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Kinemail Edição 577

O Artista, Guerra, Star Wars 3D e Adam Sandler

> Estreia nessa sexta o "filme de Oscar" O Artista, que vai enfrentar
o desafio de conquistar a plateia dos multiplexes com um filme mudo
e em preto e branco. Descontando essa "barreira", o filme tem tudo
para ser um sucesso. Curiosamente, os multiplexes são invadidos
também por Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, com Adam Sandler.
Execrado pela crítica, abaixo das expectativas nas bilheterias dos EUA,
mas certamente será um sucesso estrondoso no Brasil, país que tem
os melhores resultados em bilheteria para "comédias de Adam Sandler."

O Cinema da Fundação estreia o drama francês A Guerra Está Declarada.
A programação conta ainda com Star Wars - A Ameaça Fantasma 3D,
O Despertar, com Rebecca Hall e Dominic West, e pré-estreias para
A Dama de Ferro, com Meryl Streep. Nas sessões extras dos multiplexes,
últimas sessões para A Pele Que Habito e continua A Árvore do Amor.
Agende-se, assista, opine, comente para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta A Última Loucura de Mel Brooks,
filme "mudo" que foi uma comédia de sucesso nos anos 70. LEIA AQUI

NOVIDADE! Kinemail agora publica todos os filmes em cartaz no Recife,
com todos os cinemas e horários em Programação Completa AQUI

LEITOR VIP Ganhe brindes de Star Wars - A Ameaça Fantasma 3D AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI






O ARTISTA
The Artist França 2011 1h38min
de Michel Hazanavicius com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell
OSCAR 2012 Melhor Filme, Direção, Ator Jean Dujardin, Figurino e Trilha Sonora
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI


por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO
O primeiro erro cometido contra esse adorável e irresistível filme são
os rótulos. Homenagem ao cinema mudo, filme de arte, 10 indicações ao Oscar.
São apenas rótulos que desvalorizam o que o diretor francês alcançou
plenamente com esse pequeno filme. O Artista é uma linda historinha de amor,
que recorre ao "truque" do cinema mudo e preto e branco para encantar o espectador
e lembrá-lo (sem sermão artístico) de que o barulho Dolby Surround, a imagem gigantesca
em IMAX, o efeito dos óculos 3D podem ser a última novidade, mas não são o que
fazem um filme "melhor". E nunca pode ser reduzido ao mero "truque" calculado.
O diretor Michel Hazanavicius, 44 anos, foi lá atrás, no cinema dos anos 20
do século passado, recriando os melodramas simples e ingênuos que faziam
a alegria dos espectadores entretidos e encantados com as imagens em
movimento na tela de uma sala escura. Mas numa esperta ironia, o filme fala
do futuro, das mudanças que a chegada do som traria ao cinema (a pior
delas, a valorização dos diálogos e o empobrecimento da imagem, ou seja,
o cinema como ele é hoje) e também de crise financeira, com os EUA
atravessando a Grande Depressão do início dos anos 30 e em 2011 amargando
um ano péssimo nas bilheterias (crise financeira ou filmes muito ruins?).
Tudo isso são impressões que o filme levanta sem nenhuma pretensão ou tom
didático, nem mesmo na reverência ao cinema mudo. Ainda, apesar da referência
ao cinema mudo, O Artista dialoga também, e maravilhosamente, com duas
obras-primas da década de 50: Cantando na Chuva e Crepúsculo dos Deuses.

Como diversão e entretenimento, O Artista não poderia ser mais feliz.
A produção é francesa e Hazanavicius já era conhecido na Europa por leves
paródias de filmes de 007. O Artista foi filmado em Hollywood, com custo
"irrisório" de $ 15 milhões, a participação maravilhosa de atores como John
Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller e Malcom McDowell e, talvez,
não seria tão bem sucedido se não fosse realizado com um olhar de fora da
indústria. Com sua pequena saga de fama, queda, mudanças históricas e pessoais,
o filme cobre o período de 1927 até 1932, quando Hollywood foi marcada pela
chegada do som ao cinema e o início dos "talkies", os filmes falados. Até
então, atores, atrizes, roteiristas e diretores contavam suas histórias
basicamente com a expressividade corporal dos atores e o significado
da imagem. O som vinha no máximo como acompanhamento musical (os famosos
pianinhos) e cartelas de "Bang!" "Ahhh!" ou diálogos curtos e necessários.
E O Artista segue ao pé da letra a lição, especialmente na escolha do ator
e atriz protagonistas. Além da graça cativante que atores desconhecidos podem
proporcionar, o francês Jean Dujardin e a argentina Berenice Bejo (esposa do
diretor) arrasam, dominam a tela, espetaculares desde os minutos iniciais, e ainda
oferecendo um número de dança de babar, encantador, nos minutos finais. Se você
ainda acredita que o cinema pode ser, de fato, a melhor diversão, não perca
O Artista por nada. Ah, eu esqueci de falar do cachorrinho? Bem, do jeito que andam
as atuações da maioria dos astros e estrelas de Hollywood hoje em dia, seria
o caso de criar uma nova categoria para as estatuetas douradas e dar mais
uma indicação ao Oscar para O Artista: melhor animal coadjuvante!
Visto em 01/02 no Enzian Theater, Orlando, FL www.enzian.org
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br






por Filipe Marcena

OPINIÃO O Artista é uma história de amor, pura e simplesmente. De amor humano e de amor
ao cinema. Michel Hazanavicius já havia prestado homenagem aos antigos filmes de James Bond
através da sátira Agente 117, e em O Artista abrange o cinema e sua mágica de maneira total.
Para isso ele vai lá para a década de 20 e se apropria da estética da época, estética que dependia
tanto da criatividade dos envolvidos quanto da evolução tecnológica. O que Hazanavicius pretende
não é fazer um filme-truque, ou meramente brincar com o preto e branco e o silêncio dos filmes
mudos. Assim como Martin Scorsese no maravilhoso A Invenção de Hugo Cabret (em cartaz na
próxima sexta), O Artista quer nos lembrar do por que o cinema ainda nos comove tanto. E o faz
de maneira brilhante através de técnicas antigas e, sim, bem modernas para um filme que finge
ser de 1927. Não só: o filme é uma alegoria sobre o choque do avant-garde com o ultrapassado,
do novo com o velho, do feminino com o masculino. Promove a aceitação através do amor por
seres humanos, pelo cinema, pela arte. Trabalho de artista, seu Hazanavicius.

O problema é que para que O Artista chegue ao seu público (que, acredito, seja todo mundo),
este precisa quebrar dois preconceitos já antes de entrar na sala, que são aqueles contra o cinema
mudo, e preto e branco, e contra o termo ‘arte’, que a cada ano que passa se torna uma palavra
mais pretensiosa por causa da maneira que é usada. Generalizando, quando se pensa em ‘artístico’
se pensa em complexo, difícil, hermético, pedante e arrogante, isso na melhor das hipóteses
(há quem afirme que artístico é tudo o que é "de época"). Bom, O Artista não tem absolutamente
nada disso. É um filme pop, feito pra agradar, sem vergonha nenhuma, como a Hollywood antiga
sabia fazer muito bem com suas comédias e musicais. Mas jamais é um filme simplório. Por trás
do sorriso matador de Jean Dujardin e do carisma de Bérènice Bejo – ele interpretando George
Valentin, astro do cinema mudo que rejeita a novidade do cinema falado, e ela Peppy Miller, atriz
em ascensão que faz sua fama com a voz e se torna a nova maior estrela do cinema – existe
um papável desejo de resgate, não do cinema mudo enquanto produção (enquanto preservação,
talvez), mas resgate da paixão, magia e encanto de um cinema simples, bem feito e que respeita
sua audiência. É mesmo uma sorte o filme ter os irmãos Weinstein e o Oscar dando a exposição
e a publicidade necessária, ao menos pra isso a premiação ainda serve. Pode não ter sido o melhor
filme de 2011 (embora tenha vaga garantida no nosso Top 10 2012), mas foi um dos mais importantes
e cativantes. Assista a O Artista no cinema e leve junto quem você puder. Todos vão adorar.
Visto em 04/02 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
filipeap1988@hotmail.com



A GUERRA ESTÁ DECLARADA
La Guerre Est Déclarée França 2010 1h40min
de/com Valérie Donzelli com Jérémie Elkaïm, César Desseix, Gabriel Elkaïm
CINEMA DA FUNDAÇÃO |
confira cinemas e horários AQUI

por Felipe André

OPINIÃO É muito bonito quando um filme cresce na mente do espectador numa revisão,
ou algum tempo depois de tê-lo visto. Quando assisti este A Guerra Está Declarada,
na última Janela Internacional de Cinema do Recife, não senti absolutamente nenhuma
das sensações que me foram prometidas, e o filme passou como mais uma bobagem
francesa para públicos da "sessão de arte". É espantoso então que, ao revisitar o filme
pouco menos de três meses depois, ele me pareça tão mais vivo, potente e seguro de si
do que na primeira vez; ainda que não esteja livre de problemas. Talvez conhecer mais
sobre Valérie Donzelli, realizadora e protagonista, e sua história de vida tenham ajudado
a abraçar os tons estranhos com os quais ela pinta o filme; mas é inegável que a história
é potente e consegue falar por si só, se o espectador estiver disposto a ouvir.

Filmado quase num caráter de docudrama, o filme acompanha a história de Juliette e Romeo,
interpretados pela própria Valérie e seu marido, o estupendo Jérémie Elkaïm. O amor leve
e suave, regado a passeios de bicicleta e visitas a museus, que parece ter vindo dos melhores
momentos da Nouvelle Vague, some com a chegada de um filho na vida do casal. Não que ele
tenha acabado; fica claro a todo instante que, assim como na peça de Shakespeare que inspira
os nomes das personagens, este é um amor que nem a morte pode separar. O grande problema
é que a criança é um fardo muito grande para pais tão inexperientes, e a noticia de que o bebê
tem um tumor no cérebro somente agrava o drama, e é nesse ponto que as escolhas de Donzelli
fazem bastante diferença. A utilização dos mesmos médicos, familiares, e lugares por onde
os dois realmente transitaram pouco faz diferença para o espectador, que provavelmente
está alheio a tudo isso; mas para aquelas pessoas na tela, o caráter de reinvenção da própria
vida deve ter um valor tão grande, que fica estampado em cena. Não se sabe o quanto das
reações é compatível com a realidade, e isso realmente pouco importa, mas o esforço da diretora
em não deixar seu filme cair numa vala melodramática é impressionante, dada a complexa
temática. Fato é que, se um rótulo pejorativo fosse aplicado aqui, mais facilmente seria
o de filme indie do que o de “filme de câncer”. Felizmente, a inexperiência da diretora
é compensada por sua honestidade, e faz de os deslizes menos importantes.

Visto em novembro de 2011 como convidado da Janela de Cinema do Recife
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
f_andre2@hotmail.com



STAR WARS - A AMEAÇA FANTASMA 3D
Star Wars - The Phantom Menace 3D EUA 1999 2h11min
de George Lucas com Ewan McGregor, Natalie Portman, Liam Neeson, Jake Lloyd


> Sinopse: A Fox Filmes inicia o relançamento da saga Star Wars, agora em versão 3D.
O primeiro filme é Star Wars: Episódio 1 – A Ameaça Fantasma 3D, que chega aos
cinemas do mundo inteiro em 10 de fevereiro de 2012. O estúdio fez questão de garantir
que o processo de conversão para o 3D está sendo feito de forma meticulosa, supervisionado
pela empresa de George Lucas, Industrial Light & Magic.
Situado 30 anos antes do filme original
Star Wars, o Episódio I apresenta Anakin Skywalker, um garoto com poderes especiais que
não sabe que a jornada que está começando vai transformá-lo no maligno Darth Vader.


O DESPERTAR
Awakening Inglaterra 2011 1h47min
de Nick Murphy com Rebecca Hall, Dominic West, Imelda Staunton
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI


> Sinopse: Em 1921, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela Primeira
Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart, especialista em desvendar fenômenos paranormais,
é chamada para visitar um pensionato e explicar as visões do fantasma de uma criança.
O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que ela pensou acreditar até então.

Visto em 15/02 no BOX Guararapes


CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE
Jack and Jill EUA 2012 1h31min
de Dennis Dugan com Adam Sandler, Katie Holmes, Al Pacino
MULTIPLEXES e ROSA E SILVA | confira cinemas e horários AQUI


> Sinopse: Jack Sadelstein (Adam Sandler) é um publicitário de sucesso em Los Angeles
que ano após ano teme um evento: a visita de sua irmã gêmea idêntica Jill (também Adam
Sandler) no feriado de Ação de Graças. A carência e a atitude passivo-agressiva de Jill
enlouquece Jack, colocando sua vida normalmente tranqüila de cabeça para baixo.

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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas, etc


Kinemeiete e Kinemeião de janeiro




Rooney Mara 42%

Cécile de France 31%
Alice Barnole 15%
Alessandra Negrini 12%

> Com 42% dos votos dos leitores, Rooney Mara é a Kinemeiete de janeiro. Ela pode ser
a que tem menos chances de ganhar o Oscar por Millenium - Os Homens que não Amavam
as Mulheres
, mas ganhou o coração dos leitores e do Kinemail com sua versão de Lisbeth
Salander, a anti-heroína da série literária sueca. Rooney é irmã de Kate Mara (O Segredo
de Brokeback Mountain
, 127 Horas) e também começou a atuar cedo. Esteve em Um Por Todas
e Todas Por Um
ao lado de Sam Rockwell e Rebelde Sem Causa ao lado de Michael Cera.
Ambos foram lançados direto em DVD no Brasil. Sua participação no péssimo remake
de A Hora do Pesadelo quase a fez desistir da carreira de atriz, mas David Fincher a resgatou,
dando à ela o papel da ex de Mark Zuckerberg em A Rede Social e o cobiçado papel de Lisbeth
Salander. Deu certo, e o horizonte é promissor: Rooney estará em The Bitter Pill, de Steven
Soderbergh e Lawless, de Terrence Malick. Está no caminho certo. Bem-vinda, Rooney.




Thomas Doret 45%

Gary Oldman 33%
Daniel Craig 15%
Armie Hammer 7%

> Com 45% dos votos dos leitores, o garoto Thomas Doret é o Kinemeião de janeiro.
O rapazinho de 13 anos domina a tela logo em seu primeiro papel em O Garoto da Bicicleta,
bela crônica dos irmãos Dardenne sobre a infância. O belga foi o quinto de cem garotos
a fazer o teste para o personagem e, de acordo com os próprios Dardenne, "foi imediato".
Seu Cyril é fascinante e, mesmo inexperiente, Doret nunca é ofuscado por atores talentosos
como Cécile de France e Jérémie Renier, aproveitando-se de sua natural espontaneidade.
Doret não tem nenhum filme em vista e deve aproveitar o tempo para estudar, mas não
ficaremos surpresos se o encontrarmos muito em breve novamente no cinema.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com


O Som ao Redor premiado em Roterdã

>
o 41º Festival de Cinema de Roterdã, na Holanda, premiou o primeiro longa metragem
do pernambucano Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, com o Fipresci, o Prêmio
da Crítica Internacional, "For evoking an atmosphere of paranoia and menace through
a highly ambitious use of sound and cinematography"
. É um ótimo, excelente começo
de carreira para um filme que já está colhendo elogios calorosos da imprensa
especializada, em tempos que o cinema nacional está agonizando na UTI, entre
sucessos de bilheteria medíocres e pouquíssimos filmes de ficção expressivos.

Inácio Araújo, da Folha SP, vai direto ao ponto, afirmando que o cinema feito em Pernambuco
é o mais expressivo atualmente no país e O Som Ao Redor é "Em suma, um filme
com humor, sem pretensão a reinventar o cinema, mas capaz de contornar o óbvio,
de se mostrar provocativo: uma estreia feita com orçamento modesto, que leva a esperar,
desde já, por novos filmes desse autor." Jay Weissberg, do VARIETY, comenta, em longo
artigo: "Kleber Mendonça Filho faz um poderoso, embora sutil, raio-X da sociedade brasileira
contemporânea a partir da rua do bairro onde mora. Magistralmente construído, com elenco
talentoso e lindamente filmado, O Som Ao Redor merecia ter feito mais barulho em Roterdã."

Os elogios continuam, na voz do célebre crítico americano Roger Ebert: "A melhor novidade
do Festival de Roterdã foi o filme brasileiro O Som Ao Redor, que explora vigorosamente
uma dúzia de personagens que se interrelacionam em cenas impecavelmente bem
construídas. Questões de classe, raça e poder revelam os buracos sociais do atual boom
econômico no Brasil. O excelente conjunto de personagens e atores merece comparação
com o melhor de Robert Altman." Já convidado para duas dezenas de novos festivais
internacionais de cinema, vamos aguardar a chegada de O Som Ao Redor aos cinemas.
Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br


Dicas de Cinéfilo - A Última Loucura de Mel Brooks



A ÚLTIMA LOUCURA DE MEL BROOKS
Silent Movie EUA 1976 1h27min

de/com Mel Brooks com Marty Feldman, Dom DeLuise, Bernadette Peters, Sid Caesar
Em DVD pela Fox Filmes

por Filipe Marcena

OPINIÃO
Em época de lançamento do mágico O Artista, foi uma ideia genial de Fernando
Vasconcelos recomendar conferir A Última Loucura de Mel Brooks para o Dicas de Cinéfilo
dessa semana. O filme está disponível em DVD pela Fox já há algum tempo, e esse é um
excelente momento para se (re)descobrir o filme. É um pastelão de raiz, bem diferente do filme
de Michel Hazanavicius, mas é surpreendente como ambos dialogam. A Última Loucura
de Mel Brooks
, ou no original, Silent Movie, é filme de sacada, um exercício metalingüístico
e cômico como só Brooks fazia. Nada mais é do que um filme que conta como ele mesmo
foi feito, antes mesmo de saber se o negócio iria de fato acontecer. É claro que iria, e Brooks
e companhia não poupam Hollywood. Além da metalinguagem, o desenho de som do filme
lembra muito aquele realizado em O Artista, com apenas alguns sons de objetos e pouquíssimas
vozes sonorizadas (no caso, na pós-produção com a ajuda de um foley). E sim, claro,
a nostalgia dos filmes mudos, sendo as maiores inspirações de Brooks os trabalhos
de Chaplin, Keaton, O Gordo e O Magro, Jacques Tati etc.

Tirando algumas piadas homofóbicas, outras sexistas e outras que não funcionam, o filme
sobreviveu bem. A Última Loucura de Mel Brooks conquista de imediato já na abertura,
onde somos recebidos com um simpático “Hello”, para logo em seguida sermos apresentados
aos personagens. Mel Brooks faz seu alterego Mel Funn, cineasta devastado pela bebida que
conta com o apoio de seus companheiros Dom Bell (DeLuise) e Marty Eggs (Feldman, hilário)
na realização de um novo roteiro seu: um filme mudo. Sátira com os estúdios e com o meio
corporativo (Brooks encontrou uma utilidade maravilhosa para máquinas de Coca-Cola) rolam
soltas e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, mas o melhor mesmo são
as participações especiais das estrelas da época. Nem direi quais, mas são surpresas divertidas
e é muito bom vê-los ridicularizando a si mesmos e ao star system. Dá a impressão de ter sido
um pouco esticado para atingir uma duração de longa-metragem, mas as inevitáveis gargalhadas
salvam o dia. Um tributo esperto e engraçadíssimo ao cinema mudo (mas realizado em cores),
com aquele humor pueril que raramente se vê nos cinemas hoje. Recomendado.
Obs. O filme foi um grande sucesso de bilheteria no Recife da época, ficando meses em cartaz
no extinto Cinema de Arte AIP, que ficava no 13º andar de um edifício na Avenida Dantas Barreto.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com

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