Edições Anteriores
Edição 642
Uma Ladra Sem Limites
Paris-Manhattan
O Último Exorcismo - Parte 2
Edição 641
Em Transe
Somos Tão Jovens
O Dia Que Durou 21 Anos
Dentro da Casa
As Vantagens de Ser Invisível
Festival Varilux 2013
Edição 640
Killer Joe - Matador de Aluguel
Homem de Ferro 3
Therese D.
Um Bom Partido
Especial Revista e Cinema
Edição 639
A Morte do Demônio
Anna Karenina
Ginger e Rosa
Meu Pé de Laranja Lima
O Acordo
Um Porto Seguro
Edição 638
Oblivion
Chamada de Emergência
Depois de Lúcia
A Filha do Pai
Super Nada
Angie
O Carteiro
Alvo Duplo
Edição 637
Mama
Cabra Marcado Para Morrer
Celeste e Jesse Para Sempre
Um Evento Feliz
onde a Coruja Dorme
Uma História de Amor e Fúria
Invasão à Casa Branca
Edição 636
Jack - O Caçador de Gigantes
GI Joe - Retaliação
A Hospedeira
Edição 635
De Coração Aberto
Disparos
Os Croods
Colegas
Francisco Brennand
Sacrifício
Parker
Vai Que Dá Certo
Haze
Edição 634
A Busca
Pietá
Jardim Atlântico
Linha de Ação
A Fuga
O Homem Que Deixou
Seu Testamento no Filme
Edição 633
OZ - Mágico e Poderoso
A Parte dos Anjos
Sete Dias em Havana
Amor é Tudo o Que Você Precisa
O Quarteto
Amigos Inseparáveis
Edição 632
Dezesseis Luas
Amanhecer Violento
Edição 631
Holy Motors
As Vantagens de Ser Invisível
Elefante Branco
Indomável Sonhadora
Duro de Matar - Um Bom Dia
para Morrer
O Reino Gelado
Cirque Du Soleil - Outros Mundos
Oscar 2013
Edição 630
A Hora Mais Escura
Tudo o Que Desejamos
My Way - O Mito Além da Música
Edição 629
Meu Namorado é um Zumbi
O Voo
Monstros S.A. 3D
Para Maiores
Na Terra do Amor e Ódio
Tainá - A Origem
As Aventuras de Tadeo Jones
Fogo Contra Fogo
Edição 628
O Lado Bom da Vida
Os Miseráveis
Caça aos Gângsteres
Viúvas
Jorge Mautner - O Filho do Holocausto
Inatividade Paranormal
Edição 627
Amor
Lincoln
No
O Mestre
País do Desejo
O Resgate
João e Maria - Caçadores de Bruxas
Edição 626
Django Livre
O Último Desafio
Sammy - A Grande Fuga
Argo
Edição 625
Jack Reacher - O Último Tiro
Uma Família em Apuros
A Viagem
Separados Pelo Inverno
Edição 624
O Som ao Redor
E Se Vivêssemos Todos Juntos?
Detona Ralph
A Arte de Amar
Sete Psicopatas e Um Shih Tzu
Mais edições anteriores AQUI
ARQUIVO 2011
ARQUIVO 2010
ARQUIVO 2009
ARQUIVO 2008
Kinemail Edição 595 aaaaaaaaaaa
a
Prometheus, Trevas, Estrela e Reichenbach
> Semana tem a estreia do aguardado Prometheus de Ridley Scott
com Noomi Rapace, Michael Fassbender e Charlize Theron no elenco,
e do documentário O Rochedo e a Estrela, da pernambucana Katia Mesel,
no Cinema da Fundação. Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha, com Ney Matogrosso, tem três sessões nos multiplexes.
Mostra Metropoletela no Cinema da Fundação, por alunos da UFPE,
exibe curtas para discutir a ocupação do espaço urbano. Entrada franca.
Ainda em cartaz, com poucas sessões, O Que Eu Mais Desejo, drama
do japonês
Hirokazu Kore-eda, e Shame, com Michael Fassbender,
no Cinema da Fundação.
Continua na Sessão de Arte UCI, Albert Nobbs,
com
Glenn Close indicada ao Oscar, diariamente no multiplex Recife.
E o Kinemail despede-se do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach.
Programação completa da semana, cinemas e horários AQUI
Assista, comente, opine, e-mails para fernando@kinemail.com.br
DICAS DE CINÉFILO Confira O Enigma de Andrômeda, ficção científica
dirigida por Robert Wise em 1971, lançada no Brasil em DVD AQUI
LEITOR VIP Convites para Prometheus e pré-estreia E Aí, Comeu? AQUI



CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA
Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI

PROMETHEUS
Prometheus EUA 2012 2h06min
de Ridley Scott com Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Logan Marshall-Green
por Filipe Marcena ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
OPINIÃO Quem diria que, numa temporada que inclui MIB 3 e Madagascar 3
o favorito ao prêmio de sequência de franquia mais desnecessária do ano fosse
para Prometheus. Ridley Scott mais uma vez erra a mão na direção após
o fiasco Robin Hood, mas seu maior equívoco foi aceitar esse roteiro como
"prequência" oficial para Alien - O Oitavo Passageiro, seu melhor filme.
Prometheus é uma repetição de fórmulas que às vezes remete ao filme que
o deu origem
e às vezes remete a um Resident Evil com orçamento maior.
Os erros do roteiro são básicos, questões de lógica e motivação de personagem,
problemas que Scott ignora e filma de olho nos trocados que ele vai ganhar
no verão americano. O elenco tenta manter a dignidade, mas tudo o que Noomi
Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron e Cia. conseguem fazer é serem
assistíveis. O resultado é um filme bonito tecnicamente, mas sem o menor
propósito de existência. Assim como A Origem, Prometheus pensa que
tem profundas revelações sobre o ser humano, mas na verdade disfarça
com cenas de ação o fato de que não tem nada a dizer e que, ao final,
é tão estúpido conceitualmente quanto qualquer Transformers da vida.
Visto em 09/06 como convidado do UCI Kinoplex/Fox Filmes
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
por Fernando Vasconcelos ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
OPINIÃO Então, parece que Filipe Marcena gostou menos que eu. Me dei ao trabalho
de rever Prometheus antes de escrever definitivamente sobre o filme. Mas as impressões
só se confirmam.
Eu vejo que tem um filme bom ali, talvez mais referente ao universo
de Blade Runner (criador e criação, inteligência artificial) do que ao terror visceral
de Alien - O Oitavo Passageiro, uma obra-prima B de puro suspense e terror, que
resiste há mais de 30 anos a toda vulgarização que Hollywood fez, desde a continuação
Aliens 2 - o Resgate e suas esquecidas continuações 3 e 4 até os infames Alien X Predador
1 e 2.
Era de se esperar que o pai da criança iria resgatar a coisa toda com alguma dignidade
e, ao menos, colocar Prometheus num outro patamar do gênero ficção científica,
onde não se vê algo decente desde, talvez, A.I. Inteligência Artificial de Steven Spielberg,
realizado há mais de dez anos.
Prometheus começa até bem, com um prólogo
brilhantemente apresentado sem diálogos nem informações, onde vemos numa
paisagem da Terra (?) de milênios atrás, uma espécie de humanoide, albino e gigante,
num ritual de auto-sacrifício que, deixando o espectador fascinado e cheio de dúvidas,
sugere estarmos vendo a criação de vida inteligente na Terra, mexendo com
nossas referências darwinistas ou criacionistas, abrindo a porta para o que parece
ser um filme, quero dizer, um FILME, algo diferente ou mais ambicioso do que
o fast-food habitual dos blockbusters. Infelizmente, na segunda metade o filme
revela sua mediocridade, já anunciada no fraco desenvolvimento dos personagens.
Como lidar com uma cena em que dois cientistas, geólogos, ou coisa parecida,
têm que passar uma noite dentro de uma caverna tenebrosa, com restos de corpos
extraterrestres em um planeta desconhecido, e ao depararem-se com uma
cobra alienígena albina, sem cabeça, saindo de uma riacho de gosma negra,
reagem com um "-Olá, linda!" tentando contato como se fosse com um bichinho
de estimação?
Não dá. O resultado é uma previsível cena de terror onde você
torce pra que esses dois personagens imbecis morram impiedosamente.
A essa altura, um filme que começou indagando "De onde viemos? para onde
vamos? Fomos criados por Deus ou por uma forma de vida alienígena?"
descamba para uma aventura cheia de rombos de roteiro, onde a cena
mais ridícula envolve dois personagens fugindo da queda de uma nave
em direção ao lugar onde ela está caindo. Qualquer pessoa, até a mais
débil mental, correria para o outro lado... A melhor cena de terror e tensão
do filme tem Noomi Rapace envolvida numa cirurgia grotesca, mas que
chega a desviar a atenção de tão desconectada de lógica mínima.
E eu desisti de vez quando numa ação kamikase, um piloto da nave
terráquea comporta-se como se estivesse jogando videogame, eliminando
qualquer possibilidade dramática e comovente de uma cena que poderia ser
poderosa, violenta, se pelo menos nos importássemos com os personagens.
Mas, diante de tanta decepção, vale a pena ver Prometheus? Para fãs do gênero,
é claro que sim. Pelo menos em concepção visual, é um projeto ambicioso,
belo de ver, com uma aparência mais oitentista, mais orgânica, menos digital,
reaproveitando
o famoso e magnífico design de H. R. Giger, além de usar bem
efeitos visuais digitais. A sueca Noomi Rapace faz o que pode como a protagonista
que desenha-se como uma nova Ripley (imortalizada por Sigourney Weaver), mas
seu personagem é um rascunho ruim. Sobra para
Michael Fassbender o personagem
mais complexo e
ele está muito bem como o andróide David, numa atuação precisa
e meticulosa. Mas é muito pouco para um filme tão aguardado. O contraste entre
a sequência inicial, anunciando todo um novo universo visual, e a medíocre e
previsível cena final (não dá pra falar, é spoiler!) representa bem o "filme de duas
cabeças"
que é Prometheus. E que o final seja apenas um gancho mal arrumado
para ligar o filme ao Alien original e garantir o início de uma nova franquia chega
a ser sem-vergonha. Encerra-se o filme não muito distante de um Alien X Predador.
Não fiz nenhum comentário sobre o uso do 3D. E não precisa dizer porque...
Visto em 06/06 como convidado do UCI Kinoplex/Fox Filmes
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
LUZ NAS TREVAS - A Volta do Bandido da Luz Vermelha
Brasil 2011 1h23min
de Helena Ignez com Ney Matogrosso, Djin Sganzerla, André Guerreiro, Sandra Corveloni
> Release: Luz nas Trevas é continuação do clássico O Bandido da Luz Vermelha (1968),
de Rogério Sganzerla. Ao contrário do que todo mundo pensava, o bandido não morreu
eletrocutado, e o filme reimagina o personagem trinta anos depois como um presidiário
que descobre que tem um filho, chamado Tudo-ou-Nada, e resolve encontrá-lo. Tudo-ou-Nada
é o fio condutor que atravessa essa história política e existencial. Adorado pelas mulheres,
ele segue a carreira marginal de seu pai, desfrutando de uma variedade de prazeres mundanos.
A continuação de um dos mais importantes filmes do cinema marginal brasileiro,
de Rogério Sganzerla (1946 - 2004), é um projeto em família. Com o roteiro deixado
por Sganzerla, quem assume a direção é Helena Ignez, viúva do diretor, ao lado de Ícaro
Martins. No principal papel feminino, o longa conta com a filha da diretora com o cineasta,
Djin Sganzerla, que contracena com seu marido, o ator André Guerreiro Lopes.
A personagem de Djin se assemelha à da mãe no primeiro filme, de 1968. Ambas
se chamam Jane. Helena interpretou a namorada de Luz Vermelha, e, nesta sequência,
sua filha é a companheira de Tudo-Ou-Nada (Lopes), filho do bandido.
Luz Nas Trevas tem ligações com o primeiro filme, como por exemplo o uso de diversas
narrações com diferentes pontos de vista. O Bandido da Luz Vermelha volta nesta sequência
como presidiário, e é o cantor Ney Matogrosso que dá vida ao personagem que foi interpretado
por Paulo Villaça (1946 - 1992) no primeiro filme. Além de Matogrosso, o elenco conta com
várias participações de nomes famosos. Bruna Lombardi, Maria Luísa Mendonça, Sérgio Mamberti,
Simone Spoladore, Arrigo Barnabé e Criolo são alguns dos nomes que estão presentes no filme.
O ROCHEDO E A ESTRELA
Brasil 2012 1h25min
documentário de Katia Mesel com Germano Haiut, Geninha da Rosa Borges
> Release: Rodado em quatro países, o documentário trata da mitológica rota
percorrida por 23 judeus holandeses que, para escapar da perseguição portuguesa,
fugiram de Pernambuco para Nova York, na época um entreposto comercial.
Filme aborda a expansão do judaísmo em Pernambuco, no século 17, no período
holandês e como Mauricio de Nassau favoreceu a liberdade religiosa, permitindo
a existência de uma comunidade judaica com a fundação, no Recife, da primeira
sinagoga das Américas, a Zur Israel. O filme da cineasta pernambucana Katia Mesel
é o resultado de mais de dez anos de trabalho e aborda também a expulsão de
holandeses e judeus em 1654, que culminou com a fundação da primeira colônia
judaica da América do Norte, em Nova Amsterdã (Nova York).
_____________________________________________________________________________________________
Especial
MOSTRA METROPOLETELA
CINEMA DA FUNDAÇÃO | segunda 18/06 a partir de 14h ENTRADA FRANCA
> Numa iniciativa da UFPE, pelos cursos de Cinema, Ciências Sociais e Geografia,
o Cinema da Fundação recebe a Mostra Metropoletela nessa segunda 18/06,
das 14h às 22h. A Mostra apresentará, através do cinema, um debate sobre a vida
e a (des)organização no espaço urbano. A programação será composta por filmes
em
curta metragem cuja temática se relaciona às cidades e sua ocupação, proporcionando
reflexões sobre como a configuração do espaço urbano interfere no nosso modo de viver.
BLOCO I | 14h00 às 15h40
QUARTETO SIMBÓLICO de Josias Teófilo
ENJAULADO de Kleber Mendonça Filho
AEROPORTO de Marcelo Pedroso
EIFFEL de Luiz Joaquim
ELA MORAVA NA FRENTE DO CINEMA de Leo Lacca
BLOCO II | 16h00 às 17h10
HORIZONTES VERTICAIS Direção Coletiva
DIQUE de Adalberto Oliveira
CATAMARÃ Direção Coletiva
DE NOVO AQUI de Txai Ferraz
VELHO RECIFE NOVO de Luiz Henrique Leal, Cristiano Borba, Caio Zatti e Livia Nobrega
BLOCO III | 17h30 às 19h30
GARE DU NORD de Jean Rouch
ARRAIAL DO CABO de Paulo César Saraceni e Mário Carneiro
A PASSARELA SE FOI de Tsai Ming-Liang
BRUTALIDADE EM PEDRA deAlexander Kluge e Peter Schamoni
A PROPÓSITIO DE NICE de Jean Vigo
ZIGURATE de Carlos Eduardo Nogueira
DEBATE | A partir de 19h30
Mais informações Metropoleta Blog CLICA AQUI e no Facebook CLICA AQUI
_____________________________________________________________________________________________
Crônicas cinéfilas, opinião, cartas do leitor etc
Carlos Reichenbach 1945 - 2012
> Quinta-feira pela manhã, entro no Facebook e parabenizo o grande Carlão, talvez
o maior cineasta cinéfilo do Brasil, nosso Scorsese, pelos seus 67 anos de idade,
nos últimos anos lutando bravamente com problemas de saúde, incluindo, ironia,
perda da visão. No final da noite, editando esta edição do Kinemail, me liga Filipe
Marcena pra informar: "- Carlos Reichenbach morreu :(" Resolvi ir dormir
e deixar pra fazer o Kinemail durante a sexta-feira mesmo.
O cinema generoso
e popular de Carlão faz parte da vida de toda uma geração cinéfila que cresceu
nos anos 70/80, quando o cinema nacional tinha alguma relevância cultural na formação
de cinéfilos, críticos e cineastas. Dono de uma filmografia única, o cinema do mestre
Carlão nunca dialogou com o cretino cinema televisivo brasileiro que se faz hoje.

Carlão dirigindo Sadra Bréa em Sede de Amar (1979)
Autêntico cineasta popular, Reichenbach teve sua fase underground, fazendo cinema
marginal durante os anos da ditadura (Lilian M: Relatório Confidencial de 1975
e Sede de Amar de 1979), produziu com muito orgulho nos anos 80 sucessos
da Boca do Lixo, onde aproveitava
a abertura da censura para realizar "pornochanchadas"
altamente subversivas e, talvez, os seus filmes que mais mereçam uma revisão urgente
(Amor Palavra Prostituta, O Império do Desejo, Extremos do Prazer, todos do
início dos anos 80). A partir da década de 80, não se adequava ao cinema comercial
brasileiro vigente e realizou seu filme mais pessoal e radical, Filme Demência, fracasso
de bilheteria de 1985. Sem abrir mão dos seus temas e linguagem, começou a ser
reconhecido academicamente, com Anjos do Arrabalde, com Betty Faria, laureado
no Festival de Gramado.
A partir dos anos 90, lançou belos filmes (Alma Corsária,
um dos meus prediletos, Dois Córregos e Garotas do ABC), todos elogiados
e lançados comercialmente, mas num círculo cult de cinefilia que desagradava
Carlão, que sempre quis que seus filmes fossem vistos por todos, acreditava
romanticamente que o gosto popular deveria ser nivelado por cima, que as pessoas
poderiam se emocionar e aprender alguma coisa através do cinema. Seu último longa,
o lindo Falsa Loura, amargou um fracasso de bilheteria retumbante (foi visto por
menos de 10.000 pagantes) em 2008, mesmo tendo Suzana "Tiazinha" Alves, Mauricio
Mattar e Cauã
Reymond no elenco. Ano passado, Carlos Reichenbach anunciou
que estava começando a produção do seu próximo filme, O Anjo Desarticulado.
Mesmo desanimado com o cenário do cinema atual, Carlão era um entusiasta, um cinéfilo
contagiante e, para minha felicidade, fico com a última memória do encontro com ele
no encerramento da Mostra SP 2010, na Cinemateca de São Paulo, quando conversando
com Carlão, junto com Ernesto Barros e Filipe Marcena, ele estava feliz pela premiação
de Carlos, minissérie de Olivier Assayas,
e falava empolgado como estava baixando
filmes loucamente, viciado em downloads piratas, divulgando os mais obscuros
filmes B no seu blog, enquanto brincava sobre os problemas de saúde, dizendo
que tinha que fazer seu próximo filme logo, pois estava começando a ficar cego.
Quanta energia boa! Um senhor aos 65 anos, jovem como um adolescente cinéfilo!
por Fernando Vasconcelos | 15.06.2012
Dicas de Cinéfilo

O ENIGMA DE ANDRÔMEDA ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
The Andromeda Strain 1971
de Robert Wise com Arthur Hill, David Wayne, Kate Reid, James Olson, Paula Kelly
Em DVD pela Universal
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO O lançamento de Prometheus me levou a revisitar um dos filmes que me
impressionaram na adolescência nos anos 70, em madrugadas televisivas inesquecíveis,
geralmente na programação da Rede Globo, onde assistíamos maravilhados joias como
O Planeta dos Macacos e O Dia Em Que a Terra Parou, moldando nossa memória afetiva
no gênero ficção científica, enquanto devorávamos livros como 1984 e Admirável Mundo
Novo (Thanks, Mrs. Orwell e Huxley). O subestimado Robert Wise - são dele não apenas
o clássico do gênero já citado, O Dia Em Que a Terra Parou (o de 1951, não o com Keanu
Reeves...), como o melodrama Quero Viver! e o musical A Noviça Rebelde, além de um
fraco
primeiro filme para cinema de Star Trek, já no início dos anos 80 - adaptou um livro
do então ainda não muito famoso escritor (e médico) Michael Crichton, autor também
de Coma e Jurrasic Park,
que tratava de uma crise biológica provocada por uma misteriosa
bactéria extraterrestre, trazida de volta à Terra numa sonda espacial exploradora,
em O Enigma de Andrômeda. Embora horrivelmente datado para as novas gerações,
o filme impressiona até hoje pelo realista trabalho de direção de arte e, claro, pelo
tom adulto, talvez impossível hoje, em tempos de padronização infantilizada.
É preciso se situar historicamente. 1968. Toda a ficção científica de aventuras populares
com monstros extraterrestres com subtexto de invasão comunista levaram uma paulada
com a obra-prima 2001 - Uma Odisseia no Espaço,
que elevou o gênero a níveis nunca antes
alcançados, com Stanley Kubrick e o mago de efeitos visuais óticos (pré era digital)
Douglas
Trumbull criando um realista e crível mundo futurista, enquanto o homem conquistava
a Lua e o mundo passava por transformação social e política. Um ano antes de Wise, em
1970,
George "Star Wars" Lucas
havia realizado o sombrio THX 1138. Coube a Robert Wise,
um diretor eclético e "sério",
adaptar para cinema este assustador exemplar de ficção
científica biológica. A trama começa com militares descobrindo que a pequena cidade
onde caiu a sonda espacial teve sua população dizimada em minutos, com sobrevivência
apenas de um bebê e um velho bêbado vagando nas ruas. Ambos são recolhidos para
análise por um grupo de cientistas (alô, Prometheus, os cientistas desse filme parecem
e comportam-se como cientistas!)
numa fortaleza secreta, um imenso laboratório que
adentra vários andares no subsolo de um deserto americano, e são a chave para descobrir
um antídoto contra a misteriosa propagação da bactéria extraterrestre, batizada como
Andrômeda. Um dos cientistas é escolhido para guardar a chave que desliga o alarme
de autodestruição nuclear do complexo, caso algum desastre biológico aconteça.
Por demais expositiva, a trama explica cada processo e engenhoca de segurança
e descontaminação, obviamente fascinantes à época da realização do filme, e só ganha
ação nos tensos minutos finais, na iminência de destruição da vida na Terra por
um erro de decisão (um dos ambientes ideias para a propagação de Andrômeda,
descobrem os cientistas, seria exatamente um explosão nuclear). Ficção científica
de primeira classe, O Enigma de Andrômeda é o tipo de filme que tem detalhes
incrivelmente proféticos como o diálogo: "- Onde fica a biblioteca? -
Não usamos livros.
Toda informação que precisamos está nos computadores." Interessante observar
a direção de arte
fortemente influenciada pelo filme de Kubrick: cores fortes, assepsia
e frieza tecnológica em ambientes circulares, aproveitamento espetacular do formato
largo CinemaScope. A estação secreta em formato circular e seu mapeamento
computadorizado também remetem curiosamente à cenas de Prometheus e,
em várias cores identificando cada andar mais abaixo do laboratório secreto
militar no subsolo, é muito divertido notar que trata-se do mesmo cenário,
apenas pintado de cores diferentes, solução de um tempo em que não era possível
construir cenários digitais. Era tudo construído de verdade mesmo. Se O Enigma
de Andrômeda falha em uma certa burocracia narrativa explicativa, todas essas
curiosidades
de uma ficção científica realizada 40 anos atrás o tornam obrigatório
para fãs do gênero. Pena que o DVD nacional não tem nenhum extra. Um making of,
documentários ou comentários em áudio o tornariam ainda mais fascinante.
Fernando Vasconcelos | fernando@kinemail.com.br
_____________________________________________________________________________________________
Kinemail no Twitter e Facebook
a
> Além das críticas e programação local semanal completa aqui no Kinemail,
você também pode acompanhar as dicas de cinema, DVD, filmes na TV
e novidades de cinema que postamos quase todo dia no Twitter CLICA AQUI
e na nossa página do Facebook CLICA AQUI