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Mary & Max
Flor do Deserto
Amelia
Insolação
Em Teu Nome
Manhã Transfigurada

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ANO DEZ Edição 492

Brilho, Flor, Mary, Max, Amelia e Truffaut

> Semana tem as boa estreias Brilho de uma Paixão, somente no
multiplex Recife, e a animação Mary & Max, no Cinema da Fundação,
em temporada de feriado junino e jogos da Copa do Mundo.
O Cinema São Luiz permanece exibindo clássicos maravilhosos nas
sessões de arte, com mais uma semana para Os Incompreendidos,
marco da nouvelle vague francesa, dirigido por François Truffaut.

Nos multiplexes, temos ainda o drama Flor do Deserto, sobre a trajetória
real de uma mulher negra e pobre da Somália até as passarelas de moda
na Inglaterra e Amelia, também uma história real, sobre a aviadora Amelia
Earhart, vivida por Hilary Swank. Três filmes nacionais completam
as novidades da semana: Em Teu Nome, sobre os anos da ditadura,
somente no BOX Guararapes; Insolação, drama dirigido por Felipe Hirsch
e Daniela Thomas, em lançamento no Cinema Apolo e Manhã Transfigurada,
em cartaz na sessão de arte do multiplex Tacaruna. Em pré-estreia mundial,
chega A Saga Crepúsculo: Eclipse, na quarta 30, a partir de meia-noite.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Narciso Negro,
clássico britânico em DVD. Leia AQUI

LEITOR VIP Convites e camisas Toy Story 3 e Príncipe da Pérsia AQUI








UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979



BRILHO DE UMA PAIXÃO
Bright Star Australia/França 2009 1h58min
de Jane Campion com Abbie Cornish, Ben Whishaw, Paul Schneider, Kerry Fox

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO Antes de Kathryn Bigelow ser reconhecida no Oscar deste ano como talentosa
diretora de cinema, nesta profissão dominada massivamente pelos homens, tivemos
a neozelandesa Jane Campion festejada como diretora e roteirista premiada em
Cannes e no Oscar em 1994 com O Piano. De lá pra cá, Jane andava meio sumida e volta
agora com esse belo romance, que chega para nos lembrar o quanto a beleza de uma
história de amor andava ausente no cinemão, onde o que se chama de amor é
deturpado por abomináveis comédias românticas e previsíveis dramas que Hollywood
empurra toda semana nos multiplexes. Brilho de uma Paixão conta uma história
de amor trágica passada no início do século dezenove, sobre o relacionamento entre
o poeta inglês John Keats e sua vizinha Fanny Brawne. Eles se conhecem através
do irmão de Keats. Fanny começa a ter aulas de poesia com Keats - apesar de ser hoje
um dos grandes nomes da literatura inglesa, em vida Keats não conseguia sustentar-se
da sua arte e morreu na flor da juventude, aos 25 anos - e nasce entre eles uma
cumplicidade rara entre homem e mulher naquela época, já que a afinidade e química
entre eles é a de almas gêmeas, um amor intenso entre duas pessoas jovens, bastante
sintonizado com as relações modernas, contemporâneas. Fanny é uma jovem com talento
nato para design de roupas, cria as suas próprias e já consegue ganhar algum
dinheiro com isso. Logo estabelece-se um contraste entre a vitalidade e energia
de Fanny com a fragilidade e a alma melancólica de artista de John Keats.

Brilho de uma Paixão é um filme de época nos moldes das premiações técnicas
do Oscar, mas há algo de especial, diferente no seu tratamento visual, na leveza
com que a câmera capta as imagens e texturas e torna o filme diferente do seu
filme de época da semana. Mas acima de tudo, domina a fita a atuação encantadora
da australiana Abbie Cornish (Candy e Stop-Loss, ambos em DVD) e até agora
eu não entendi como ela não recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz
(bom lembrar que a vencedora desse ano foi Sandra Bullock...). Muito boa também
é a presença do inglês Ben Whishaw (o protagonista de Perfume), um dos mais
interessantes atores da nova geração. Sob a direção elegante de Jane Campion,
temos aqui uma história de amor que evita as lágrimas, procura mais captar a atmosfera,
o clima, de uma crescente primeira paixão, cercada de familiares e amigos que vêem
ali um caso de amor fadado ao fracasso. Não exatamente um filme baseado numa história
real, o personagem de Abbie Cornish é fictício, criado pelo inteligente roteiro, também
de Jane Campion, baseado nas poesias escritas por Keats nos anos antes da sua morte
por tuberculose. Um filme delicado, para corações verdadeiramente românticos,
Brilho de uma Paixão é um trabalho inspirado de uma diretora em plena forma,
sem as armadilhas do 'olhar feminino', simplesmente um olhar poético, humano.
Visto em outubro de 2009 como convidado da Mostra SP de Cinema
Revisto em 26/06 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


MARY & MAX
Mary & Max Australia 2009 1h30min
animação de Adam Elliot com as vozes de Philip Seymour Hoffman, Toni Collette
CINEMA DA FUNDAJ

> Mary & Max, animação longa-metragem em stop-motion escrita e dirigida pelo
australiano Adam Elliot (do ótimo Harvie Krumpet, Oscar de melhor curta), é pesado
e depressivo no tom e no visual. O filme acompanha dois personagens solitários, cujas
vidas se cruzam pelo maior dos acasos: uma página aleatória aberta em uma lista
telefônica. Motivada por dúvidas infantis, a australiana Mary Daisy Dinkle, 8 anos,
decide escrever ao nova-iorquino Max Jerry Horowitz, 44 anos. Junto à carta, alguns
desenhos, e uma barra de chocolate. A correspondência inocente muda a vida de ambos
para sempre, iniciando uma história que transcorre por mais de uma década.

Apesar de tratar de um tema quase extinto, amigos por correspondência, algo bastante
comum décadas atrás, Mary & Max encontra reflexo curioso na modernidade de redes
sociais virtuais. Memórias de amigos não se apagam mais queimando-se as cartas...
mas deletando perfis na internet. Toni Collette dubla Mary e Philip Seymour Hoffman
empresta uma irreconhecível voz a Max. Os personagens podem ser de massinha,
mas as lágrimas que eles (e os espectadores) vertem são bem reais e comoventes.
Visto em maio de 2010 como convidado da Mostra Animage | Fundaj
Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


FLOR DO DESERTO
Desert Flower Inglaterra 2009 2h04min
de Sherry Horman com Liya Kibede, Sally Hawkins, Anthony Mackie, Timothy Spall

> Sinopse: Waris Dirie (Soraya Omar-Scego/Liya Kebede) nasceu em uma
família de criadores de gado nômades, na Somália. Aos 13 anos, para fugir
de um casamento arranjado, ela atravessou o deserto por dias até chegar
em Mogadishu, capital do país. Seus parentes a enviaram para Londres,
onde trabalhou como empregada na embaixada da Somália. Ela passa toda
a adolescência sem ser alfabetizada. Quando vê a chance de retornar ao país,
descobre que é ilegal da Somália e não tem mais para onde ir. Com a ajuda
de Marylin (Sally Hawkins), uma vendedora, Waris consegue um abrigo.
Ela passa a trabalhar em um restaurante, onde é descoberta pelo famoso
fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall). Através de Lucinda (Juliet Stevenson),
sua agente, Waris torna-se modelo. Só que, apesar da vida de sucesso,
ela ainda sofre com as lembranças de um segredo de infância.
Visto em 26/06 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


AMELIA
Amelia EUA 2009 1h55min RT 2,0
de Mira Nair com Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor, Virginia Madsen

> Sinopse: Hilary Swank estrela cinebiografia baseada na história real da aviadora
norte-americana Amelia Earhart. Richard Gere é George Putnam, seu parceiro
comercial e marido apaixonado. Com fortes laços de ambição e amor, o casamento
deles não foi abalado pela determinação de Amelia em voar, nem por seu breve
e tórrido caso com Gene Vidal (Ewan McGregor). Amélia desapareceu em 1937
no Oceano Pacifico, ao tentar realizar um vôo ao redor do mundo.
Amélia confirma a maldição do Oscar para Hilary Swank: foi um fracasso nos cinemas
dos EUA e recebido com críticas negativas, considerado mais uma insossa cinebiografia.


INSOLAÇÃO
Brasil 2009 1h33min
de Felipe Hirsch e Daniela Thomas com Paulo José, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros

> Sinopse: Numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem
a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros,
eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcançável.


EM TEU NOME
Brasil 2009 1h42min
de Paulo Nascimento com Leonardo Machado, Fernanda Moro, Silvia Buarque, Marcos Paulo

> Sinopse: No início dos anos 70, o Brasil vivia o endurecimento da ditadura
militar. A sociedade se organizava e resistia das mais variadas maneiras.
Alguns grupos políticos optaram pela luta armada para enfrentar o regime.
Em Teu Nome conta a história de Boni, um estudante de engenharia de origem
humilde, que adere a luta armada, mas carrega dúvidas e medos sobre
se este seria realmente o melhor caminho. Boni teme pela família, pela
namorada e pelo futuro, que parece mais incerto a cada dia. É preso,
torturado e banido do país. No exílio no Chile, ao lado da companheira
Cecília, passa a compreender a sociedade de outra maneira. Com Cecília
e o filho Rodrigo (nascido no Chile), Boni parte para a Argélia (onde nasce
mais um filho) e posteriormente para Paris, onde é escolhido presidente
do Comitê Brasileiro da Luta pela Anistia. Nove anos depois, volta ao Brasil.


MANHÃ TRANSFIGURADA

Brasil 2009 1h44min
de Sergio de Assis Brasil com Manuela do Monte, Rafael Sieg, Paulo Saldanha

> Sinopse: No final do século 19, quando as grandes propriedades são sinônimo
de poder e a Igreja representa a autoridade moral, jovem é obrigada a casar com
um homem rico para resgatar a posição social de sua família. Porém, na noite
de núpcias, seu marido descobre que ela não é virgem. Aprisionada e recebendo
apenas as visitas do padre e do sacristão, ela envolve-se em um triângulo amoroso,
marcado por paixões que desafiam a fé e a razão. Baseado em livro de Eduardo Bueno.

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Cinema São Luiz


> Na programação diária o Cinema São Luiz exibe Quincas Berro D'Água e temos
as sessões especiais de sexta e sábado. Ingressos por apenas R$ 4,oo e R$ 2,oo (estudantes).

No projeto CineCabeça, em sessão gratuita no sábado 26, a partir das 14h,
o documentário Memória Para Uso Diário (RJ 2007 1h34min), de Beth Formaggini.
Após a exibição haverá um bate papo com a presença de representantes do grupo
Tortura Nunca Mais de Pernambuco. O fio condutor do filme é Ivanilda, que durante
31 anos procurou nos arquivos sinais do seu marido desaparecido político.
Suas idas e vindas se trançam com as ações de militantes e parentes das vítimas
da ditadura e da violência policial dos dias de hoje que vão desvelando
outros fios pelas ruas e cemitérios clandestinos do Rio de Janeiro.

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc


>
Enfim, a partir desta edição você poderá votar on line na escolha da
Kinemeiete e Kinemeião de cada mês. Temos 3 opções para cada um, para
atrizes e atores nos filmes exibidos aqui em Recife durante o mês de junho.
A enquete está na coluna esquerda, no topo do Kinemail. Vai lá, clica
nas bolinhas ao lado do nome dos seus escolhidos e depois em VOTAR.
Lembre-se: o parâmetro de escolha não é só beleza e sex appeal, mas uma
combinação destes com talento, carisma e presença nos filmes exibidos no
mês. Por exemplo, não há nenhuma intenção pedófila na indicação de Chloe
Grace Moretz
, 11 anos. A guria simplesmente arrasa, rouba a cena em Kick-Ass!
Participe, vote, e confira o resultado na próxima edição. Contamos com seu voto!
Obs. Aos leitores mais jovens, informamos que os ícones escolhidos
para a vinheta são os franceses Brigitte Bardot e Alain Delon.

Leitor VIP, renove já ou associe-se agora!

> Caro leitor, julho é mês de renovar seu cadastro como Leitor VIP.
Para novatos, associe-se já para participar das KinePromos!
Inscrevendo-se com a quantia trimestral de apenas R$ 15,00,
você será Leitor VIP do Kinemail, ou seja: concorre com exclusividade
aos convites e brindes
oferecidos semanalmente aqui nas KINEPROMOS,
valendo até 30 de setembro de 2010, quando deverá ser feita renovação
mais uma vez, valendo até 31 de dezembro de 2010 e assim por diante.
Leitor que pretende inscrever-se por mais de um trimestre, avise por e-mail.
Obs. Leitores já recadastrados terão prioridade nas próximas promoções.

Dica do leitor cinéfilo: O Silêncio do Lago

> São raras aquelas obras que conseguiram ser eficientes nas suas tramas.
A falta de originalidade tem sido o mais grave dos problemas.
O cineasta franco-holandês George Sluizer conseguiu ser original dentro
desse gênero tão batido, criando um thriller psicológico completamente
original, perturbador, sufocante, assustador e magnético. Trata-se
do cultuado O Silêncio do Lago (Spoorloos, França/Holanda, 1988).
Baseado em um romance intitulado O Ovo Dourado, a obra faz uma
investigação dentro dos desejos de dois homens completamente distintos
entre si, mas ligados pela mesma tragédia. Simples? Não, não! Bastante
sofisticado e engana a todos nós. Pois estamos diante daquele típico caso
em que achamos que vai ser de um jeito, quando na verdade será de outro.

O desenrolar da trama, acompanhamos Rex (Gene Bervoets), um escritor holandês
que teve a sua namorada Saskia (Johanna ter Steege) tida como desaparecida.
A moça sumiu quando entrou numa loja de conveniência a beira da estrada, para
comprar um refrigerante. Tudo é surpreendido quando o diretor muda o foco da trama
de uma maneira bastante radical. Na narrativa clássica, o estilo seria aquele
de 'quem é o criminoso?'. Mas isso é logo quebrado quando desde o início já somos
apresentados ao sequestrador, um pacato e sinistro professor de química (Bernard-Pierre
Donnadieu). Então, ao invés de simplesmente acompanhar a investigação efetuada
por Rex, Sluizer põe o espectador numa posição incômoda e incomum. De um lado,
sabemos bem mais do que Rex, já que conhecemos a identidade do criminoso.
E quando chegamos ao final e temos a resposta à dúvida do desaparecimento
de Saskia, é simplesmente impactante.

Lembro que ví esse filme em 1995 numa cópia ainda em VHS. E até hoje essa obra-prima
permanece como um produto insuperável em todos os sentindos. Esqueçam o remake
que Sluizer fez do mesmo filme em 1993 com Sandra Bullock, Jeff Bridges e Kiether
Sutherland. O filme original foi lançado em DVD aqui no Brasil pelo selo Silverscreen.
Pedro Henrique | phmmts@hotmail.com

Segredo e Oceanos

> Vi O Segredo dos seus Olhos e gostei do filme, mas concordo com alguns pontos
que você citou na crítica, principalmente a falte de 'liga' do casal. O que
é um espanto, pois pra não ter liga com aquela morena só com muito esforço...
A estória da 'maquilhagem' até que foi bem até um certo ponto, mas aquele final
foi muito ruim, com o envelhecimento do bandido. Mas de uma forma geral gostei
do climão que o filme manteve, os pontos cômicos, etc. Ah, não gostei nada daquela
sequência explicando passagens do filme, no final. Sem propósito.
Aqui no Rio o destaque das últimas semanas foi a abertura do Festival Varilux
de Cinema Francês. O diretor de Oceanos deu uma palestra sobre o filme antes
da exibição e do que eles enfrentaram nos quatros anos de filmagem. Apesar
do formatão documentário e de um garoto e seu avê dando um fio condutor ao
argumento, as imagens são simplesmente impressionantes. E o melhor: a sessão que vi
foi ao ar livre, lá em cima do Forte de Copacabana, com o barulho do mar batendo
nas pedras (ressaca no Arpoador) e gaivotas sobrevoando a situação. Biscoito fino.
Suca Martins | suca.br@gmail.com

Esquadrão Classe A e Pelé

Esquadrão Classe A: Filme pipocão classe A (perdoe o trocadilho). A cena dos conteiners
foi bastante inspiradora, sem falar no perfil e construção do quarteto. Não consigo
imaginar outros atores para encarnar esses papéis. Fazia tempo que não assistia a um
filme de ação tão bacana. O filme é tão exagerado que algumas cenas se tornam risíveis,
mas isso é proposital, o que eleva mais ainda sua pontuação.

Pelé Eterno: Interessante que já havia assistido esse documentário há seis anos atrás
no multiplex Boa Vista. Confesso que mesmo assim, revê-lo hoje no Cine São Luiz,
teve um gostinho diferente, por vários aspectos. Primeiro, O já comentado prazer de ir
aquela sala que, mesmo numa noite chuvosa de domingo, se torna bastante aconchegante
e incrivelmente simbólica. Faz retornar em mim o verdadeiro prazer de ir ao cinema.
Segundo, a diretoria do cinema, vide Lula Cardoso Ayres Filho, preparou todo um clima
para o filme, inclusive com músicas temas da copa, enquanto aguardamos o inicio da sessão.
Terceiro, O clima de Copa do Mundo dominando o país, é mais uma pitada de estimulo
para rever esse documentário. Infelizmente, poucos tiveram o prazer de ver o filme lá.
Tomara que Quincas Berro D’água leve o público que o cinema merece. Em outras palavras,
que a sala volte a etr maior plateia, como ocorreu recentemente com Lula e Chico Xavier.
Wlademir Moura | wladmoura@gmail.com

Polanski e Tarantino

> Que filme fora de série esse O Escritor Fantasma! Cheio de sarcasmo e inteligência,
o filme transforma uma trama de conspiração e jogos mentais, que poderia virar mais
um blockbuster insosso e explosivo nas mãos de Michel Bay + Will Smith, num suspense
político saboroso. As boas atuações ajudam muito, e isso é mérito do diretor, que
consegue extrair seriedade de uma figura como James Belushi e expressões faciais
de Pierce Brosnan. Isso sem falar dos atores que não precisam provar mais nada,
como Ewan McGregor, Tom Wilkinson, Olivia Williams e Kim Cattrall. Uma grande sacada
é mostrar as situações pela ótica do ghost writer, um peixe fora d'água no mundo político
(como o público), inflando o mistério e deixando no ar muita coisa durante o filme,
mas conseguindo amarrar tudo num final forte e convincente. Quantos e quantos
diretores/filmes falharam ao tentar essa fórmula? Pois é, Roman Polanski não.

Vi o trailer de À Prova de Morte na Fundaj e aproveito pra deixar meu comentário.
Bom, quem for ver esse filme deve ter em mente que se trata de um fetiche de Tarantino:
filmes B toscos. Isso resulta em ao menos duas coisas: sangue e nonsense. Ele brinca
com uma edição 'desleixada' inspirada nas técnicas/recursos dos anos 1970 para criar
um simulacro de filme B convincente. O filme às vezes peca no ritmo, mas talvez seja
proposital, dada a intenção de imitar produções de baixa qualidade. Embora fuja
à linha de seus filmes mais recentes, alguns elementos de Tarantino estão lá:
personagens marcantes (ressucitando de novo um ator decadente, desta vez Kurt Russell),
cenas antológicas, diálogos longos e bem-trançados. Não se pode esquecer uma trilha
sonora fantástica... pra variar. Acrescente uma boa dose de ação e dá para ter uma
ideia do que é este À Prova de Morte. Só uma ideia!
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br


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01. O QUE RESTA DO TEMPO de Elia Suleiman
02. MOTHER de Bong Joon-ho
03. A FITA BRANCA de Michael Haneke
04. O ESCRITOR FANTASMA de Roman Polanski
05. VÍCIO FRENÉTICO de Werner Herzog
06. GUERRA AO TERROR de Kathryn Bigelow
07. ILHA DO MEDO de Martin Scorsese
08. KICK-ASS de Matthew Vaughn
09. ZUMBILÂNDIA de Ruben Fleischer
10. POLÍCIA, ADJETIVO de Corneliu Poromboiu

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