

Kinemeiete de Agosto





ANO DEZ Edição 491
Truffaut, Toy Story 3, Inquilinos e Kick-Ass!
> Boa semana tem ótimas opções para todos os gostos. Kick-Ass
é surpresa nos multiplexes, com uma história sobre super-heróis
como você nunca viu.
Toy Story 3 chega para arrasar nas bilheterias
com uma conclusão bacana para a trilogia de Woody & Buzz.
Temos ainda o bom drama nacional Os Inquilinos de Sergio Bianchi
exibindo apenas nas sessões extras dos multiplexes e uma pré-estreia
para a animação dark Mary & Max nesse sábado na Fundaj.
O Cinema São Luiz permanece exibindo clássicos maravilhosos
nas sessões de arte, esta semana com Os Incompreendidos,
marco da nouvelle vague francesa, dirigido por François Truffaut.
No Cineclube Dissenso, neste sábado às 14h na Fundaj, entrada
franca, um grande filme de Nicholas Ray, Delírio de Loucura.
Nos multiplexes, temos ainda os dramas Em Busca de uma Nova
Chance e Manhã Transfigurada. Kinemail recomenda o drama
iraniano Procurando Elly, ainda em cartaz no Cinema Apolo.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Stardust - O Mistério
da Estrela
em DVD. Do mesmo diretor de Kick-Ass. Leia AQUI
LEITOR VIP Convites e camisas Toy Story 3, Kick-Ass e Mary & Max AQUI


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UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979

KICK-ASS ![]()
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Kick-Ass EUA 2010 1h58min
de Matthew Vaughn com Aaron Johnson, Chloe Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Se você, como eu, não tem muita paciência pra filmes de super-heróis
metidos a besta, como o pretensioso e asséptico Batman - O Cavaleiro das Trevas,
eis aqui o filme que você estava esperando. Deliciosamente irresponsável, violento
e politicamente incorreto, Kick-Ass - Quebrando Tudo é tão fora do padrão
inócuo e bem comportado que impera hoje no gênero (Wolverine, O Incrível Hulk
e silmilares) que tem recebido críticas severas das associações de pais, mestres
e párocos preocupados com o conteúdo imoral e perigoso do filme. Por que
tanta celeuma? Os protagonistas são todos adolescentes, incluindo uma infernalmente
vingadora garotinha de 11 anos, e dirigem automóveis, fumam maconha e empunham
armas que são usadas para assassinar os vilões, com sangue espirrando pra todos
os lados, como você não vê nos irritantemente assépticos Batmans e Wolverines
de hoje, formatados para o padrão 12 anos dos multiplexes. Kick-Ass - Quebrando
Tudo foi produzido com independência, com custo econômico para o gênero
(U$ 30 milhões) e censura 17 anos nos EUA. Aqui a censura ficou em 18 anos.
O filme conta as desventuras do adolescente nerd Dave (Aaron Johnson) que
pergunta-se porque ninguém, entre milhões de fãs de quadrinhos, nunca tentou
agir como um super-herói no mundo real, combatendo o crime e as injustiças.
Ele resolve vestir um ridículo traje verde e partir para a ação de verdade. Na sua
primeira tentativa, uma cena surpreendentemente violenta revela que estamos
no mundo real. Até aqui, o filme parodia/homenageia claramente o Homem-Aranha
de Sam Raimi. Mas não só Dave pensou em ser um super-herói. Do outro lado
da cidade, o ex-policial Daddy (Nicolas Cage, excelente) e sua filhinha Mindy
(a cativante Chloe Grace Moretz, 11 anos, que você já viu em 500 Dias Com Ela)
também estão armando-se para combater o crime. Eles são os super-heróis
Big Daddy e Hit Girl e a menina é uma versão infantil da Noiva de Kill Bill,
igualmente decidida e letal, uma mini máquina mortífera.
Nunca li os quadrinhos originais, de Mark Millar, desenhados por John Romita Jr.
e publicados a partir de 2008, mas acredito que o diretor inglês Matthew Vaughn
(Nada é o que Parece e Stardust, no DICAS DE CINÉFILO, acertou em cheio,
fazendo um filme muito divertido, com reviravoltas intrigantes, nunca mastigadas
para o espectador e uma veia pop deliciosa na trilha sonora que, claro, usa
o Ennio Morricone dos filmes de Sergio Leone, numa das mais empolgantes
e hilárias sequências do filme, cortesia de Hit Girl, que quase sempre rouba
o filme do protagonista Kick-Ass. No lado dos vilões, temos o onipresente
Mark Strong (Sherlock Holmes, Robin Hood) como o chefão do narcotráfico,
acompanhado do seu filho nerd (Christopher Mintz-Plasse, o McLovin de Superbad),
que tenta capturar nossso heróis camuflando-se como o super-herói Red Mist.
Politicamente incorreto sem dó, o filme ainda tira onda com os gays,
é recheado de palavrões (muitos deles na boca da Hit Girl) e, graças ao
sucesso razoável nas bilheterias, já colocou em produção a inevitável
continuação Kick-Ass 2. Cinema pop de primeira, Kick-Ass - Quebrando Tudo
é ótima diversão do início ao fim, revigorando o gênero com eficiência.
Visto em 16/06 como convidado da UCI Cinemas | Paramount
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
TOY STORY 3D ![]()
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Toy Story 3D EUA 2010 1h53min
animação dirigida por
Lee Ulkrich
por Filipe Marcena
OPINIÃO Diferente da maioria maciça das sequências e 'trequências' que jorram
nos multiplexes todo fim de semana, a terceira parte da franquia Toy Story
não existe apenas para encher os cofres da Pixar e Disney novamente (e ele
vai fazer isso, pode ter certeza). Os criadores de Woody, Buzz e companhia
esperaram 11 anos para desenvolver uma conclusão para a história dos brinquedos
que são vivos, mas fingem que são inanimados perante humanos. Todo esse tempo
de espera fez bem ao projeto e Toy Story 3 coloca um ponto final na saga com
ternura, dignidade e nostalgia, graças ao inteligente enredo dos roteiristas
Lee Ulkrich (também diretor), Andrew Stanton (Procurando Nemo), John Lasseter
(Toy Story e Toy Story 2) e Michael Arndt (Oscar por Pequena Miss Sunshine),
conscientes de que as crianças que assistiram às primeiras fitas nos cinemas
em 1995 e 1999 são hoje pós adolescentes e jovens adultos.
Assim como Andy, o dono dos brinquedos. Ele vai para a universidade e seus
antigos companheiros estão esquecidos dentro do baú. Andy precisa decidir
o que ele vai levar consigo para a universidade, o que vai para o sótão,
o que vai ser doado e o que vai para o lixo. Woody é escolhido para ir com ele,
enquanto os outros brinquedos, incluindo a Barbie de sua irmã mais nova Molly,
são guardados no saco que vai pro sótão. Por acidente, todos vão parar na creche
Sunnyside. Lá são recebidos com alegria pelos brinquedos locais, como o urso
Lotso e o boneco Ken, o que deixa os brinquedos de Andy felizes com o novo destino.
Mas enquanto Woody decide voltar para seu dono, Buzz descobre que a creche
Sunnyside não é tão ensolarada quanto parece. É quando Toy Story 3 vira um filme
de presídio, com cenas macabras que não poupam os espectadores menores.
Toy Story 3 é primoroso em todos os âmbitos, desde a animação superior à dos
primeiros filmes até o timing do humor. Porém, o filme apresenta uma tendência
nos recentes filmes da Pixar, que é o clímax ‘corrida do gato atrás do rato’,
estilo Tom & Jerry. Em seus melhores momentos a produtora evitou tal lugar comum
(Toy Story, Ratatouille, Procurando Nemo). Mas em outros filmes, ainda maravilhosos,
podemos encontrar aqueles 10 minutos de correria que estão lá apenas pela ação
e não pelo desenvolvimento do enredo (UP – Altas Aventuras, Monstros S/A, WALL-E).
Não que isso enfraqueça as produções terrivelmente, mas a Pixar é mais interessante
quando a pirotecnia é subordinada ao enredo. Dito isso, Toy Story 3 se equipara aos
outros filmes de sua produtora em se tratando de emoção. A transição para o mundo adulto
é assunto tratado com sensibilidade por Ulkrich, colocando em Andy toda a dor e tristeza
do abandono da infância. As cenas finais vão destruir corações mundo afora, mas se
Toy Story 3 tem uma sequência que ficará guardada na minha memória como uma das
mais cortantes do cinema, esta se encontra durante o clímax: num incinerador de lixo,
os brinquedos percebem que não tem mais saída e aceitam a morte no fogo. Tem que ter
colhões para incluir uma cena dessas num filme infantil e soar honesto. Antes do filme,
é exibido Dia & Noite, mais um curta excepcional da Pixar, utilizando bem os efeitos do 3D.
Quanto ao filme, o 3D não acrescenta nada a Toy Story 3, mas pelo menos não atrapalha.
Visto em 16/06 como convidado da UCI Cinemas | Buena Vista
Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
OS INQUILINOS ![]()
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Brasil 2010 1h43min
de Sergio Bianchi com Marat Descartes, Ana Carbatti, Leona Cavalli, Caio Blat, Cassia Kiss
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO O cineasta paranaense Sergio Bianchi construiu uma sólida filmografia
no cinema paulista, com filmes pouco vistos mas sempre interessantes como
Cronicamente Inviável e Quanto Vale ou é Por Quilo? que, utilizando-se
da linguagem do falso documentário, provocavam o espectador ao abordar
os disparates sociais brasileiros, especialmente a hipocrisia de um país
que é cordial, alegre, 'bonito por natureza'. Agora, com Os Inquilinos,
Bianchi avança ao construir uma obra de ficção, centrada num bom protagonista,
e realiza seu melhor filme - num panorama desanimador do cinema nacional
recente - fazendo deste um filme sobre a violência urbana que está longe
dos modelos hollywoodianos (Cidade de Deus, Salve Geral, Tropa de Elite)
e surpreendente por ser menos mão pesada no discurso crítico e mais
interessado no percurso do personagem, na construção da ação e suspense.
Com um trabalho de câmera que confirma um diretor acima da média, com
cuidado na imagem, decupagem, pontos de vista dos personagens e senso firme
de situação espacial e arquitetura visual, com sutilezas e detalhes como
pouco se vê no cinema nacional, Os Inquilinos conta a historia de Valter
(o pouco conhecido ator de teatro Marat Descartes, que imprime dramaticidade
convincente em cena), sujeito decente que mora na periferia paulista e mantém
a família com um subemprego sem carteira assinada. Moram numa casinha
que Valter procura preservar, sendo o único patrimônio que herdou dos
pais. As coisas mudam com a chegada de novos vizinhos. São três rapazes
aparentemente desempregados, talvez ex-presidiários, que fazem barulho
com festinhas de funk e pagode e, se não ameaçam diretamente Valter e sua
família, passam a ser uma incômoda alteração do cotidiano dessa família,
tão bem desenhada na tela como uma típica família suburbana de classe média
baixa perturbada pela violência social e cultural de um país como o Brasil.
Visto em outubro de 2009 como convidado da Mostra SP de Cinema
EM BUSCA DE UMA NOVA CHANCE
The Greatest EUA 2009 1h41min RT 5,1
de Shana Feste com Pierce Brosnan, Susan Sarandon, Carey Mulligan, Aaron Johnson
> Sinopse: A morte do filho adolescente Bennett, num acidente de carro, é demais
para a família Brewer suportar. Não apenas porque ele tinha uma vida promissora,
mas também porque o impacto de sua morte desencadeia uma série de tumultos
em suas vidas. Sua mãe fica obcecada e não pode deixá-lo ir; seu pai não consegue
encarar a situação; e a posição de segundo lugar de seu irmão é ampliada.
Quando a namorada de Bennet aparece, a família sofre ainda mais a sua perda.
Como curiosidade, Susan Sarandon repete aqui um papel bem parecido com
o que fez em Vida Que Segue, no qual perdia uma filha e tentava conhecer melhor
o namorado da garota. Ainda no elenco, Carey Mulligan (indicada ao Oscar por Educação),
Aaron Johnson (o Kick-Ass, em cartaz) e Pierce Brosnan (O Escritor Fantasma).
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Cinema São Luiz
> Na programação diária o Cinema São Luiz exibe Quincas Berro D'Água e temos
as sessões especiais de sexta e sábado. Ingressos por apenas R$ 4,oo e R$ 2,oo (estudantes).

OS INCOMPREENDIDOS ![]()
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Les 400 Coups EUA 1959 1h37min
de François Truffaut com Jean-Pierre Léaud, Robert Beauvais, Claire Maurier
> O que mais pode ser dito sobre esse marco da nouvelle vague francesa,
realizado pelo então crítico de cinema estreante na direção François
Truffaut (1932-1984), com material autobiográfico sobre a sua adolescência?
Cheio de energia e momentos tocantes, o filme acompanha o adolescente
Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), da vida escolar rebelde até a internação
numa escola correcional para jovens. Os Incompreendidos, num caso raro
de saga cinematográfica, acompanhou o personagem em mais quatro filmes,
com o mesmo ator, Jean-Pierre Léaud (dos 15 anos em Os Incompreendidos
aos 35 anos em O Amor em Fuga e, entre eles, em Antoine & Colette, Beijos
Roubados e Domicílio Conjugal) e é um desses filmes essenciais para entender
o cinema moderno, sendo citado em inúmeros outros filmes contemporâneos.
Se você ainda não conhece Antoine Doinel, você pensa que gosta de cinema...
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Cineclube Dissenso
DELÍRIO DE LOUCURA ![]()
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Bigger Than Life EUA 1956 1h35min
de Nicholas Ray com James Mason, Barbara Rush, Walter Matthau
CINEMA DA FUNDAJ | Sábado 19, 14h ENTRADA FRANCA
> O Cineclube Dissenso exibe o melodrama Delírio de Loucura (EUA, 1956).
Dirigido por Nicholas Ray (autor de clássicos como Juventude Transviada, Johnny
Guitar e In a Lonely Place), o filme narra a angústia de um professor universitário
que se submete ao uso de drogas experimentais para combater uma rara doença
mas que, ao abusar nas dosagens começa a ter reações imprevisíveis e se torna
uma ameaça para os que o cercam. Após a sessão, debate na sala João Cardoso Ayres.
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