores Coisas do Mundo é bem filmado, se comunica
bem com os adolescentes e tem um elenco bem dirigido. Discordo do Kinemail, não acho que
os atores famosos comprometam o filme, até mesmo Fiuk não está tão ruim (não quer dizer que
ele
está bom, sei lá... entende?). Todos que já passamos por aquela fase, nos identificamos
com alguma cena. No entanto, sabe o que foi melhor? Voltar a assistir um filme inédito, com
estreia simultânea no Cinema São Luiz e nos multiplexes. Fico imaginando o quanto foi difícil
conseguir esse feito, lançar o filme simultaneamente aos multiplexes predadores.
Realmente não entendo o recifense, reclamaram tanto quando o São Luiz fechou e, quando reabre,
mesmo com bons filmes, com projeção e som melhor do que os dos shoppings Recife, Boa Vista
e Tacaruna (isso eu garanto), além do preço bem camarada, não consegue levar público.
Interessante que a maior reclamação do público que não freqüenta o cinema é a questão
do estacionamento. Mas esse problema não foi sentido por ninguém na reabertura oficial
do cinema (com a presença de governador, prefeito..) e nem na abertura e fechamento do CinePE,
com o cine lotado. No entanto, para assistir Ilha do Medo, Amor Sem Escalas e As Melhores Coisas
do Mundo, o estacionamento e a segurança são grande problemas, talvez porque não tenhamos
na plateia Dudu Campos ou alguma outra celebridade. O público não vai, o cinema fecha
novamente, e os intelectuais de plantão vão a imprensa escrever cartas reclamando, vão participar
de audiência pública para definir o destino do cine... e toda a celeuma se inicia novamente.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com
Que bom que você gostou tanto de Mother e Procurando Elly, dois bons filmes que
a maioria das pessoas
não viu, seja pela falta de hábito em ir ao Cinema da Fundação
e ao Cine Rosa e Silva
(que, aliás, fica dentro de um centro comercial) ou pior, pela
rejeição aos filmes que não sejam falados na língua preferida dos espectadores brasileiros,
o inglês, deformação cultural esta resultante da ração fast-food oferecida pelos multiplexes
de shoppings, que promovem essa coisa tão característica das atuais plateias globalizadas:
o orgulho em ser estúpido. A falta de educação das plateias barulhentas dos multiplexes
é tamanha, com seus celulares, baldes de pipoca e bate-papo em voz alta que eu penso
que o último motivo que faz aquela gente estar ali seja a vontade de assistir a um filme...
Quanto ao Cinema São Luiz, concordo com você quanto a qualidade da sala. Além de ser
um lindo e precioso cinema à moda antiga (com cortinas que abrem antes do filme, como
é lindo isso, não?), a qualidade de projeção, ar condicionado e som não deve nada
aos
multiplexes que cobram ingresso 4 vezes mais caro. Assisti Ilha do Medo lá pela terceira
vez e foi onde vi o filme com melhor qualidade técnica. Quanto aos problemas de segurança
e estacionamento, isso não dá pra evitar. Mas é um problema da cidade do Recife, que
os governantes e, especialmente o 'progresso imobiliário', transformaram numa cidade cada
vez mais estranha ao cidadão. Sobem os paredões dos edifícios residenciais e comerciais,
verdadeiras torres de isolamento social que criam ruas inteiras de muros revestidos
de
pastilhas cerâmicas. Como morador do bairro de Boa Viagem, eu me sinto mais morando
numa ficção científica distópica do que 'na praia' (vale lembrar ainda aquela 'usina nuclear'
inacabada de concreto conhecida como Parque Dona Lindu).
Não se investe em novos espaços
públicos, recuperar as poucas praças que existem, a maioria delas no centro da cidade,
área urbana onde ainda é possível passear a pé, mas que de fato não oferece mesmo
qualquer
segurança, além do caos do comércio ambulante e das vias mal cuidadas,
esburacadas, que conseguem enfeiar uma cidade que, fosse encravada na Europa, seria
uma das mais bonitas do mundo. Veja o caso de São Paulo, que é caótica e de uma
feiúra urbana indiscutível. Mas... em São Paulo eu passeio tranquilamente em todos
os bairros, do centrão
ao bairro mais rico, vou a pé para multiplexes de shopping e vários
cinemas em ruas comerciais ou centros culturais
e, mais importante, o tempo inteiro
você passa por praças enormes, com árvores, bancas de revista, pessoas nas esquinas.
No Recife, a cidade funciona contra o cidadão. O carro é quase obrigatório para você
ir de qualquer lugar para outro da cidade.
Quem tem um padrão médio de vida (nem
precisa ser rico) se tranca num shopping center, com medo de gente e rua. Horrível isso.
Voltando ao Cinema São Luiz, pois é, a classe média só vai ali mesmo se for pra
evento com a presença de Dudu Campos. Você consegue imaginar jovens deixando
de ir aos shoppings nos sábados à tarde para ir a um cinema num marginalizado
e vazio centro da cidade? Eu não.
Para tornar aquela área do centro socialmente
frequentável novamente, precisamos bem mais do que estacionamento e segurança.
Sei é que há um esforço elogiável dos programadores, procurando oferecer sessões
matinais, programação variada, sessões para escolas
etc. Lanterninhas e seguranças
garantem o bom comportamento da plateia. É proibido entrar com alimentos e bebidas
na sala
e, não esqueçamos, cinemas do centro da cidade são redutos de prostituição
profissional e safadezas de casais no escurinho do cinema.
Resta torcer para que,
com muito tempo de trabalho, seja possível recuperar a boa imagem do Cinema São Luiz.
Tem um Saul Bass amigo aqui
Esse cartaz de Quincas Berro D'Água tá muito Anatomia de um Crime.
Só que mais brega. Tá meio Anatomia de um Crime com Quatro Casamentos e um Funeral.
Cezar Martins | czrmartins@gmail.com

E então! Mais um cartaz 'inspirado' naquele que a extinta revista Premiere
elegeu como a melhor arte gráfica
para cartaz de cinema de todos os tempos.
O poster de Anatomia de um Crime é um dos mais marcantes e influentes
trabalhos do designer gráfico Saul Bass, de uma modernidade absurda para
o ano de 1959. Em 1995, o poster para um filme de Spike Lee, Clockers - Irmãos
de Sangue também homenageava a obra de Bass e, agora em 2010, cinquenta anos
depois do original, temos essa versão meio gaiata para
Quincas Berro D'Água.
Procurando Elly
Procurando Elly (antes À Procura de Elly), é um filme iraniano que mais parece
um argentino. Totalmente distante das histórias de reflexão e/ou críticas ferrenhas
ao sistema, o filme é uma história
simples sobre um grupo de amigos passando
o fim de semana numa velha casa de praia. Um deles acabou de voltar do exterior
e pretende arrumar uma noiva em seu país. Sepideh, a mulher que organizou todo
o evento, leva junto com eles na viagem uma moça chamada Elly, professora de seus
filhos, para quem sabe formar um novo casal. Tudo é muito divertido e descompromissado
até meia hora dentro do filme, quando Elly some misteriosamente. Talvez teanha ido
embora, talvez tenha sido seqüestrada, talvez tenha morrido... Fato é que ninguém sabe
o paradeiro da moça, e o clima de alegria é brutalmente interrompido por uma sucessão
de mentiras e acusações. Afinal, quem é Elly? A comparação com o cinema de Lucrecia Martel
é inevitável; há todo momento a câmera se perde no meio de tantas pessoas gritando,
crianças correndo e mais mil coisas acontecendo no mesmo lugar. Talvez o filme fosse
melhor se não tratasse o sumiço de Elly com tamanho ar de suspense, mas ainda assim,
é um produto interessantíssimo do cinema iraniano. Um filme que não se vê todo dia.
Felipe André | f_andre2@hotmail.com
Kinemeiete e Kinemeião de maio
> Nossa novo tópico ainda não está tendo muita participação dos leitores, mas a gente
insiste numa segunda rodada mensal, com a atriz e o ator mais 'interessantes' dos filmes
lançados aqui no Recife durante o mês de maio. Interessantes entre aspas, porque uma
combinação de talento, carisma, beleza e sex appeal são os crítérios da nossa escolha.

Amanda Seyfried é a Kinemeiete de maio. Desde sua participação
em Meninas Malvadas (Mean Girls) como uma memorável loura rica e burra,
ela parecia destinada a virar a nova namoradinha da América, em fitas como
Alpha Dog, Mamma Mia!, Garota Infernal e Querido John.
E que boa surpresa
quando ela, ainda aos 24 anos, aceitou o papel de Chloe, a garota de programa
de O Preço da Traição, de Atom Egoyan. Numa demonstração de que beleza e talento
podem andar juntos, Amanda domina o filme (que tem Julianne Moore e Liam Neeson)
e enfrenta cenas de sexo e nudez como poucas atrizes jovens topariam hoje em dia.
Se você ainda não notou essa loura de enormes olhos verdes, fique ligado:
Amanda estará, cada vez mais como protagonista, em vários filmes a estrear.
Concorrentes:
Carey Mulligan (Educação)
Taraneh Alidoosti (Procurando Elly)

Irandhir Santos é o Kinemeião de maio. Pra começar ele está
em 3 (!) filmes em cartaz no Recife:
Viajo Porque Preciso, Volto Porque
Te Amo, Quincas Berro D'Água e Olhos Azuis.
Esse é o 'momento'
do pernambucano Irandhir, 31 anos, na linguagem superficial do mundo das
celebridades instantâneas. Mas Irandhir não é dessa praia. De sólida formação
teatral, ele é essa coisa cada vez mais rara hoje em dia: um ator de verdade.
Depois de pequenos papéis
em Cinema, Aspirinas e Urubus e Baixio das Bestas,
estrelou a sofisticada
minissérie A Pedra do Reino de Luiz Fernando Carvalho,
o filme pernambucano Amigos de Risco e foi o vilão na aventura Besouro,
até chegar ao momento atual. Um dos mais requisitados atores para cinema,
estará em Tropa de Elite 2, A Hora e a Vez de Augusto Matraga,
A Febre do Rato e em vários filmes nacionais que vem por aí.
Concorrentes:
Francisco Miguez (As Melhores Coisas do Mundo)
Peter Sarsgaard (Educação)
> Concorde, discorde por e-mail para fernando@kinemail.com.br ou no www.twitter.com/kinemail
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