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Kinemail Edição 596 aaaaaaaaaaa
a
Febre, Sombras, Loura e aí, Comeu?
> O cinema brasileiro entra na briga por uma fatia das bilheterias de férias
com a comédia E Aí, Comeu? estreando em várias salas dos multiplexes,
e o novo filme do inquieto Claudio Assis, Febre do Rato, em preto
e branco e censura 18 anos, no Cinema da Fundação e no multiplex
Recife. Também nos multiplexes, a nova parceria Tim Burton & Johnny
Depp em Sombras da Noite.
Mais cinema brasileiro em sessão especial
para Falsa Loura, último longa de Carlos Reichenbach, no Cinema
da Fundação.
Assista, comente, e-mails para fernando@kinemail.com.br
A Sessão de Arte UCI exibe Luz nas Trevas e Albert Nobbs. Para a
gurizada em férias, Madagascar 3 e, ainda em cartaz, Piratas Pirados!
Programação completa da semana, cinemas e horários AQUI
DICAS DE CINÉFILO Confira O Abrigo, drama inédito com Michael
Shannon e Jessica Chastain, lançado no Brasil em DVD AQUI
LEITOR VIP Renove já seu Kinemail VIP para o terceiro trimestre 2012.
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CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA
Billy Wilder | EUA | 1961
LEIA AQUI

FEBRE DO RATO ![]()
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Brasil 2012 1h50min
de Claudio Assis com Irandhyr Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré
Confira cinemas e horários AQUI
por Felipe André
OPINIÃO Outrora, o cinema de Claudio Assis foi resumido pela tagline de seu primeiro
longa, Amarelo Manga, que gritava categórico: "o ser humano é estômago e sexo".
Seguido de perto por Baixio das Bestas, realmente se acreditava que Assis continuaria
a radiografar as mazelas do mundo através de pequenos microcosmos tipicamente
pernambucanos, o que Febre do Rato nega vorazmente pois, ao passo que conta
a história de um poeta apaixonado por sua arte, pela vida, e especialmente por uma
mulher que não facilmente se encanta, o diretor abraça uma ternura raríssima em seus
projetos anteriores. A crescente temática no cinema de Assis é notada pelas sutilezas
encontradas nos cantos de seus trabalhos. Amarelo Manga e Baixio das Bestas eram
libelos anarcopolíticos carregados de raiva, medo e desejo, sobretudo, já que não há
personagem em seus filmes que não seja movida por uma incansável paixão. Existe
tudo isso em seu novo cinema, a grande diferença aqui é a motivação final. Não há
penalização em Febre do Rato; ninguém está buscando ferir o próximo simplesmente
por fazê-lo, mas sim porque são apenas humanos que se equivocam como o quê.
Premiado por sua composição, Irandhyr Santos é Zizo, o poeta marginal, que publica
esse jornal 'Febre do Rato' com seus précarios recursos. A vida de Zizo se resume
a beber, escrever, fazer sexo com mulheres numa enorme caixa d'agua que ele usa
como banheira e encontrar seus amigos - um enorme grupo de coadjuvantes que nem
por um segundo é subaproveitado - para celebrar a vida. Inclusive, a subtrama que
envolve Matheus Nachtergaele e sua conturbada vida amorosa rende alguns dos momentos
mais bonitos, e cômicos, de todo o filme. Essa parcimônia é abalada com a chegada
de Eneida, uma garota de idade incerta, mas muito provavelmente no perigoso limiar
dos 18 anos que, ao não ceder aos galanteios do poeta, o coloca num estado de suspensão
e dúvida. Nanda Costa faz de Eneida um ser quase mágico, cheio da malícia característica
de sua idade, mas com uma maturidade muito além de seus anos; a cena em que
ela se libera de suas reservas e abre espaço para as intenções do poeta é uma das
misturas mais singelas de ternura e escatologia já vistas num filme.
Dito isso, é impossível não notar certa fragilidade em Febre do Rato diante dos projetos
anteriores. Claudio fazia grandes painéis de personagens, mas tinha um propósito muito
claro para eles, o que não ocorre aqui. Cada passo em direção ao fim do filme abre mais
e mais possibilidades para o desfecho, que termina por ser bastante desapontador.
Assim como a lógica de seu protagonista, o roteiro de Hilton Lacerda vai se perdendo
em seus próprios conceitos, acreditando que a força do elenco e da estupenda fotografia
em preto e branco criada por Walter Carvalho vai conseguir maquiar seus defeitos.
Assim como a vida de Zizo, este aqui é uma coleção de grandes momentos que duram
apenas o tempo necessário para se tornarem registro, e logo depois desaparecem.
Visto em 19/06 como convidado do Cinema da Fundação
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para f_andre2@hotmail.com
E AÍ, COMEU? ![]()
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Brasil 2012 1h42min
de Felipe Joffily com Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Emilio Orciollo Neto, Dira Paes
Confira cinemas e horários AQUI
por Fernando Vasconcelos
OPINIÃO Nada como ir ver um filme com as expectativas bem baixas. Seja pelo trailer
"piadas de bar"
ou pelo currículo cinematográfico anterior de Bruno Mazzeo (o detestado,
embora sucesso de bilheteria Cilada.com, que eu nem vi), o que esperar de um filme
com o título E Aí, Comeu? A novidade é que não é apenas uma comédia vulgar com
piadas machistas. Na verdade mais um defeito que uma qualidade, o filme é uma "comédia
romântica", quase um drama de novela das sete, calculado e previsível para agradar
o público-alvo, milhares de brasileiros que vão assistir o filme nacional com reclames
na TV. Longe de ser algo politicamente incorreto, ousado ou atrevido, que o título
sugere, o filme é quadradinho, conservador, careta, daqueles que funcionam como
pornochanchada oral, onde se falam baixarias e palavrões e se transa vestido, sem
a menor possibilidade de mostrar um peitinho. A única bunda que se vê, ironicamente,
é a de José Wilker no adorável e caliente Dona Flor e Seus Dois Maridos de Bruno
Barreto, assistido numa televisão por um dos personagens. Mas é fato que o filme
consegue ir um pouco além do formato programa especial de TV. Mas só um pouco.
Baseado numa peça teatral do escritor Marcelo Rubens Paiva, o roteiro para cinema
parte dos encontros etílicos frequentes de três amigos num simpático boteco carioca,
o Bar Harmonia, para acompanhar o cotidiano de suas vidas amorosas com as mulheres:
O arquiteto Fernando (Bruno Mazzeo), em processo de separação, o jornalista Honório
(Marcos Palmeira), casado com três filhinhas, e o playboy Afonsinho (Emilio Orciollo
Netto), escritor não publicado e solteiro convicto, que divide a cama com mulheres
casadas e uma amiga profissional da vida. São clichês prontos e isso não é problema
em comédias, desde que o humor funcione. Não é o caso de E Aí, Comeu? Eu imagino
que os multiplexes lotados nesse fim de semana vão gargalhar em uníssono com
as piadas batidas, cansadas, enfim, sem graça. Alguém ainda pode achar graça
num sujeito dizendo que pensava que as bucetas das orientais eram na horizontal?
Ou falando que para chupar um pau direito as mulheres só precisam ser adestradas?
Isso tudo num formato de encontro de amigos no bar da propaganda de cerveja.
Na parte dramática, acompanhamos as novelinhas de cada um. Enquanto
separa-se da mulher, Bruno Mazzeo é paquerado pela vizinha "garota Sukita"
de 17 anos. O casamento de Marcos Palmeira com Dira Paes é inexplicavelmente
cheio de desconfianças e falta de diálogo, provavelmente como mote para as
trapalhadas e o desfecho. O pouco conhecido Emilio Orciollo Netto é quem se sai
melhor. Inexperiete no amor, pelo menos sua historinha com a garota de programa
anda, evolui, com mais chances de cativar os espectadores. Recheado de participações
especiais (Seu Jorge, Murilo Benício, Juliana Alves, José de Abreu etc), E Aí, Comeu?
aperta em todas as teclas certas para agradar seu espectador. E, claro, depois
de tratarem as mulheres com grosserias por uma hora e meia, o roteiro providencia
para que os rapazes gritem que não são nada sem as mulheres e não poderiam
viver sem elas.
Ao menos, o filme tem uma carpintaria técnica decente.
Realizado em 35 mm, tem som, iluminação, cenários e figurinos bem cuidados,
encerrando-se com bom uso da canção de Erasmo Carlos, Sou Uma Criança,
Não Entendo Nada. Está longe se ser um lixo abominável como De Pernas Pro Ar,
acho que a última comédia global a fazer sucesso estrondoso, com inacreditáveis
3 milhões (!) de espectadores. O cinema brasileiro "de mercado" segue com sua
mina de ouro de comédias televisivas e, nivelando por baixo mesmo, eu prefiro
antes o sucesso de E Aí, Comeu?, entrando forte em 500 salas multiplexes no Brasil,
do que Cada Um Tem A Gêmea Que Merece fazendo 2 milhões de espectadores.
Visto em 19/06 como convidado do UCI Kinoplex/Paris Filmes
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para fernando@kinemail.com.br
SOMBRAS DA NOITE ![]()
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Dark Shadows EUA 2012 1h53min
de Tim Burton com Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Chloe Grace Moretz
Confira cinemas e horários AQUI
por Filipe Marcena
OPINIÃO Sombras da Noite é típica cria da grife Tim Burton de cinema. Adaptação
de obra querida pelo diretor, estética gótica, direção de arte e fotografia fabulosas,
subtrama do filho maltratado pelo pai, iconografia do horror romântico, Danny
Elfman, Johnny Depp e Helena Bonham Carter. Depois do desastre que foi Alice
no País das Maravilhas (como cinema, não como arrasa quarteirão) é refrescante
ver Burton voltando a fazer algo que desde Marte Ataca! ele não faz, uma comédia.
Ele tem bom humor, sabe fazer piadas visuais e tornar seus atores engraçados,
nisso ele continua o mesmo dos anos 80. Só que Burton parece ter se esquecido
de como se conta uma história com uma câmera. Sombras da Noite tem premissa
interessante, ótimas piadas e belas imagens, mas não chega a lugar nenhum
porque se perde no caminho e, certamente, porque não sabia para onde ir desde
o princípio. Poderia interpretar o filme, escrito pelo novato Seth Grahame-Smith
baseado na antiga série de TV Dark Shadows, como uma crítica ao amor
possessivo, mas nem Burton nem Grahame-Smith demonstram-se muito
interessados em dizer qualquer coisa. A máquina dos estúdios hollywoodianos
engoliu o filme - que aparentemente era pra ser só uma diversão nostálgica -,
mastigou e cuspiu uma coisa esquizofrênica, que quer agradar à todos a qualquer
preço, cheio de arbitrariedades em troca de espetáculos desnecessários, rumo
a um final que é um festival barulhento de efeitos especiais, que parece ter
a única função de destruir e explodir todos os cenários do filme.
Mas poderia ter sido um bom filme. Acho que em algum lugar nas quase três
horas que foi o primeiro corte está o escapismo saudosista que Burton buscava.
A necessidade de cumprir o deadline da produtora e satisfazer seus desejos
comerciais deixou a montagem final estabanada, sem ritmo, cheia de buracos.
Os atores são prejudicados, alguns personagens são escanteados para dar espaço
à história principal. Johnny Lee Miller, Chloe Grace Moretz e Jackie Earle Haley
são coadjuvantes de luxo, bons em suas cenas, mas muito subutilizados. Embora
Michelle Pfeiffer, Eva Green e Bonham Carter tenham personagens mais sólidas
e interessantes, a palavra de ordem na montagem é óbvia: Johnny Depp. E pela
primeira vez em muito tempo ele não está irritante e imitando os trejeitos
de Jack Sparrow, ainda que Barnabas Collins seja Depp por completo. Ele é a
estrela do filme e aqui soube sê-lo, mesmo não salvando Sombras da Noite
da bagunça que é a segunda metade. As piadas de peixe fora d'água cansam
com o tempo, mas enquanto funcionam são geniais, como as referências ao
McDonalds, aos hippies e ao filme Love Story, em 1972. Outra coisa não mudou
do Burton do início para o Burton de hoje, a incapacidade do diretor em causar emoção.
Com raríssimas exceções, em Edward Mãos-de-Tesoura e Peixe Grande, adentrar
o mundo de Burton sempre me foi uma experiência para olhos e ouvidos,
e não para um envolvimento maior. Sombras da Noite tem um dos romances
mais rasgados de sua carreira, e ainda assim não senti um pingo de sentimento
pelos envolvidos na história. Os humanos são tão irreais quanto os vampiros,
fantasmas e bruxas, é difícil se conectar com eles. Talvez se Burton
deixar as emoções fluirem seus filmes fiquem mais kitsch do que já são,
mas isso não seria um problema pra um cineasta como ele.
Visto em 20/06 como convidado do UCI Kinoplex/Warner Bros
Concorda? Discorda? Mande sua opinião para filipeap1988@hotmail.com
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Especial

FALSA LOURA ![]()
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Brasil 2007 1h43min
de Carlos Reichenbach com Rosane Mulholland, Mauricio Mattar, Cauã Reymond, Djin Sganzerla
CINEMA DA FUNDAÇÃO | domingo 24/06, 16h
por Fernando Vasconcelos
> Numa semana em que o cinema brasileiro está nas telas de forma tão diversa,
nivelado por baixo na proposta francamente comercial e televisiva da "comédia
romântica" E Aí, Comeu? e nivelado por cima na ambição artística e poética
do cinema radical de Febre do Rato, é bastante pertinente no atual momento
a oportunidade de reavaliar Falsa Loura, o último filme de Carlos Reichenbach,
falecido semana passada, como um meio termo, um filme que quer falar com o povo,
o espectador médio, sem abrir mão da linguagem cinematográfica, propondo uma
narrativa clássica
de arco dramático de um personagem que tem algo, talvez muito,
a dizer aos espectadores. Rosane Mulholland é Silmara, uma moça de classe média
baixa, operária em São Paulo que, consciente de sua beleza acima da média comum,
nutre a vaidade - e ingenuidade - de sonhar que terá futuro melhor do que as amigas.
É um universo que Carlos Reichenbach já havia visitado, em Garotas do ABC.
Embora arrogante, Silmara é aquela moça que ajuda as amigas a se produzir para
ficarem mais atraentes, tem o pé no chão da sua condição social, trabalhando para
sobreviver numa casinha de subúrbio onde mora com o pai ex-presidiário, além de
apoiar o irmão travesti, que saiu de casa. É o tipo da moça simples que jamais pensaria
em se prostituir para melhorar de vida. Não por acaso, em várias cenas fica a sugestão
de que ela poderia se dar bem dessa maneira.
E Silmara sonha, literalmente, com as
canções do CD do cantor brega, famoso, vivido por Maurício Mattar, enquanto causa certa
inveja nas amigas da fábrica, ao namorar o cantor de banda de rock de bar, vivido por
Cauã Reymond. A habilidade de Carlos Reichenbach em construir uma personagem
e contar uma história que leva o espectador a interessar-se por ela é o que se chama
"fazer cinema", e existe tão pouco hoje no Brasil. Além de diretor e roteirista, Carlão
tinha uma sensibilidade rara para uso de trilha sonora, formada na sua obsessão pelo
cinema italiano, em especial o de Valerio Zurlini - em pelo menos um momento, é notável
uma referência em Falsa Loura à obra-prima A Moça com a Valise, de Zurlini, quando
Silmara dança com Mattar. Repare também na abertura do filme, com créditos enquanto
ela e uma amiga dançam uma música instrumental do próprio diretor.
Mas Carlão não fazia
filmes para cinéfilos, ou ao menos não pretendia fazer. As referências
à filosofia, artes plásticas
e o amor que dedicava aos seus personagens, principalmente às mulheres, revelam justamente
a questão do início desse texto: nivelar por cima ou por baixo o que você oferece ao público.
De forma que a abordagem do filme sobre Silmara e tantos personagens suburbanos, bregas,
nunca é pejorativa. Carlão não usa de cinismo nem deboche. Ao contrário, ele pega o espectador
e entra na vida dos personagens - seja o travesti vivido pelo transformista Léo Aquila (que está
no reality show A Fazenda), seja o galã de subúrbio vivido pelo galã de telenovelas Cauã Reymond
ou a morena gostosa da fábrica vivida por Suzana "Tiazinha" Alves
- com uma generosidade
só possível em quem está interessado no humano, na condição humana, onde somos todos
iguais e movidos pelos mesmos desejos. Há quem considere anacrônico o cinema de Carlão,
avesso ao naturalismo documental tão em alta hoje em dia. De fato, é um cinema que revela
artificialidades na forma (os cenários parecem cenários) e nas atuações (não são gente como
eu e você, são atores fazendo um filme), e os diálogos também não são naturalistas.
Em resumo, é uma história sendo contada no universo do cinema, não no mundo real, pode ser
lido como uma fábula, um conto moral. Mas não é falso, pois transparece verdades na construção.
Uma cena que comprova isso magistralmente acontece quando a banda de Cauã Reymond
apresenta-se num bar, com uma canção brega de roqueiro revoltado. Tudo é notavelmente
artificial, a banda no palco, a iluminação do bar, a atuação dos figurantes. É um set de cinema.
Num movimento lento, a câmera vai aproximando-se do rosto de Cauã Reymond e somos
(pelo menos eu fui) pegos de surpresa por um olhar verdadeiramente triste, revoltado
do ator, de quem está cantando aquela música ruim com o sangue, do fundo do coração.
A beleza que Silmara pensa ser sua força, também será a sua fragilidade, que a conduz num
caminho cruel da ilusão para a queda, culminando no plano mais bonito do filme, o rosto
de Silmara, cabelos loiros (falsos) ao vento, voltando para a realidade. Que belo plano final
para o derredeiro filme de um dos últimos grandes cineastas brasileiros. Toda a essência da sua
obra está lá: um rosto de mulher, uma história por trás dele, melodrama popular e puro cinema.
Fernando Vasconcelos | 21.06.2012
MADAM BUTTERFLY 3D
> Esta será a primeira vez que a famosa ópera Madam Butterfly ganhará as telas
do cinema, em 3D, em oito cidades do Brasil, nos próximos dias 23, 24, 26 e 28 de junho.
MADAM BUTTERFLY 3D, da Royal Opera House, oferecerá aos espectadores
uma visão privilegiada e inovadora de uma das mais prestigiosas casas de ópera
do mundo. O filme leva o público a mergulhar na trágica história de amor, paixão e traição,
na espetacular tecnologia RealD 3D. Além do Recife, será transmitida nos cinemas
do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Fortaleza, Salvador, Ribeirão Preto e Juiz de Fora.
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Desempregados em temporada blockbuster
> Não se preocupe, não acontece apenas com você. Até astros e estrelas
de Hollywood nem sempre conseguem aquele emprego com aquele salário...
01. EDWARD NORTON - Os Vingadores | O prestigiado ator já indicado ao Oscar foi o gigante
verde e irado no "reload" de O Incrível Hulk, um dos filmes que prepararam o terreno para
o impressionante sucesso de Os Vingadores, que faturou quase U$ 1,5 bilhão e deverá ser
a maior bilheteria de 2012. Era de se esperar que Norton estivesse no filme, mas os produtores
trocaram ele por Mark Ruffalo, ator respeitado, enfim faturando num blockbuster.
Publicamente,
a assessoria de imprensa explicou que "o projeto precisava de um ator com o espírito
colaborativo
de todos os outros membros do elenco". O agente de Norton perdeu a comissão
gorda e considerou a justificativa "nada profissional, claramente maldosa e
difamatória."
02. AMY ADAMS - Rock of Ages | Para a versão cinematográfica do musical sucesso de teatro
da Broadway, Adams estava quase certa para o papel da jornalista que acompanha o rock star
dos anos 80
vivido por Tom Cruise em Rock of Ages.
Mas ela foi chamada - com salário mais
atraente - para ser Lois Lane no novo Superman e passou a vaga para Malin Akerman. Melhor
para Adams pois, ambicionando ser um dos grandes sucessos desse verão ianque, Rock of Ages
estreou como um retumbante fracasso, afundando junto a expectativa de início de uma nova boa
fase para Cruise, após o maior sucesso de bilheteria da sua carreira, MI 4 - Protocolo Fantasma.
03. LINDSAY LOHAN - Sombras da Noite | A estrela nua da recente edição de aniversário
da
PLAYBOY USA tentou uma audição para o cobiçado papel da gostosa bruxa amante
de Johnny Depp em Sombras da Noite, mas Tim Burton não a aprovou. Passaram pelos
testes também as atrizes Anne Hathaway e Jennifer Lawrence, mas o papel ficou com
a bela francesa Eva Green. Liga não, Lindsay, o filme não fez lá muito sucesso...
04. JOSEPH GORDON-LEVITT - O Homem-Aranha | O inglês Andrew Garfield
suou para conseguir o papel do herói aracnídeo, vencendo
Taylor "Crepúsculo" Lautner
e Joseph Gordon-Levitt, o mais cotado. Talvez escolhido por ser mais novo - e mais
adequado para uma nova franquia que se inicia - o diretor Marc Webb (que dirigiu
Gordon-Levitt em 500 Dias Com Ela) justifica: "Há uma característica meio rocker,
meio irreverente, no jovem Peter Parker
que se encaixa melhor em Andrew Garfield."
Gordon-Levitt perdeu esse checão, mas já foi muito bem pago
como coadjuvante em
dois blockbusters de Christopher Nolan, A Origem e O Cavaleiro das Trevas Ressurge.
05. JAKE GYLLENHAAL - O Legado Bourne | A saída de Matt Damon da franquia Bourne
deixou uma ótima vaga de emprego aberta em Hollywood. Dizem que Gyllenhaal
não perdeu o papel por causa da lembrança do papel de homossexual em Brokeback
Mountain, mas pela
má fama como herói de ação no fracasso O Príncipe da Pérsia
da Disney.
Os produtores preferiram investir em Jeremy Renner, já indicado ao Oscar
duas vezes
(Guerra ao Terror e Atração Perigosa) e coadjuvante nos blockbusters
MI 4 - Protocolo Fantasma e Os Vingadores. Renner enfim pegou um empregão,
para continuar a franquia Bourne por alguns anos, dependendo do sucesso inicial.
Da PLAYBOY USA | maio 2012
Claudio Assis, o Franco Atirador
> O diretor pernambucano Claudio Assis, dos premiados Amarelo Manga (2002)
e Baixio das Bestas (2006) continua desafiando o coro dos contentes. Seu novo
filme, Febre do Rato, estreia em 2012 mas já arrebatou prêmios importantes.
Só no Festival de Paulínia foram 7 prêmios, incluindo melhor filme. O sucesso
não fez Assis baixar a guarda. Ele continua batendo abaixo da linha da cintura.
Você saiu vitorioso do Festival de Paulínia. Está pronto para passar
de diretor marginal para diretor de sucesso?
Comigo não tem essa. Não faço parte dessa corja do cinema nacional. Veja os argentinos,
fazendo cinema de grande qualidade, sem as lentes apontadas para os Estados Unidos.
José Padilha vai refilmar Robocop...
Pois é. Uma babaquice. Os caras não entendem que os americanos é que dominam
esse coisa de fazer cinemão. O máximo que vão conseguir é rodar uma cópia benfeitinha.
E se Febre do Rato for indicado
para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro?
Isso nunca vai acontecer. E, se acontecer, eu não vou. Nunca, pode me cobrar.
Da revista STATUS | novembro 2011
As Loiras Angelicais de Tim Burton
por Filipe Marcena
> Assistindo ao novo filme de Tim Burton, Sombras da Noite, tive minha atenção capturada
por uma figura feminina delicada, a trágica Josette, interesse romântico de Barnabas Collins.
A moça é interpretada pela jovem e ainda inexperiente Bella Heathcote (O Preço do Amanhã),
que também interpreta a babá Victoria Winters. Não foi exatamente a beleza ou o talento
pra atuação de Heathcote que me deixou interessado em suas personagens, mas a notável
presença de mais uma persona angelical num filme de Burton. A primeira aparição desse
“template” aconteceu quando Winona Ryder ganhou nossos corações como a Kim de Edward
Mãos de Tesoura. Cabelos longos e loiros, olhos grandes, dócil, quase etérea e com uma
paixão incontrolável por um homem esquisito. Revendo a filmografia de Burton podemos
contabilizar sete encarnações da mocinha gótica apaixonada e suas variações. Pergunto-me
o porquê da obsessão de Tim Burton por esse tipo. Diria que é seu ideal de mulher (ele já
namorou uma loira angelical, a bela Lisa Marie de Ed Wood), mas sua esposa Helena Bonham
Carter, embora de olhos grandes, não faz esse tipo nem interpreta essas personagens
nos filmes do cineasta. A teoria do meu amigo cinéfilo Victor Laet de que Burton foi rejeitado
por uma menina angelical na infância/adolescência talvez faça mais sentido. Fato é que essas
mocinhas não são tão indefesas quanto aparentam, e sempre revelam um lado obscuro
com que o protagonista e o próprio Tim Burton se identificam. São elas:

Kim | Winona Ryder
Edward Mãos de Tesoura, 1990
Adolescente rebelde se apaixona por um homem com tesouras no lugar
de mãos. Ela não tem medo de ser ferida nem de ferir quem ameaçar seu
amado. O clímax, onde Kim dança
no gelo que jorra das esculturas de
Edward (Johnny Depp), é o epítome da figura feminina celestial.

Katrina Van Tassel | Christina Ricci
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, 1999
Katrina se encanta pelo amedrontado detetive Inchabod Crane (Johnny Depp)
quando este investiga a presença sobrenatural do cavaleiro do título.
Ela é o anjo protetor do detetive, com um segredo surpreendente.

Daena | Estella Warren
Planeta dos Macacos, 2001
Escravizada pelos símios, a linda e loira Daena é comprada pelo
astronauta Leo (Mark Walbergh), e acaba disputando o interesse dele
com a macaca Ari (Helena Bonham Carter). Daena é escanteada
a interesse romântico, mas não é exatamente indefesa.

Sandra Bloom | Alison Lohman
Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, 2003
Nas memórias de Edward Bloom (Albert Finney/Ewan McGregor), o tempo
pára quando ele conhece Sandra, o amor de sua vida. Imaculada e calorosa,
ela abandona um noivado arranjado para ficar com o contador de histórias.
Na fase madura, ela é encarnada por Jessica Lange.

Johanna | Jayne Wisener
Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, 2007
Johanna, a mais óbvia das figuras angelicais de Burton, passa seus dias
a cantar na janela enquanto é ameaçada de abusos pelo juiz Turpin
(Alan Rickman), mas o amor surge com Anthony (Jamie Campbell Bower),
que pode salvá-la com a ajuda de Sweeney Todd (Johnny Depp).

Rainha Branca | Anne Hathaway
Alice no País das Maravilhas, 2010
Para enfrentar a Rainha de Copas (Bonham Carter) e outras ameaças, Alice
(Mia Wasikowska) é ajudada pela Rainha Branca, uma adaptação do “template”
em versão grisalha, mas tão serena, dócil e misteriosa quanto as outras.

Josette DuPres | Bella Heathcotte
Sombras da Noite, 2012
Josette conquista o coração do nobre Barnabas Collins (Johnny Depp), mas é
amaldiçoada pela bruxa Angelique (Eva Green) e se joga de um penhasco. Ela retorna
como um fantasma que ajudará a babá Victoria a resolver assuntos inacabados.
Revistas do mês
> A revista trimestral americana CINEMA SCOPE chega ao número 50, com lista
dos 50 melhores cineastas
abaixo de 50 anos de idade. Confira on line www.cinema-scope.com
> O mercado de revistas impressas continua lutando contra a galopante queda mensal
nas vendas. Aqui no Brasil, a revista TRIP goza de boa saúde, mantendo as vendas
regulares e divulgando aumento de carta de assinantes, uma conquista e tanto para
uma rara publicação brasileira independente dos monopólios editoriais. Uma das primeiras
nacionais a investir no conteúdo aberto on line, disponibilizar duas capas diferentes nas bancas
e baixar custos com uma edição dupla - de dezembro/janeiro, publicando 11 edições
anuais - a TRIP consolidou o formato de edição temática e lançou edições especiais nos EUA
e na Alemanha. Edição de junho vem com o urgente tema Carros e Gente, com o
antropólogo Roberto da Matta entrevistando o especialista no assunto Tom Vanderbilt
e várias reportagens sobre o automóvel na sociedade moderna, no Brasil ainda um objeto
de status consumista mas cada vez mais um problema, da imobilidade à poluição no caos
urbano.
A Trip Girl da capa é a francesa Juliette Rault. Edição especial lançada na Alemanha
tem a atriz brasileira Marjorie Estiano em ensaio de capa. www.revistatrip.com.br
A STATUS segue em segundo ano nas bancas com capa de junho para Camila Rodrigues.
Lançada em 2011 com grande tiragem pela Editora Três, hoje a revista briga por uma pequena
fatia do mercado das masculinas, investindo mais no conteúdo que nos ensaios sensuais.
Agora com todo o arquivo de bom e variado conteúdo
disponível no site oficial, a edição
de junho tem reportagens sobre os 85 anos de Chuck Berry, a rede de prostituição em
Brasília, a guerra ao tráfico de ópio no sudeste asiático, esportes radicais nas montanhas
do Alasca,
Juliana Paes versus Sônia Braga em Gabriela, entrevista com o ator Gabriel
Braga Nunes e crônicas de Antonio Prata e Reinaldo Moraes. www.revistastatus.com.br
A PLAYBOY Brasil, em queda de vendas constante com a desgastada fórmula de capas para
subcelebridades do Big Brother Brasil e outros programas de TV, ensaia uma volta à valorização
de conteúdo
na edição que está nas bancas. Capa de junho é a dançarina do Faustão Aline Riscado
e a edição tem entrevista com o chef Alex Atala e reportagens sobre o caso das empadas
de Garanhuns, por Fernando Gabeira, e o fim do mundo segundo os Maias, em 2012.
No mercado internacional as revistas estão cada vez mais finas, com conteúdo mais compacto
e poucas páginas de anunciantes. A PLAYBOY USA, rumo às comemorações de 60 anos,
continua ajustando-se às novas regras do mercado, com um site dinâmico com conteúdo aberto
e complementar à revista impressa. 2012 é o primeiro ano em que lança apenas 10 edições,
com edições duplas janeiro/fevereiro e julho/agosto. Edição de junho vem com layout
retrô anos 80 e tem a tradicional Playmate do Ano na capa, Jaclyn Swedberg.
Entrevistas com Tom Cruise e o vilão do novo Homem-Aranha, Rhys Ifans, reportagens
sobre a relação dos americanos com armas de fogo, os casinos e jogos ilegais em Paris,
experimentos de biônica em militares que perderam membros na guerra, os novos
economistas rebeldes da realidade econômica atual, ficção inédita do mexicano
Carlos Fuentes, recentemente falecido, e matéria sobre a eterna necessidade humana
de patrulhar a vida dos outros, do cigarro à vida sexual. Arte erótica de Andy Warhol
e Salvador Dali e a garota do poster completam a edição. www.playboy.com/magazine
A ESQUIRE USA, atualmente com 11 edições anuais, tem edição dupla junho/julho,
com conteúdo temático Paternidade.
Matéria de capa para Bruce Willis e entrevista
com Bill Murray, ambos em Moonrise Kingdom de Wes Anderson;
Summer Preview
especial de cinema, música e literatura; Os Melhores Bares dos EUA; ficção inédita
de Stephen King; Especial Paternidade, com crônica My Dad por Mary-Louise Parker
e ensaio fotográfico Pais e Filhos famosos completam a edição. www.esquire.com
Fernando Vasconcelos | 21.06.2012
Dicas de Cinéfilo

O ABRIGO ![]()
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ake Shelter EUA 2011 2h00min
de Jeff Nichols com Michael Shannon, Jessica Chastain, Tova Stewart, Shea Whigham
Em DVD pela Sony
por Filipe Marcena
OPINIÃO Se Lars von Trier filmou o apocalipse como metáfora da depressão em Melancolia,
Jeff Nichols (do nunca lançado no Brasil Shotgun Stories) usa o fim do mundo para elucidar
sobre a paranoia e sanidade em O Abrigo, infelizmente despejado em DVD pela Sony esse mês.
Tanto von Trier quanto Nichols estrearam seus filmes no Festival de Cannes do ano passado,
o que é uma incrível coincidência, já que são filmes muito próximos não só em temática
como na abordagem lírica e niilista. São filmes sobre pessoas lidando com a trágica certeza
do inevitável e a solidão que isso traz. Outra comparação que não pude deixar de fazer
foi com Bug - Possuídos, genial filme de William Friedkin que também trazia Michael Shannon
como um homem problemático que infecta um mulher com sua paranoia. Mas se Friedkin
deixava claro que o filme era pessimista, O Abrigo não nos dá certeza de nada. Por isso
ele é menos um filme sobre o fim do mundo em si e mais sobre o medo que essa ideia
causa. Não o apocalipse espetaculoso de 2012, mas um apocalipse real, que mostra sinais
com os desastres naturais, crise econômica e a desumanização das sociedades.
É um filme de nossa época, nadando contra-corrente do cinema contemporâneo por não
se ater a gêneros, preferindo reiventá-los a fim de atingir significados maiores que eles.
Curtis (Shannon) sonha com cenários apocalípticos. E começa a ter certeza de que são
profecias. O casting de Shannon é perfeito, pois estamos acostumados a vê-lo interpretando
homens dementes (Bug, Foi Apenas um Sonho, Antes que Diabo Saiba que Você Está Morto,
Boardwalk Empire, The Runaways, só pra citar alguns), então é fácil encarar seus trejeitos
e atitudes como loucura. Mas até que ponto esse homem sabe o que diz? Aí entra a melhor
personagem do filme, sua esposa Samantha, interpretada pela incansável e brilhante
Jessica Chastain. Ela catalisa o pânico de Curtis, ora confrontando ora compreendendo.
Samantha é a voz do espectador. Nichols cria um senso de ansiedade e inquietação
que sempre nos deixa em dúvida sobre o que estamos vendo. Enquanto cinema
lembra um Hitchcock menos mecânico, enquanto análise de personagem lembra
Safe - Mal do Século, de Todd Haynes, mas sem definir realidade/paranoia.
O desespero de Curtis em encontrar segurança para sua família nos conecta
emocionalmente, mas a grande sacada do personagem é o fato de ele não ser
um estudioso, um analista ou um cientista, ele é um homem comum que sente
grandes problemas a caminho. Assim como a Justine de Kirsten Dunst, Curtis não
está necessariamente errado. E assim como em Melancolia, a resolução é triste
e assustadora, mas oferece um esclarecimento sobre a natureza humana e algumas
dúvidas sobre a nossa noção de segurança. Altamente recomendado.
Filipe Marcena | filipeap1988@hotmail.com
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