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Kinemail Edição 566



Medianeras, Happy Feet, Almodovar e Bogdanovich


> Amanhecer - Parte 1 foi a maior abertura de todos os tempos no Brasil
e permanece ocupando quase metade das salas de cinema do país.

A semana tem estreia de Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor
Virtual
do argentino Gustavo Taretto, no Cine Rosa e Silva, e Happy Feet 2
para a gurizada, nos multiplexes (também em 3D) e no Cine Rosa e Silva.
Nas sessões extras em exibição nos multiplexes, Um Sonho de Amor,
Uma Doce Mentira e 180 Graus. Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim, Assalto em Dose Dupla e Não Sei Como Ela Consegue são mais estreias.

Nessa segunda 28, o Kineclube Saraiva exibe Lua de Papel, de Peter Bogdanovich, no auditório da Saraiva Shopping Recife, às 19h.

O Cineclube Dissenso exibe um dos primeiros filmes de Pedro Almodovar,
Pepi, Luci , Bom Y Otras Chicas Del Monton, sábado 26, às 14h na Fundaj.

Nessa edição, já perto do fim do ano, atualizamos o Top Ten Kinemail 2011.
Assista, comente, participe. E-mails para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta o filme de Hal Ashby
Amargo Regresso (1978) com Jane Fonda e Jon Voight em DVD CLICA AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites + brindes de Happy Feet 2 e convites
para pré-estreia nesse sábado 26/11 de Os Muppets CLICA AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI




MEDIANERAS - Buenos Aires na Era do Amor Virtual
Medianeras Argentina 1h32min
de Gustavo Taretto com Pilar Lopez de Ayala, Javier Drolas, Ines Efron

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO
A tradição que o cinema argentino tem de fazer bons filmes, desde
o cinema mais autoral prestigiado em festivais ao cinema popular, para público
mais amplo, com sucessos até oscarizados, é motivo de embaraço diante
da baixa qualidade do cinema brasileiro atualmente. Medianeras, que aqui
recebe, por claras ambições mercadológicas, o incrível subtítulo Buenos
Aires na Era do Amor Virtual
é mais um filme benvindo de nossos vizinhos
latinoamericanos, tendo feito enorme sucesso num restrito circuito
"alternativo", pelo seu contexto indie e, claro, pelos filmes argentinos
aqui terem status de "cinema de arte para poucos", o que chega a ser
irônico diante da facilidade de comunicação e apelo popular destes filmes.

Medianeras (título didaticamente explicado no próprio filme, como as paredes
cegas de prédios onde "irresponsáveis" janelas são abertas pelos milhares
de inquilinos de micro apartamentos urbanos em Buenos Aires, em busca
de claridade e olhar para o mundo, literalmente e metaforicamente falando)
foi desenvolvido pelo jovem diretor Gustavo Taretto, a partir de um curta
metragem de enorme sucesso de sua autoria sobre a solidão da juventude
na era das relações virtuais. A história, que usa sem receios linguagem pop
de telesséries (ou sitcons) é contada por Martin, um web designer fóbico
buscando readaptar-se ao mundo, e Mariana, recém saída de um relacionamento.
Ambos são vizinhos, moram praticamente na mesma rua, na mesma quadra,
mas nunca se conheceram. A arquitetura aparece como terceiro protagonista,
quase como um vilão e como metáfora de isolamento e falta de comunicação.

O curta de 30 minutos já era muito bem resolvido, com montagem ágil
alternando a intimidade solitária dos personagens com um painel saboroso
de observações sobre arquitetura, história e evolução caótica dos grandes centros
urbanos, que daria uma ótima adaptação para o mesmo universo temático de uma
cidade como o Recife, por exemplo. Taretto usa o mesmo ator do curta (Javier Drolas),
certamente em boa parte um alter ego seu, e substitui a atriz do curta pela mais
conhecida Pilar López de Ayala (de O Estranho Caso de Angélica e Lope) com
resultados semelhantes. Se o filme já tinha fãs na sua versão curta, ao certo
deverá conquistar novos com sua versão longa (mas nem tanto, apenas hora e meia
de duração), embora para quem conhece as duas versões do filme, a longa não
acrescente muito. Não por acaso, uma das cenas mais comoventes é de um filme
dentro do filme, a despedida entre Woody Allen e Mariel Hemingway no adorável
Manhattan, em nostálgico preto e branco, filme visto por Martin e Mariana
separadamente, na solidão de suas noites insones vendo televisão (quem nunca?).

Na verdade, o curta me parece um formato mais adequado e certeiro na sua economia.
De qualquer forma, Medianeras tem um apelo direto para o público mais jovem,
impossível não se identificar com algumas situações envolvendo chats de internet
e inúmeras citações pop, a mais usada Onde Está Wally?, que inspirou o cartaz do filme.
Visto em 23/11 como convidado do Cine Rosa e Silva
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br


HAPPY FEET 2 - O PINGUIM
Brasil 2011 1h30min
animação de George Miller com vozes dubladas por Daniel de Oliveira, Sidney Magal

> Sinopse: Happy Feet 2 leva o público de volta às paisagens magníficas
da Antártica e os reúne com o pinguim sapateador mais famoso do mundo,
Mano, o amor de sua vida, Gloria e seus velhos amigos Ramon & Lovelace.
Mano e Gloria agora tem um filho, Erik, que se esforça para encontrar seus
próprios talentos no mundo do Pinguim Imperador. Porém, novos perigos ameaçam
a nação pinguim e todos vão precisar trabalhar – e dançar – para salvá-la.


LATE BLOOMERS - O Amor Não Tem Fim
Late Bloomers França/Inglaterra 2011 1h34min
de Julie Gavras com William Hurt, Isabella Rossellini, Arta Dobroshi

> Sinopse: Isabella Rossellini (Maria) e William Hurt (Adam) são um casal do Século XXI,
com todas as alegrias e realidades de um casamento de 30 anos. Até que, um dia eles
percebem que estão envelhecendo. Ambos tentam, cada um a seu modo, de maneira
opostas e até cômicas enfrentar as reações de uma nova realidade. Amigos e a família
conspiram para reaproximá-los, mas eles não deveriam confiar apenas na vida e no amor?
Novo longa de Julie Gavras, filha do célebre Costa Gavras, diretora de A Culpa é do Fidel,


180 GRAUS
Brasil 2010 1h30min
de Eduardo Vaisman com Eduardo Moscovis, Malu Galli, Felipe Adib

> Sinopse: Ana e Russell, jornalistas, vivem juntos, e têm em Bernardo, um amigo
da redação, mas também no cotidiano. Com a relação desgastada, o casal decide
se separar. Ele vai tocar a plantação de bananas do pai e ela abre uma editora.
Ao pegar casualmente um caderno de anotações de Russell, Bernardo transforma
o material em um livro, obtendo sucesso imediato. Russel reaparece, dizendo-se traído.


ASSALTO EM DOSE DUPLA
Flypaper EUA 2011 1h27min
de Rob Minkoff com Patrick Dempsey, Ashley Judd, Mekhi Phifer, Prutt Taylor Vince

> Sinopse: Tripp Kennedy (Patrick Dempsey) está em um banco próximo do fim
de expediente quando duas gangues diferentes aparecem para assaltá-lo. Começa
um tiroteio e Tripp aborda a inteligente e bonita caixa do banco Kaitlin (Ashley Judd),
para protegê-la. As gangues, uma de profissionais e a outra por uma dupla atrapalhada,
encontram-se num beco sem saída. O sistema de segurança inicia o bloqueio do final
do dia e tranca todos dentro do prédio. Durante a noite, Tripp e Kaitlin tentarão
salvar o dia, escapar de serem mortos e evitar de se apaixonarem...



NÃO SEI COMO ELA CONSEGUE
I Don't Know How She Does It EUA 2011 1h30min
de Douglas McGrath com Sarah Jessica Parker, Pierce Brosnam, Greg Kinnear

> Sinopse: Kate (Sarah Jessica Parker) é o modelo de mulher moderna. Divide seu
tempo entre os afazeres domésticos como mãe de família e os profissionais, do trabalho
como analista financeira. Quando a grande oportunidade aparece, vê sua vida virar pelo
avesso por causa das viagens que têm de fazer com Jack Abelhammer (Pierce Brosnan),
charmoso banqueiro. Kate se vê diante de um dilema: como conciliar amor, trabalho
e família e não sucumbir aos encantos do colega de trabalho bonitão?


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Cineclubes


LUA DE PAPEL
Paper Moon EUA 1973 1h42min
de Peter Bogdanovich com Ryan O'Neal, Tatum O'Neal, Madeline Khan
KINECLUBE SARAIVA | SARAIVA SHOPPING RECIFE | segunda 28, 19h ENTRADA FRANCA

> Dando continuidade ao tema Como a Geração Sexo, Drogas e Rock'n'Roll Salvou Hollywood
o Kineclube Saraiva exibe nessa segunda 28, 19h, Lua de Papel, realizado por Peter Bogdanovich
logo após a obra-prima A Última Sessão de Cinema. No filme, Addie é uma garotinha que fica órfã
de mãe prostituta e Moses Pray, um picareta que trabalha viajando “espalhando o evangelho
do Senhor através dos tempos” (ou vendendo Bíblias), é o encarregado de levar a garota para
uma tia em outra cidade. Moses inicialmente vê Addie como um estorvo, os dois passam o filme
inteiro se desentendendo mas aos poucos se estabelece uma bela relação entre esses dois
perdedores da América. O charme maior do filme está em Ryan O’Neal e Tatum O’Neal, pai
e filha na vida real, viverem personagens que desenvolvem justamente essa relação.
O filme se passa em 1935, durante a Grande Depressão, e Bogdanovich optou por filmar
em preto e branco, num primoroso trabalho do diretor de fotografia húngaro Lásló Kovács.

Para os padrões atuais, O filme foge de qualquer noção de politicamente correto ao mostrar
a garota fumando, mentindo e planejando golpes e furtos junto com Moses. Tatum O’Neal,
aos 9 anos de idade, adquiriu status de celebridade mirim e ganhou um merecido Oscar
de melhor atriz coadjuvante e até hoje é a atriz mais jovem a ter recebido a estatueta.
Ironicamente, ela nunca teve outro sucesso igual e na adolescência e vida adulta brigou
e deixou de falar com o pai, com quem fez as pazes recentemente, por Ryan O'Neal estar
debilitado na luta contra um câncer. Uma comédia nostálgica, melancólica mas de uma leveza
cativante, Lua de Papel é um daqueles raros acertos em que um diretor inspirado, um roteiro
perfeito (de Alvin Sargent) e dois atores em perfeita sintonia resultam numa pequena joia do cinema.
Fernando Vasconcelos | 24.11.2011

PEPI, LUCI, BOM Y OTRAS CHICAS DEL MONTON
Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Monton 1980 1h20min
de Pedro Almodovar e Yasmina Reza com Carmen Maura, Eva Siva, Agustin Almodovar
CINECLUBE DISSENSO | CINEMA DA FUNDAÇÃO | sábado 26, 14h ENTRADA FRANCA

> O Cineclube Dissenso exibe nesse sábado 26/11, no Cinema da Fundação, às 14h
um dos primeiros longas dirigidos por Pedro Almodovar. Sinopse: Pepi (Carmem Maura)
é uma mulher louca, que faz tudo muito depressa. Bom (Olvido Gara), uma sádica líder
do grupo Bomitoni, é sua melhor amiga. Um dia conhece Luci (Eva Siva), a esposa
sadomasoquista de um policial que violentou Pepi ao encontrar vasos de maconha
em seu apartamento. Nasce entre as três uma grande amizade, ou algo mais,
e juntas vivem um período louco e diferente em suas vidas.
Após a sessão, o tradicional debate na sala Edmundo Morais.

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas, festivais etc


O leitor viu: Amanhecer - Parte 1

Crepúsculo é um fenômeno estranho. Não sei quem iniciou todo esse hype em cima
dessa série, mas com certeza esse alguém merece um parabéns, nunca um produto
tão cretino e de qualidade duvidosa foi tão aguardado, idolatrado e atraiu tantos fãs
como essa franquia O marketing em cima disso tudo é tão forte que até quem não gosta,
como eu, acaba indo ver. Vale a ressalva que o primeiro filme não é essa desgraça toda,
até tem alguma dignidade e um romantismo, acho até bonitinho. Os outros são piores,
mas nada se compara a Amanhecer - Parte 1 em termos de tosquice e amadorismo.

O fiapo de roteiro é pobre e ainda dividiram algo tão ruim e precário em duas partes,
maldito Harry Potter que deu a ideia (esse pelo menos era bom). Bella e Edward finalmente
se casam. O início do filme parece último capítulo de novela, o Jacob já tira a camisa
no primeiro minuto, quando recebe o convite para a cerimônia (e as adolescentes com fogo
na xana gritavam no cinema... Tsc tsc). Depois, o Jacob aparece na festa, ele e a Bella ficam
naquele chove não molha, na frente do esposo dela, que assiste a tudo como se fosse a coisa
mais natural do mundo e então o casal de pombinhos recém casados vem para o nosso
Brasil brasileiro curtir a lua de mel. Bella engravida e agora o mundo pode estar correndo
perigo, pois um BEBÊ HUMANO-VAMPIRO pode ser uma força devastadora da natureza.
A primeira vítima é a própria Bella, que vai definhando, sendo sugada pelo próprio filho.
Os lobisomens querem destruir a criança e os vampiros vão ter que lutar contra eles, essa
é a desculpa da autora Stephenie Meyer pra arrumar briga mais uma vez no final dessa "saga".

Do primeiro ao último minuto de projeção, o sentimento é um só: vergonha alheia. Já posso
até imaginar os atores no futuro, declarando que detestavam os filmes e que só entraram
nessa pelo dinheiro. Já acho difícil conceber que um adolescente possa gostar disso, que
dirá um adulto, é constrangedor demais, não tem enredo, os efeitos especiais são toscos,
tudo soa muito artificial e pretensioso, me parece uma fantasia de uma coitada rejeitada
e infeliz, que criou um conto de fadas próprio e com um mundo cada vez mais fútil e com
mais pessoas carentes e sonhadoras de sonhos impossíveis, e muita gente acabou comprando
essa ideia. A única coisa que achei razoável, pra não dizer que nada se salva, foi a trilha sonora.
As cenas de ação são tão mal trabalhadas que no final, quando vai ter o grande confronto,
arrumaram a desculpa mais pífia possível pra interromper tudo rapidamente. Achei até melhor,
de tão mal feita que era a tal luta Vampiros X Lobisomens. Não vou falar do final, mas é dos mais
ridículos de todos os tempos, o gancho pra Parte 2 remete a alguma série infanto juvenil da Jetix.

Amanhecer - Parte 1 é o triunfo da mediocridade sobre uma geração no cinema, só me resta
torcer para que o romantismo de livro de banca de revista vendido a 5 reais, a ação e aventura
dignas de especial de fim de ano da Globo e o roteiro vago e sem nenhum atrativo se tornem
recorrentes no cinema pipoca, que ja anda bem mal das pernas. Mal posso esperar pela Parte 2,
provavelmente será um exercício de vergonha alheia ainda mais poderoso.
Felipe Ramos | kbd1987@hotmail.com


Mais filmes que o leitor viu

A Pele Que Habito é o melhor filme que vi este ano e o melhor filme
de Pedro Almodóvar desde Fale com Ela. Tem algo de Brian De Palma,
mas é mais extremo. E como é profundo, poético, desconcertante e belo.
O filme não sai da minha cabeça. Quero vê-lo de novo!
André Balaio | andrebalaio@gmail.com

Jardim das Folhas Sagradas: Filme curioso sobre o preconceito
racial, sexual e religioso. Mas por vezes bastante didático.
Bollywood Dreams - O Sonho Bollywoodiano: Muito legal este filme!
As atrizes são bem convincentes e a cultura indiana mostrada sob outra ótica.
A Alegria: Depois do excelente filme anterior, me animei e resolvi ver
a sessão seguinte com esse filme. Que decepção, confuso, com ar autoral
e atuações constrangedoras. Até estava pensando em emendar com Os Monstros,
todos os três em exibição no Cinema da Fundação, mas fiquei desestimulado.
Copacabana: Que delicia de filme! Ótima sessão da tarde num domingo.
Wlademir Moura | wladmoura@hotmail.com


Dica de DVD do leitor - Polytechnique

por Pedro Henrique

> Tratar de um tema que tenha a abordagem da complexa natureza humana é sempre
algo que abre inúmeros discursos, com muitas interpretações diferentes. Polytechnique
(Polytechnique, Canadá, 2009) de Dennis Villeneuve (de Incêndios, indicado ao Oscar
de melhor filme estrangeiro este ano ), é um filme que trata essencialmente da natureza
perversa do ser humano, ao retratar com vigor o massacre que ocorreu na escola
politécnica de Montreal no ano de 1989, quando um jovem estudante misteriosamente
assassinou 14 meninas, ferindo mais 10 e mais 4 homens, se matando em seguida.
Villeneuve mudou o nome dos personagens reais para que fossem preservadas as suas
verdadeiras identidades. O filme começa com o assassino (Maxim Gaudette) escrevendo
o que seria a sua carta de despedida e explicando o que o levaria a cometer tal chacina,
alegando o estrago que as feministas fizeram em sua vida (?!). É justamente nesse aspecto
que o filme abre um leque para que várias leituras sejam feitas a cerca do comportamento
radical do assassino. Seria ele um misógino? Alguém que sofreu algum tipo de bullying?
Alguém que tivesse alguma paixão não correspondida? Enfim, o fato é que nunca iremos
saber ao certo o verdadeiro motivo para o tal holocausto.

Polytechnique funciona muito mais como um excelente exercício de direção, do que
um filme em si. O diretor vai direto ao ponto, tornando o filme ágil e curto nos seus 72
minutos de duração, filmando tudo com muita liberdade e improviso. O fantástico trabalho
de câmera obtém belos planos. A montagem aqui é precisa, fazendo com que os momentos
de tensão sejam muito bem representados dentro de um tempo real e o excelente trabalho
de fotografia em preto e branco, valorizando a inda mais aquela visão fria e escura que
se tinha de uma década de 80 no final da guerra fria. Muita gente tem comparado o filme
de Villeneuve com Elefante de Gus Van Sant. Isso realmente é quase que inevitável, pois
ambos os filmes tratam de temas muito parecidos e fazem uma interpretação artística
de um massacre. Polytechnique tem até uma tomada inteira feita em plano sequência.
Recurso esse que foi muito utilizando por Van Sant em seu longa sobre o massacre
na escola de Columbine. Se colocarmos ambos os trabalhos na balança, Elefante se sai
por ser mais ousado por romper a clássica estrutura narrativa. Enquanto que o filme
de Villeneuve carrega muito mais força e brilho. Poliytechnique chega ao Brasil
em DVD lançado pela Alliance Filmes com o subtítulo Massacre de Montreal.
Pedro Henrique phmmts@hotmail.com


Dicas de Cinéfilo - Amargo Regresso



AMARGO REGRESSO
Coming Home EUA 1978 2h07min
de Hal Ashby com Jane Fonda, Jon Voight, Bruce Dern, Penelope Milford
Em DVD pela Versátil

por Filipe Marcena

OPINIÃO
A Versátil acaba de lançar em DVD Amargo Regresso, cria da Nova Hollywood
dos anos 70, em uma edição especial e bem atrasada no país. Embora não tenha causado
o mesmo impacto de O Franco Atirador, filme que forma dupla como primeira obras sobre
a Guerra do Vietnã produzidas nos EUA, foi uma obra importante do fim da década de 70,
afinal trouxe um primeiro e ainda disforme olhar antiguerra para a memória coletiva cinematográfica.
O cineasta Hal Ashby, que estava no auge na época da realização de Amargo Regresso, não
estava em sua melhor forma aqui (seu filme seguinte, que considero sua obra-prima, foi Muito
Além do Jardim
, o último relevante de Ashby). Mas é impossível não reconhecer as qualidades
da obra, especialmente no que diz respeito a elenco e direção de atores. O filme venceu 3 Oscar
(ator para Jon Voight, atriz para Jane Fonda e roteiro) e prêmio para Voight em Cannes 78.

A primeira fraqueza de Amargo Regresso está em seu próprio enredo e na maneira com que
é conduzida. Fonda interpreta Sally Hyde, mulher recatada casada com o Capitão Bob (Bruce Dern,
altamente caricato). Ele vai para o Vietnã, e na partida ela conhece Vi (Penelope Milford), mulher
de sargento que também vai para a guerra. Vi a convida para trabalhar num hospital para feridos
da guerra, onde seu irmão Bill (Robert Carradine) está internado com transtornos mentais.
É lá que Sally conhece Luke Martin (Voight), um galante paraplégico com total desprezo pela
guerra que o tornou inválido. Estamos diante de uma história de amor. Aos poucos se percebe
que se trata de um melodrama que só não naufraga nos clichês por causa da estética realista
e do brilhantismo da composição de Voight e Fonda, ambos geniais. Se o roteiro não sabe
se prega sem sutilezas contra a guerra ou mergulha num romance previsível, Ashby encontra
momentos excepcionais. A abertura, com ex-combatentes do Vietnã conversando, é tão
promissora que me senti frustrado. Existe também a famosa cena de sexo entre Voight
e Fonda, que é sensual, romântica e altamente erótica sem nenhuma apelação.

É preciso reconhecer que Amargo Regresso envelheceu. Muitos outros filmes lidaram com
a Guerra do Vietnã com mais sobriedade e criatividade, e estes sobrevivem ao tempo com
dignidade maior. Mas fato é que poucos tinham uma trilha sonora tão incrível. Rolling Stones,
Beatles, Janis Joplin, Aretha Franklin, Jimi Hendrix, Jefferson Airplane pipocam sem cerimônia
durante todo o filme, e só não chateiam por serem muito boas e de acordo com a ambientação.
O trabalho de som junto às músicas é bem interessante, por sinal. Amargo Regresso acaba
sendo hoje mais uma tentativa de escancarar os fracassos e sequelas de uma guerra do que
um bom filme. Mas é uma tentativa válida. O DVD da Versátil vem com making of,
o documentário Hal Ashby: Uma Homenagem e trailer de cinema.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com


Top Ten Kinemail 2011

>
2011, um ano fraco nos cinemas. Além do Kinemail ter visto vários filmes constrangedores
(destaque especial para alguns grandes sucessos de bilheteria do cinema nacional, como
De Pernas Pro Ar, Assalto ao Banco Central e Cilada.com), nunca antes deixamos de ver
tantos filmes lançados no circuitão. Foram mais de 50 filmes que simplesmente evitamos
em 2011. Felizmente, ainda somos surpreendidos com bom, ótimo cinema suficiente para
preencher um seletivo Top Ten anual (com mais algumas boas fitas citadas). Confira aqui
os Top Ten Kinemail 2011 da redação, listas praticamente definitivas perto do final do ano.

Por Fernando Vasconcelos





01. Minha Terra, África
02. A Pele Que Habito
03. O Pai dos Meus Filhos
04. A Árvore da Vida
05. Missão Madrinha de Casamento
06. Sentimento de Culpa
07. Poesia
08. Bravura Indômita
09. Namorados para Sempre
10. Um Lugar Qualquer

Mais 5 filmes:
11. O Mágico
12. X-MEN – Primeira Classe
13. Scott Pilgrim Contra O Mundo
14. Super 8
15. Melancolia

Por Filipe Marcena





01. Melancolia
02. Minha Terra, África
03. O Pai dos Meus Filhos
04. Sucker Punch - Mundo Surreal
05. Namorados Para Sempre
06. Missão Madrinha de Casamento
07. A Pele Que Habito
08. Sentimento de Culpa
09. X-MEN – Primeira Classe
10. Cyrus

+ 5 filmes:
11. Reencontrando a Felicidade
12. Scott Pilgrim Contra o Mundo
13. Harry Potter e As Relíquias da Morte
14. Homens e Deuses
15. Um Lugar Qualquer

Discorde, concorde, participe, mande sua lista para fernando@kinemail.com.br

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