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Uma Ladra Sem Limites
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Em Transe
Somos Tão Jovens
O Dia Que Durou 21 Anos
Dentro da Casa
As Vantagens de Ser Invisível
Festival Varilux 2013

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Killer Joe - Matador de Aluguel
Homem de Ferro 3
Therese D.
Um Bom Partido
Especial Revista e Cinema

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A Morte do Demônio
Anna Karenina
Ginger e Rosa
Meu Pé de Laranja Lima
O Acordo
Um Porto Seguro

Edição 638
Oblivion
Chamada de Emergência
Depois de Lúcia
A Filha do Pai
Super Nada
Angie
O Carteiro
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Mama
Cabra Marcado Para Morrer
Celeste e Jesse Para Sempre
Um Evento Feliz
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Uma História de Amor e Fúria
Invasão à Casa Branca

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GI Joe - Retaliação
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De Coração Aberto
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Sacrifício
Parker
Vai Que Dá Certo
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Pietá
Jardim Atlântico
Linha de Ação
A Fuga
O Homem Que Deixou
Seu Testamento no Filme

Edição 633
OZ - Mágico e Poderoso
A Parte dos Anjos
Sete Dias em Havana
Amor é Tudo o Que Você Precisa
O Quarteto
Amigos Inseparáveis


Edição 632
Dezesseis Luas
Amanhecer Violento

Edição 631

Holy Motors
As Vantagens de Ser Invisível
Elefante Branco
Indomável Sonhadora
Duro de Matar - Um Bom Dia
para Morrer
O Reino Gelado
Cirque Du Soleil - Outros Mundos
Oscar 2013

Edição 630
A Hora Mais Escura
Tudo o Que Desejamos
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Meu Namorado é um Zumbi
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Para Maiores
Na Terra do Amor e Ódio
Tainá - A Origem
As Aventuras de Tadeo Jones
Fogo Contra Fogo

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O Lado Bom da Vida
Os Miseráveis
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Jorge Mautner - O Filho do Holocausto
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O Mestre
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O Resgate
João e Maria - Caçadores de Bruxas

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O Último Desafio
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Jack Reacher - O Último Tiro
Uma Família em Apuros
A Viagem
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Edição 624
O Som ao Redor
E Se Vivêssemos Todos Juntos?
Detona Ralph
A Arte de Amar
Sete Psicopatas e Um Shih Tzu

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ARQUIVO 2011
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Kinemail Edição 579

Separação, Daniel, Tom, Sandra e Oscar 2012

> O Cinema da Fundação estreia A Separação, o forte candidato iraniano
ao Oscar. Nos multiplexes, entram o último candidato ainda inédito para
melhor filme, Tão Forte e Tão Perto e A Mulher de Preto, drama
de terror com Daniel Radcliffe. Inquietos de Gus Van Sant e A Pele
Que Habito
de Pedro Almodovar estão nas sessões extras dos multiplexes.
O Cine Rosa e Silva exibe a comédia francesa Faça-me Feliz e o
Cinema da Fundação permanece exibindo A Guerra Está Declarada.

Dos filmes do Oscar, confira nossas críticas para O Homem Que Mudou
o Jogo
, A Dama de Ferro e no DICAS DE CINÉFILO Uma Vida Melhor.

O aguardado Drive entra em pré-estreias nos multiplexes. O Cinema
da Fundação tem pré-estreia para o nacional Mãe e Filha e o Cineclube
Dissenso volta com A Cara Que Mereces do português Miguel Gomes.

O Cinema Apolo exibe O Espião Que Sabia Demais e 2 Coelhos.
No Cinema São Luiz, A Chave de Sarah e sessões domingueiras
infantis para O Gato de Botas. Nesta edição, nossos pitacos
sobre os concorrentes ao Oscar 2012, que acontece nesse domingo 26.
Assista, comente, e-mails para
fernando@kinemail.com.br

LEITOR VIP Ganhe convites e brindes de A Mulher de Preto AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI






A SEPARAÇÃO
Jodaeiye Nader az Simin/A Separation Irã 2011 2h03min
de Asghar Farhadi com Peyman Moaadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini
OSCAR 2012 Melhor Filme Estrangeiro
confira cinemas e horários AQUI

por Felipe André

OPINIÃO Quando Ashgar Farhadi debutou com Procurando Elly três anos atrás, muito
se falou sobre seu estilo intenso, incomum para a cinematografia iraniana, tao afeita
a simbologias e metáforas. Automaticamente surgiram comparações com o trabalho
da argentina Lucrecia Martel, e especialmente com seu filme de estreia, O Pântano, por
conta do clima cheio de urgência, em que o não-dito e o não-visto fazem toda a diferença.
Apesar de continuar dando valor importantíssimo àquilo que não se vê, Farhadi foca
agora em outra temática também muito cara à seu primeiro trabalho: a mentira.
Não há, entre os quatro protagonistas de A Separação, alguém que seja estritamente
sincero, o que faz dessas pessoas não só humanas, mas também personagens pulsantes
e tridimensionais como há muito não se via em um filme. A história segue os dias
posteriores à tentativa de divórcio do casal Nader e Simin. Ele não quer deixar o Irã
por conta do pai que sofre de Alzheimer, ela lembra que a educação da filha será
muito melhor fora do país; tamanho impasse faz com que a mulher saia de casa
e deixe o marido cuidando de tudo. É notável que um filme feito em país de política
tão fechada, e machista, traga um personagem tão moderno como o Nader, interpretado
sem falhas por Peyman Moadi, apenas em sua segunda experiência como ator.
O pai de família não só diz que a mulher é livre para fazer suas escolhas, longe
dele se necessário, como também pouco protesta quando ela se retira de casa.

A partir daí, a narrativa se confunde entre drama de tribunal e suspense, e vai quebrando
uma a uma as crenças que o espectador tinha sobre aquelas pessoas; especialmente depois
que o outro casal da história aparece. A mentira que introduz Hodjat e Razieh à historia,
é apenas o primeiro passo de uma sucessão de erros. À exemplo de Procurando Elly, onde
a moça do título sumia e criava uma série de situações desconcertantes sem mesmo estar
presente, as imagens que o diretor esconde em A Separação são o motor para se duvidar
das motivações em jogo. É impossível saber se o empurrão de Nader realmente machucou
Razieh; assim como se a mulher fala a verdade sobre suas motivações para ter amarrado
o pai dele à cama enquanto saía de seu posto em horário de trabalho. Não se tratam de
pessoas más, proferindo inverdades por puro egoísmo, cada um tem razões vivamente
importantes para esconder os fatos, e o fazem por medo, acima de qualquer outra coisa.
Os momentos em que os fatos vem à tona rendem, desde já, algumas das cenas mais
aterradoras de 2012. Não que isso signifique qualquer coisa, mas seria um atestado
de sanidade para os votantes se este filme ganhasse os dois Oscars a que concorre.

Visto em 22/02/2012 como convidado do Cinema da Fundação
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com


A MULHER DE PRETO
The Woman in Black Inglaterra/EUA 2012 1h34min
de James Watkins com Daniel Radcliffe, Janet McTeer, Ciaran Hinds
confira cinemas e horários AQUI


> Sinopse: O jovem advogado Arthur Kipps viaja para um remoto vilarejo
para cuidar dos papéis de um cliente recém-falecido. Lá, ele encontrará
o fantasma de uma mulher que busca vingança. Primeiro filme estrelado
por Daniel Radcliffe após o final da franquia Harry Potter.
Baseado em livro
da autora inglesa Susan Hill, já adaptado também como peça de teatro.
Visto em 03/02/2012 como convidado do UCI Kinoplex


TÃO FORTE E TÃO PERTO
Extremely Loud and Incredibly Close EUA 2011 2h09min
de Stephen Daldry com Sandra Bullock, Tom Hanks, Max Von Sydow, Thomas Horn
confira cinemas e horários AQUI

> Sinopse: Adaptado do aclamado best-seller de Jonathan Safran Foer, Tão Forte e Tão Perto
acompanha o jovem Oskar Schell, um criativo menino de 11 anos de idade, de Nova York,
cuja descoberta de uma chave nos pertences de seu falecido pai faz com que ele entre numa
busca urgente por toda a cidade para achar qual fechadura ela abre. Um ano depois de seu pai
ter morrido na tragédia do World Trade Center, apelidado por Oskar de “O Pior Dia”, ele está
determinado a manter a sua ligação vital com o homem que o encorajava de forma divertida
a encarar os seus piores medos. Á medida que Oskar atravessa os cinco distritos de Nova York
encontrando uma variedade de pessoas que, da sua própria maneira, são sobreviventes, ele
começa a descobrir ligações invisíveis com o pai, de quem ele tanto sente falta, com a mãe,
que parece tão longe dele, e com o mundo à sua volta, tão barulhento, perigoso e desorientador.



INQUIETOS
Restless EUA 2011 1h31min
de Gus Van Sant com Mia Wasikowska, Henry Hopper, Jane Adams, Ryo Kase


por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO
Boa parte da crítica torceu o nariz para o novo filme de Gus Van Sant,
seja pelo excesso de fofura indie ou pela caracterização de Mia Wasikowska (a Alice
de Tim Burton) como "a mais saudável vítima de câncer já vista no cinema". No cinema,
bem dito. Longe de registro realista, Inquietos se passa no mundo do cinema, Gus Van
Sant repete seu usual tom poético, quase surreal, seja mais em filmes mais experimentais
como Elefante e Paranoid Park ou menos nos hollywoodianos, como Milk - A Voz da Igualdade.
Não por acaso, são todos filmes que abordam os efeitos da morte. Em Inquietos somos
apresentados a Enoch (Henry Hopper, filho do falecido Dennis, a quem o filme é lindamente
dedicado) e Annabel (Mia Wasikowska), que se conhecem num funeral. Ela logo o informa
que tem apenas três meses de vida, vítima de câncer terminal, que o filme evita
em detalhes médicos. Enoch não só propõe namorá-la nesse curto espaço de tempo,
como também é órfão de pais que morreram em acidente trágico, no qual ele ficou em
coma e teve a experiência de "quase morte". Longe de narração realista, o filme ainda
conta com um fantasma japonês kamikase vagando no limbo desde a Segunda Guerra Mundial.

De fato, Inquietos abusa de fofura indie (o que é esse figurino da dupla?), tem uma
trilha sonora fofinha previsível, faz citações superficiais à nouvelle vague francesa
(o look Jean Seberg de Annabel) e ao filme dos anos 70 Ensina-me a Viver e, apesar
de evitar em boa parte o melodrama, não tem vergonha de apelar às lágrimas
numa sequência acima da conta de finais clichês do gênero, quando podia ser
encerrado antes, num belo momento que traduz uma carta do kamikase japonês.
Mas Gus Van Sant continua fiel ao seu olhar romântico sobre os subúrbios de sua
cidade natal, Portland (fotografada pelo fiel colaborador Harris Savides) e prevalece
um olhar bonito, delicado, sobre a morte, como algo a somar e não diminuir o valor
da vida, bem resumido num diálogo que diz "morrer não é difícil. Amar é que é”.
Visto em 21/02/2012 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para
fernando@kinemail.com.br



O HOMEM QUE MUDOU O JOGO
Moneyball EUA 2011 2h13min
de Bennett Miller com Brad Pitt, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright


por Felipe André

OPINIÃO
Em sua crítica sobre o filme, Peter Travers diz que este fala tanto sobre baseball
quanto A Rede Social fala sobre Facebook, ou seja, quase nada. Não tivessem sido escritos
pela mesma pessoa, a conexão entre os dois seria impressionante; mas quem acompanha
a carreira do roteirista Aaron Sorkin conhece seu vício em analisar milimetricamente esses
universos, em que pessoas cheias de inteligência se veem num fogo cruzado entre moral
e dinheiro. Porém, o mais importante aqui não é a sensibilidade de Sorkin para tratar
de uma história essencialmente real - já que A Rede Social era 70% fantasia - mas como ele,
junto com Benett Miller, conseguiram transformar um tema tão específico como o mundo
de negócios que comanda o baseball, num assunto realmente interessante. Não é como
se qualquer leigo que caísse de paraquedas nesta sessão fosse sair entendendo o que
são bolas curvas, home-runs e primeiras bases, mas o esforço para aproximar o público
da dúvida que paira sobre a cabeça de Billy Beane é notável. Nesse ponto, a maior ajuda
vem da atuação segura de Brad Pitt. Já tendo provado que não era só mais um rostinho
bonito, Pitt parecia ter se acomodado a escolher papéis que estavam dentro de sua margem
de risco, o que não é diferente aqui. O lado positivo é que a aparência de americano médio,
cujos sonhos se perderam em algum lugar no passado, que o ator traz para compor a sua
versão de Billy Beane, dirigente geral dos Oakland Athletics, funciona perfeitamente.

Outra surpresa agradável é a presença de Jonah Hill longe do gordinho abobalhado
que lhe fez famoso. Um dos poucos personagens fictícios do roteiro, ele parece servir
apenas para destrinchar o Moneyball do titulo original, mas acaba por vencer a barreira
do coadjuvante e ser o contraponto mais eficiente à persona esportiva-corporativa de Pitt.
Por falar em Moneyball - teoria que transforma jogadores em valores numéricos a serem
combinados para formar o time dos sonhos - o pessimismo capitalista termina por ser
o caminho para a melancolia que o filme busca. Em dado momento, Pitt questiona qual
o ponto daquilo tudo, afinal; já que depois de 20 vitórias consecutivas, o seu Oakland
Athletics pode voltar a não valer nada caso perca a final do campeonato. Assim como
em dezenas de outras áreas, a resposta está em quem vê, não em quem faz.

Visto em 19/02 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com


A DAMA DE FERRO
The Iron Lady Inglaterra/EUA 2011 1h45min
de Phillida Lloyd com Meryl Streep, Jim Broadbent, Alexandra Roach, Anthony Head
OSCAR 2012 Melhor Atriz Meryl Streep, Maquiagem
confira cinemas e horários AQUI

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO
Os espertos produtores irmãos Weinstein (que compraram os direitos de distribuição
de O Artista ainda em Cannes ano passado, com faro certeiro para o Oscar) são também
os produtores de A Dama de Ferro, espécie de O Dircurso do Rei desse ano, só que
mais descarado em sua ambição oscarizável ao escolher a melhor atriz americana
(já indicada 17 vezes ao Oscar) para viver a famosa primeira-ministra inglesa Margaret
Thatcher, 11 anos no poder em governo conservador e desastroso. O filme impressiona
pelo contraste entre a dedicação camaleônica de Meryl e o conjunto tosco da produção,
pobre em sua estética televisiva, editado a machadadas, com frouxo roteiro em flashbacks,
a partir de Thatcher nos dias atuais sofrendo de Alzheimer, tendo alucinações com
o marido já morto (Jim Broadbent, em participação constrangedora), relembrando
sua juventude (vivida por Alexandra Roach, também desperdiçada em caricatura fácil),
enquanto o filme tenta um verniz de "importância" inserindo sem qualquer profundidade
cenas reais dos vários conflitos do seu governo, encerrando com a Guerra das Malvinas.
Sem ritmo, mal filmado, cansativo e superficial em vários sentidos, A Dama de Ferro
não vale nem por Meryl Streep, que faz a sua parte mas não passa de uma boneca
de cera de museu em movimento, num filme "sério" risível nos seus piores momentos.
Visto em 22/02 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br

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Sessões extras


A CARA QUE MERECES
Portugal 2004 1h48min
CINEMA DA FUNDAÇÃO | Cineclube Dissenso | sábado 14h
ENTRADA FRANCA

>
Neste sábado 25/02, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe A Cara que Mereces (Portugal, 2004),
de Miguel Gomes. Primeiro longa-metragem do realizador, um dos importantes nomes do novo cinema
português (realizador de Aquele Querido Mês de Agosto) o filme propõe uma revisitação ao universo
da infância, marcado por diversos elementos comumente associados, tais como os contos de fadas,
as canções de ninar, as fantasias, os jogos e os pactos, as lendas e os monstros. Ele elabora uma
forma para essa necessidade que por vezes nos assola: a necessidade de sair de cena quando
constatamos que algo deu errado, a fim de melhor no recompormos. A frase que dá nome ao filme
é exemplar: "Até os trinta anos tens a cara que Deus te deu, depois disso tens a cara que mereces".
A sessão será realizada na Sala João Cardoso Aires, com debate a pós a sessão.

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Crônicas cinéfilas, opinião, cartas do leitor etc


Dicas de Cinéfilo - Uma Vida Melhor




UMA VIDA MELHOR
A Better Life EUA 2011 1h38min

de Chris Weitz com Demián Bichir, José Julian, Chelsea Rendon
em DVD pela Paris Filmes

por Filipe Marcena

OPINIÃO
A maior surpresa do Oscar 2012, além das duas indicações do bastante detestado
Tão Forte e Tão Perto, foi a lembrança de Demián Bichir na categoria de melhor ator por
Uma Vida Melhor. O filme recebeu lançamento limitado na temporada de férias americanas,
foi mal de público e esquecido, então a indicação acabou injetando uma boa nova dose
de interesse e notoriedade à produção dirigida por Chris Weitz. No Brasil, está recebendo
um justíssimo lançamento em DVD. Justíssimo porque é um filme que funciona melhor
na tela pequena, inclusive aparenta ser uma obra realizada para a mídia televisiva.
Interessante que agora esteja fazendo sua carreira nas TVs e monitores, onde ele parece
mais confortável enquanto produto. Tendo isso em mente, impressiona-me um filme tão
medíocre e pouco visto ser lembrado pelos velhinhos da Academia, mesmo que representado
pela melhor coisa que há nele, o seu ator protagonista. Digamos que Uma Vida Melhor
é uma reimaginação de Ladrões de Bicicleta, contextualizado no conflito dos imigrantes latinos
nos Estados Unidos. O pai é o jardineiro Carlos Galindo (Bichir) e seu filho é Luis (José Julian),
que moram numa casa humilde em uma área pobre dos subúrbios de Los Angeles.

Uma Vida Melhor conta uma história que pode facilmente cair no sentimentalismo e se prender
a ideias datadas, e isso acaba acontecendo durante o desenrolar da trama. O filme nunca sai
do lugar comum, da zona de conforto dos ‘filmes de imigrante’. Não haveria problema em se
apropriar de clichês, mas não há transcendência nem traquejo de roteiro pra tirar o filme
da mesmice. Até quando tudo parece caminhar pra um final trágico e potencialmente arrasador
(como no filme de Vittorio De Sica), Weitz escorrega na artificialidade, traindo as boas intenções
do projeto. As questões postas são as mesmas de sempre, as respostas são as mesmas de sempre
e eu particularmente achei tudo muito leve e higienizado, características típicas desses filmes feitos
por brancos e seu sentimento de culpa. Os personagens sofrem, mas é notória a mão do roteirista
e do diretor arbitrariamente protegendo-os numa situação que era pra ser ainda mais cruel,
revoltante e perigosa. Sobrevive a dinâmica pai e filho, que transpira alguma verdade por baixo
dos diálogos suspeitos e às vezes sofríveis. Demián Bichir, que interpretou Fidel Castro nas duas
partes do Che de Steven Soderbergh, aproveita a oportunidade pra criar um personagem que vai
além das limitações do filme. Ele encarna um homem bom por natureza, mas que cede ao crime
quando se vê em momento crítico que põe em jogo sua vida e a de seu filho e acaba encarando
a punição. Seu trabalho é sólido e confere tridimensionalidade a Carlos, que carrega resignação
no olhar durante todo o filme, e a indicação de Bichir ao Oscar deve ter acontecido por causa
da cena de choro perto do final, feita pra comover e... ser indicada ao Oscar. Vale apenas por ele..
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com

Oscar 2012

> Confira abaixo, em ordem decrescente, as nossas cotações para os nove principais
concorrentes e as previsões do Kinemail para o Oscar 2012. Comentaremos a festa
neste domingo 26/02 ao vivo no Twitter. Siga @kinemail, @FilipeMarcena e @fmarker

A festa do Oscar 2012 enfrenta o desafio da audiência para um ano ruim de Hollywood.
Além de uma crise financeira que o país atravessa, a enorme quantidade de filmes ruins
e repetitivos em 2011 amargou a pior bilheteria americana nos últimos dez anos, o 3D
não teve nenhum filme relevante em bilheteria e, dos 9 filmes escolhidos por um misterioso
critério - que deixou de fora filmes como Drive e O Espião Que Sabia Demais - apenas um,
talvez o pior deles, ultrapassou $100 milhões de dólares nas bilheterias, Histórias Cruzadas.

Curiosamente, os dois mais fortes concorrentes, somando juntos 21 indicações, visitam
o passado primordial do cinema em lindas homenagens ao cinema mudo: O Artista
e A Invenção de Hugo Cabret. Se o primeiro mimetiza o formato da época, ousando
ser uma leve comédia romântica e musical muda e em preto e branco, o segundo
utiliza os mais modernos recursos de efeitos especiais e tecnologia 3D para resgatar
a memória do cinema mágico de Georges Méliès, pelo olhar generoso de Martin Scorsese.
Dois belos filmes, num Oscar que conta ainda com A Árvore da Vida e o iraniano
A Separação, indicado a melhor filme estrangeiro e roteiro original, não dá pra reclamar.




O ARTISTA
A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
A ÁRVORE DA VIDA
MEIA NOITE EM PARIS
OS DESCENDENTES
O HOMEM QUE MUDOU O JOGO
CAVALO DE GUERRA
HISTÓRIAS CRUZADAS

TÃO FORTE E TÃO PERTO (ainda não visto)


MELHOR FILME
Esqueça o resto: é O Artista (10 indicações) versus A Invenção de Hugo Cabret
(11 indicações). Apesar das bilheterias modestas, ambos são queridos pela crítica e público.
Os Descendentes (5 indicações) seria a única ameaça, mas é muito improvável como
grande vencedor da festa. Meia Noite em Paris e A Árvore da Vida são filmes
de grandes diretores, mas sem chances. Os outros quatro filmes, sem indicação para
melhor diretor, podem se considerar premiados por terem entrado no páreo principal.

Vai ganhar: O Artista
Merece ganhar: O Artista ou A Invenção de Hugo Cabret
Deveriam estar aqui: Drive, O Espião Que Sabia Demais, Missão
Madrinha de Casamento, Um Método Perigoso
e Tudo Pelo Poder
Vencedor: O Artista

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MELHOR DIRETOR
Teremos o reconhecimento de Martin Scorsese (agora pelo filme certo) ou, confirmando
os prêmios prévios, o jovem francês Michel Hazanavicious leva a estatueta pelo trabalho
encantador realizado em O Artista? O lendário Terrence Malick recebe sua segunda indicação
pelo filme que recebeu a Palma de Ouro em Cannes A Árvore da Vida. Alexander Payne, que
já recebeu um Oscar de roteirista por Sideways, e Woody Allen - que nunca foi numa festa
do Oscar, apesar de já ter ganho 3 estatuetas e 21 indicações - completam o quinteto
de indicados à segunda estatueta mais importante, que esse ano está de altíssimo nível.

Vai ganhar: Michel Hazanavicious
Merece ganhar: Martin Scorsese
Deveriam estar aqui: Tomas Alfredson (O Espião Que Sabia Demais)
e Nicolas Winding Refn (Drive)
Vencedor: Michel Hazanavicious

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MELHOR ATOR
Jean Dujardin está papando merecidamente todas as premiações, desde Cannes 2011.
Dividiu o Globo de Ouro com George Clooney, a única ameaça no páreo, que contou com
as surpresas de Gary Oldman (sua primeira indicação) e o mexicano Demian Bichir.

Vai ganhar: Jean Dujardin
Merece ganhar: Jean Dujardin
Deveriam estar aqui: Ryan Gosling (Drive), Michael Fassbender (Shame)
e Brendan Gleeson (O Guarda)
Vencedor: Jean Dujardin

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MELHOR ATRIZ
Boas atrizes em filmes medíocres tem se tornado a tendência nessa categoria.
Viola Davis merece o seu, mas parece que Meryl Streep leva mais um esse ano.

Vai ganhar: Meryl Streep
Merece ganhar: Viola Davis
Deveriam estar aqui: Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin) e Kirsten Dunst (Melancolia)
Vencedora: Meryl Streep

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MELHOR ATOR COADJUVANTE
Como quase sempre, a categoria de coadjuvantes é muito interessante e concorrida.
Este ano, com alta média de idade: Nick Nolte, aos 70, está ótimo em O Guerreiro
e Max Von Sydow, aos 82, destaca-se em Tão Forte e Tão Perto. Mas, também aos 82,
Christopher Plummer, que nunca recebeu um Oscar, deve finalmente festejar.

Vai ganhar: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Merece ganhar: Christopher Plummer
Deveriam estar aqui: Ben Kingsley (A Invenção de Hugo Cabret) e Albert Brooks (Drive)
Vencedor: Christopher Plummer

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MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
O fraco Histórias Cruzadas emplacou duas indicadas, Octavia Spencer e Jessica
Chaistain
. A primeira deve ser a vencedora e a segunda teve um ótimo ano
em Hollywood e merecia mais a indicação por outro filme, A Árvora da Vida.

Vai ganhar: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Merece ganhar: Berenice Bejo (O Artista) ou Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Deveriam estar aqui: Jessica Chastain (A Árvore da Vida ou O Abrigo) e Carey Mulligan (Shame).
Vencedor: Octavia Spencer

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MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Uma das categorias mais importantes, dos roteiros escritos diretamente para cinema,
tem cinco boas opções, com as surpresas de Missão Madrinha de Casamento,
por Kristen Wiig e Annie Mumolo, e Margin Call - O Dia Antes do Fim por J.C. Chandor.

Vai ganhar: O Artista
Merece ganhar: A Separação
Deveriam estar aqui: Jovens Adultos e Margaret
Vencedor: Meia Noite em Paris

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MELHO ROTEIRO ADAPTADO
Concorrência forte, pode dar a Os Descendentes seu único Oscar,
se George Clooney perder como ator.

Vai ganhar: Os Descendentes
Merece ganhar: A Invenção de Hugo Cabret
Deveria estar aqui: Drive
Vencedor: Os Descendentes

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MELHOR ANIMAÇÃO
Pela primeira vez, a PIXAR foi esnobada (pelo fraco Carros 2). O sucesso Rio, do brasileiro
Carlos Saldanha também foi esnobado (e é muito fraco). Os medianos Kung Fu Panda 2
e O Gato de Botas (ambos em 3D) entraram no páreo, além dos pequenos e realizados
com técnicas tradicionais Um Gato em Paris e Chico & Rita. Imprevisível o vencedor.

Vai ganhar: Rango
Merece ganhar: Chico & Rita
Deveria estar aqui: As Aventuras de Tintim
Vencedor: Rango

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MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Separação parece ser imbatível. Mas essa é a categoria mais imprevisível
do Oscar, muitos favoritos acabaram sem prêmio no fim das contas, como
A Fita Branca e O Labirinto do Fauno. Todos os outros indicados foram
muito bem recebidos por festivais e críticos (o polonês In Darkness, o israelense
Footnote, o belga Bullhead e o canadense Monsieur Lazhar), então fica o suspense.

Vai ganhar: A Separação (Irã)
Merece ganhar: A Separação (Irã)
Deveriam estar aqui: A Pele Que Habito (Espanha) e O Porto (Finlândia)
Vencedor: A Separação (Irã)

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DIREÇÃO DE ARTE E DE FOTOGRAFIA
A Invenção de Hugo Cabret é favorito ao prêmio de direção de arte (sua maior
competição é com Harry Potter), enquanto fotografia pode ir para o genial Emmanuel
Lubezki por A Árvore da Vida, já que ele nunca ganhou. E se a Academia amar
O Artista o suficiente para conceder os dois prêmios a ele? É sempre possível.

Vão ganhar: A Invenção de Hugo Cabret (Arte) e A Árvore da Vida (Fotografia)
Merecem ganhar: A Invenção de Hugo Cabret ou Harry Potter e As Relíquias
da Morte – Parte II
(Arte) e A Árvore da Vida (Fotografia).
Deveriam estar aqui: Sucker Punch e O Espião Que Sabia Demais (Arte) e Melancolia (Fotografia)
Vencedores: A Invenção de Hugo Cabret (direção de arte e fotografia)

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MAQUIAGEM E FIGURINO
Maquiagem pode acabar sendo o único Oscar que toda a série Harry Potter ganhará.
Isso se A Dama de Ferro não chegar na frente. O Artista deve levar figurino.

Vão ganhar: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II (Maquiagem) e O Artista (Figurino)
Merecem ganhar: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II (Maquiagem) e Jane Eyre (Figurino)
Deveria estar aqui: A Invenção de Hugo Cabret (Maquiagem) e O Espião Que Sabia Demais (Figurino)
Vencedores: A Dama de Ferro (maquiagem) e O Artista (figurino)

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MONTAGEM
Um dos prêmios mais importantes, apesar de pouco reconhecido, tem cinco candidatos
fortes, mas nenhum é páreo para a veterana parceira de Scorsese, Thelma Scoonmaker.

Vai ganhar: A Invenção de Hugo Cabret
Merece ganhar: A Invenção de Hugo Cabret
Deveriam estar aqui: Drive e A Árvore da Vida
Vencedor: Millenium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

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MIXAGEM E EDIÇÃO DE SOM
Filmes barulhentos tendem a ganhar, mas Transformers 3 deverá ser merecidamente
ignorado. Hugo, Millenium e Cavalo de Guerra são fortes, mas torcemos por Drive.

Vão ganhar: Cavalo de Guerra (Mixagem) e A Invenção de Hugo Cabret (Edição)
Merecem ganhar: Millenium (Mixagem) e Drive (Edição)
Deveriam estar aqui: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2 e Sucker Punch
Vencedor: A Invenção de Hugo Cabret (Mixagem e Edição)

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TRILHA SONORA E CANÇÃO
A trilha sonora de O Artista deve ganhar, mesmo com a polêmica da música
de Um Corpo Que Cai. A de O Espião Que Sabia Demais pode surpreender.
Já canção, qualquer coisa que não tivesse Carlinhos Brown tava valendo.
Como a única competição é dos Muppets...

Vão ganhar: O Artista (trilha sonora) e Os Muppets (canção Man or Muppet)
Merecem ganhar: O Artista ou O Homem Que Sabia Demais (trilha sonora) e Os Muppets (canção)
Deveriam estar aqui: Drive (trilha sonora) e O Abrigo (canção Shelter)
Vencedores: O Artista (trilha sonora) e Os Muppets (canção Man or Muppet)

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EFEITOS VISUAIS
Planeta dos Macacos - A Origem merece, mas Harry Potter e Hugo ameaçam.

Vai ganhar: Planeta dos Macacos - A Origem
Merece ganhar: Planeta dos Macacos - A Origem ou A Invenção de Hugo Cabret
Deveria estar aqui: Sucker Punch
Vencedor: A Invenção de Hugo Cabret

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DOCUMENTÁRIO
Vários documentários aclamados ficaram de fora, como Senna, que não só
ganhou o BAFTA de melhor documentário como também o de melhor montagem.
Pina, de Win Wenders, é o mais visto e conhecido, mas nunca se sabe.

Vai ganhar: Pina
Merece ganhar: Pina
Deveria estar aqui: Batidas, Rimas e Vida: As Viagens do A Trible
Called Quest
, Caverna dos Sonhos Esquecidos e Senna.
Vencedor: Undefeated
Por Fernando Vasconcelos e Filipe Marcena | 26.02.2012

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