

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 489
Polanski, Pérsia, Tokyo, Olhos e Billy Wilder!
> Não perca por nada O Escritor Fantasma de Roman Polanski, uma
aula de como fazer do cinema a melhor diversão, já no Top Ten Kinemail
atualizado nesta edição.
O argentino oscarizado O Segredo dos Seus Olhos
entra em cartaz no Cine Rosa e Silva, que reprisa ainda o interessante
O Preço da Traição, com a nossa Kinemeiete do mês, Amanda Seyfried.
A bizarra comédia O Golpista do Ano, com Jim Carrey, Ewan McGregor
e Rodrigo Santoro vivendo personagens gays, estreia nos multiplexes.
O Príncipe da Pérsia e Marmaduke são mais estreias do feriadão.
No Cinema da Fundação, o Festival Varilux de Cinema Francês 2010
começa nessa sexta 04, com aguardados novos filmes de François Ozon,
Jacques Audiard e Bruno Dumont.
O Cinema São Luiz exibe em duas sessões
a genial comédia do mestre Billy Wilder, Quanto Mais Quente Melhor,
com Jack Lemmon, Tony Curtis e Marilyn Monroe, a animação As Bicicletas
de Belleville, Top Ten Kinemail 2004, e uma sessão retrospectiva dos
premiados curtas metragens de Kleber Mendonça Filho. Agende-se!
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Fernando Vasconcelos comenta Fora do Jogo,
filme iraniano que se passa durante uma partida de futebol. Leia AQUI
LEITOR VIP Para ganhar convites e camisas Príncipe da Pérsia, clica AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979

O ESCRITOR FANTASMA ![]()
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The Ghost Writer França/Inglaterra 2010 2h08min
de Roman Polanski com Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Kim Cattrall
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO É um lançamento da semana passada, mas não perco a oportunidade
de comentar sobre O Escritor Fantasma em destaque, já que este é um dos
melhores filmes que você verá esse ano, direto pro Top Ten Kinemail 2010.
Lindamente dirigido por um mestre, com um roteiro preciso como um relógio
baseado no best-seller de Robert Harris e uma impecável direção de atores,
é um filme onde cada ator está perfeito, dos principais aos menores coadjuvantes.
'Filme de arte'? Longe disso. O Escritor Fantasma honra a tradição
em oferecer cinema como puro entretenimento. Infelizmente, a gente sabe,
essa máxima de Hollywood anda em baixa, muita baixa qualidade atualmente.
Nada como um sábio e veterano mestre da carpintaria cinematográfica
(estamos aqui no mesmo terreno de um Clint Eastwood) para pegar um
argumento de thriller de intriga política internacional que poderia resultar
em tantos filmes genéricos que vemos toda semana nos multiplexes,
e transformar tal material em cinema da mais alta qualidade, desses filmes
em que há enorme prazer e interesse do espectador a cada minuto, a cada
fotograma. Em resumo, temos um protagonista sem nome (Ewan McGregor,
havia esquecido como ele é um excelente ator?) que é convidado para
escrever como ghost writer as memórias de um primeiro-ministro inglês,
com uma oferta financeira irrecusável. Durante o trabalho, como manda
a fórmula, ele descobre segredos que colocam a sua vida em perigo.
Simples assim. Mas o que resulta na tela é cinema na sua esséncia mais pura.
Com um senso espacial e arquitetônico que não se vê mais hoje em dia,
Polanski filme maravilhosamente em largo CinemaScope com um trabalho
de montagem que de tão exato parece coisa do outro mundo, perfeitamente
sincronizado com a clássica trilha sonora de Alexander Desplat que
o tempo todo nos lembra: Hitchcock! Hitchhcock! Mas não se trata de
homenagem ao mestre do suspense. Em cada detalhe, em cada personagem,
temos aqui um genuíno filme de Polanski, centrado nas paranoias, aflições
e busca pela verdade, através de um homem comum preso numa rede maléfica
de poder e tramoias corporativas. Incrível como Polanski imprime ao roteiro
aparentemente derivativo um frescor e marca pessoal inconfundíveis.
A reparar a adorável participação de Eli Wallach - sim, ele mesmo, o Feio
de Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) - atuando
vigorosamente nos seus 95 anos de idade, uma coisa de emocionar.
Por fim, que maravilha é aquela cena final? Usando toda a inteligência de um
mestre da imagem, Polanski registra em perfeita tela larga o efeito de uma
açâo que acontece fora do quadro e comete um daqueles finais que ficarão
para sempre gravados na sua memória cinéfila. Que delícia de filme. Bravo! Bravo!
Eu poderia falar por parágrafos e mais parágrafos sobre a excelência do trabalho
desse grande artista que é Roman Polanski, sem nunca precisar comentar sobre
o desagradável processo que corre atualmente na sua vida pessoal. Mas é melhor
recomendar que você corra pra ver O Escritor Fantasma, que só ficará por pouco
tempo em cartaz. Perder de ver esse filme no cinema é que é o maior crime.
Visto em 28/05 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS ![]()
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El Secreto de Sus Ojos Argentina/Espanha 2009 2h09min
de Juan José Campanella com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Nem sempre a unanimidade da crítica e público coincide com a nossa
opinião. É o caso do filme argentino O Segredo dos Seus Olhos, vencedor do Oscar
de melhor filme estrangeiro e bastante elogiado como exemplo do cinema que se faz
na Argentina. Bem, esse não é o cinema argentino que eu tanto admiro, de diretores
como Carlos Sorin, Lucrecia Martel ou Pablo Trapero. Juan José Campanella já foi
indicado antes na mesma categoria por O Filho da Noiva, melodramão classudo
e comovente que não levou a estatueta. É melhor que O Segredo dos Seus Olhos.
Campanella fez carreira em Hollywood e hoje escreve e dirige episódios para telesséries
como Dr. House e Law & Order. Seu consagrado novo filme, agora carimbado com
um Oscar de melhor filme estrangeiro, foi grande sucesso de bilheteria na Argentina.
É um novelão bem dirigido, mas não escapa de certos artificialismos de um cinema
pensado para ser 'grande arte'. O resultado é competente, mas apenas mediano.
Temos como protagonista Benjamin Espósito (Ricardo Darin, sempre bom), aposentado
há alguns anos do Tribunal Penal, que resolve escrever um romance. Convenhamos, partir
desse argumento já é algo meio forçado. Seu romance será sobre o caso que mais
marcou sua vida: o assassinato de uma jovem recém-casada. O caso foi engavetado pela
justiça, mas Benjamin resolveu continuar a investigação. O esclarecimento dos fatos
só viria à tona vinte e cinco anos depois, no momento presente do filme, que constrói
a história em flashbacks. Há boas cenas, romance, humor e a grande revelação final.
Um bem filmado e virtuoso plano-sequência na metade do filme é um desses casos
de enorme prejuízo provocado pelo YouTube. A cena é uma surpresa visual inesperada
que, infelizmente, muita gente viu antes na internet. O efeito, para quem já viu
tal cena - quase dez minutos sem cortes, partindo de uma tomada aérea num jogo
de futebol, chegando até um rosto na multidão e uma perseguição pelos bastidores
do estádio -, é de um tempo morto na tela, onde sobressai apenas o virtuosismo.
Num filme orgulhoso demais da sua estrutura de roteiro, a partir do livro A Pergunta
dos Seus Olhos, de Eduardo Sacheri, também co-roteirista, há espaço ainda para
o já cansado subtexto de crítica aos anos da ditadura latino-americana (no caso,
ao governo da então presidente Isabel Perón, nos anos 70). Com uma horrenda trilha
sonora previsível, ao gosto de Hollywood, e uma problemática deficiência nas cenas
em que os atores aparecem envelhecidos por maquiagem digna de novelas da Globo,
o melhor de O Segredo dos Seus Olhos está no elenco, com a presença marcante
do maior astro do cinema argentino, Ricardo Darin, que até consegue nos fazer esquecer
que o coração do filme, sua paixão velada pela chefe, a juiza Irene (Soledad Villamil)
é um dos romances mais improváveis e inconvincentes do cinema recente, que parece
estar no filme apenas como engrenagem do roteiro, jamais como um amor verdadeiro.
Visto em 28/05 como convidado do Cine Rosa e Silva
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
PRÍNCIPE DA PÉRSIA - As Areias do Tempo ![]()
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Prince of Persia - Sand of the Times EUA 2010 1h34min
de Mike Newell com Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Ao menos, o blockbuster da semana não é enfadonho como Robin Hood
ou Fúria de Titãs. Felizmente, também não é em 3D! Príncipe da Pérsia
é mais uma adaptação de videogame, 'gênero' no qual Hollywood insiste,
apesar de uma série de fiasco anteriores. Agora, o produtor de Piratas
do Caribe junta-se à Disney para oferecer um novo produto destinado
a uma futura franquia cinematográfica. Como era de se esperar, baseado
em videogame, Príncipe da Pérsia corre trepidante pela tela como um longo
trailer, com um herói que precisa vencer etapas cada vez mais difíceis
num parque temático bem definido, no caso a exótica Pérsia. A trama versa
sobre uma adaga mágica, que contém as areias do tempo e pode fazer o tempo
voltar atrás, ou algo assim. Nosso herói é um inadequado Jake Gyllenhaal,
devidamente bombado na academia mas pouco à vontade na pele de um acrobata
cabeludo e saltitante, plebeu tornado príncipe adotado por um rei, que sabe-se
lá porque, fala com um forte sotaque inglês, vivendo um persa. Vai entender!
E uma surpresa, até em blockbuster hoje temos recadinhos para a desastrosa
política do ex-Bush. No filme, uma cidade é invadida por suspeita de esconder
armamento, o que se revela uma mentira. Hello, EUA X Iraque, anyone?
Ironicamente, a adaga mágica aniquila qualquer possibilidade de suspense.
Alguém morre e... pow! adaga mágica move tudo de trás pra frente e salva
o sujeito (quantos pontos vale isso no game?). E correria não é sinônimo
de ação, esse filme mostra muito bem. Há o romance com a princesa, mas Jake
Gyllenhaal convence mais apaixonado pelo caubói Heath Ledger do que pela
princesa Gemma Arterton (também de Fúria de Titãs). Ben Kingsley (adivinha?)
está no filme para receber mais um checão em papel de vilão. Alfred Molina
tenta ser engraçado mas está longe, muito longe, de equivaler a um Jack Sparrow...
De qualquer forma, Príncipe da Pérsia cumpre o que promete, um filme-pipoca
que se esquece enquanto se vê. Mas não apresenta nada de novo que possa cativar
futuros fãs de uma franquia. Vamos ver se funciona. Em meio aos efeitos digitais,
vale notar que as locações reais são atraentes, e a direção de arte e figurinos
é um tanto acima da média, gerando algum prazer visual. Curiosa a trilha
sonora épico-brega, que me lembrava o tempo todo o tema da novela Pantanal.
Enfim, para quem já sabe o que vai ver, peguem seus baldes de pipoca e coca-cola
e tentem se divertir com esse blockbuster que, pelo menos, jamais se leva a sério.
Visto em 01/06 como convidado da UCI Cinemas | Buena Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
O GOLPISTA DO ANO ![]()
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I Love You, Phillip Morris EUA 2009 1h37min
de Glenn Ficarra e John Requa com Jim Carrey, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro
por Filipe Marcena
OPINIÃO Por mais que o título nacional queira convencer você do contrário,
O Golpista do Ano é sim o famigerado 'filme gay do Jim Carrey'.
Para ser mais exato, I Love You Phillip Morris é o filme onde
Jim Carrey interpreta Steven Russell, trabalhador americano médio
com sua família e sua igreja, que sofre um acidente de carro e muda
de personalidade. Ele torna-se um homossexual e, de quebra, um golpista.
Ele troca sua mulher e filhas por Jimmy Kemple (Rodrigo Santoro),
e rouba para sustentar sua glamourosa e clichê vida de bicha rica.
É preso quando descoberto e na penitenciária conhece o delicado Phillip
Morris (Ewan McGregor, excelente), por quem imediatamente se apaixona.
Assim, a nova motivação da vida de Steven é libertar Phillip da prisão
e viver feliz para sempre com seu amado. Nem sempre dá certo, e não
me refiro apenas às metas de Steven mas também as do filme.
Dirigido à quatro mãos por Glen Ficarra e John Requa, O Golpista do Ano
me parece tão indeciso quanto sua campanha de marketing brasileira.
À princípio é uma inacreditável história de amor baseada em fatos
verídicos (contados no livro Eu Te Amo, Phillip Morris), com cenas
verdadeiramente românticas entre os atores principais. Mas também
é um filme de roubos, fraudes e tentativas de fuga, uma trama paralela
que não mescla muito bem com o romance. E também é uma comédia
slapstick como Carrey adora fazer, passeando entre o (bem-vindo)
humor grosseiro e o (dispensável) humor imbecil. Isso enquanto
não decide virar melodrama, com direito a 'momento doença da semana'.
Não que filmes não devam nos fazer rir, emocionar, deixar-nos tensos
e apaixonados de uma só vez, mas é preciso saber cozer todos
os ingredientes com habilidade para que todos os sabores desejados
transpareçam. E O Golpista do Ano perde o equilíbrio.
A ideia por trás do filme é louvável: ser uma comédia romântica média
sobre homossexuais, nem ser muito épica (Brokeback Mountain) nem
muito indie (Caindo na Real). Os desatentos que entrarem na sessão
esperando uma típica comédia do Jim Carrey podem ficar chocados
com as nada suaves cenas de sexo, nudez masculina apelativa
e palavreado pouco ouvido no cinema-pipoca (- Goza na minha bunda!),
mas há temas universais de fácil identificação, como a abandonada
mulher de Steven, Debbie, interpretada por Leslie Mann. E existem
sim momentos engraçados pra valer. Mas a impressão que ficou
foi de que os diretores atiraram para todos os lados, esperando
pra ver o que funcionava. Acabou que o filme é um pouco engraçado,
ligeiramente romântico e emocionalmente raso. Marcante são só alguns
momentos inspirados e o Phillip Morris de McGregor, que está num ano bom,
também excelente atualmente nas telas em O Escritor Fantasma de Polanski.
Visto em outubro de 2009 como convidado da Mostra SP de Cinema
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
TOKYO! ![]()
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Tokyo! Japão 2009 1h50min
de Michel Gondry, Bong Joon-ho e Leos Carax com Ayako Fujitani, Denis Lavant
por Filipe Marcena
OPINIÃO Tokyo! é mais uma coletânea de curtas centrados em uma cidade específica
realizados por cineastas de renome, como Paris, Eu Te Amo e Contos de Nova York.
Obviamente a cidade é a capital do Japão, e os cineastas são os franceses Michel Gondry
(Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças), Leos Carax (Sangue Ruim) e o sul-coreano
Bong Joon-ho (O Hospedeiro e Mother). Cada um deles tem 35 minutos de duração e apostam
em gêneros comuns ao cinema japonês como horror e ficção-científica, cada um com olhar
e abordagem próprios, seja como homenagem ou sátira.
O primeiro, Design de Interiores do Gondry, é uma fábula sobre um jovem casal à procura
de um apartamento na metrópole. Enquanto ele tenta vender seus filmes experimentais
e trabalha embalando presentes, ela passa o dia à caça de um lugar para morar. Enquanto
isso são acolhidos no pequeno apartamento de uma amiga. O casal se vê em maus lençóis
quando percebem que estão virando um peso e, a garota sente-se culpada, achando-se inútil.
Filme típico do Michel Gondry, cheio de estripulia visual e efeitos ‘artesanais’, mas com uma
historinha boba e significados bem óbvios. Boas intenções não tornam filmes menos inócuos.
Logo em seguida acompanhamos Merde, de Leos Carax, o melhor e mais estranho dos três.
O curta é uma referência direta a Godzilla: um homem bizarro, cego de um olho, de barba
laranja e terno verde, ataca as ruas de Tóquio cometendo crimes hediondos. Por morar
no esgoto, acaba conhecido como o Sr. Merde. Preso e julgado, o misantropo Sr. Merde vira
estrela nacional ao dividir a opinião da população. O protagonista é interpretado por
Denis Lavant, ator fetiche de Carax, que alfineta meio mundo e parece se divertir
bastante (o rápido flash do Papa Bento XVI é hilário), levando tudo num tom de brincadeira.
Apesar de certa auto-indulgência, Merde é cativante o suficiente para valer a sessão.
Encerrando a coletânea está Balançando Tóquio, de Joon-ho, que narra a vida de um
homem que vive em reclusão no seu apartamento, sem muitos contatos com o resto
da humanidade. É sustentado pelos pais e passa o dia a ler livros e revistas, evitando
contato visual com os responsáveis pela entrega da comida e encomendas. As coisas
saem da ‘normalidade’ quando ele não resiste e olha nos olhos de uma bela entregadora
de pizza. Um terremoto acontece justamente nessa hora, e um curto mais precioso
contato ocorre entre os dois. É uma premissa interessante e conduzida com o talento
costumeiro de Joon-ho, mas confesso que o sabor excessivamente doce do final me deixou
um pouco frustrado, até porque é o segmento que conclui o filme. Tokyo! é irregular como
essas coletâneas geralmente são e, mesmo sozinhos, seus curtas tem problemas, mas
o projeto
sobrevive por não tentar fazer um retrato realista clichê da cidade nem ser uma
‘declaração de amor’, mas uma divertida brincadeira com o imaginário universal acerca de Tóquio.
Visto em 03/05
Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
MARMADUKE
Marmaduke EUA 2010 1h28min RT 1,1
de Tom Dey com Owen Wilson, William H. Macy, Judy Greer, Amanda Seyfried
> Sinopse: Marmaduke é um dog alemão adolescente de 90kg e muito bagunceiro,
que mora com a família Winslow. Quando os Winslows mudam-se para Califórnia,
Marmaduke apaixona-se pela linda afghan Jezebel, e terá de passar por vários desafios
para aprender que o caráter e a beleza interior são as verdadeiras provas de um 'top dog'.
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Cinema São Luiz
> Na programação diária, em clima de início de Copa do Mundo, o Cinema São Luiz
relança o documentário Pelé Eterno (2004) de Aníbal Massaini Neto, dessa sexta 04
até quinta 10. Abrindo as sessões, o curta metragem Barbosa (1988), de Jorge
Furtado e Ana Luiza Azevedo, ficção sobre um homem atormentado pela derrota
do Brasil pelo Uruguai na Copa de 1950. Barbosa era o nosso goleiro.
Nas sessões extras, muitas novidades: a oportunidade de ver numa tela de cinema
um clássico de 1959 de Billy Wilder e rever uma excelente animação
indicada
ao Oscar, além de uma retrospectiva dos premiados curtas de Kleber Mendonça Filho.
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR ![]()
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Some Like it Hot EUA 1959 2h02min RT 9,7
de Billy Wilder com Jack Lemmon, Tony Curtis, Marilyn Monroe, George Raft
+ curta metragem SCHEMBERGUIANAS de
Sérgio Oliveira
> Um dos grandes filmes do cinema americano é essa comédia dirigida pelo
judeu austríaco Billy Wilder, que fez carreira nos EUA, como tantos outros
grandes cineastas que fugiram do cerco nazista na Europa dos anos 30.
Entre as grandes obras-primas do cinema, Wilder realizou Crepúsculo dos Deuses,
Pacto de Sangue, Farrapo Humano e Se Meu Apartamento Falasse.
Quanto Mais Quente Melhor, aloprada farsa que foi das primeiras comédias
de grande sucesso com o hoje clichê do travestismo, está em todas as listas
de melhores filmes de todos os tempos, com o toque libertário e humanista
do grande Billy Wilder, aqui em excelente forma, dirigindo um trio perfeito
de atores, Jack Lemmon, Tony Curtis e Marilyn Monroe (cuja imagem icônica
do cinema, de vestido branco esvoaçante no metrô de Nova York, está
em outro filme de Billy Wilder, O Pecado Mora ao Lado).
A trama se passa em 1929, quando Joe e Jerry, dois músicos desempregados,
testemunham sem querer o cruel Massacre do Dia de São Valentim. Desesperados
para não serem pegos pelos gângsters, disfarçam-se de mulheres e entram para
um grupo feminino musical, que está indo para Miami fazer shows. Joe se apaixona
pela loira Sugar (Marilyn Monroe), a garota problema do grupo, enquanto
um milionário se apaixona pelo disfarce de Jerry, tudo isso em meio
a uma convenção de criminosos, que também está acontecendo em Miami.
Mais que em todos os filmes de Wilder, aqui nada é o que parece:
Na Lei Seca, um carro funerário tem caixões que transportam bebida
alcoólica, uma torta de aniversário esconde uma metralhadora,
um milionário num iate é um artista que não tem um tostão, uma
loira que diz que só quer encontrar um milionário para casar,
na verdade é só mais uma pessoa carente procurando se apaixonar
e, por fim e mais que tudo, é um filme onde duas mulheres são
dois homens, culminando na frase genial e célebre (também ousada
e subversiva) num dos melhores finais do cinema: '- Ninguém é perfeito!'
AS BICICLETAS DE BELLEVILLE ![]()
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Les Triplettes de Belleville França 2003 1h20min RT 9,7
animação dirigida por Sylvain Chomet
+ curta metragem CLANDESTINA FELICIDADE de
Marcelo Gomes
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Consagrado pelo público e crítica no Festival de Cannes, esse
ótimo
desenho animado recebeu 3 indicações ao Oscar 2004, reconhecimento
da Academia para um trabalho que esbanja originalidade, incluindo ironia ferina
com o american-way-of-life: Reparem nos personagens grotescamente obesos,
usando camisetas I Love Big numa Belleville (paródia de Nova Iorque) onde até
a Estátua da Liberdade é gorda e empunha um sorvetão e, na cena mais radical,
vemos um cocô em forma de Mickey Mouse boiando num banheiro de um pardieiro.
Filme conta, praticamente sem diálogos, a história do garotinho incrivelmente
melancólico Champion, órfão criado pela avó, a portuguesa Madame Souza.
Ela percebe que Champion tem jeito para velocípedes e bicicletas e, no passar
dos anos, submete-o a um treinamento rigoroso para torná-lo um campeão
de corridas de bicicletas. A certa altura da trama, encantadora de tão imprevisível,
Champion é sequestrado por homens de preto e mais não deve ser contado para
não estragar o prazer de degustar essa maravilha de desenho animado, visualmente
estonteante, com humor inspirado nas gags visuais de Jacques Tati e direção
de arte completamente distinta de qualquer tendência atual dentro no gênero.
As crianças vão curtir, mas os adultos é que vão babar com a riqueza de composição
dos personagens. Conheça Champion e seu cão Bruno, que é um show à parte.
As velhinhas trigêmeas que dão nome (original) ao filme são inesquecíveis,
responsáveis por alguns números musicais contagiantes. Top Ten Kinemail 2004.
Visto em 18/09/2004 como convidado do Cinema da Fundaj
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
A MENINA DO ALGODÃO, VINIL VERDE, ELETRODOMÉSTICA,
NOITE DE SEXTA MANHÃ DE SÁBADO e RECIFE FRIO
Curtas metragens dirigidos por Kleber Mendonça Filho
CINEMA SÃO LUIZ | terça 08, 20h
> Sessão Especial exibe 5 curtas do jornalista e cineasta pernambucano
Kleber Mendonça Filho, incluindo o mais recente Recife Frio, ovacionado
em todos os festivais em que passou. Já exibidos na Holanda, França,
Espanha, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Irlanda e outros países,
estes 5 curtas já contabilizam quase 100 prêmios internacionais
e serão exibidos em ordem cronológica de realização, encerrando
com Recife Frio. O primeiro curta, A Menina do Algodão,
é co-dirigido por Daniel Bandeira. Após a sessão, Kleber Mendonça
estará presente para conversar com a plateia. Atualmente, ele
inicia as filmagens de seu primeiro longa, O Som ao Redor.
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Festival Varilux de Cinema Francês
> Com exibição de recentes filmes franceses inéditos, chega ao Brasil mais um
Festival Varilux de Cinema Francês, que acontecerá entre os dias 4 a 10 de junho
em 9 capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba,
Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador. A mostra conta com 10 longas, incluindo
Hadewijch de
Bruno Dumont e O Refúgio de François Ozon (cujo filme anterior, Ricky,
visto pelo Kinemail na Mostra SP, permanece comercialmente inédito no Brasil),
e o filme indicado ao Oscar 2010 pela França, O Profeta, de Jacques Audiard. Os filmes
serão exibidos em 3 sessões diárias no Cinema da Fundação, de hoje até quinta 10.
A seleção deste ano é uma vitrine da diversidade da produção cinematográfica francesa:
filmes de grandes autores, sucessos de bilheteria, adaptação de quadrinhos e um documentário.
Confira informações completas sobre os filmes aqui www.festivalcinefrances.com
SEXTA 04 15h40 HADEWIJCH | 17h40 O REFÚGIO | 19h30 O PROFETA
SÁBADO 05 15h30 O PEQUENO NICOLAU | 17h15 O PROFETA | 20h10 COCO & STRAVINSKY
DOMINGO 06 16h40 O PEQUENO NICOLAU | 18h30 FAÇA-ME FELIZ | 20h20 O REFÚGIO
SEGUNDA 07 16h30 O DIA DA SAIA | 18h20 8 X DE PÉ | 20h20 UM NOVO CAMINHO
TERÇA 08 16h 8 X DE PÉ | 18h UM NOVO CAMINHO | 20h20 HADEWIJCH
QUARTA 09 16h10 COCO & STRAVINSKY | 18h30 O DIA DA SAIA | 20h20 OCEANOS
QUINTA 10 16h40 O PEQUENO NICOLAU | 18h30 OCEANOS | 20h40 FAÇA-ME FELIZ
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O Kinemeião de maio
Nossa! Que felicidade em ver nosso amigo Irandhir Santos tão bem elogiado
em todo lugar. Lembramos dele quando ainda era estudante de Cênicas
e atuou na excelente peça Alheio. Uma pessoa doce e humilde, que atua
por paixão e não deixou o sucesso lhe subir a cabeça.
Muito orgulho de conhecer de perto a ele e seu trabalho.
Sophia Costa | sophiacosta@terra.com.br
Príncipe da Pérsia
A mais nova adaptação a ser transportada para as telas é Príncipe da
Pérsia, sendo essa a adaptação de um videogame. E é mais uma adaptação
infeliz. O filme simplesmente não consegue empolgar em nenhum momento.
É carente de emoção, romance e nem mesmo possui uma história que
consiga envolver o espectador. Mas sendo uma franquia Disney e
catapultado pelo sucesso do game, deve fatura bem, embora com
personagens fracos, que não criam empatia nenhuma. Enfadonho ao cubo.
Jurandy Filho | dypromo@yahoo.com.br
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
O filme é um poema já no título. Concebido, talhado e formatado por mais
de 10 anos, é um projeto muito pessoal de seus diretores, Karim Ainouz
e Marcelo Gomes. Ainouz e Gomes são bastante conhecidos por seus trabalhos
autorais como O Céu de Suely e Cinema, Aspirinas e Urubus, mas aqui deram
um passo mais longo na experimentação cinematográfica.
Composto por fotos estáticas e vídeos em Betacam, VHS, 16 mm e 8 mm,
o protagonista jamais aparece em toda a sua curta duração. Tudo que podemos
extrair dele é contado na narração carregada de emoção do Ihrandir Santos.
Ele 'interpreta' um geólogo que faz uma jornada pelo sertão do Brasil para
estudar o solo onde será construído um canal mas, além do trabalho, também
está na estrada para exorcizar os fantasmas de uma difícil separação.
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo é um projeto único,
e de uma beleza singular, mesmo com toda a estranheza que causa.
Felipe André | f_andre2@hotmail.com
Pânico na Neve
Fui ao cinema esperando ver mais de Pânico na Neve mas percebi
que o trailer já mostrava praticamente todo o filme. Cenas com
as queimaduras de frio e os lobos foram as que mais chocaram.
Mas a história do filme parece irreal, que nunca pode acontecer.
O diretor poderia aproveitar a história e escrevê-la de uma outra forma.
Hittalo Rodrigues | hittalo.rodrigues@hotmail.com
O Escritor Fantasma
Fazia tempo que eu não via diálogos tão bons em um filme e O Escritor Fantasma
tem isso a cada minuto. Polanski, como lhe é peculiar, é senhor na condução de seu filme,
criando um clímax sensacional que chega naquele final bastante imprevisível e muitíssimo
interessante. Até preso o cara é melhor do que muita gente que se diz diretor. Mostra
isso na trama do filme, atualíssima e bastante real sobre os conflitos e conchavos
políticos. Além disso, o filme é Hitchcock puro, até da técnica do 'McGuffin' Polanski
se utiliza. Muito bom, cinema de primeira qualidade. E a sessão começou boa mesmo antes
do filme. Qual o trailer que passou? Á Prova de Morte. Será que agora vem mesmo?
Rodrigo Tenório | tenorio@hotlink.com.br
Então! A PlayArte enfim promete À Prova de Morte para 23 de julho. O filme de Tarantino
só não estará junto de O Escritor Fantasma no nosso Top Ten Kinemail 2010 porque...
realizado em 2006 e felizmente já visto por mim no cinema, está no Top Ten Kinemail 2007!
Top Ten Kinemail 2010
> Mais uma atualização do Top Ten Kinemail 2010 com a estreia do impecável drama
de suspense O Escritor Fantasma, exemplar exercício do mais puro, inteligente
e elegante cinema de entretenimento, dirigido pelo mestre polonês Roman Polanski.
Vai para a quarta posição, juntando-se a O Que Resta do Tempo, Mother - A Busca Pela Verdade
e A Fita Branca como os poucos filmes de 2010 aos quais o Kinemail confere cinco estrelas.

01. O QUE RESTA DO TEMPO de Elia Suleiman
02. MOTHER de Bong Joon-ho
03. A FITA BRANCA de Michael Haneke
04. O ESCRITOR FANTASMA de Roman Polanski
05. VÍCIO FRENÉTICO de Werner Herzog
06. POLÍCIA, ADJETIVO de Corneliu Poromboiu
07. GUERRA AO TERROR de Kathryn Bigelow
08. NÃO MINHA FILHA, VOCÊ NÃO IRÁ DANÇAR de Christophe Honoré
09. ILHA DO MEDO de Martin Scorsese
10. ZUMBILÂNDIA de Ruben Fleischer
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