home arquivo quem faz





























Edições Anteriores

Edição 578

A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
A Dama de Ferro
Inquietos
Reis e Ratos
Faça-me Feliz
O Motoqueiro Fantasma 2
Revistas de janeiro/fevereiro
Sexo no Cinema 2011

Edição 577
O Artista
A Guerra Está Declarada
Star Wars - A Ameaça Fantasma 3D
O Despertar
Cada Um Tem a Gêmea Que Merece
Kinemeiete e Kinemeião Janeiro

Edição 576
Histórias Cruzadas
À Beira do Abismo
Amores Imaginários
Viagem 2 - A Ilha Misteriosa
A Bela e a Fera 3D
Filha do Mal
A Árvore do Amor

Edição 575
Millenium - Os Homens Que
Não Amavam as Mulheres

J. Edgar
L'Apollonide - Os Amores
da Casa de Tolerãncia
Os Descendentes
Margin Call - O Dia Antes do Fim

Amanhã Nunca Mais

Edição 574
As Aventuras de Tintim
O Espião que Sabia Demais
A Música Segundo Tom Jobim
A Chave de Sarah
2 Coelhos
Mostra 5 Filmes de Yasujiro Ozu
41º Festival de Roterdã

Edição 573
O Garoto da Bicicleta
Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras
A Hora da Escuridão

Edição 572
Cavalo de Guerra
As Canções

Se Não Nós, Quem?
Borboletas Negras
Aventuras de Agamenon - O Repórter
Alvin e os Esquilos 3
Além da Estrada
Filhos de João
Kinemeiete e Kinemeião Dezembro

Edição 571
Um Dia
Imortais
Dicas de Cinéfilo Top Ten 2011

Edição 570
Missão Impossível - Protocolo Fantasma
Compramos um Zoológico
A Condenação
A Fera

Edição 569
Tudo Pelo Poder
Roubo nas Alturas
Um Conto Chinês
Kinemeiete e Kinemeião Novembro

Edição 568
O Gato de Botas
Noite de Ano Novo
Desaparecidos
Kineclube Saraiva - A Conversação
Retrospectiva 2011/Expectativa 2012
TOP TEN KINEMAIL 2011 Definitivo

Mais edições anteriores AQUI


ARQUIVO 2010
ARQUIVO 2009
ARQUIVO 2008






Kinemail Edição 574

Tintim, Jobim, Sarah, Espião, Abismo e Ozu!

> Estreia nacional de As Aventuras de Tintim, animação 3D de Steven
Spielberg, baseada nos quadrinhos de Hergé, e novos filmes em cartaz:
O Espião Que Sabia Demais, de Tomas Alfredson, baseado no livro de John
Le Carré
; A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos;
A Chave de Sarah, inédito estreando no Cinema São Luiz, com Kristin
Scott Thomas
e 2 Coelhos, filme de ação nacional com Caco Ciocler
e Alessandra Negrini. O Cinema da Fundação continua com As Canções
e O Garoto da Bicicleta e exibe em parceria com o Cineclube Dissenso
uma mostra gratuita de 5 filmes do japonês Yasujiro Ozu, com clássicos
imperdíveis como Pai e Filha, Era Uma Vez em Tóquio e Fim de Verão.
Agende-se, assista, opine, comente para fernando@kinemail.com.br

Confira ainda o cinema brasileiro (e pernambucano) marcando presença
no 41º Festival de Roterdã e Os Amantes Da Ponte Neuf em DVD.

NOVIDADE! A partir dessa edição, Kinemail publica todos os filmes em cartaz
no Recife, com os cinemas e horários em Programação Completa AQUI

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Noites Brancas
de Luchino Visconti com Marcello Mastroianni, em DVD LEIA AQUI

LEITOR VIP Convites para As Aventuras de Tintim, A Música Segundo
Tom Jobim
, pré-estreia de J. Edgar e perfumes Antonio Banderas AQUI

aaaaa






John M. McDonagh | Irlanda | 2011
LEIA AQUI





AS AVENTURAS DE TINTIM
The Adventures of Tintin EUA 2011 1h44min
animação digital de Steven Spielberg


por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO
2011 é um ano especial para Steven Spielberg, aos 65 anos, lançando
dois filmes que são puro entretenimento cinematográfico, Cavalo de Guerra (ainda
em cartaz) e sua primeira animação, As Aventuras de Tintim. Ambiciosa produção
realizada com captura de movimento de atores (Jamie Bell, Andy Serkys, Daniel
Craig, entre outros) em 3D para dar ambiência tridimensional aos quadrinhos
de traço simples e econômico do belga Georges Prosper Remi, mais conhecido
como Hergé, feitos a partir de 1929, e devorados por Spielberg na sua juventude.
O trabalho detalhista de um exército de técnicos e desenhistas gerou um filme
que é tão fascinante visualmente quanto nulo dramaticamente. Spielberg, conhecido
por manipular os sentimentos das plateias em busca do choro fácil, aqui parece
estranhamente frio, levando em conta que o protagonista é um garoto órfão,
que vive sozinho em busca de aventuras nos quatro cantos do planeta.

Em rápida sinopse, a história segue o ávido e jovem repórter Tintim e seu
leal cachorro Milu a partir do momento em que eles descobrem que o modelo
de um antigo navio contém um segredo explosivo. Tintim se vê na mira de
um vilão diabólico. Com a ajuda do mordaz e resmungão Capitão Haddock,
Tintim percorrerá meio mundo, sendo mais esperto e mais rápido que seus inimigos,
numa perseguição vertiginosa atrás da localização exata de onde teria afundado
o Licorne, um galeão que pode conter uma imensa fortuna. E uma antiga maldição.
Não há nada de muito original e, claro, Spielberg trabalha com ecos de seu
Indiana Jones e do sucesso Piratas do Caribe nas alucinantes cenas de ação.
Particularmente brilhantes são uma viagem num aviãozinho, do oceano até
um deserto, e uma perseguição envolvendo motocicletas, um falcão amestrado
e uma inundação numa cidade africana. Infelizmente, o filme avança numa
sucessão um tanto cansativa de momentos montanha-russa, sem muito cuidado
em cativar os espectadores pelos personagens e história. Falta emoção.

Embora mereça visita obrigatória de apreciadores do cinema de Spielberg
(todo mundo?), As Aventuras de Tintim reforça o equívoco tão comum
nas animações da nova era: excesso de cuidado técnico - é preciso reforçar
que o filme é um desbunde de tecnologia, uso de cores, passeios impossíveis
de câmera, montagem sofisticada - competindo com uma evidente deficiência
dos roteiristas em contar uma simples historinha com algum carinho pelos
personagens, principalmente para quem não conhece os quadrinhos originais
e irá ao cinema sem o componente nostálgico. A saber, o projeto inicial
é de uma trilogia, com mais dois filmes a serem dirigidos por Spielberg
e Peter Jackson. Diante do custo milionário e da fraca repercussão desse
primeiro filme nas bilheterias, fica a dúvida se As Aventuras de TinTim
continuarão ou se o filme ficará como um único registro dessa experiência
ambiciosa de Spielberg. Ah, o 3D é bacana, mas dá pra imaginar bem o filme
funcionando sem os óculos. Por fim, o filme estreia com a maioria das cópias
dubladas mas, diante do excesso de diálogos explicativos que chegam a irritar,
se você optar pela versão legendada, irá perder bastante do visual lendo
as intermináveis legendas. Prefira ver dublado, aliás, muito boa a dublagem.
Visto em 17/01 como convidado da Columbia Pictures/UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br



O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS
Tinker, Tailor, Soldier, Spy Inglaterra/França/Alemanha 2011 2h07min
de Tomas Alfredson com Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Toby Jones

> Sinopse:
Baseado em best-seller de John Le Carré. No final do período da Guerra Fria,
George Smiley (Gary Oldman), um dos veteranos membros do Circus, divisão de elite
do Serviço Secreto Inglês, é chamado para descobrir quem é o agente duplo que trabalhou
durante anos também para os soviéticos. Todos são suspeitos, mas como também foram
altamente treinados para dissimular e trabalhar em condições de extrema tensão,
todo cuidado é pouco. George precisa indicar o espião e não pode errar.
Novo filme do diretor sueco Tomas Alfredson, depois do aclamado Deixa Ela Entrar.
Visto em 21/01 como convidado do UCI Kinoplex


A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM
Brasil 2011 1h28min
documentário de Nelson Pereira dos Santos


> Sinopse:
O extraordinário universo da música de Antonio Carlos Jobim não cabe em palavras.
Foi com essa ideia em mente que o diretor Nelson Pereira dos Santos, ao lado de Dora Jobim,
se dispôs a encarar o desafio de desvendar em filme a trajetória musical do grande compositor
brasileiro, autor de uma obra eterna, de alcance internacional. Os diretores escolheram o caminho
sensorial da imagem e do som para exibir o trabalho do músico considerado, ao lado de Heitor
Villa-Lobos, um dos maiores expoentes de todos os tempos da música brasileira. Não há uma
palavra sequer no filme. E nem é preciso. Uma sucessão de imagens de grandes intérpretes
brasileiros e internacionais em performances inesquecíveis, e do próprio Tom Jobim, em diferentes
momentos, alinhava a trajetória musical do "maestro soberano". Está tudo lá: a força e a beleza
da sua música, as diferentes fases do artista, o alcance e a poesia das suas canções, sua
personalidade musical, a importância da sua obra. Tudo conduzido de forma vigorosa e poética,
sem necessidade de maiores explicações. Apenas o prazer e a emoção de ouvir Tom Jobim.


A CHAVE DE SARAH
Elle S'appelait Sarah França 2010 1h51min
de Gilles Paquet-Brenner com Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup, Aidan Quinn

> Sinopse:
Baseado no livro de Tatiana De Rosnay. 1942, durante a ocupação alemã na França,
na Segunda Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive
em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel
(Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas,
que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca
dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até
que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito
de salvá-lo. Décadas depois, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada
de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas.
Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah.


2 COELHOS
Brasil 2011 1h44min
de Afonso Poyart com Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Fernando Alves Pinto, Aldine Muller

> Sinopse:
Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria
dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do
poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação,
resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos
em rota de colisão com políticos gananciosos. Na medida que o plano de Edgar é executado,
descobrimos suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e um amor
que ele jamais esqueceu. Em Dois Coelhos cada minuto vale mais que todo o passado.

_____________________________________________________________________________________________

Mostra 5 Filmes de Yasujiro Ozu


> O Cineclube Dissenso abre sua agenda de 2012 com a realização de uma mostra
especial do diretor Yasujiro Ozu (1903-1963) de 25 a 29 de janeiro (quarta a domingo),
uma retrospectiva com alguns dos principais filmes do realizador. Iodas as sessões serão
projetadas em 16mm. Ozu foi um dos principais autores do cinema japonês, deixando
como herança uma filmografia que vem sendo bastante retomada pela contemporaneidade.
Como sempre, as sessões são gratuitas e seguidas por debate na Sala Edmundo Morais.
CINEMA DA FUNDAÇÃO | CINECLUBE DISSENSO | 25 a 29/01 | ENTRADA GRATUITA


FILHO ÚNICO
Hitori Musuko 1938 1h24min P&B
25/01, quarta, 16h20
Primeiro filme falado de Ozu. Sobreposição de episódios a respeito de uma mãe solteira,
operária de uma fábrica, que sofre para poder criar o filho com dignidade. Passados os anos,
ela decide ir visitar seu filho, já adulto, esperando encontrar um médico bem sucedido.
Depara-se com um cenário de miséria e desemprego, semelhante ao que sempre viveu.

PAI E FILHA
Banshun 1949 1h48min P&B
26/01, quinta, 16h20
Com este filme, Ozu ganhou notoriedade internacional, inaugurando uma série de projetos
sobre a desagregação dos valores familiares e os conflitos entre as gerações. Uma jovem
dedicada a cuidar do pai viúvo, apaixona-se, mas não sabe o que fazer de sua vida. Com um falso
casamento que seu pai fingirá contrair, ela poderá considerar o caminho da sua própria felicidade.

ERA UMA VEZ EM TÓQUIO
Tôkyô Monogatari 1953 2h15min P&B
27/01, sexta, 16h20
Considerado por muitos como a obra-prima do diretor, este filme celebrou uma nova maturidade
para Ozu, que na época de seu lançamento completava 50 anos. Um casal de idosos visita
os filhos após uma ausência de duas décadas, mas são desprezados por seus descendentes,
encontrando abrigo na hospitalidade de uma jovem nora que já está viúva.

FIM DE VERÃO
Kohayagawa-Ke No Aki 1961 1h43min COR
28/01, sábado, 14h
No pós-guerra, patriarca de uma família em crise financeira revive uma antiga paixão.
Enquanto isso, tenta casar sua segunda filha, bem como sua nora. Filme que representa
a derrocada da família tradicional japonesa e do próprio indivíduo que, confrontado com
uma realidade em transformação, tem como única certeza a existência da morte.

A ROTINA TEM SEU ENCANTO
Sanma no Aji 1962 1h53min COR
29/01, domingo, 14h
O último filme de Ozu. Um viúvo de idade avançada preocupa-se em arranjar o casamento
de sua filha. Militar, ex-combatente na Segunda Guerra, ele sente com seus amigos fuzileiros
o peso dos anos, de uma história que assola o Japão até mesmo em suas relações mais íntimas.

_____________________________________________________________________________________________

Crônicas cinéfilas, opinião, cartas do leitor etc


Dica de DVD do leitor - Os Amantes da Ponte Neuf

por Pedro Henrique

> No começo dos anos 80, o cinema francês começava a respirar novos ares com a geração
conhecida como neobarrocos. Fase essa que lançou nomes como Luc Besson, Jean-Jaques Beinex
e Léos Carax. Todos com o pé na publicidade, desenvolveram uma estética pós-moderna
a base de simulacros e referências que os críticos fizeram questão de destruir. Em 1991, Carax
faria uma das obras mais megalomaníacas do cinema francês. Os Amantes Da Ponte Neuf
(Les Amants Du Pont Neuf, Franca, 1991) é um filme que nos deixa divididos entre duas espécies
de sentimentos extremos: os negativos e os positivos. Pois esse aqui é um autêntico filme pelo
qual não é possível gostar totalmente. É uma obra de difícil digestão, forte e reflexiva.

Um vagabundo da cidade (Denis Lavant) ganha alguns trocados fazendo performances circenses,
mas possui o vício das drogas. Michelle (Juliete Binoche) é uma jovem artista que está em declínio,
pois está prestes a ficar cega (Juliette Binoche). Ambos irão se cruzar na ponte que dá título
ao filme e o relacionamento entre os dois, acaba se tornando uma dependência. Isso faz a obra
ter um clima denso, por misturar dois personagens sedentos de vida e ao mesmo tempo mortos.

A produção passou por vários problemas de ordem econômica, quando precisaram reconstruir
o cenário da ponte, após a licença para as filmagens na locação ter expirado. O que fez com
que esse se tornasse um dos filmes franceses mais caros da história. Mesmo com tantos problemas,
o trabalho possui pontos positivos, como a apaixonante fotografia e os cenários que conseguem
nos levar a um mundo fantástico e subversivo. A grandiloqüência do filme nos informa muito da
influência de Carax pelo cinema de Murnau e até de Jacques Tati. A trilha sonora é bem estimulante.
A técnica de Carax consegue nos levar a uma viagem alucinante. Os Amantes da Ponte Neuf
é um dos filmes mais influentes do começo dos anos 90. Poucos filmes foram capazes de mostrar
de forma tão direta, incompreendida e misteriosa, a introspectiva vida daqueles que vivem nas ruas,
tal como a precariedade remetida da sociedade e das vistas grossas por essa feita. O filme saiu
em DVD no Brasil pela Lume Filmes e, mesmo muito controverso, merece ser visto e respeitado.
Pedro Henrique | phmmts@hotmail.com


41º Festival Internacional de Cinema de Roterdã



> Começa nessa quarta-feira 25 de janeiro, o 41º Festival de Cinema de Roterdã, na Holanda.
O festival, um dos maiores da Europa, segue até 5 de fevereiro e exibirá produções inéditas
de cineastas de todo o mundo. Roterdã é facilmente o festival europeu mais atencioso com
o cinema brasileiro, abrindo uma janela que só se amplia com o passar dos anos. Pernambuco
é particularmente bem sucedido por lá. Não será diferente em 2012. Marcarão presença alguns
filmes nacionais já exibidos por aqui (Girimunho, Histórias Que Só Existem Quando
Lembradas
), além do inédito Rua Aperana 52, de Júlio Bressane. Entre os curtas, o pernambucano
Praça Walt Disney
, de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira, ganha sessão na mostra Spectrum,
assim como o premiado e ainda inédito longa de Cláudio Assis, A Febre do Rato, em sua estreia
internacional. Na mostra Bright Future estará o também já premiado As Hiper Mulheres,
documentário de Leonardo Sette, Carlos Fausto e Takuma Kuikuro.

A expectativa maior fica para a Competição Oficial de longas que concorrem ao troféu Tigre.
Dois brasileiros estão na lista: o carioca Sudoeste, de Eduardo Nunes, exibido na última Mostra SP,
e o inédito pernambucano O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, fazendo seu debut mundial
no festival. Kleber, que para seu primeiro longa-metragem contou com o Huber Bals Fund (iniciativa
do festival que provem apoio para a realização de filmes de países em desenvolvimento), já ganhou
uma retrospectiva com toda a sua produção em 2007, e em 2010 exibiu Recife Frio na mostra Spectrum.
Enquanto aguardamos para conferir seu primeiro longa Neibouring Sounds (título internacional do filme),
o Kinemail fica na torcida pelo sucesso dele e das produções nacionais que exibirão em Roterdã.

A Mostra Boca do Lixo, organizada pelos curadores Gabe Klinger e Gerwin Tamsma, homenageará
o cinema marginal produzido em São Paulo até meados dos anos 80. Um cinema feito por grandes
profissionais, em um tempo que não existia qualquer "incentivo cultural" público, com filmes que
se pagavam nas bilheterias. Marginalizados pela classe média, eram filmes festejados pelo povão,
pelas cenas de sexo em tempos de repressão, e por cinéfilos que sempre viram ali uma
carpintaria de cinema em celulóide, pré video e digital, além de subtextos nas entrelinhas
de um cinema criativo, subversivo, malcriado, de uma das fases mais produtivas e independentes
do cinema brasileiro. Enquanto aqui no Brasil nunca foi dada muita atenção ao legado da Boca do lixo,
a mostra em Roterdã exibirá 16 filmes, de títulos curiosos como: Fuk Fuk à Brasileira de Jean Garret;
Orgia ou o Homem que Deu Cria de João Silvério Trevisan; Oh! Rebuceteio de Cláudio Cunha;
O Império do Desejo de Carlos Reichenbach e Senta no Meu, Que Eu Entro na Tua de Ody Fraga,
todos vistos como cinema cult no exterior, mas ignorados e menosprezados no Brasil.


Dicas de Cinéfilo - Noites Brancas



NOITES BRANCAS
Le Notti Bianche Itália 1957 1h37min

de Luchino Visconti com Marcello Mastroianni, Maria Schell, Jean Marais
Em DVD pela Versátil

por Filipe Marcena

OPINIÃO
A Versátil prova-se mais uma vez antenada com o mercado digital com esse DVD
caprichado de um belíssimo filme de Luchino Visconti, pouco falado e visto, embora realizado
logo antes de Rocco e Seus Irmãos. Anteriormente conhecido como Um Rosto na Noite,
Noites Brancas ganha pela primeira vez no Brasil o tratamento adequado. A edição
de colecionador traz uma versão restaurada e remasterizada e largo widescreen anamórfico,
resgatando por completo a incrível fotografia de Giuseppe Rotunno. Acompanhando o filme,
um extenso e precioso material extra que inclui entrevistas, prova dos atores, um breve
comentário de Visconti, vida e obra do cineasta, trailers, filmografias, críticas, e até o conto
homônimo que inspirou o filme, de Fiódor Dostoievski. É o tipo de lançamento que você
se esquece do torrent e gasta feliz cada suado centavo pra ter o disco. Não só pelos mimos,
mas porque o filme também é uma joia. O conto do russo, também pouco lembrado, investe
na caracterização psicológica e emocional do protagonista, um sonhador que acidentalmente
conhece uma jovem amargurada por um amor mal resolvido. Visconti se manteve fiel à obra
em vários aspectos, e Noites Brancas, Leão de Prata em Veneza, foi o filme que desencadeou
sua gradual transição do neorrealismo para o esteticismo que marcou a segunda metade de sua obra.

Nastenka vira Natália, interpretada por uma vulnerável Maria Schell, uma personagem dominada
por ideais românticos e marcada pela desilusão, a ponto de chorar a qualquer momento por
um evento ocorrido há um ano. E é chorando que ela conhece o pobre Mario, que acaba de chegar
à cidade e que Marcello Mastroianni encarna com adorável inocência (“Você não tem problemas?”
“Não. Mas posso encontrar um.”). As quatro noites que eles passam juntos na gélida Livorno
testemunham um romance fadado ao fracasso, mas nem por isso se tornam noites menos belas.
Totalmente filmado em estúdio, Noites Brancas traduz na cidade que recebe a história uma
atmosfera cada vez mais onírica, ao mesmo tempo em que o romance mergulha no melodrama.
O estilo sentimental de Visconti, com a trilha de Nino Rota delineando cada ponto emotivo
da narrativa, resulta numa afirmação poderosa da crítica de Dostoievski às ilusões que nos
corrompem. Ao fim não é tão reflexivo quanto à versão literária, mas a pancada emocional
se encarrega de enviar a mensagem. Atenção para os personagens secundários, todos
geniais, e para a linda cena de dança no bar. Noites Brancas destoa da filmografia de Visconti
por ser um de seus filmes menos sociais e mais próximos do romantismo (assim como o conto
foi para Dostoievski), mas isso não desmerece sua redescoberta. Um DVD pra ter em casa.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com

_____________________________________________________________________________________________

Kinemail no Twitter e Facebook




> Além das críticas e programação local semanal completa aqui no Kinemail,
você também pode acompanhar as dicas de cinema, DVD, filmes na TV
e novidades de cinema que postamos quase todo dia no Twitter CLICA AQUI
e na nossa página do Facebook CLICA AQUI