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Kinemeiete de Agosto

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Os Homens Que Não Amavam
As Mulheres
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A Jovem Rainha Vitória
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Mademoiselle Chambon
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Um Homem Sério
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Mademoiselle Chambon
A Jovem Rainha Vitoria
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David Lynch em Super 8mm
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O Último Mestre do Ar 3D
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Segurança Nacional
Os Homens Que Não
Amavam as Mulheres
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Os Famosos e os Duendes da Morte
Doce Brasil Holandês
À Moda da Casa
À Beira da Loucura
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Um Homem Sério
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Revistas de Agosto - Parte 2

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Uma Noite em 67
É Proibido Fumar
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Revistas de Agosto - Parte 1

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À Prova de Morte
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O Bem Amado
Kinemail 10 Anos - A Festa

Edição 495
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No Meio do Mundo
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Um Dia Muito Especial
Kinemail 10 Anos
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Cadê os Morgan?
Eternamente Sua

Edição 493
Tudo Pode Dar Certo
Os Homens que Encaravam Cabras
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Sonhos Roubados
Paris nos Pertence
Kinemeiete & Kinemeião de junho

Edição 492
Brilho de uma Paixão
Mary & Max
Flor do Deserto
Amelia
Insolação
Em Teu Nome
Manhã Transfigurada

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ANO DEZ Edição 493

Eclipse, Woody Allen, Sonhos e Cabras

> Semana foi tomada pelo sucesso mundial do lançamento de A Saga
Crepúsculo: Eclipse
, o terceiro filme da novela teen que ocupa quase
todos os cinemas do Recife atualmente. Mas não se desespere, ainda
temos novos filmes essa semana: O último Woody Allen, Tudo Pode Dar
Certo
, chega com bastante atraso por aqui, mas entra em 3 salas: Fundaj,
multiplex Recife e BOX Guararapes. O drama nacional Sonhos Roubados
também está em 3 salas: São Luiz, Cine Rosa e Silva e BOX.
Nas sessões extras dos multiplexes, temos a comédia Os Homens que
Encaravam Cabras
, com George Clooney, Ewan McGregor e Jeff Bridges.
O novo desenho animado do mestre Hazao Miyazaki, Ponyo, tem pré-estreias
somente no BOX. Continuam em cartaz O Segredo dos Seus Olhos,
Mary & Max, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo. Boa notícia é
que Kick-Ass - Quebrando Tudo está de volta, agora no Cinema do Parque.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br

Nossa primeira enquete on line funcionou direitinho. Confira nesta edição
os eleitos, pelo seu voto, como a Kinemeiete e o Kinemeião de junho!

DICAS DE CINÉFILO Fernando Vasconcelos comenta Aquele Que Sabe Viver
(Il Sorpasso, 1962), biscoito fino do cinema italiano em DVD. Leia AQUI

LEITOR VIP Convites para O Segredo dos Seus Olhos e Mary & Max AQUI








UM PEQUENO ROMANCE
EUA/FRA | George Roy Hill | 1979



TUDO PODE DAR CERTO
Whatever Works EUA 2009 1h33min
de Woody Allen com Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley

por Filipe Marcena

OPINIÃO É péssimo que os críticos americanos escorracem os novos filmes
do Woody Allen. Existe essa cobrança de que o bom e velho neurótico volte
aos tempos de Annie Hall, Manhattan, Zelig e Hannah e Sua Irmãs, e talvez
tenha sido por isso que ele tenha desengavetado o roteiro deste Tudo Pode
Dar Certo
, guardado desde os anos 70. Allen está ocupado fazendo um filme
por ano, e só o fato dele conseguir levantar orçamento, filmar sem intervenções
de terceiros, lançar seus filmes e fazer sucesso nas bilheterias já torna suas
produções especiais, basta pisar num multiplex no fim de semana para entender.
Tudo Pode Dar Certo está longe de ser uma obra-prima, mas é engraçado
e simpático o suficiente para merecer uma visita de fãs e não-fãs.

Boris (Larry David, da série Curb Your Enthusiasm) é o alterego da vez,
um homem de idade ranzinza, paranóico, divorciado, suicida e convencido
de sua genialidade e superioridade à maioria dos homens na Terra. Um dia,
Boris é abordado por Melody St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), garota
sulista que veio 'mudar de vida' em Nova York, cidade ícone de Allen e símbolo
máximo de transgressão. Os personagens são os meios, a cidade é o fim.
Melody é obtusa, desatenta e ignorante, mas sorridente e esperançosa,
o perfeito contraponto para Boris, que a xinga abertamente. Logo a garota
se apaixona pela inteligência, sarcasmo e mal humor de Boris, e os dois
se casam. Os problemas começam quando Marietta, a mãe cristã (Patrícia Clarckson),
e John, o pai adúltero (Ed Begley Jr.), aparecem para visitar a filha recém-casada.

O filme começa com uma conversa entre Boris e o próprio espectador,
e ele nos diz que 'esse não é um filme feel-good.', o que obviamente não
condiz Tudo Pode Dar Certo. Cheio de bem-humorados diálogos e frases
soltas, personagens-estereótipo que parecem inéditos de tão bem escritos,
e atores acertando naquele tom entre o controlado e o histérico que só Allen
sabe conduzir. Evan Rachel Wood mais uma vez se destaca, com seu sotaque
do Mississipi e por acreditar em cada uma das estúpidas frases que sua Melody
solta a cada cinco minutos. Fato que é um filme redondinho, previsível e as cenas
no apartamento parecem ter saído de alguma sitcom novaiorquina, mas nada que
destrua a hora e meia de projeção. Allen descompromissado e bem divertido.
Visto em 30/06
Mande sua opinião para
filipeap1988@hotmail.com


OS HOMENS QUE ENCARAVAM CABRAS
The Men Who Stares at Goats EUA 2009 1h30min
de Grant Heslow com George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges, Kevin Spacey

> Sinopse: Em conversa com o jornalista Bob Wilson, Lyn Cassady, figura misteriosa,
diz integrar uma unidade experimental do exército norte-americano, lhe revela
que o Exército da Nova Era está mudando a maneira como se lutam as guerras
e que uma legião de Monges Guerreiros, com incríveis poderes paranormais,
consegue ler a mente do inimigo, atravessar paredes e até mesmo matar
uma cabra com um simples olhar. Ele resolve investigar.
Primeira produção do estúdio Smoke House, do ator George Clooney, em parceria
com o cineasta estreante Grant Heslow. Baseado no romance homônimo de Jon Ronson.
Visto em 06/07 como convidado da UCI Cinemas
Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE
The Twilight Saga: Eclipse EUA 2010 2h10min RT 5,4
de David Slade com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Bryce Dallas Howard

> Sinopse: Mais um capítulo da lucrativa novela, saga sobre adolescentes vampiros
e lobisomens, chega aos cinemas. Desta vez, Bella encontra-se em perigo quando
Seattle é devastada por uma série de assassinatos misteriosos. Enquanto isso, ela é
forçada a escolher como par de sua formatura entre seu amor por Edward e sua
amizade com Jacob – sabendo que sua decisão inflamará a luta entre vampiros e lobisomens.


SONHOS ROUBADOS
Brasil 2010 1h25min
de Sandra Werneck com Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias, Nelson Xavier

> Sinopse: Inspirado no livro As Meninas da Esquina – Diários dos Sonhos, Dores e Aventuras
de Seis Adolescentes do Brasil
, de Eliane Trindade, o filme retoma um assunto já explorado
por Sandra Werneck em seu documentário Meninas, de 2006: o difícil cotidiano das
jovens de comunidades carentes. A trama acompanha três dessas garotas, amigas
inseparáveis de colégio que encontram na prostituição uma maneira de complementar
o orçamento doméstico e alcançar seus sonhos de consumo. Elas são Jéssica, Daiane
e Sabrina, e dividem seu tempo entre problemas adultos precoces e a vontade de ser
menina. No elenco, temos ainda Daniel Dantas como um pedófilo; Marieta Severo como
a cabelereira que serve como figura materna e amiga de Daiane e MV Bill, que interpreta
um presidiário. Entre as garotas, o destaque fica coma a promissora Nanda Costa.
Sandra Werneck dirigiu antes o sucesso de bilheteria Cazuza - O Tempo Não Pára (2004).

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Sessões extras



PARIS NOS PERTENCE
Paris Nous Appartient França 1961 2hoomin
de Jacques Rivette com Betty Schneider, Giani Esposito, Françoise Prevost
CINEMA DA FUNDAJ | Sábado 03, 14h ENTRADA FRANCA

> O Cineclube Dissenso exibe o longa de estréia de Jacques Rivette. O meticuloso
projeto, que levou quatro anos para ser finalizado, e por todas as dificuldades financeiras
e de produção que enfrentou, tornou-se uma espécie de filme maldito do revolucionário
movimento francês. Narra a história de Anne Goupil, uma jovem parisiense estudante
de literatura que se encontra por acaso com um grupo de teatro ensaiando arduamente
Péricles, de Shakespeare, mesmo sem nenhum recurso financeiro. Ao mesmo tempo em
que aceita o desafio de atuar na peça, Anne se descobre completamente envolvida numa
misteriosa conspiração política cujos adeptos suicidam-se inesperadamente. Filmado sem
produção, sem contra-regras, sem carro, sem 'despesas diversas' e em períodos de férias,
eis um filme que comprova ter sido Rivette o mais fanático do grupo de fanáticos que ousou
fazer um filme nos tempos da Nouvelle Vague. Após a sessão, debate na sala João Cardoso Ayres.

SESSÃO DE ANIMAÇÃO CINECABEÇA
CINEMA SÃO LUIZ | sábado 03, 14h ENTRADA FRANCA

> A FEPEC - Federação Pernambucana de Cineclubes, traz para o CineCabeça
deste sábado 03 uma sessão com curtas-metragens brasileiros de animação.
Na programação estão sete filmes de diferentes Estados, incluindo Pernambuco.
Após a exibição haverá um bate papo com a presença de convidados.
Os curtas: A Morte do Rei de Barro (PE), O Jumento Santo e a Cidade que se Acabou
Antes de Começar
(PE), SomoS SomoS (PE), O Anão que Virou Gigante (RJ),
Silêncio e Sombras (RS), A Ilha (DF) e O Menino que Plantava Invernos (SP).
mais informações em www.fepec.blogspot.com

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas etc


>
Funcionou muito bem nossa primeira enquete on-line! Dessa vez, quem escolheu
a Kinemeiete e o Kinemeião do mês foi você, leitor. Confira agora os eleitos:



> Chloe Grace Moretz, aos 11 anos e quebrando tudo em Kick-Ass, é nossa
Kinemeiete de junho. Gostamos muito dela também, mas a escolhida aqui na redação
seria Abbie Cornish, que ficou em terceiro lugar, talvez porque quase ninguém viu
Brilho de uma Paixão, onde (perdão pelo trocadilho!), ela está brilhante. Mas voltando
à vencedora, Chloe Grace Moretz já tem uma carreira e tanto, tendo começado bem
cedo, aos 6 anos, como modelo infantil e participações em séries de TV (The Guardian,
Desparate Housewives, Meu Nome é Earl). Em 2005, ela chamou atenção no remake de
Terror em Amityville. De lá pra cá, trabalhou sem parar, chegando ano passado em
500 Dias com Ela e agora, roubando a cena como a Hit Girl de Kick-Ass - Quebrando Tudo.
Em breve ela volta às telas como a protagonista do remake para o sueco Deixa Ela Entrar,
no Top Ten Kinemail 2009, e, claro, na continuação Kick-Ass 2: Balls to the Wall.



> Ewan McGregor é o Kinemeião de junho. Também era o nosso favorito.
Tendo começado a trabalhar como ator já depois dos 20 anos, o escocês Ewan McGregor
chamou atenção no ótimo Cova Rasa (1994) de Danny Boyle, que também o dirigiu
no sucesso Trainspotting (1996). Nos anos seguintes, fez O Livro de Cabeceira,
de Peter Greenway, e Vevet Goldmine, de Todd Haynes. Em ambos, ficou famoso
por aparecer completamente pelado, como poucos atores hollywoodianos fariam.
Surpresa que, logo após, foi convidado por George Lucas para ser Obi-wan Kenobi
na nova trilogia Star Wars, nos três filmes da série. Enquanto isso, estrelou o musical
Moulin Rouge!, o filme de guerra Falcão Negro em Perigo, a comédia musical retrô
Abaixo o Amor, o blockbuster de Michael Bay A Ilha, Peixe Grande de Tim Burton
e, no auge do sucesso em Hollywood, protagoniza o pequeno drama inglês Pecados
Inocentes
, onde novamente aparece sem roupa... como nenhum ator hollywoodiano faria.

Em 2007 esteve em O Sonho de Cassandra de Woody Allen e chegamos aos dois últimos
anos, onde McGregor fez o blockbuster Anjos e Demônios e está agora simultaneamente
em cartaz nos cinemas do Brasil com quatro (!) filmes: Os Homens que Encaravam Cabras
(em cartaz nos multiplexes); roubando o filme de Jim Carrey, como Phillip Morris em
O Golpista do Ano, 'filme gay' sem previsão de estrear nos EUA e que, lançado por
uma pequena distribuidora nos multiplexes do Brasil, está fazendo um sucesso que
ninguém esperava (está em quinta semana em cartaz nos nossos multiplexes);
na cinebiografia Amelia e, por fim, excelente como o protagonista do novo
filme de Roman Polanski, O Escritor Fantasma. Uma filmografia e tanto
para um dos melhores atores contemporâneos, que completará 40 anos em 2011.


Veja Eclipse!

Eu tinha terminado de assistir o blu-ray de Capitalismo - Uma História de Amor
do meu idolatrado Michael Moore e estava mordendo os cotovelos, perguntando
porque a minha geração da década de 60 gostava de Godard, de Kurosawa (filas
imensas no antigo Cinema Coliseu de Casa Amarela) e também de Woodstock e Hair.
Tinha uma saudade estética, mas também uma consciência política. Havia um desbunde,
sim, não tão rasteiro quanto o rebolation atual, mas eu pensava que ia levitar quando
entrava no ônibus de Casa Forte, vindo do meu psiquiatra, (coitado do Dr. Ladislau Porto)
e entrava pela porta traseira a artista plástica e mãe de todos os desbundes na época.
Claro que estou falando de Diva Glória, que justificava plenamente o nome:
DIVA e GLÓRIA tinham parado por ali.

E então dei de caras com a resenha de Isabela Boscov, que eu até gosto,
elogiando Eclipse, a terceira parte desta enjoada trilogia cujo epíteto
é saber se a mocinha virgem vai dar pro vampiro ou pro lobisomem.
Ela diz que o lobisomem-tanquinho Taylor Lautner, é um ator 'que irradia
carisma', é um 'grande ator' e nunca, também, houve uma 'cena tão erótica
quanto a de Bella e Jacob'. Por favor, tragam meus sais! E uma ficha de inscrição
no AA mais próximo para Isabela. Ela devia estar bêbada quando fez a resenha.
José Carlos Cordeiro Freire | josecarlos@pesqueira.com.br


Esquadrão Classe B

Esquadrão Classe A seria um filme até divertido se fosse mais curto, com menos
situações absurdamente mentirosas e menos tremedeira de câmera. Ainda assim,
o filme representa um avanço em relação alguns outros, como o asséptico
Missão Impossível 3. O elenco é interessante. A história é um tanto cliché
e às vezes fica confusa com tantas partes truncadas e saltos na trama,
mas dentro do gênero "ação" não é pior nem melhor que outras.
Seu visual sujo e a sábia decisão de limitar o uso de frases de efeito/piadinhas
fora de hora o tornam um filme de ação tolerável. O final apoteótico e mirabolante
prejudica muito. Embora não seja necessariamente ruim, a direção errou a mão
em dezenas de coisas, fazendo pensar que uma boa matéria-prima foi desperdiçada.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br


Pare com esse filme!

Cinebiografias sempre foram uma faca de dois gumes na indústria do cinema.
Com sucessos lucrativos contrapostos a fracassos retumbantes, o gênero implica
um alto risco a quem investe nele. Talvez o maior atrativo para os produtores
seja a chance de ganharem um Oscar, já que a academia tem um histórico
de premiações envolvendo filmes sobre grandes personalidades. As recriações
da vida de Gandhi e Johnny Cash são exemplos claros de que, para bem ou mal,
quanto mais sofredor for o homenageado, mais longe o projeto pode chegar.
E esse é um dos problemas de Amélia (EUA 2009 ), filme
sobre a trajetória da pioneira na aviação feminina nos EUA, Amelia Earhart.

Não que a vida de Earhart não tenha lá sua dose de drama. Sozinha no mundo
da aviação para mulheres, ela construiu aos poucos o respeito e confiança que
os pilotos femininos precisavam para se firmarem nesse esporte, que tempos depois
viraria negócio; e ainda lidou com um casamento e um caso extraconjugal.
Porém, o roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan transforma tudo isso numa
sucessão interminável de dilemas e conflitos que parecem ter saído de uma
novela de Manoel Carlos. Todos os fracassos de Amélia são mostrados com
a maior velocidade possível, e em duas cenas já estão todos de volta à batalha
como se nada tivesse acontecido. A quantidade de frases feitas e situações fabricadas,
com direito a um momento "crianças da África", deixa o espectador mais atento
sentindo vergonha de um personagem que deveria ser admirável.

É notável, porém, o esforço enorme de Hillary Swank para contornar com sua atuação
segura, a tragédia feita no texto. Premiada duas vezes com o Oscar de atriz,
Hillary é uma escolha sempre interessante, mesmo em filmes ruins. Como não tem
a beleza das musas de Hollywood, toda a atenção dos diretores se volta para seu talento
dramático, que já conseguiu salvar diversos projetos. O que não acontece nesse caso,
já que mesmo com toda a crença na idéia (ela foi produtora executiva do filme),
todos os outros fatores não colaboraram. Talvez o maior culpado em toda essa teia
de problemas seja a direção da indiana Mira Nair. Aclamada por filmes como Casamento
à Indiana
e Salaam Bombay!, e por alguns trabalhos notáveis para TV, Nair se mostrava
competente, trazendo um mundo indiano mais realista para as telas ocidentais. Porém
após a tragédia que foi o seu Feira das Vaidades, uma dúvida passou a rondar
a carreira da diretora, sendo confirmada agora, da pior maneira possível.
Nair gasta tanto tempo do longa criando ambientes novelescos e sendo cuidadosa com
a reconstituição de época, que o único momento aonde o ritmo vai se tornar realmente
interessante é no final, carregado de tensão. Mas nesse final, que dura por volta
de 10 minutos, quase nenhuma palavra é dita; já era de se esperar.

A participação ridícula de Ewan McGregor é difícil de engolir. O ator parece
ter entrado ali apenas por estar em alta novamente em Hollywood. E é uma
pena que seja assim, já que ele interpreta Gene Vidal, o homem com quem
Amelia trai seu marido. As cenas dos dois juntos lembram um chá inglês
cheio de cautela, dada a falta de química do casal. Ewan entra e sai de cena
pateticamente, piorando algo que já não ia bem das pernas.
Felipe André | f_andre2@hotmail.com

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