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Não Amavam as Mulheres
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Margin Call - O Dia Antes do Fim
Amanhã Nunca Mais
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O Espião que Sabia Demais
A Música Segundo Tom Jobim
A Chave de Sarah
2 Coelhos
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41º Festival de Roterdã
Edição 573
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A Hora da Escuridão
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Cavalo de Guerra
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Aventuras de Agamenon - O Repórter
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Além da Estrada
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Um Dia
Imortais
Dicas de Cinéfilo Top Ten 2011
Edição 570
Missão Impossível - Protocolo Fantasma
Compramos um Zoológico
A Condenação
A Fera
Edição 569
Tudo Pelo Poder
Roubo nas Alturas
Um Conto Chinês
Kinemeiete e Kinemeião Novembro
Edição 568
O Gato de Botas
Noite de Ano Novo
Desaparecidos
Kineclube Saraiva - A Conversação
Retrospectiva 2011/Expectativa 2012
TOP TEN KINEMAIL 2011 Definitivo
Edição 567
Os Muppets
Operação Presente
Os Especialistas
Kineclube Saraiva - Cada Um Vive
Como Quer
Retrospectiva 2011/Expectativa 2012
TOP TEN KINEMAIL 2011
Edição 566
Medianeras
Happy Feet 2 - O Pinguim
Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim
180 Graus
Assalto em Dose Dupla
Não Sei Como Ela Consegue
Kineclube Saraiva - Lua de Papel
Edição 565
Copacabana
Amanhecer - Parte 1
Meu País
Os Monstros
Bollywood Dreams
A Alegria
Jardim das Folhas Sagradas
35ª Mostra SP de Cinema - O Listão
Kinemeiete e Kinemeião Outubro
Edição 564
Um Sonho de Amor
Uma Doce Mentira
Reféns
11.11.11
Kineclube Saraiva - Alice Não
Mora Mais Aqui
IV Janela de Cinema do Recife
Edição 563
A Pele Que Habito
O Preço do Amanhã
Terror na Água 3D
A Casa dos Sonhos
IV Janela de Cinema do Recife
35ª Mostra SP de Cinema
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ARQUIVO 2010
ARQUIVO 2009
ARQUIVO 2008
ANO DEZ Edição 499
Mercenários, Segurança, Famosos e Feiticeiro
> Semana tem estreias de Os Mercenários e O Aprendiz de Feiticeiro
nos multiplexes, além da comédia 'romântico-gastronômica' À Moda
da Casa, no Cine Rosa e Silva, e do 'blockbuster brazuca' Segurança
Nacional, somente no Cinema do Parque com ingressos por R$ 1,oo.
Nas sessões extras dos multiplexes, temos Os Famosos e os Duendes
da Morte, filme incomum do atual cinema brasileiro, realizado pelo jovem
Esmir Filho,
e o suspense Os Homens que Não Amavam as Mulheres.
O Cinema São Luiz exibe essa semana À Prova de Morte e a animação
Mary & Max, além de Sessão Cinemateca para Morangos Silvestres
de Ingmar
Bergman e a animação O Castelo Animado nas Sessões Infantis.
No Cinema da Fundação, estreia o documentário Doce Brasil Holandês,
rodado no Recife e na
Holanda, sobre a invasão holandesa do século XVII.
A Fundaj permanece exibindo À Prova de Morte e Uma Noite em 67
e exibe, no Cineclube Dissenso, À Beira da Loucura, de John Carpenter.
Nesta edição, comentários do leitor sobre o superestimado A Origem.
Assista, opine, participe, comente para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta As Diabólicas, clássico
francês de suspense e terror dirigido por Henry-Georges Clouzot. AQUI
LEITOR VIP Convites para pré-estreia de Karatê Kid e convites
O Aprendiz de Feiticeiro e Doce Brasil Holandês AQUI
> Sinopse: História de um grupo de mercenários, classificados como dispensáveis,
que tem como nova missão lutar para combater um ditador na América Latina.
Juntos eles possuem uma marca, a tatuagem The Expendables.
> Comentário: Filme reúne pesos-pesados do cinema hollywoodiano de pancadaria,
incluindo participação do atual governador da California, Arnold Schwarzenegger. Ganhou
fama pelo suposto calote que a equipe de filmagens deu ao passar pelo Rio de Janeiro
e declarações escrotas de Stallone sobre o Brasil. No elenco todo macho, tem espaço
para uma mocinha, a brasileira
Gisele Itié, em papel que seria da finada Britanny Murphy.
O APRENDIZ DE FEITICEIRO
The Sorcerer's Apprentice EUA 2010 1h50min RT 4,3
de Jon Turteltaub com Nicolas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Monica Bellucci
> Sinopse: Balthazar Blake (Nicolas Cage) é um feiticeiro-mestre na Manhattan
dos dias atuais tentando proteger a cidade do seu maior inimigo, Maxim Horvath.
Balthazar não pode fazer isso sozinho, por isso recruta Dave Stutler, um jovem
aparentemente comum, mas que demonstra um grande potencial como seu protegido.
O feiticeiro fornece ao seu cúmplice relutante um curso intensivo na arte e ciência da magia
e, juntos, esses improváveis parceiros se esforçam para impedir as forças do Mal.
Dave precisará de coragem para sobreviver ao seu treinamento e salvar a cidade.
OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE ![]()
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Brasil 2009 1h35min
de Esmir Filho com
Henrique Larré, Ismael Caneppele, Tuane Eggers, Samuel Reginatto
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Curioso esse filme estrear num multiplex aqui no Recife. Mesmo que restrito
a uma sessão diária da rotulada 'sessão de arte', deverá causar estranhamento
saudável na plateia. Primeiro porque, se merece algum rótulo, é mesmo o de
'filme de arte', já que Os Famosos e os Duendes da Morte, a começar pelo
nada comercial título, é um daqueles filmes pessoais e corajosamente feitos
sem qualquer concessão ao gosto médio, muito menos ao 'público de shoppings'.
Produção foi bancada pela multinacional Warner Bros, que investiu no jovem
diretor paulista Esmir Filho, de apenas 27 anos, estreando em longa-metragem
depois de alguns curtas premiados e do viral do YouTube Tapa na Pantera.
Rodado no Rio Grande do Sul, com elenco local, o filme fala diretamente aos
jovens, com personagens conectados à internet, fãs de Bob Dylan, trama que
acontece via MSN e webcams etc, num universo bem particular, da 'juventude emo'.
Bem longe do roteiro fácil e superficial do rapidamente esquecível As Melhores
Coisas do Mundo de Laiz Bodanski, Os Famosos e os Duendes da Morte aposta
em viagem intimista e estética quase experimental, sensorial, alcançando momentos
encantadores em formato largo CinemaScope. Na trama, um adolescente solitário
(Henrique Larré, muito bom) bloga com o apelido Mr. Tambourine Man e segue
os vídeos postados na web por uma garota que o instiga a conhecer o mundo.
O rapaz convive com a mãe viúva e, entre os eventos rotineiros da cidadezinha
onde vive, temos não só festas juninas típicas mas também suicídios numa ponte.
Se ainda não conseguiu realizar um bom longa, o jovem estreante Esmir Filho marca
o cinema recente brasileiro com uma obra única, pessoal, um verdadeiro OVNI
de difícil classificação no pobre mercado exibidor do Brasil. Não é um filme para todos.
Para mim, que não tenho conexão alguma com esse universo juvenil 'emo', foi uma
experiência um tanto maçante, tediosa, mas Os Famosos e os Duendes da Morte
tem forte poder de identificação com uma parcela da juventude que não se enquadra
na rede de consumo pop massificada e merece ser descoberto numa sala de cinema.
Visto em 2009 como convidado do Cinema da Fundaj
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
DOCE BRASIL HOLANDÊS
Brasil/Holanda 2010 52min
de Mônica Schmiedt com Sabrina van der Ley, Kalina Vanderlei, Evaldo Cabral de Mello
> Sinopse: Duas historiadoras, a brasileira Kalina Vanderlei e a alemã Sabrina van der Ley,
encontraram-se no Recife em março de 2009, para investigar as raízes e as contradições
do mito que se criou acerca da invasão holandesa a Pernambuco, no século 17. Maurício
de Nassau (que governou, do Recife, o Brasil Holandês, entre 1637 e 1644) é definido por
alguns moradores de Recife como 'o melhor prefeito que a cidade já teve'. Até hoje, aquela
época é lembrada como melhor que a atual. Por que um povo teria saudade de um invasor?
À MODA DA CASA ![]()
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Fuera de Carta Espanha 2008 1h51min
de Nacho Velilla com Javier Cámara, Lola Dueñas, Fernando Tejero
> Sinopse: Maxi é um famoso chef, proprietário de um elegante restaurante
em Madri. Temperamental e sem papas na língua, ele vive sua homossexualidade
sem complicações. Porém, a vida perfeita de Maxi ficará extremamente agitada pela
chegada dos seus filhos, frutos de um casamento equivocado, e de um novo e atraente
vizinho, ex-jogador de futebol, por quem sua desastrosa assistente logo se interessará.
Javier Cámara recebeu o prêmio do público no Festival de Málaga por sua atuação.
Visto em 22/08 como convidado do Cine Rosa e Silva
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
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Sessões extras
À BEIRA DA LOUCURA
In the Mouth of Madness EUA 1995 1h35min
de John Carpenter com Sam Neill, Julie Carmen, David Warner, Charlton Heston
CINECLUBE DISSENSO | CINEMA DA FUNDAJ | sábado 14, 14h ENTRADA FRANCA
> O cineasta John Carpenter, reconhecido como um dos definidores do cinema
de horror moderno (Halloween, A Bruma Assassina, O Enigma do Outro Mundo)
e mestre do melhor cinema B (Fuga de Nova York, Os Aventureiros do Bairro
Proibido), trabalha neste filme pouco conhecido da década de 90 uma angústia
do desequilíbrio que separa a ficção da realidade, numa trama sobre famoso
escritor de terror (Sam Neill) que desaparece misteriosamente.
SESSÃO CINECABEÇA
CINEMA SÃO LUIZ | sábado 14, 14h | Exibição em DVD ENTRADA FRANCA
> A Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC – programou para esse sábado
o longa-metragem visceral AMARELO MANGA. Com um elenco de peso e dirigido pelo
pernambucano Cláudio Assis, o filme marcou a cinematografia nacional recenete.
Após a exibição haverá um bate papo com a presença de convidados.
Exibição em DVD. Mais informações em www.fepec.blogspot.com
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Os Famosos e os Duendes da Morte
Esmir Filho já era um diretor bastante conhecido no circuito brasileiro de curtas metragens.
Trabalhos como Saliva, Alguma Coisa Assim e Tapa na Pantera, foram sucessos em festivais
internacionais, mostras de cinema e mesmo na internet. Ou seja, como todo bom curta-metragista,
o momento em que o jovem diretor tomaria a frente de um projeto de longa-metragem era aguardado
por todos. O resultado dessa espera chega agora, com Os Famosos e Os Duendes da Morte.
A inspiração para o roteiro veio de muito longe. O escritor gaúcho Ismael Cannepele conheceu
Esmir pela internet, e se interessou pelos textos do rapaz. o filme é na verdade o início
de um livro que Ismael iniciou, e foi sendo escrito em conjunto com o roteiro. A história,
quase totalmente biográfica, fala sobre um jovem morador da cidade de Lajeado, que sofre por
acreditar estar preso naquele local. Existe uma difícil relação com a própria sexualidade,
e a dificuldade de lidar com o pai ausente. Fã de Bob Dylan, o rapaz se comunica com amigos
pela internet, e almeja assistir ao show do ídolo, que vai acontecer em São Paulo.
Talvez a parte mais interessante da narrativa seja o desdobramento trágico desse simples
personagem adolescente. O rapaz assiste constantemente a vídeos que remetem a alguém que
ele parece conhecer; alguém que todos conhecem, mas não ousam comentar sobre. Os vídeos
pertencem a uma garota conhecida como Jingle Jangle, que aparece envolta em plásticos,
dançando solitária, ou mesmo interpretando uma personagem um tanto macabra, junto com outro
rapaz desconhecido. A atmosfera de dor e desolação é muito perceptível, quase tátil. Talvez
a direção de atores e a fotografia de Mauro Pinheiro Jr. sejam os maiores responsáveis
pelo sucesso sensorial do filme. Não que esteja livre de falhas, é claro; como todo diretor
em início de carreira, Esmir teima em manter um visual muito apurado enquanto se esquece
de controlar o roteiro. A narrativa parece episódica, e as introduções bruscas de imagens
granuladas soam muito bobas, mesmo que justificadas como devaneios do protagonista. Além disso,
o desfecho melodramático e quase fantástico é uma queda violenta no que vinha sendo um produto
muito agradável. Mesmo assim, é notável a interação direta e o diálogo do filme com o ambiente
que ele representa. Todos os atores, parte da equipe e mesmo a trilha sonora (do sensacional
Nelo Johann), são da própria Lajeado, que talvez não soubesse da crítica forte à seus modos
e costumes. Mesmo não sendo perfeito, Os Famoso e os Duendes da Morte é um fato novo
e uma visão simples da nova juventude brasileira, algo que eu gostaria de ver mais vezes.
Felipe André | f_andre2@hotmail.com
O leitor e A Origem
1. Vi A Origem nesse final de semana e fiquei, de certa forma, bastante
satisfeito com o que vi. Obviamente o filme tem seus buracos, mas diverti-me
bastante com a historinha pseudo-intelectualista criada pelo Nolan. Que
pode não ser lá grande diretor, mas que na minha opinião o que ele tem feito
com o desenvolvimento das câmeras de filmagem IMAX é bem mais interessante
do que a captura 3D do James Cameron. Aliás, que beleza de imagens são aquelas
nos planos gerais do filme? Impressionante a qualidade daquelas imagens.
Gostaria muito de ver aquilo numa tela IMAX.Quanto ao filme em si,
achei desnecessária a insistência no desenvolvimento da relação
do personagem do Leonardo DiCaprio com a esposa, mas relevo devido
a necessidade de humanizar o rapaz. Já a Ellen Page fazia o papel
do espectador mediano de blockbusters de verão, aquele que entre
uma mãozada e outra de pipoca precisa de uma explicação mais detalhada
do que está acontecendo por não conseguir mastigar e pensar ao mesmo tempo.
Não há como não comparar ao Matrix, onde esse papel cabia ao Neo.
Cabe a ressalva da sequência final em 3 níveis de acontecimentos. Achei
muito interessante a montagem das ações em paralelo e acrescento que gostei
bastante da desenvoltura dos personagens na briga sem gravidade no corredor
do hotel (cena bonita da porra!). Joseph Gordon-Levitt é a cara do Heath Ledger!
De resto, A Origem é tão profundo quanto um prato de papa. Paradoxo
é o novo Dejà vu! Obviamente, não se pode reclamar da engenhosidade
dos criadores do roteiro. A ideia das camadas de sonhos terem relações
temporais diferentes é muito boa. Acho que tudo poderia ser um pouco menos
explicado. Estava tudo tão bem mastigado que eu não tive trabalho para digerir
as informações. Sobre a trilha sonora, achei-a muito esparrenta. Que acorde
alto do cão!. Estão chamando de 'trilha sonora da vuvuzela'. Me acabei de rir
com isso: http://ryanpitts.com/projects/inceptionator/
André Ferreira | afcferreira@gmail.com
Pois é, talvez A Origem fosse mais fascinante se não fosse um videogame tão
explicadinho. Matrix tinha ao menos essa vantagem, só era explicativo na segunda
metade, quando o mundo paralelo era revelado para Neo e, portanto, para o espectador.
O 'manual de uso' de A Origem é tagarelado desde o início do filme.
Esse recurso narrativo, na minha opinião, não tem como gerar bom cinema.
Curioso é que dizem que o sucesso nas bilheterias acontece porque o povo volta
pra rever o filme, que exige revisões para ser decifrado. Não entendo... É tudo tão
mastigadinho e previsivelmente 'ambíguo' que chega a ser cansativo, chato. Eu só veria
A Origem de novo se fosse num IMAX, de preferência com um tapa-ouvidos, pra me livrar
daquela trilha sonora insuportável, como já bem chamaram, em estilo heavy-trombone (!)
2. Finalmente, após a maravilha Batman - O Cavaleiro das Trevas, Cristopher Nolan
presenteia-nos com mais uma obra repleta de acção e suspense, aquele tipo de
história surreal de que todos nós sentíamos saudades, um thriller cerebral que
apenas ele nos poderia oferecer. Considerado por muitos o Kubrick do Milénio,
o realizador perfeito, ou até mesmo o ‘mais bem vestido desde Mr. Hitchcock’,
tem andado nas bocas de todo o mundo, e chega-nos aquele que tem estado no segredo
dos Deuses, ou melhor da Warner Bros, e digo-vos, é impossível ficar indiferente
a tal obra. Se esperam algo fantástico, aguarda-vos algo muito mais, se esperam ser
surpreendidos, preparem-se para conhecer a mente genial, os sonhos ‘labirinticos’
de Nolan, porque tudo isto meus caros, é Inception - A Origem.
E como em qualquer obra, comecemos pois pela sua base. O argumento em si só é genial,
capaz de prender o espectador até ao mais íntimo pormenor. Tudo flui de uma forma bem
encadeada, levantando e respondendo a todas as questões, efectivamente de uma forma
tão natural que parece fácil a arte do Roteiro. E quem diria que, com uma temática
tão reservada e tão pessoal, teríamos uma verdadeira lição de aproximadamente 140 minuntos
de verdadeira tensão cerebral. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um agente especial perito
em extracção de ideias e segredos enquanto sonhamos, uma vez que é neste estado que o
nosso cérebro se encontra mais vulnerável, mas é exactamente o oposto do seu habitual
trabalho que serve de fio condutor a toda obra. Trata-se agora pois de implantar uma ideia
na mente de uma pessoa. Um crime perfeito, um dos melhores e mais criativos alguma vez
retratados no grande ecrã. É com base neste projecto que a personagem interpretada por
DiCaprio reúne uma equipa de profissionais capazes de penetrar no mais profundo nível
de ‘sonho’. Mas é quando se fala de sonhar no próprio sonho que tudo ganha mais interesse,
então quando se trata de uma verdadeira cascata de sonhos , interligados de uma forma tão
excepcional, eis que temos a fórmula perfeita para o sucesso. E como se isto tudo não
chegasse para umas verdadeiras doses de adrenalina, encontramos um Dom Cobb confrontado
com as suas próprias memórias e ‘projecções’, que se reflectirmos um pouco, constitui
e constituirá sempre um dos melhores vilões do cinema: a própria mente.
E por acréscimo, quando a intensidade dramática diminui, eis os fantásticos efeitos visuais
e especiais, bem ao estilo de Nolan. Realmente, uma mistura de Matrix e James Bond, como
o próprio realizador afirma ser, até porque para ele ‘este é o meu filme de Bond’. Efeitos
grandiosos, inovadores e exuberantes porque efectivamente o que de extraordinário tem
a mente humana é a capacidade dele ser infinito. Na minha modesta opinião, a segunda metade
do filme revela uma das melhores sequências de acção alguma vez imaginadas. Todo o encadeamento
de sonhos obriga a que o espectador preste toda a sua atenção às realidades apresentadas,
ora estamos numa, ora estamos noutra, e assim sucessivamente, todo um jogo labiríntico
organizado na nossa mente, onde a única coisa que os liga é a relação temporal e todos
os factores externos, porque afinal todos os caminhos advêm das nossas escolhas.
Uma ‘montagem’ que Nolan já tinha conseguido com Memento - Amnésia, nesta feita para relacionar
espectador com a doença narrada, levando-o a raciocinar da mesma forma do protagonista.
Leonardo DiCaprio desempenha aqui mais um extraordinário papel repleto de mistério e tensão,
à semelhança do sucedido no magnífico Shutter Island - Ilha do Medo de Martin Scorsese,
marcando aqui o seu filme mais visto nos primeiros dias de exibição de toda a sua carreira.
Ao par desta magnífica performance, encontramos ainda uma Ellen Page diferente do habitual,
mas não menos interessante e relevante, agora como arquitecta do submundo dos ‘sonhos’,
é ela pois o mentor de todo o aspecto físico. E são estes, que juntamente com um elenco
de excelentes actores, com mais uma vez a presença de Michael Caine nas obras de Nolan,
protagonizam certamente um dos melhores filmes do ano. Mais uma obra exuberante, sem esquecer
claro, toda a obra musical de Hans Zimmer. Trabalhador assíduo de Nolan completa mais uma vez
a sua obra com uma majestosa banda sonora capaz de arrepiar toda a audiência, deixando-a
em pulgas para o que vem e para o que há-de vir. E é tudo isto, uma excelente realização
técnica suportada por um argumento também ele genial e surpreendente, projecções, memórias,
o despertar dos sonhos (empurrão ou morte), a sua arquitectura, o subconsciente, a ilusão temporal,
a consequência de factores externos, o axioma filosófico de vivermos num sonho ou realidade,
paradoxos, enfim, toda uma vasta gama de instrumentos, que numa orquestra cinematográfica
bem sincronizada, segue ao ritmo do ‘il maestro’ Cristopher Nolan, nos consegue relembrar
da capacidade da sétima arte, uma verdadeira conjugação de todas as restantes artes,
capaz de mover multidões e claro, ‘sonhos’. Obrigado, Nolan.
Helder Faria | helderfaria_1@hotmail.com
3. A trama de A Origem é uma daquelas boas ideias que se tem preguiça de desenvolver
mais profundamente. Algo como alguém que acaba de pensar um fio condutor interessante
e pensa ser o bastante para impressionar o público. Não deixa de nos proporcionar
uma reflexão sobre como se consome cinema hoje em dia. Parece que pensar não faz parte
do programa, da saída, e é até mesmo reprovável que o conteúdo consumido tem algo
além daquele momento sensorial. Ainda sobre sentidos, parecem pensar que nossa visão
e audição já estão tão avacalhadas pela mediocridade que se consome, que o espetáculo
visual e a barulheira dos filmes estão alcançando níveis de pura irracionalidade.
Por intricado que seja o desenrolar do filme, não significa que a gente tenha que pensar.
Parecem desdobrar-se infindáveis tentativas de impressionar a audiência enquanto o filme
vai caminhando até seu final, mas nada adianta. A propósito, ficam em nossas cabeças
várias questões não resolvidas sobre o enredo. Lembro de quando eu assistia De Volta Para
o Futuro II e ficava pensando em como aquilo poderia acontecer e tudo meio que se encaixava,
ou fazia sentido num aspecto puramente hipotético. Em A Origem, isso não acontece, e fica
aquela sensação de que o filme está compulsivamente insultando nossa inteligência.
O elenco está muito mal aproveitado nesse filme ingenuamente pretensioso e raso do diretor
Cristopher Nolan. Com exceção de Marion Cotillard (que, para mim, parece sempre incapaz
de fazer uma participação automática, indiferente), todos estão limitados de uma forma
ou de outra. Ellen Page, muito apagada, me parecia deveras desinteressada no que fazia.
Enfim, uma grande pena. Eu me interessei em ver o filme quando li algo à época de sua estreia
nos EUA. Longo, com uma pompa exagerada e injustificada, A Origem decepciona bastante.
Victor Toscano | victortoscano1982@gmail.com
Dica de DVD do leitor: VELUDO AZUL
por Pedro Henrique
> Se há um cineasta mais controverso em Hollywood, que filma esquisitices aparentemente
sem nexo na narrativa, seu nome é David Lynch. Mais do que um diretor de cinema, Lynch
é um artista que se utiliza da sétima arte como um canal para sua expressão. Nada mais
do que esperar de um jovem graduado na Acadêmia de Belas Artes da Pensilvânia, onde
aprendeu a pintar, fotografar, esculpir e desenhar. Sua aproximação com o cinema se deu
numa experiência que teve quando, ao observar um de seus quadros, ouviu o vento soprar,
e era como se a folhagem na pintura estivesse se movendo. Percebendo a maior limitação
das artes plásticas (a imobilidade), Lynch decidiu incluir movimento em seus quadros
e fez seu primeiro curta de animação, Six Figures Getting Sick (1966), onde seis cabeças
esculpidas por ele aparecem vomitando 6 vezes seguidas. Ele ainda viria a fazer mais dois
curtas, The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970), antes de se mudar para Los Angeles
e realizar seu primeiro e cultuado longa, Eraserhead, lançado em DVD poela Lume Filmes.
Em 1980, no seu segundo longa, O Homem Elefante, já conquista sua primeira indicação
ao Oscar de melhor diretor. Instantaneamente, Lynch chamou a atenção dos críticos, que
passaram a vê-lo como um dos mais promissores nome do cinema. Uma de suas obras mais
controversas e pertubadoras, é o estranho suspense Veludo Azul (Blue Velvet, EUA, 1986).
No filme, somos levados a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde seremos
apresentados ao jovem Jeffrey (Kyle MacLachlan), que volta a sua cidade natal após passar
um tempo fora. O retorno de Jeffrey é causado pela hospitalização do seu pai, o qual teve
um estranho ataque de dores enquanto aguava o jardim da sua casa. Numa de suas caminhadas
pelas florestas onde costumava brincar quando criança, Jeffrey descobre uma orelha humana
jogada no terreno. O jovem leva o caso a polícia e logo fica sabendo por Sandy (Laura Dern),
filha do xerife Williams, que existe algo de misterioso envlovendo Dorothy Vallens (Isabella
Rossellini), uma pertubada cantora de um nightclub local. O jovem rapaz decide bancar uma
de abelhudo e acaba por descobrir coisas muito estranhas sobre Dorothy e que o levam a Frank
(Dennis Hopper, numa assustadora perfomance), um sádico que a mantem sob vigilância constante
e costuma espancá-la e abusar sexualmente. Jeffrey acaba topando com Frank, que o faz mergulhar
num univeso de perversidade e depravação que parece não ter mais fim. Tudo isso focado
brilhantemente pelas lentes de Lynch, que faz de Veludo Azul um belo e perturbador sonho
de imagens e sons indescritíveis: um verdadeiro mergulho nas entranhas de uma decadente
sociedade norte-americana na qual nem tudo é o que parece ser - algo constante em suas obras.
A bela trilha sonora de Angelo Badalamenti ajuda a construir o clima surrealista da trama, onde
não faltam referências a certas tramas dos anos 50, principalmente do clássico filme A Caldeira
do Diabo de Jerry Wald, que também se passa numa aparentemente pacata cidade interiorana onde
muitas supresas são reveladas. Ao que parece, David Lynch gosta muito de colocar em seus filmes
cidades afastadas das grandes civilizações. Isso nos dá aquela sensação de isolamento e opressão,
algo como um pesadelo da qual queremos acordar e não conseguimos. O efeito repete-se em Twin Peaks,
série antológica que, mesmo realizada para TV, é um de seus grandes momentos como cineasta.
Pedro Henrique | phmmts@hotmail.com
À Prova de Morte no Cinema São Luiz (e Fundaj)
> Essa edição do Kinemail foi escrita ao som do CD da obscura banda citada
pelas garotas ao final da primeira metade de À Prova de Morte, quando elas curtem
a canção Hold Tight indo inocentes ao encontro fatal com StuntMan Mike.
Quem já viu o filme, lembra: o nome da banda é Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich.
À Prova de Morte está em cartaz esta semana em 9 sessões no Cinema São Luiz
e mais 5 sessões no Cinema da Fundação. São 14 oportunidades para você não perder
de ver um dos melhores filmes do ano (ok, de 2007!) numa tela de cinema.
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