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As Vantagens de Ser Invisível
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Kinemail Edição 584


Freud, Jung, Sabina, Heleno, Lorax e Fúria

> Estreias da semana: o cinema adulto e instigante de David Cronenberg está
de volta em Um Método Perigoso, sobre o relacionamento de Sigmund Freud,
Carl Gustav Jung e Sabine Spielrein na virada do século passado. O elenco
extraordinário conta com Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen
e Vincent Cassel. Em Heleno, Rodrigo Santoro vive o jogador de futebol
Heleno de Freitas no Rio de Janeiro da década de 40/50. O cinema São Luiz
lança o argentino inédito O Dia Em Que Eu Não Nasci. Os multiplexes lançam Fúria de Titãs 2 e a animação digital O Lorax, ambos também em 3D.

Espelho, Espelho Meu, com Julia Roberts e Armie Hammer, tem pré-estreias
na quinta-feira véspera do feriadão, nos multiplexes. Com exclusividade,
a UCI exibe o concerto Los Angeles Philarmonic Live com maestro
Gustavo Dudamel
somente neste sábado 31, no multiplex Plaza, 18h.
O Cinema da Fundação exibe Pina, L'Apollonide e Habemus Papam.
Temos ainda Tomboy no Cine Rosa e Silva e O Artista no Cinema Apolo.
Assista, comente, opine, e-mails para fernando@kinemail.com.br

DICAS DE CINÉFILO
Filipe Marcena comenta Longa Jornada Noite Adentro
realizado por Sidney Lumet em 1962, lançado em DVD pela Lume AQUI

Renove ou associe-se LEITOR VIP para ganhar convites, camisas
e brindes de Heleno, Habemus Papam e Fúria de Titãs 2 AQUI

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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA

Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI






UM MÉTODO PERIGOSO
A Dangerous Method Inglaterra/Alemanha 2011 1h39min
de David Cronenberg com Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel

MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI

por Fernando Vasconcelos

OPINIÃO O cinema de David Cronenberg sempre esteve ligado à psicanálise,
mesmo na sua fase mais trash dos filmes B nos anos 70. Eis que agora, na sua
chamada fase mais elegante e convencional (será?), ele vai direto ao tema:
Um Método Perigoso conta a história do nascimento da psicanálise no início
do século passado e, raro em filmes de Cronenberg, tem como protagonistas
nada mais nada menos que Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, formando
um triângulo básico do tema com a russa Sabine Spielrein, uma paciente
de Jung que viria a tornar-se uma psiquiatra célebre, além de ter sido
parceira sexual de Jung e parceira intelectual de Freud. Fãs detratores
dizem que Cronenberg está fazendo novelinha de época; especialistas
da área médica e histórica dizem que o filme é superficial; já o público
médio idiotizado pela Hollywood atual deverá pensar que é um filme que
se passa em algum outro planeta. Claro, estão todos redondamente enganados,
porque Um Método Perigoso é, com rigor cada vez mais afinado, um filme
de David Cronenberg. De fato, ele pegou um material original de livro e peça
de teatro, além de contar com o veterano e premiado roteirista de cinema e teatro
Christopher Hampton, mas em cada cena, em cada plano, o filme transparece
a marca desse raro diretor autoral do cinema moderno. Numa rápida sinopse
(veja o trailer abaixo), o jovem psicanalista Carl Gustav Jung (Michael Fassbender,
sempre impecável) começa um tratamento na histérica Sabina Spielrein (Keira
Knigthley, perfeita, desconcertante), usando a então pioneira Cura pela Fala (o método
do título) sob orientação do seu mestre Sigmund Freud (Viggo Mortensen, discreto
e extraordinário). Disposto a penetrar mais a fundo nos mistérios da mente
humana, Jung verá algumas de suas ideias se chocarem com as teorias de Freud
ao mesmo tempo em que se entrega a um romance intenso com a bela Sabina.
Em pequena participação, temos ainda Vincent Cassel como Otto Gross, um colega
de profissão enviado por Freud como paciente para Jung, entrando na trama como
um típico elemento cronenberguiano. Ele é o caos, a desordem, a doença. Sua
saída de cena, fugindo do sanatório, é um primor de precisão cinematográfica.





O filme teve uma pré-estreia com debate em que estive presente. Numa sessão
lotada, curioso que quase todos ficaram para uma conversa sobre o filme,
iniciada à 1h da tarde, qiue precisou ser interrompida por conta da primeira
sessão do início da tarde. Assim como em todos os filmes de Cronenberg,
as múltiplas percepções e leituras pessoais da plateia geram um bate-papo
sem fim e, vale salientar, falou-se mais do cinema de Cronenberg do que
da psicanálise em si. Foi lembrado até o medíocre drama Jornada da Alma, que
alguns anos atrás ganhou as "sessões de arte" por tratar exatamente do mesmo
tema. Cronenberg subverte o melodrama, a minissérie de época, o "filme sobre
psicanálise" e foca, como em todos seus filmes, na questão primordial da luta
da carne contra a mente, e nos efeitos perturbadores que esse embate provoca.

Em enxutas hora e meia de duração, com um trabalho de câmera e montagem
secos, com a precisão milimétrica que somente aqueles que sabem exatamente
o que querem mostrar e dizer possuem, o diretor troca sangue, vômito, entranhas,
por afiadíssimos diálogos, sem descanso para espectadores que queiram apenas
"se distrair com um filme de época vistoso". Há espaço ainda para o humor fino,
reparem na sequência do primeiro jantar na casa de Freud. Se Um Método Perigoso
ganha o rótulo de "filme de arte", a última coisa que pode ser chamado é de lento,
parado, contemplativo. Ao contrário, o ritmo está mais para um condensado veloz
e explosivo, como talvez nunca tenhamos visto antes na obra de Cronenberg. E, não
se engane, apesar de econômico em choque, o sangue está lá, na imagem e nos
significados, afinal Um Método Perigoso também pode ser lido como um sinistro
sintoma de um conto de terror real, que anuncia as duas grandes Guerras Mundiais,
com destino trágico para os judeus Freud e Sabina, anunciados nos tradicionais
letreiros biográficos finais. Na maioria dos filmes, esses letreiros tendem a dar
uma informação histórica formal. Em Um Método Perigoso, são informações
que ajudam o espectador a criar um contexto mais complexo, repensar e ficar
com vontade de rever o filme, com a certeza de que novas leituras surgirão.

Visto em 24/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex/Imagem Filmes
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br


HELENO
Brasil 2012 1h56min
de José Henrique Fonseca com
Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Angie Cepeda, Othon Bastos
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI

> Sinopse: Heleno de Freitas era o príncipe da era de ouro do Rio de Janeiro, os anos 40,
quando a cidade era um cenário de sonho, cheio de glamour e promessas. Bonito, charmoso
e refinado nos salões elegantes, era um gênio explosivo e apaixonado nos campos de futebol.
Heleno tinha certeza de que seria o maior jogador brasileiro de todos os tempos. Mas a guerra,
a sífilis e as desventuras de sua vida desviaram seu destino, numa jornada de glória e tragédia.
Publicamos abaixo comentários de leitores convidados para a pré-estreia de Heleno:

1. Heleno tem paralelos com Touro Indomável de Martin Scorsese, seja pela fotografia
em preto e branco de Walter Carvalho, seja pelo autodestrutivo e complexo personagem
título que parece fazer de tudo para acabar com a própria vida, mesmo que tenha conquistado
feitos inéditos. Mas acabam aí as semelhanças, visto que narrativamente Heleno tem problemas,
ainda que eles não tenham me impedido de gostar do filme. O primeiro é a montagem alternando
o presente e passado do personagem, que impede que o filme ganhe ritmo além de, em vários
momentos, ficar confuso. O roteiro parece não estabelecer uma premissa dramática para
o personagem ou uma estrutura narrativa que possamos acompanhar, de modo que vemos
as ações de Heleno acontecer de maneira um tanto desordenada e sem um fim específico.

Mas o filme finalmente decola, depois de muito tempo de projeção melhora bastante (já que
finalmente uma necessidade dramática é estabelecida), também graças ao bom desempenho
de Rodrigo Santoro que ficou inclusive magricela para mostrar o personagem em um estado
avançado de sua doença. Aliás, é justamente na complexidade de jogador de futebol que
o filme encontra sua força. Heleno era impulsivo e arrogante, mas era apaixonado pelo que
fazia, que era jogar futebol, além de ser carismático e sedutor. Amava tanto as mulheres
quanto um cigarro e é um trunfo do filme mostrar que suas ações só o levariam para um
caminho difícil ao invés de poupá-lo e deixá-lo triunfante. Heleno, portanto é um filme de
personagem e, como tal, um personagem tridimensional, o que é sempre bom. Pena que
que o diretor leve essa máxima ao extremo e esqueça de cuidar um pouco mais da estrutura.
Rafael Almeida | rafaelsilva_gd@hotmail.com

2. Sem dúvida o ponto alto de Heleno é a bela direção de fotografia, que, se não é de todo
inovadora, se destaca do que normalmente é feito nos filmes brasileiros. No mais, um ótimo
Rodrigo Santoro no papel principal segura bem a trama — que, porém, achei um tanto
mal costurada. São aqueles velhos prós e contras de se usar o recurso do flashback:
a história corre o risco de perder seus momentos de ápice quando a narrativa é assim
mais dinâmica. O sentimento final é de que é um bom filme, muito bem feito, mas que
precisava de mais alguma coisa para realmente emocionar.
Heber Costa | hocs_x@terra.com.br

3. Depois de meses de coisas abaixo da crítica como Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo,
Família Vende Tudo, Agamenon, o Repórter, Reis e Ratos
e Billi Pig, eis que o cinema
brasileiro lança um filmaço, merecedor de ser sucesso de bilheteria (o que, infelizmente,
não creio que acontecerá). Rodrigo Santoro confirma que é o melhor ator brasileiro em
cinema, não só pela sua impressionante transformação física, como pelo empenho com
que encarna o personagem, com toda sua fúria, arrogância e paixão pelo que faz. Linda
fotografia em preto e branco, dando a parecer que se está mesmo no Rio de Janeiro dos
anos 40/50. Montagem, figurino e acima de tudo, roteiro, tudo impecável.
Ariano Vila Nova | arivila@gmail.com

4. Esse ano o Brasil entrou com o pé esquerdo no cinema. Os grandes lançamentos desses
primeiros meses só foram bombas, com exceção de 2 Coelhos. Heleno, felizmente, quebrou
essa maldição. Todo rodado em preto e branco (uma ousadia), o filme é lindo: fotografia
e direção de arte impecáveis, trilha sonora linda, elenco ótimo (destaque, é claro, para
Rodrigo Santoro, que está maravilhoso no papel). O filme não é linear, mas é fácil
de entender. Um ótimo exemplo de que podemos, sim, fazer filmes de qualidade.
João Victor | joaovictor86@hotmail.com

Visto em 22/03/2012 como leitores convidados Kinemail VIP
em sessão pré-estreia do UCI Kinoplex/Downtown Filmes



O LORAX - EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA
The Lorax EUA 2012 1h34min
animação digital 3D dirigida por
Kyle Balda e Chris Renauld
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI

por Felipe André

OPINIÃO Adaptação histérica e ultra-colorida da eco-fábula criada por Theodore
“Dr. Seuss” Geisel, este O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida é muito mais afetado
que as antigas adaptações em 2D, mas ainda assim guarda seu charme. Desde a primeira
cena - um número musical enorme - à moda hollywoodiana, o filme se estabelece como
um produto sincero, que não nega ser destinado apenas à criançada de 0 a 12 anos.
O trabalho minucioso de Kyle Balda e Chris Renaud, que dá vida às dezenas de criaturas
fofas e biologicamente modificadas do livro de Seuss é estranhamente sedutor. É possível
que em pouco tempo os pais também estejam envolvidos com os peixes cantores, o homem
que destruiu as trúfulas por ganância e a luta do protagonista para fazer a natureza brotar
de novo em sua cidade feita de plástico. Nesse sentido pedagógico, a execução é impecável,
ainda que não seja adequada para um filme de cinema manter tal tom, é provável que as
crianças saiam do cinema interessadas em plantar árvores ou estudar sobre fotossíntese.
De qualquer maneira, entre as adaptações do escritor, esta aqui aparece como uma das
menos agressivas ao material original, e ainda serve como bom entretenimento infantil.

Visto em 19/03/2012 como convidado do UCI Kinoplex/Paramount
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com



FÚRIA DE TITÃS 2
Wrath of the Titans EUA 2012 1h39min
de Jonathan Liebsman com
Sam Worthington, Liam Neeson, Rosamund Pike, Edgar Ramirez
MULTIPLEXES | confira cinemas e horários AQUI

> Sinopse: Após derrotar o monstro Kraken, Perseu, o semideus filho de Zeus, tenta levar
uma vida calma de pescador e criar sozinho o seu filho Helius. Enquanto isso, uma luta por
supremacia opõe os deuses, enfraquecidos pela falta de crença dos homens, e os titãs,
liderados por Cronos. Perseu não pode mais ignorar a sua participação nessa luta, quando
Hades e Ares fazem um trato com Cronos para capturar Zeus. O poder dos titãs aumenta
a medida em que Zeus perde os seus, e o inferno do Tártaro, onde os titãs eram mantidos
presos, periga se alastrar pela Terra. Resta a Perseu, ao lado a Terra.


O DIA EM QUE EU NÃO NASCI
The Day I Was Not Born Argentina/Alemanha 2010 1h35min
de Florian Micoud Cossen com
Com Jessica Schwarz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro
CINEMA SÃO LUIZ | 17h15 e 19h15 (exceto segunda)

> Sinopse: Durante escala em Buenos Aires, Maria reconhece uma canção de ninar
cantada por uma jovem mãe. Emocionada, liga para o pai, na Alemanha. Ele revela
então que ela passou os primeiros anos da sua vida em Buenos Aires, durante a
ditadura militar, e que os pais que pensou serem os seus, na verdade a adotaram.

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Sessão extra

LOS ANGELES PHILARMONIC LIVE com maestro Gustavo Dudamel
Los Angeles Philharmonic with Gustavo Dudamel EUA 2012 1h31min
MULTIPLEX PLAZA | sábado 31/03, 18h

> Sinopse:
A rede UCI Cinemas exibirá o concerto regido pelo maestro venezuelano
Gustavo Dudamel, com a Orquestra Filarmônica de L.A. O concerto Los Angeles
Philarmonic with Gustavo Dudamel
foi gravado durante apresentação executada
na Venezuela, no dia 18 de fevereiro deste ano. No evento, o jovem Dudamel, 31 anos,
conduziu a Sinfonia nº 8 – Sinfonia dos Mil de Gustav Mahler, no Teatro Teresa Carreño,
em Caracas – cidade natal do maestro. O concerto com a Orquestra Filarmônica de Los
Angeles e a Orquestra Simón Bolívar, da Venezuela, contou com mais de 1400 músicos
e um coral com mais de 1000 vozes no palco. Com direção de Michael Beyer, esta
apresentação de Gustavo Dudamel é exibida com exclusividade da rede UCI Cinemas.

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