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Kinemail Edição 581

Carter, Cage, Darin, Madonna, Tomboy e Raul!

> Semana tem como maior estreia John Carter - Entre Dois Mundos
em 3D, baseado em livros do autor de Tarzan, Edgar Rice Burroughs.
Aventura juvenil dirigida por Andrew Stanton (da PIXAR) com custo
estimado em $ 250 milhões, filme tem estreia mundial nesta sexta.
O Cine Rosa e Silva estreia o sucesso argentino Um Conto Chinês, com
Ricardo Darin, e tem pré-estreia para o elogiado drama francês Tomboy.
No Cinema da Fundação, L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância.

Mais estreias da semana são: O Pacto com Nicolas Cage e o comentado
filme dirigido por Madonna W.E. - O Romance do Século que despertou
críticas ácidas mas tem defensores, que consideram que o filme só tem sido
tão ferozmente criticado por ser realizado pela famosa estrela da música pop.
Em pré-estreias, o documentário Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio.

Em cartaz, recomendamos Drive e os oscarizados O Artista, A Separação
e A Invenção de Hugo Cabret. Vale conferir também o terror à moda antiga
A Mulher de Preto, com Daniel Radcliffe, e o criativo Poder Sem Limites.
Nesta edição, os eleitos como Kinemeiete e Kinemeião de fevereiro.
Assista, comente, opine, e-mails para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO
Filipe Marcena indica Jane Eyre, com Mia Wasikowska,
Michael Fassbender, Judi Dench e Sally Hawkins, lançado em DVD AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites e brindes para assistir John Carter AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI




JOHN CARTER - ENTRE DOIS MUNDOS
John Carter EUA 2012 2h12min
de Andrew Stanton com Taylor Kitsch, Lynn Collins, Ciaran Hinds, Dominic West, Mark Strong

por Filipe Marcena

OPINIÃO
Debaixo de uma tempestade de mau agouro, péssimas expectativas e pouca
boa vontade, chega o dia do julgamento final de John Carter. Produção da Disney baseada
no romance Uma Princesa de Marte, de Edgar Rice Burroughs (autor de Tarzan), esse
blockbuster não conseguiu acender a faísca do interesse em muita gente, tanto por causa
do marketing que guardou a produção em segredo quanto por causa da falta de um nome
reconhecível na produção, além da casa do Mickey. Pra completar, o filme custou assombrosos
U$ 250 milhões, ou seja, nem o mais simpático dos prognósticos enxerga um bom retorno
de bilheteria. O trailer lembra uma coletânea de momentos de filmes que eu estou longe
de admirar (Avatar, Príncipe da Pérsia, Piratas do Caribe, Star Wars - Episódio I: A Ameaça
Fantasma
), e ainda trazia o cada vez mais proeminente e intragável rosto de Taylor Kitsch
(X-Men Origens: Wolverine) como o personagem-título. Sem falar no 3D. Mas o filme está
longe de ser o desastre que muitos esperam, e achei surpreendentemente superior àqueles
filmes que ele parece ter copiado. Mas ainda não entendo porque a Disney torrou tanta grana
num filme tão sem personalidade – o que é um choque, em se tratando do material.

No comando está Andrew Stanton (da PIXAR) em seu primeiro filme live-action. São deles
Procurando Nemo e Wall-E. De fato, Stanton tem um bom olho pra fantasia, e seu trabalho
como animador o ensinou bem a enquadrar uma cena com atenção para detalhes e simbolismos,
além da preparação técnica. Por uns bons momentos, John Carter é espetáculo-pipoca bem feito,
daqueles que crianças de 12 anos se esbaldam. Uma pena que três crimes sejam cometidos:
a inabilidade do roteiro em apresentar uma história com clareza; a escassez de uma sensibilidade
humana com vivacidade na tela; e a limitação de Kitsch como ator e estrela de cinema. Embora
saiba distrair bem do que interessa, o roteiro é uma bagunça em estrutura, uma confusão de
informações e um abuso de diálogos explicativos. Sim, é complicado aprender em alguns minutos
os nomes de todas as criaturas e lugares que existem em Marte, mas precisa mesmo daquele
didatismo irritante que tornou Avatar um filme mais obnóxio do que já era? Quanto ao fator
humano que nos conectaria à história, John Carter bem que tenta com alguns flashbacks
manipulativos, mas se já é difícil se interessar pelos marcianos, que dirá pelos humanos?

O que me leva novamente à Taylor Kitsch, que se contenta em fazer pose, carão e mostrar
o tanquinho. Uma cena bastante eficaz, que mistura o início de uma batalha com um flashback
dramático, quase é arruinada pela falta de profundidade e expressão do ex-modelo. Felizmente,
Lynn Collins (Bug – Possuídos) é um bom contraponto para Carter na pele da princesa Dejah Thoris.
Ela é enérgica, se esforça pra nos convencer dos diálogos mais absurdos que precisa falar e acaba
sendo mais interessante do que a própria estrela, roubando a cena quando o filme a permite.
Não me pergunte o que o resto do elenco está fazendo, porque eles devem estar se questionando
até hoje enquanto contam os dólares. John Carter é um típico filme Disney (alívio cômico a cada
5 minutos, alguns monstrinhos fofinhos, violência suavizada), então depende muito do seu humor
pra esse tipo de coisa. Enquanto reina a dúvida se será um sucesso de bilheteria, ao certo pode
virar um clássico da Sessão da Tarde. Por fim, o 3D é absolutamente dispensável e em nada
acrescenta à ação, muito menos à narrativa. Filme deve ficar mais bonito no bom e velho 2D.
Visto em 06/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex/Buena Vista
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com


UM CONTO CHINÊS
Un Cuento Chino Argentina/Espanha 2011 1h33min
de Sebastián Borensztein com Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Ignacio Huang


por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO O enorme sucesso de Um Conto Chinês (na Argentina e também
no Brasil) é bom exemplo de que, mesmo mais festejado nos festivais e circuito
"de arte" com outros filmes excepcionais, o cinema argentino também sabe fazer
filmes de qualidade para o grande público, o chamado "filme comercial",
de uma forma que deixa os brasileiros com um misto de inveja e vergonha
de ver um cinema tão superior ser realizado aqui do lado, pelos nossos hermanos.
Um Conto Chinês
caiu nas graças do público com uma história simples, bem
narrada, embora um tanto formulaica, previsível. É estrelado por Ricardo Darin,
ator que está em quase todos os filmes argentinos (pelo menos os que chegam aqui)
e tem uma presença magnética, convencendo desde os primeiros minutos nos mais
variados personagens. Aqui ele é Roberto, um emburrado veterano da Guerra
das Malvinas, o mau humor em pessoa. Cheio de manias, é dono de uma lojinha
de ferragens, onde mora só no andar de cima. O mote que irá mudar sua
vida é a chegada do chinês Jun, perdido em Buenos Aires, sem saber falar
espanhol, que bate na sua porta pedindo ajuda. Jun nos foi apresentado
num prológo bizarro, envolvendo a vaca do cartaz do filme. Desenvolvido
como uma comédia romântica atípica, Um Conto Chinês tem até os clichês
do gênero mas, ainda assim, destaca-se por ser cinema correto, que valoriza
mais a imagem do que o texto e, não por acaso, as falas de Jun em chinês
nunca precisam de legendas ou narração explicativa. E eu não resisto mais
uma vez em perguntar: o que é que tem na água dos argentinos que não tem
na nossa? O cinema brasileiro comercial merecia ter filmes assim, apenas
bem realizados, bons de ver. Mal lançado no final do ano passado no Recife,
o Cine Rosa e Silva dá nova oportunidade relançando-o em exibição com
sessões diárias regulares. Vale conferir na tela grande, E viva Argentina!

Visto em 17/12/2011 como convidado do Cinema da Fundação
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br



W.E. - O ROMANCE DO SÉCULO
W.E. Inglaterra 2012 2h00min
de Madonna com Abbie Cornish, Andrea Riseborough, Oscar Isaac, James D'Arcy


> Sinopse: O filme se passa em duas épocas. No passado o Rei Eduardo VIII, da Inglaterra,
se apaixona pela americana Wallis Simpson, uma plebéia divorciada. Nos dias de hoje, uma
mulher rica casada vive um romance com um segurança de uma agência de leilões.
Segundo
longa dirigido por Madonna, venceu o Globo de Ouro de melhor canção para Masterpiece.
Visto em 10/03 como convidado do UCI Kinoplex


O PACTO
Seeking Justice EUA 2012 1h45min
de Roger Donaldson com Nicolas Cage, January Jones, Guy Pearce, Xander Berkeley

> Sinopse: O professor Will Gerard (Nicolas Cage) leva a vida tranquilamente com a esposa
Laura (January Jones), até o dia em que ela foi atacada na rua e terminou gravemente feriada
em um hospital. Mas o que ele nunca iria imaginar era que ao conhecer um homem misterioso
(Guy Pearce), que ofereceu ajuda para encontrar o bandido responsável pelo crime e se vingar
dele, passaria a se tornar alvo de uma cobrança descabida: matar alguém como forma de
pagamento. Agora, ele e a esposa precisam arrumar uma maneira de escapar deste homem
e seu grupo de vigilantes, dispostos a tudo para receber seu pagamento.


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Crônicas cinéfilas, opinião, cartas do leitor etc


Kinemeiete e Kinemeião de fevereiro




Jean Dujardin 86%
George Clooney 10%
Jérémie Elkaïm 4%

Berenice Bejo 63%
Viola Davis 33%
Valérie Donzelli 4%

> O sucesso do encantador O Artista, culminando com a consagração no Oscar 2012,
estabelece novo recorde para a nossa enquete, com o Kinemeião Jean Dujardin alcançando
86% dos votos, deixando o adorado Caco O Sapo (72%) com a segunda melhor votação.
A Kinemeiete do mês não poderia ser outra, deu Berenice Bejo, com 63% dos votos.

Aos 39 anos, o francês Jean Dujardin - conhecido na França como ator de paródias
de filmes de 007, uma delas filmada no Rio de Janeiro, realizadas pelo diretor de
O Artista, Michel Hazanavicius - ganhou exposição mundial ao receber praticamente
todos os prêmios de melhor ator do ano (de Cannes até o Oscar), por sua atuação
cativante e física (num filme sem falas e com incrível número de sapateado) como
o astro do cinema mudo George Valentin. Ainda sem saber falar inglês, Dujardin tem
consciência da fama fugaz e já brinca dizendo que será convidado para ser vilão ou
coadjuvante em comédias e filmes de ação de continuações de Hollywood, o que,
modestamente, irá avaliar. Mas parisiense demais para deixar seu país por Los Angeles,
ele continua por lá e vem aí em nova comédia, Les Infidèles, e no thriller Mobius,
que podem ganhar exibição no Brasil, por conta dele ser agora famoso e oscarizado.

Aos 35 anos, Berenice Bejo também experimenta a alta exposição provocada
pelo sucesso de O Artista. Nascida na Argentina mas vivendo na França desde
criança, também participou das paródias de 007 de Michel Hazanavicius, seu marido
e pai de seus dois filhos. Brincalhona, ela diz: "Michel é o tipo de diretor que ama os
atores. Especialmente eu." Sobre o número musical que encerra O Artista, ela comenta:
"Ensaiamos por cinco meses, praticamente todos os dias. Nem eu nem Dujardin somos
dançarinos. Foi um trabalho duro, meus pés ainda doem e quando eu revejo a cena
custo a acreditar que realmente somos eu e Dujardin ali na tela. Ficou bonito, não?"
Bérénice estará no novo filme de Hazanavicius, um remake do americano The Search.
O Artista permanece em cartaz nos multiplexes, cinemas e horários AQUI


Dicas de Cinéfilo - Jane Eyre



JANE EYRE
Jane Eyre Inglaterra/EUA 2011 2h00min

de Cary Fukunaga com Mia Wasikowska, Michael Fassbender, Judi Dench, Sally Hawkins
em DVD pela Universal

por Filipe Marcena

OPINIÃO
Ainda bem que pra cada adaptação de Crepúsculo que inunda os cinemas,
existe uma de Jane Austen, D. H. Lawrence, Liev Tolstoi ou das irmãs Brontë. Essas
adaptações geram certa desconfiança a princípio, já que a fórmula “estrela em ascensão
+ galã novo em folha + romance clássico” tem se tornado cada vez mais comum graças
à rentabilidade desses filmes (Crepúsculo só está distante dessa fórmula no quesito
“obra clássica”). Mas não me lembro de nenhuma dessas obras recentes serem
decepções. Pelo contrário, estão entre as melhores coisas lançadas nessa década
passada, de Lady Chatterley à Orgulho e Preconceito. O sucesso vai além da fórmula:
a mágica acontece na combinação do bom texto original e de um diretor no mínimo
competente. Junte a esse grupo a mais nova adaptação de Jane Eyre, dirigida
pelo pouco experiente, mas muito talentoso Cary Fukunaga, apenas seu segundo
filme como diretor. Uma pena não chegar aos cinemas brasileiros.

O que me fascina nas adaptações dessas clássicas histórias de amor romântico é como
elas são simples e diretas ao mostrar como e porque duas pessoas se apaixonam,
destroçando as frivolidades e cafonices que povoam os romances mela-cueca de hoje.
Seus diretores transcendem os possíveis aspectos antiquados do texto investindo na
empatia dos personagens e mantendo o foco na educação emocional destes, tratando-os
como humanos, e não como máquinas de fazer chorar ou causar qualquer outro tipo
de emoção por livre e espontânea arbitrariedade. E um ótimo exemplo está em Jane Eyre.
Fukunaga nos guia através da busca da personagem-título por dignidade pessoal e amorosa,
uma jovem à procura de uma independência que poucas tinham em sua época. Câmera
e roteiro trabalham a favor de um filme pulsante e cheio de vida, sendo boa parte dessa
força vinda de Mia Wasikowska e Michael Fassbender, ambos nada menos do que fantásticos
como Jane e Edward Rochester. Wasikowska, que aqui confirma de uma vez por todas que
Tim Burton se esqueceu de dirigi-la em Alice no País das Maravilhas, faz da personagem
uma criatura de carne e osso, sua resiliência é tangível. Ela vai partir seu coração.
E Fassbender, que não precisa mais de apresentações, consegue transmitir austeridade,
vulnerabilidade e resignação com alguns poucos olhares. Seu Rochester assusta e encanta
ao mesmo tempo, trabalho de gênio. Mas esse é um filme de Fukunaga; das impactantes
cenas iniciais ao visual gótico bem concebido e executado, Jane Eyre é a interpretação
de uma época sob uma ótica menos romanticista e mais passional. Filme econômico no luxo
e elegante na execução, merecia uma tela grande mas não deixe de conferir em DVD.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com

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