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As Vantagens de Ser Invisível
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Kinemail Edição 590
Felicidade, Batalha, Piratas, Hotel e Casamento
> Ainda com Os Vingadores dominando o circuitão, a semana está
cheia de novidades nas telas. Destacamos a estreia de Minha Felicidade.
de Sergei Loznitsa, e do nacional Girimunho, no Cinema da Fundação,
Nos multiplexes, Piratas Pirados, da
Aardman Animations, das animações
de massinha A Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit. Em pré-estreia
no Cine Rosa e Silva, As Neves do Kilimanjaro, de Robert Guediguian.
Mais filmes novos em cartaz: o blockbuster Battleship - A Batalha
dos Mares, O Exótico Hotel Marigold, com Maggie Smith e Judi Dench,
e a comédia argentina Meu Primeiro Casamento, com Daniel Hendler.
Em pré-estreias nos multiplexes, O Corvo, com John Cusack vivendo
o escritor
Edgar Allan Poe e A Fonte das Mulheres, de Radu Mihaileanu.
Com entrada franca, o Cineclube Dissenso exibe Kaos, dos irmãos Taviani
e o Cinema São Luiz continua a exibição de Os Sertões do Teatro Oficina.
Programação completa da semana, cinemas e horários AQUI
Assista, comente, opine, e-mails para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Filipe Marcena comenta Os 3 em DVD AQUI
LEITOR VIP Ganhe pares de convites e brindes dos filmes
Um Homem de Sorte e Meu Primeiro Casamento AQUI
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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA
Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI

MINHA FELICIDADE ![]()
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Schastye Mo / My Joy Rússia 2011 2h07min
de Sergei Loznitsa com Viktor Nemets, Olga Shuvalova, Vlad Ivanov
por Felipe André
OPINIÃO No primeiro plano de Minha Felicidade, um corpo é jogado dentro de uma vala,
coberto com cimento e terra. No plano seguinte, os responsáveis pelo “enterro” caminham
para fora do terreno segurando suas pás. Não é preciso muito mais que isso para compreender
a cruel piada que o documentarista bielorruso Sergei Losnitza prega com o título de seu filme.
Não há um único resquício de compreensão, moral e, veja só, felicidade, nesta que é a sua
estreia em ficção. A perplexidade cresce a cada novo passo dado dentro da Rússia vista
pela câmera do diretor. Losnitza não nega seu passado dedicado à observação da realidade,
deixando notar certo desprezo pela encenação, ainda que isso sirva perfeitamente ao filme.
Ele não tem interesse em tornar sua história um espetáculo de decadência, como faria
um Lars Von Trier, se tivesse em mãos um roteiro tão pessimista.
A aproximação da narrativa com a estrutura de um road-movie parece ajudar Losnitza,
pouco versado nessa gramática tão complexa, a capitular e esparsar suas intenções.
E a despeito de sua pouca experiência nesse sentido, compensa com vigor surpreendente
todos os outros. Não existem planos gratuitos aqui; econômicos, é verdade, sempre visando
a mais analítica visão dos fatos, mas sempre necessários. Ele segue o caminhoneiro Georgy
em situações cada vez mais sombrias ao longo das estradas do interior russo, e promove
encontros com prostitutas mirins, policiais corruptos e veteranos de guerra. Esses últimos
parecem explicar o porquê de tamanha falta de fé no mundo, como se as consecutivas
derrotas de um exército, governo, e em última instância sociedade, tivessem endurecido
o povo, relegando-os à própria sorte. Georgy é apenas um pequeno símbolo num grande
painel de miséria. Assim como em Bloqueio, seu documentário mais conhecido, e obra-máxima
até aqui, o diretor tenta abraçar tanto quanto consegue, e talvez este seja o mais perceptível
deslize de Minha Felicidade; o de não se perceber como uma ficção. A linguagem naturalista
ajuda, confere maior urgência às ideias, mas também sufoca, contrariando tudo de puro
que existe
em suas pretensões. Não fosse o medo de parecer falso, pareceria muito mais verdadeiro.
Visto em novembro de 2011 como convidado da Janela Internacional de Cinema do Recife
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com
BATTLESHIP - A Batalha dos Mares ![]()
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Battleship EUA 2012 2h15min
de Peter Berg com Taylor Kitsch, Rihanna, Liam Neeson, Alexander Skarsgard
por Felipe André
OPINIÃO Existe algo muito peculiar no mundo de Battleship. Cada vez que uma das
colossais naves alienígenas, que travam uma feroz batalha - com uma pequena formação
das Marinhas americana e japonesa nos mares do Havaí - emerge das águas, nenhuma
onda é formada. Parece um detalhe insignificante, mas após uma hora de intenso jargão
náutico, as minúcias passam a interessar casa vez mais. E essa busca por arestas não
polidas passa a ser o único verdadeiro divertimento do espectador, durante as longas
mais de
duas horas de duração. O trabalho de Peter Berg pode ser classificado, sem medo,
como uma versão marítima de um filme de Michael Bay. Os erros são primários, e o maior
deles é, por incrível que pareça, a escolha equivocada do material original. Já se provou
que é possível fazer bons filmes baseados em jogos, porém, esta foi a primeira tentativa
de adaptar um jogo de tabuleiro, que obviamente não carrega nenhuma narrativa consigo.
E nem mesmo para os saudosos jogadores de Batalha Naval ele se mostra interessante,
já que a única sequência que remete diretamente à uma partida do citado é curta e esquecível.
É chocante perceber que, entre Alexander Skarsgard e Liam Neeson, a popstar Rihanna seja
uma das poucas figuras realmente interessantes do longa. Ela mostra-se econômica e eficiente,
sem nada da pose de diva que tem em cima dos palcos; e talvez com uma boa modelagem
se torne uma atriz interessante. Mesmo para aqueles que tem algum interesse por combates
marítimos e pirotecnia aleatória, Battleship pode ser um programa difícil; Berg é só um peão
nas mãos do produtor, e destrói pouco a pouco o interesse no combate intergalático, mas tem
o mérito de passar tanto tempo batendo na mesma tecla e não ser tão chato por isso.
Visto em 09/05 como convidado da UCI Kinoplex/Paramount
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com
O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD ![]()
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The Best Exotic Marigold Hotel Inglaterra 2012 2h03min
de John Madden com Maggie Smith, Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Dev Patel
por Filipe Marcena
OPINIÃO Já pelo título dá pra perceber qual é a postura do novo filme de John Madden.
Exótico, para o filme, é a cultura indiana do ponto de vista dos turistas ingleses, mesmo
sendo eles, na verdade, as criaturas exóticas naquele país. Etnocentrismo não é o único
'ismo' do qual O Exótico Hotel Marigold sofre sem parecer notar. Triste ver um elenco
tão bom ser subutilizado dessa maneira e, pior ainda, ver o público alvo do filme, já tão
menosprezado nas salas de cinema, ter que se contentar com tamanha baboseira imatura.
Típica adaptação literária incompetente, tão fraco em estrutura, narrativa e personagens
que dá até pra ver as engrenagens do filme se esforçando pra funcionar. Começa mal
com uma introdução pobre e simplista que define os arquétipos dos sete protagonistas
em apenas alguns minutos (O casal infeliz! A viúva deprimida! A velhinha racista! O velhinho
tarado! A solteira carente! O senhor com um passado misterioso!). Só desse prólogo já dá
pra saber como a história de metade deles vai acabar e como o roteiro preguiçoso
de Ol Parker vai se desenrolar. Isso enquanto não chegamos na Índia para descobrir
que uma das subtramas do filme é um remake de Quem Quer Ser um Milionário?, com
Dev Patel potencializando sua melhor cara de panaca até onde a paciência aguenta.
A teoria do 'bom negro' difundida por Spike Lee se encaixaria no caso do personagem
de Patel, no caso o 'bom indiano', sempre simpático, abobalhado, inofensivo
e jamais atacando as sensibilidades da classe média branca ocidental.
O Exótico Hotel Marigold se auto sabota ao passo em que sua visão de mundo
limitada se expõe. A "mensagem" do filme (porque esse é um "filme de mensagem")
se pretende algo como "Você pode ser feliz em qualquer lugar, só depende de você",
o que já seria piegas o bastante, mas no fundo o que ele diz é "Você pode ser feliz
em qualquer lugar, até numa país incivilizado como a Índia! Basta superar os indianos!",
que além de piegas, é altamente ofensivo. As piadinhas rasteiras sobre comida local,
Viagra e cotidiano de idosos são tão batidas e executadas tão preguiçosamente que
as possíveis risadas do público só devem vir por costume. Sem falar na trama do
personagem gay, que se encerra tão abruptamente que me fez achar que o Código Hays
ainda está em vigor na Inglaterra. De qualquer forma, o filme foi razoavelmenet bem
recebido pela crítica e
já arrecadou mais de US$ 73 milhões no mundo e ainda tem muitos
mercados para exibir, logo ou o filme engana muito bem ou o nível de exigência do público
já está em negativo. Ou talvez seja mesmo a carência de filmes que dialoguem com pessoas
acima dos 50. Esse filme será esquecido, mas se seu sucesso acender a produção de outros
com temáticas relacionadas haverá um mínimo de redenção pro Hotel Marigold.
Visto em 10/05 como convidado da UCI Kinoplex/Fox Filmes
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
PIRATAS PIRADOS! ![]()
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The Pirates! Band of Misfits Inglaterra 2012 1h27min
animação de
Peter Lord para Estúdio Aardman Animations
> Sinopse: O exuberantemente barbudo Capitão Pirata é um entusiasta ilimitado.
Com uma tripulação de maltrapilhos a seu lado, o Capitão tem um sonho: derrotar
os seus amargos rivais, Black Bellamy e Cutlass Liz no cobiçado prêmio “Pirata do Ano”.
É uma busca que leva nossos heróis das margens da exótica Blood Island para as ruas
cheias de neblina da Londres Vitoriana. Ao longo do caminho, eles lutam com a Rainha
Victoria e com a equipe do jovem Charles Darwin, mas nunca perdem de vista o que
um pirata mais ama: a aventura! Piratas Pirados, também em 3D, é uma animação
stop-motion dos estúdios Aardman Animations, com técnica feita a mão em bonecos
de massa de modelar,
que levou a Aardman a vencer 2 Oscar na categoria melhor
animação, com A Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.
Visto em 20/05 como convidado da UCI Kinoplex
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
GIRIMUNHO
Brasil 2011 1h30min
de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Camponila com Maria Sebastiana, Maria da Conceição
> Sinopse: No sertão mineiro, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho.
Bastú perde o marido, mas sem o choro busca abrigo nos sinais do dia a dia e em suas
lembranças os elementos que irão ajudá-la nesta passagem. Aproximando-se de seus
sentimentos, de sua maneira de ver o mundo e de reinventar a vida, o filme acompanha
sua transformação ao lado dos netos e de dona Maria do Boi, senhora forte que carrega
em seu tambor as tradições de seu povo. Girimunho recebeu os prêmio especiais
do Júri no Festival des Trois Continents 2011 e no Festival de Cinema de Havana 2011.
MEU PRIMEIRO CASAMENTO
Mi Primera Boda Argentina 2011 1h42min
de Ariel Winograd com Daniel Hendler, Natalia Oreiro, Imanol Arias, Muriel Santa Ana
> Sinopse: Adrián perde as alianças no dia do seu casamento. Nervoso,
oculta o fato de sua noiva e tenta de todas as maneiras adiar as bodas.
Mas complica ainda mais a sua situação, colocando em risco o casamento.
O cinema argentino, conhecido pelo alto nível de qualidade
de seu cinema,
conquistou com essa
comédia, estrelada por Daniel Hendler (de O Abraço Partido
e As Leis de Família), o maior sucesso de bilheteria de 2011 na Argentina.
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Especial
KAOS
Kaos Itália 1984 3h08min
de Paolo e Vittorio Taviani com Margarita Lozano, Orazio Torrisi, Salvatore Rossi
CINEMA DA FUNDAÇÃO | Sala João Cardoso Aires | sábado 12, 14h00 ENTRADA FRANCA
> Neste sábado, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe Kaos, um dos mais importantes
trabalhos dos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani, recentes vencedores do Urso
de Ouro em Berlim. Inspirado em contos de Luigi Pirandello, o filme relaciona-se com
toda uma perspectiva outrora assumida pela literatura: em Pirandello, as coisas são
o que são, nunca sabemos se o lugar por elas ocupado pode definir-se como de sanidade
ou de loucura, como de fato ou ficção, apropriado ao riso ou à lágrima. No cinema dos
Taviani, um equivalente desejo pela manutenção do enigma, onde todo e qualquer realismo
só pode ser efetuado mediante um desregramento da ordem natural, um inevitável caos.
A sessão ocorrerá na Sala João Cardoso Aires, seguida de um debate aberto ao público.
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Crônicas cinéfilas, opinião, dicas, festivais etc
Kinemeiete & Kinemeião de abril

Gina Carano 50%
Camila Pitanga 27%
Scarlett Johansson
23%
> Gina Carano é a Kinemeiete de abril. Carano saiu do Texas para tornar-se
umas das mais bem sucedidas lutadoras de MMA do mundo, vencendo todos os desafios
que competiu, com exceção do último. Nesse meio tempo, participou de séries de TV
e reality shows. Não demorou muito para Hollywood notá-la, e para a sorte de
Carano, seu rosto foi notado por Steven Soderbergh. A Toda Prova está mais
para um veículo para a aspirante a atriz, só que é melhor do que se espera
de um thriller de premissa genérica graças ao cineasta e a impressionantes
cenas de luta realizadas por Carano. Em breve ela começa a rodar seu segundo
papel como protagonista em In The Blood, a ser dirigido por John Stockwell,
e Velozes e Furiosos 6 onde deve dificultar as coisas para Vin Diesel, Paul Waker
e Michelle Rodriguez. Torcemos para que ela se torne estrela de filmes ação,
afinal são poucas que convencem na telona. Jolie, Beckinsale e Jovovich: cuidem-se.

Michael Fassbender 45%
Tom Hiddleston 30%
Liam Neeson 25%
Michael Fassbender é o Kinemeião de abril. É o bicampeonato do alemão
(ano passado venceu por X-Men - Primeira Classe) que é oficialmente o ator do momento.
E como discordar? Ele estava perfeito nos recentemente lançados Jane Eyre, Um Método
Perigoso e Shame, que ainda não viu a luz do dia no Recife. Dessa vez, ele ganha por
A Toda Prova, onde tem pouco tempo em cena, mas divide com a Kinemeiete Gina Carano
uma sequência de luta excepcional. Logo mais o veremos novamente no novo filme
de Ridley Scott
Prometheus, "prequência" de Alien, interpretando um andróide. Depois,
Fassbender fará seu terceiro filme com o diretor Steve McQueen, Twelve Years as a Slave,
e novamente com Ridley Scott em The Counselor, liderando um elenco que conta
com Brad Pitt, Cameron Diaz, Penelope Cruz e Javier Bardem. Tá podendo ou não?
Revistas de maio
> Beleza negra em alta nas bancas: TRIP de maio tem capa e ensaio com a cantora Thalma de Freitas.
E a nova STATUS comemora sua primeira edição de aniversário com capa para a atriz Cris Vianna.
www.revistatrip.com.br e www.revistastatus.com.br
A revista digital MENSCH, produzida em Pernambuco, lança seu segundo número impresso
com Eriberto Leão na capa. Com proposta de revista masculina de alcance nacional,
tem um mix de estilo, moda, viagens, gastronomia e fitness. As musas da edição, em entrevista
e ensaio, são Carol Nakamura e a pernambucana Hermila Guedes. A revista tem
coluna
de cinema assinada pelo Kinemail, que faz preview de O Som ao Redor, Cosmopolis e O Cavaleiro
das Trevas Ressurge. A dica de clássico em DVD é O Importante é Amar, da Lume Filmes.
A MENSCH está disponível gratuitamente na web e para iPad em www.revistamensch.com.br
Dicas de Cinéfilo

OS 3 ![]()
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Brasil 2011 1h20min
de Nando Olival com Gabriel Godoy, Juliana Schauch, Victor Mendes, Sophia Reis
Em DVD pela Warner Bros.
por Filipe Marcena
OPINIÃO Os 3 é mais uma tentativa do cinema paulista de discutir a juventude urbana
contemporânea. Assim como a maioria de seus filmes primos, é falho e pelo mesmo motivo:
parece que o despropósito da vida juvenil pós-moderna que se retrata também é guia estético
e narrativo, assim como a veia publicitária que, no caso de Os 3, é paradoxalmente
objeto de crítica. Por um lado parece justo e coerente, por outro resulta num filme que,
assim como seus personagens, não tem nada a dizer. S ó não cai na mediocridade
total por que ensaia uma discussão sobre o culto das celebridades e consumismo.
Mas só ensaia, e acaba sendo uma oportunidade perdida de abordar temas tão
inerentes à minha geração dos vinte e tantos anos. Sobram cenas vazias de sexualidade
confusa, melodrama inconvincente e uma ou duas cenas inspiradas de conflito entre amigos.
Nando Olival, que co-dirigiu Domésticas com Fernando Meirelles, não sabe que rumo
dar pro filme e deve acreditar que isso o torna mais interessante. Não exatamente.
São várias decisões equivocadas, a começar pela introdução que mostra definições
para as palavras "amizade", "amor", "'paixão" e "'tesão". Porque poucas pessoas na face
da Terra sabem o que essas coisas significam, não é? A redundância continua com
a narração do aspirante a escritor Rafael (Victor Mendes, tão insosso e apagado
que esquecia do rosto dele ainda durante o filme), solução expositiva óbvia.
Não posso culpar o trio de atores, completados por Juliana Schalch e Gabriel Godoy,
por suas performances fracas, já que nem roteiro nem direção parecem buscar
veracidade. As coisas melhoram com a chegada de Sophia Reis, que tem surpreendente
timing cômico e, mesmo tendo poucas cenas, consegue ser mais interessante do
que tudo que foi visto até então. Os 3 ainda tenta uma metalinguagem para falar
sobre realidade e ficção, mas sem muito propósito. A sacada do reality show
criado pelo trio, que acaba se tornando monstro do próprio circo, gera duas
piadas engraçadas de um empresário mercenário e nada mais. No fim, pergunta-se
porque esses três não inventaram para si mesmos uma história mais interessante.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com
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