Opinião A expressão 'a névoa da guerra' refere-se
à impossibilidade de definir a guerra moderna dentro dos
padrões maniqueístas convencionais (bem e mal, vencedores
e vencidos). Variáveis militares, políticas, econômicas, tecnológicas e sociais influenciam de forma complexa na guerra.
Esse documentário de Errol Morris expõe e disseca de forma brilhante essa questão a partir de uma entrevista com
Robert S. McNamara, inteligência americana que foi presidente
da Ford e secretário de defesa dos presidentes John Kennedy
e Lyndon Johnson, no período que cobriu a Guerra do Vietnam.
Filme é dividido em 11 'lições' aprendidas por Bob McNamara que
vão desde conhecer os inimigos até reconhecer os seus próprios
erros. Basicamente uma entrevista, filmada em estranhos planos
com enquadramento irregular, de forma imparcial o diretor
procura mostrar as contradições do entrevistado e, ao mesmo
tempo, a terrível lógica prática dos mecanismos da guerra.
Dessa forma, as impressões do espectador variam da repulsa
ao fascínio pelo entrevistado. Grande jornalismo e cinema.
Abordando a Segunda Guerra Mundial, o fracasso da participação
americana na Guerra do Vietnam, a ascensão pessoal
e profissional de Bob McNamara (como presidente revolucionário
da Ford), a Guerra Fria e o acidente dos mísseis de Cuba,
quando o mundo quase entrou na Terceira Guerra Mundial,
Sob a Névoa da Guerra tem vasto material documental
que já fazem do filme, no mínimo, uma brilhante aula de História.
Errol Morris vai além, desenhando um perfil peculiar do seu objeto humano de estudo. Sem nunca tocar nos temas
da destruição terrorista do 11/9 ou na Guerra do Iraque,
o filme faz refletir o tempo inteiro sobre a atual posição americana na guerra. Será que Bush já viu esse filme?
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