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Kinemail Edição 583

Jogos, Pina, Lorax, Kevin, Raul e o Papa

> Multiplexes do mundo inteiro lançam nessa sexta o primeiro filme da saga
Jogos Vorazes, com Jennifer Lawrence. Habemus Papam de Nanni Moretti
e Pina de Wim Wenders emtram no Cinema da Fundação. O documentário
Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio estreia nos multiplexes.

Em pré-estreias, Um Método Perigoso de David Cronenberg, comemora
17 anos da Sessão de Arte do Grupo Severiano Ribeiro; a animação 3D
O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida, a maior bilheteria da temporada;
O drama Precisamos Falar Sobre o Kevin, com Tilda Swinton e Pronto
Para Recomeçar
, com Will Ferrell. Sessão gratuita no Cinema da Fundação
para Wesh, Wesh, O Que Foi? antecipa a conferência na sexta 30/03
na Fundação Joaquim Nabuco - Casa Forte pela Aliança Francesa, a respeito
da discriminação racial na Europa contemporânea após o atentado que levou
o presidente Nicolas Sarkozy a decretar o atual alerta máximo anti-terrorista.

O Cinema da Fundação ainda exibe A Separação e L'Apollonide. Tomboy continua no Cine Rosa e Silva e O Artista exibe agora no Cinema Apolo.
Assista, comente, opine, e-mails para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO
Filipe Marcena comenta Nosso Dia Chegará
de Romain Gavras, inédito nos cinemas e lançado em DVD AQUI

LEITOR VIP Ganhe convites Projeto X, Heleno e kits Jogos Vorazes AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI






JOGOS VORAZES
The Hunter Games EUA 2012 2h24min
de Gary Ross com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Stanley Tucci, Wes Beltley, Toby Jones,
Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Donald Sutherland, Lenny Kravitz, Liam Hemsworth

por Filipe Marcena

OPINIÃO Quando Jogos Vorazes começou a ser vendido como uma espécie
de novo Crepúsculo foi impossível não desconfiar. Embora a premissa fosse muito
interessante (grupo de jovens obrigados a lutar até a morte num jogo televisionado
para uma sociedade distópica), o fato de ser baseado em uma série best-seller teen
assustou a mim e aqueles que sobreviveram a pelo menos um filme da 'saga'
romântica vampiresca. Impulsionado pela promessa de uma história violenta
e crítica a certos aspectos das sociedades contemporâneas, encarei o primeiro
livro da trilogia escrita por Suzanne Collins. A americana, que já escreveu
outra série cujos títulos remetem à Harry Potter (este cada vez mais uma
memória de uma distante infância/adolescência), faz parte dessa geração
'franquia', que divide sua história em vários pedaços com o aparente objetivo
de multiplicar o dinheiro que pode vir a ganhar. E está longe de ser uma
grande escritora, mas confesso que fiquei surpreso com Jogos Vorazes, o livro.

Não me lembro de nenhum tipo de obra pop recente de qualquer mídia peitar tão
abertamente o capitalismo e suas consequências. É subversivo na abordagem
da violência juvenil, conflitos de classes, cultura vazia das celebridades
e rebelião anti-facista. Até um suspeito triângulo amoroso se mostra como
política de sobrevivência e, mesmo com todos os tropeços narrativos e concessões
linguísticas para o público alvo, Jogos Vorazes ainda é tenso e comovente.
Não tem nada de original nisso (e pra quê cobrar originalidade, afinal),
mas impressiona por ser literatura mainstream que incita jovens de 12 anos
a pensar sobre política e revolução. Não sei se existe algo acontecendo
por trás das cabeças teens fanáticas por Katniss Everdeen & Cia., mas pelo
menos as leseiras de Crepúsculo parecem ficar pra trás por um tempo.
Claro que Hollywood logo adaptaria a obra para os cinemas e é curioso que
nenhuma das majors tenha comprado os direitos para adaptação (aposto minhas
fichas no medo do material rebelde), que ficaram com o estúdio semi-independente
Lionsgate. Fui para a sessão mais tranquilo sabendo que a base do filme tinha
substância o suficiente para render um filme algo no mínimo interessante.

Nas mãos de Gary Ross (Plesantville - A Vida em Preto e Branco, Seabiscuit
- Alma de Herói
), Jogos Vorazes, o filme, fica só na promessa. Sofre do
mal das adaptações fiéis: são tão literários que esquecem de ser cinema.
A princípio, a ausência da narração da protagonista Katniss (Jennifer Lawrence)
soa acertada, mas as profundidades e sutilezas da história foram embora com ela,
mesmo com novos personagens e pontos de vista. A direção de Ross se resume
a narrar a história da maneira mais pedestre possível, e quando uma cena funciona
é porque ela já funcionava no livro, com exceção de uma rebelião após a morte
de um personagem cativante que é inédita. Irrita a feiúra das imagens, mesmo
quando se tenta ser bonito. Fotografar imitando a estética televisiva foi uma
opção óbvia, e pobremente executada. Sacudir a câmera não causa tensão,
mas náusea. Até filmes de found footage como Poder Sem Limites e REC são
mais bem enquadrados. Será que Ross já ouviu falar em O Show de Truman?
Não sei se arte, figurino e efeitos são mal filmados ou apenas medíocres e pobres,
o que é péssimo pra um filme com orçamento de 80 milhões de dólares.

Decepção também com Stephen Mirrione, montador com experiência nesse tipo
de estética câmera na mão (Traffic, 21 Gramas) que não consegue encontrar
ritmo nem coesão pra certas cenas. Nem dá pra acreditar que a direção de fotografia
é do mestre Tom Stern (que faz maravilhas nos filmes de Clint Eastwood). É tudo
muito apressado e ao mesmo tempo parece inchado, longo. A violência foi claramente
suavizada para garantir que o público alvo pudesse ver o filme, uma contradição,
já que a violência é necessária para o funcionamento do enredo. Jogos Vorazes
não é leve, mas precisava de mais sangue, suor e sofrimento para se fazer entender.
Intacto só sai o elenco, comandado pela talentosíssima Jennifer Lawrence. Ela entende
a personagem melhor que o filme. Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Stanley Tucci
e Elizabeth Banks também fazem bom trabalho com pouco. O resultado é a impressão
de que se viu um filme com algo a dizer, mas que não sabe bem o quê. Imagino o que
alguém como Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança) faria com um material desses.
Enquanto torço pra que o mexicano dirija as última partes da trilogia (Em Chamas
e A Esperança), recomendo aqui a leitura do livro ao invés do filme, graças às maiores
nuances e imaginação do texto. O filme fez impressionantes $ 68 milhões de dólares
somente na sexta-feira de estreia nos EUA, deve fechar o final de semana com algo
em torno de $ 250 milhões mundiais, portanto já é um fenômeno de bilheteria.
Infelizmente, como cinema, Jogos Vorazes, é uma grande oportunidade perdida.
Visto em 23/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com



HABEMUS PAPAM
Habemus Papam Itália 2011 1h44min
de/com Nanni Moretti com Michel Piccoli, Renato Scarpa, Margherita Buy

por Felipe André

OPINIÃO Nanni Moretti não pôs o Papa no divã, tampouco fez dele um personagem cômico,
motivo pelo qual me parece muito equivocada a ideia, já popularizada, de transformar
Habemus Papam num filme sobre um religioso temeroso e sua cura por meio da psicanálise.
Ele vai muito mais além. Moretti, numa decisão muito respeitosa - alguns dirão covarde - de
não confrontar as duas ideologias, mantêm seu filme no campo do debate sadio, bom vizinho,
e principalmente interessado. A história acompanha a eleição de um novo Papa, pós-morte
de João Paulo II, e os sucessivos problemas psicológicos enfrentados pelo eleito. O homem
não crê que suporta o peso de um papado, e grita histérico quando deve enfrentar o público
e fazer sua primeira benção. O psiquiatra interpretado pelo próprio Moretti chega para ajudar
mas, ao ser colocado em situação de reclusão parecida, parece se desviar de seu trabalho.

Ele não ajuda, não atrapalha, e acaba tentando uma terapia ocupacional amalucada que,
aí sim, rende um momento bastante divertido. Porém, as questões de Melville/Michel Piccoli
estão todas além da compreensão religiosa e científica, porque elas tem muito mais a ver
com a questão humana. Levemente frustrado por nunca ter conseguido realizar o sonho
de ser ator, o então Papa analisa sua habilidade como intérprete, ato esse que vai culminar
numa redenção à beira do palco. Assim que é eleito, percebe que todos mudaram o trato
para com ele, mas ele próprio, que não sente a menor das mudanças em si mesmo, passa
a duvidar de sua capacidade. E quando encontra uma trupe de teatro onde, mais uma vez,
seu desejo é frustrado, percebe que não há eleição, cargo ou dogma que balance o que,
de verdade, é o homem. Assim, Habemus Papam vai, meio perdido, meio arrastado,
tentando montar pouco a pouco essa imagem de uma pessoa perdida em questões
maiores que ela mas, infelizmente, Nanni Moretti perde também a mão, e a confusão
de Melville reflete-se no filme. Desperdício de um material brilhante.
Visto em 20/03/2012 como convidado do Cinema da Fundação
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com



PINA
Pina 2011 1h46min
um filme de Wim Wenders para Pina Bausch


por Filipe Marcena

OPINIÃO O que um documentário pode oferecer de nova perspectiva quando
se utiliza do truque do 3D? Werner Herzog foi o primeiro a documentar com
o apoio dessa tecnologia em Caverna dos Sonhos Esquecidos, belo filme onde
a graça está não na técnica em si, mas no objeto filmado (no caso, as cavernas
Chauvet, com as mais antigas pinturas rupestres de que se tem notícia, filmadas
pouco antes de ser fechada para visitas). As texturas e formas das paredes eram
salientadas pelo 3D, dando uma forte sensibilidade espacial aos olhos do espectador.
Ainda assim, deve funcionar normalmente em 2D. O mesmo pode se dizer de Pina,
homenagem de Wim Wenders à dançarina e coreografa Pina Bausch. Aqui o foco
é nas formas do corpo humano,em movimento pela dança. Novamente, o filme só
existe e funciona por causa do objeto de estudo, e o 3D é só uma curiosidade.
É basicamente um espetáculo de dança, onde a imersão total acontece por causa
dos dançarinos, da encenação e da câmera sempre muito bem posicionada
e movimentada de Wenders. Uma tristeza que a projeção das pré-estreias
no UCI Recife estivesse tão ruim, desfocada e escura (problemas da projeção,
não da cópia nem do filme). A UCI cancelou o lançamento de Pina em 3D,
mas o Cinema da Fundação exibe o filme em 2D a partir de hoje.

Mesmo sem estar no formato idealizado por Wenders, Pina ainda é uma experiência
válida para fãs da coreografa e para aqueles que querem conhecê-la. Há pouco
de imagem de arquivo, e o rosto de Pina Bausch, falecida em 2009, não é tão
proeminente. Conhecemos ela através de suas criações e de curtos depoimentos
dos dançarinos que trabalharam com ela. São eles que executam os números
e são incríveis no que fazem. A confiança que eles tem um no outro e em si
mesmos é assombrosa, das coreografias muitas vezes perigosas ao cenários
e figurinos - as mulheres geralmente dançam com longos vestidos e salto alto.
Pina desafiava a física do corpo e os impulsos humanos com coreografias que
narram histórias, criam personagens e expressam ideias ou sentimentos, às vezes
sem música alguma para nos situar. Você se conecta e se identifica em meio a estranheza.
Tinha sempre algo da natureza e das pulsões humanas no que ela fazia. Pina é um
semi-portifólio, semi-tributo à genial alemã, que apetecerá aqueles que admiram
dança contemporânea, e talvez - mas só talvez - converta os desinteressados.
Visto em 3D em 16/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com



RAUL SEIXAS - O INÍCIO, O FIM E O MEIO
Brasil 2011 2h10min
documentário de Walter Carvalho


> Sinopse: A trajetória da lenda do rock Raul Seixas por meio de imagens raras de arquivo,
encontros com familiares, conversas com artistas, produtores e amigos. Filme mostra como
o compositor e cantor "Maluco Beleza" se tornou um dos pioneiros desse ritmo musical no país,
com 21 discos lançados e grandes músicas de sucesso que, até hoje, continuam a ser tocadas
e relançadas. Assinado por Walter Carvalho, o filme desvenda diversas facetas de Raul, como
as parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos, a fase do sucesso e o efeito causado por
suas composições na legião de fãs que sempre o acompanhou. O filme conta com imagens de
arquivo e depoimentos de Zé Ramalho, Tom Zé, Pedro Bial, Caetano Veloso e Paulo Coelho.
Visto em 20/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com

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Sessões extras



UM MÉTODO PERIGOSO
A Dangerous Method Inglaterra/Alemanha 2011 1h39min
de David Cronenberg com Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel

MULTIPLEX PLAZA | sábado 24/03, 11h PRÉ-ESTREIA

>
O mais recente filme do diretor David Cronenberg foi escolhido para a comemoração dos
17 anos da Sessão de Arte do Grupo Severiano Ribeiro. Dedicada a filmes com pouco espaço
no circuito comercial, atualmente a Sessão de Arte ocupa os cinemas UCI Kinoplex dos shoppings
Recife, Casa Forte, Tacaruna e Boa Vista. Um Método Perigoso será exibido excepcionalmente
neste sábado 24/03, às 11h, no Plaza Casa Forte. Após a exibição haverá soretio de brindes e debate
com as presenças da Dra. Ivanise Ribeiro (psiquiatra e psicanalista), Rodrigo Carreiro (jornalista
e professor de cinema da UFPE), Fernando Vasconcelos (website Kinemail) e Rodrigo Almeida
(Cineclube Dissenso) sob a coordenação do programador da rede UCI Kinoplex Pedro Pinheiro.

A Sessão de Arte já passou por cinemas históricos, como o São Luiz, o Veneza e os primeiros
Recife 1, 2 e 3 ao lado do Shopping Recife. Inúmeros filmes marcantes tiveram a oportunidade
de serem vistos no cinema na Sessão de Arte, como Trainspotting, Um Corpo Que Cai, Paixão
Selvagem, Amores Expressos, Ed Wood, Albergue Espanhol, A Lei do Desejo, Jules e Jim,
A Estrada Perdida, Asas do Desejo, O Sétimo Selo, Procura-se Amy, Boogie Nights, A Pele
Que Habito
, entre outros. Já são mais de 400 filmes exibidos em 17 anos da Sessão de Arte.
Visto em 24/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN
We Need to Talk About Kevin Inglaterra 2011 1h52min
de Lynne Ramsay com Tilda Swinton, John C. Reillly, Ezra Miller, Ursula Parker

por Filipe Marcena

OPINIÃO Acho que quando um cineasta novo e de poucas, mas elogiadas obras
ouve demais que ele é um artista sem igual, um visionário ou um diretor de futuro,
o negócio acaba entrando na cabeça dele pra valer. Mas a obra que vem a seguir
pode acabar sendo um tremendo escorregão. Lynne Ramsay ganhou o circuito
de festivais e a cena indie com os longas Ratcatcher e Morvern Callar, e curtas
aclamados, inclusive já ganhou 4 prêmios em Cannes. Seu último filme, Precisamos
Falar Sobre o Kevin
, estreou lá no ano passado. Muita expectativa ao redor dessa
adaptação de um best-seller, que traz Tilda Swinton como uma mãe incapaz de cativar
seu filho e se fazer amada por ele. Resultado, o filme tem aquele ranço insuportável
de 'sou artista'. Ramsay se esmera na fotografia, na arte, nos figurinos, na música,
tudo muito bem cuidado e sempre tentando criar significados, e até cria. Mas é
altamente redundante, repetitivo, sem nenhuma revelação. É como se fôssemos
apresentados aos personagens e, quando um conflito atinge a vida deles e o filme
deveria começar, ele acaba. Sobram metáforas tão bestas que chegam a irritar.

É daqueles filmes onde certa cor, no caso o vermelho, aparece o tempo todo em objetos,
roupas e paredes que nada acrescentam à história, com a desculpa de situar a psicologia
dos personagens. Tá, mas e daí? Cadê transição, compreensão, rendenção, desistência,
transformação, qualquer coisa? Desde o começo temos resignação e resignação é o que
temos até o fim. Vermelho, vermelho, vermelho. Se é pra fazer video-arte de duas
horas ao menos avise antes. Embora Swinton e os três meninos que interpretam Kevin
façam o possível (John C. Reilly, que faz o pai, mal registra), não há nada de envolvente
nos personagens, e estamos falando da história de um pequeno psicopata que comete
um genocídio. Precisamos Falar Sobre o Kevin gira, gira, e não chega a lugar nenhum.

Visto em 18/03/2012 por download
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com



PRONTO PARA RECOMEÇAR
Everything Must Go EUA 2011 1h36min
de Dan Rush com Will Ferrell, Rebecca Hall, Michael Pena, Christopher Jordan Wallace

> Sinopse: Desempregado, Nick está numa pior. Enfrentando problemas com a bebida,
ele acaba de ser abandonado pela esposa, que despeja tudo o que seu no jardim de casa.
Na tentativa de recomeçar a vida, coloca à venda, no gramado mesmo, tudo o que tem.
Um novo vizinho pode ser a chave para que o cotidiano de Nick volte aos eixos.



WESH WESH, O QUE FOI?
Wesh Wesh, qu'est-ce qui se passe? França 2002 1h23min
de/com Rabah Ameur-Zaimèche com Ahmed Hammoudi, Brahin Ameur Zaimèche
CINEMA DA FUNDAÇÃO | terça 27/03, 20h15
ENTRADA FRANCA

> Sinopse:
Após ter cumprido dupla sentença na prisão, Kamel volta para
seu bairro, Cité des Bosquets, e com a ajuda da família tenta se reinserir
na sociedade e no trabalho. O filme mostra a revolta dos jovens com a
decomposição da comunidade do bairro, vista através dos olhos do jovem
Kamel, que se sente impotente diante da situação. Premiado em Berlim 2002.

A sessão gratuita ilustra a conferência que acontece na sexta 30/03 na Fundação
Joaquim Nabuco - Casa Forte pela Aliança Francesa a respeito da discriminação
na Europa contemporânea e sobre as políticas públicas anti-racistas. O tema a ser
discutido é de extrema pertinência, num momento em que França vive dias dramáticos
em função de um ataque sofrido na região de Toulouse, esta semana, quando numa escola
judaica 4 pessoas, entre elas 3 crianças morreram. Por conta da tragédia, o presidente
Nicolas Sarkozy, decretou, pela primeira vez na França, o alerta máximo anti-terrorista.

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Crônicas cinéfilas, opinião, cartas do leitor etc


Dicas de Cinéfilo - Nosso Dia Chegará




NOSSO DIA CHEGARÁ
Notre Jour Viendra França 2010 1h30min

de Romain Gavras com Vincent Cassel, Olivier Barthélémy, Justine Lerooy
em DVD pela California Filmes

por Filipe Marcena

OPINIÃO
Esse é o primeiro filme de Romain Gavras, filho do cineasta grego
Costa-Gavras. Talvez você o conheça dos clipes da rapper e artista gráfica M.I.A..
Roamisn dirigiu o recente Bad Girls e o polêmico Born Free, que chegou a ser vetado
no Youtube logo após seu lançamento. Na verdade, Born Free é muito importante
para compreender Nosso Dia Chegará e vice-versa. Assista ao clipe logo abaixo:

M.I.A, Born Free from ROMAIN-GAVRAS on Vimeo.

Born Free foi inspirado em vídeos de soldados americanos colocando jovens iraquianos
para correr num campo minado, para que assim eles pudessem atravessá-lo. A substituição
dos iraquianos por jovens ruivos partiu do preconceito que existe contra eles na França.
Se você foi atento, percebeu que em certo momento do clipe aparece uma parede pintada
com os dizeres "Our Day Will Come", o título do filme em inglês. Ambos foram produzidos
na mesma época e lançados com apenas alguns meses de diferença em 2010.
São obras correlativas, intertextuais, criadas como primas. Lidam com o preconceito,
o idealismo, e onde minha liberdade termina e a sua começa. Considerando o formato
e a proposta de cada uma, o clipe me parece mais bem resolvido e impactante.
Gavras é um excelente videoclipeiro, e a passagem para o cinema era inevitável.
Há algo no seu road movie que mostra uma saudável resistência em cair no óbvio,
no medíocre, no simplista. Mas alguns obstátulos o fazem deslizar pra fora da estrada.

Conhecemos Rémy (Barthélémy), rapaz ruivo introspectivo com problemas familiares
e sociais. Também conhecemos Patrick (Cassel), psiquiatra ruivo e psicopata. A misantropia
de Patrick ativa um gatilho que já parecia pronto na cabeça de Rémy, e eles se unem para
seguir uma viagem à princípio sem rumo onde ele se vingam de todos que não são ruivos.
Quando Rémy descobre que a Irlanda é povoada por pessoas com a mesma cor de cabelo
que ele, o rapaz decide ir para o sonhado paraíso. Fato é que Born Free é muito mais feliz
em apresentar uma situação de preconceito do que Nosso Dia Chegará. Faltou background
para compreender melhor os protagonistas, que são apresentados às pressas e sem muita
profundidade, enfraquecendo todo o resto. O tratamento do discurso em alguns momentos
perde imaginação, e em outros força a barra. A tensão existe, mas há pouca recompensa.
Talvez eu esteja mal acostumado com um cinema narrativo anti-climático, mas a falta
de vida nos personagens me afastou do filme. Eles não parecem humanos, mas peças
do discurso de Gavras, o que quase desvia a mise-en-scene realista-alegórica. Cassel
e Barthélémy se mostram totalmente disponíveis e entregues, e eles que mantém o interesse
no filme. O final é belo, se você conseguir ignorar todas as arbitrariedades que aconteceram
antes. Não sou fã do filme, mas admiro Gavras por escolher caminhos incomuns, mesmo que
aos trancos e barrancos. Prestarei atenção em seus futuros trabalhos com mais curiosidade.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com


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