vicioo

001 À Prova de Morte
002 Zodíaco
003 Amantes Constantes
004 Cartas de Iwo Jima
005 BUG - Possuídos
006 O Céu de Suely
007 O Hospedeiro
018 Superbad
009 BORAT!
010 O Homem Duplo

001 Caché
002 Brokeback Mountain
003 Reis e Rainha
004 O Novo Mundo
005 As Chaves de Casa
006 O Homem-Urso
007 Miami Vice
008 O Labirinto do Fauno
009 A Última Noite
010 Munique

001 Marcas da Violência
002 Menina de Ouro
003 A Menina Santa
004 Antes do Pôr-do-sol
005 Oldboy
006 Cinema,Aspirinas e Urubus
007 Sideways
008 Closer - Perto Demais
009 O Virgem de 40 anos
010 O Abraço Partido

001 Encontros e Desencontros
002 Elefante
003 As Bicicletas de Belleville
004 Kill Bill
005 Sob a Névoa da Guerra
006 Na Captura dos Friedmans
007 De Corpo e Alma
008 Má Educação
009 Escola de Rock
010 Adeus, Lenin!
 

O NOVO MUNDO
The New World EUA 2005 2h37min RT 5,8
de Terrence Malick com Q'Orianka Kilcher, Colin Farrell

Opinião O cinema de Terrence Malick, espécie de ermitão hippie
do cinema americano, é composto de apenas quatro filmes
(e que filmes!). Do impressionante Terra de Ninguém (1971),
passando por Cinzas no Paraíso (1978), considerado
um dos filmes com as mais belas imagens já capturadas
por uma câmera, Além da Linha Vermelha (1999), um filme
de guerra como nenhum outro, e chegando a esse belo
O Novo Mundo, o cinema de Malick tem uma linguagem
muito especial, que não dialoga com o público moderno,
mediocrizado pela televisão. Basta ver a reação da sessão
multipléxica em que eu estava. Davam risadas nos delicados
e poéticos momentos românticos da fita, um horror...
Se você ainda acredita em lirismo, poesia audiovisual
e narrativas oníricas, descompromissadas com o bê-a-bá tradicional de Hollywood, esse é O FILME.

O que convencionalmente se chama de 'história', aqui é
o romance entre o capitão inglês John Smith e a nativa
Pocahontas, de uma América virgem. É, aquela historinha
que você conhece do desenho da Disney... Conhecidos como
um mito americano, esses personagens existiram de fato.
Mas Terrence Malick não busca fidelidade histórica. Em nenhum
momento a índia é chamada de Pocahontas e, na verdade,
o capitão Smith a conheceu como uma criança. O que não
impede Malick de construir um delírio romântico de uma
beleza estonteante, de uma delicadeza sem fim. Mas, assim
como no belo filme nacional Desmundo, Malick está mais
interessado em transportar o espectador para um universo
sensorial e imagético de um tempo perdido e faz isso
de forma magnífica, lembrando Stanley Kubrick na sabedoria
de que uma época não é só representada por figurinos
e diálogos adequados. O que Malick capta é um ritmo,
um modo de vida, um comportamento, diferentes do que
vivemos hoje em dia. O filme foi muito criticado pela
montagem, feita por quatro editores que, segundo alguns
críticos, criaram uma confusão fragmentada. Sinto dizer
que eles não entenderam nada... A montagem abrupta,
fragmentada, sem linha narativa óbvia, é um dos trunfos
do filme para colocar o espectador em estranho estado
de percepção. Como bem falou um crítico que li, 'é preciso
um esforço para livrar-se da pobreza gramática narrativa
do cinema moderno, para mergulhar numa poesia visual
alienígena para as platéias atuais'. O esforço vale a pena.

Ou seja, não é cinema para quem quer passar quase três
horas lentas, ao som de silêncios e arrebatora música clássica
(Wagner e Mozart) , com baldes de pipoca e coca-cola.
Sobre o elenco, vale notar que Terrence Malick sempre
trabalha com os grandes nomes de Hollywood, uma forma
de viabilizar comercialmente seus projetos. Colin Farrell
está OK, limitado como ator, mas filmado pela câmera
de Malick mais pela sua presença física e masculinidade,
contrastando com a beleza delicada e exuberante da novata
Q'Orianka Kilcher, a verdadeira estrela do filme, devorada
com inspiração pela câmera apaixonada de Malick. Christian
'Batman' Bale participa do terço final da fita, comprovando
ser um dos melhores atores da nova geração. Fazendo um
cinema 'antiquado', 'hiponga', como dizem seus detratores,
Terrence Malick não poderia ser mais moderno. O Novo
Mundo
é um filme de sensibilidade e estilo pessoal
ousado, original e de uma beleza raríssima no cardápio
cinematográfico dos nossos multiplexes. Não perca.

Visto em 10/04 como convidado da Espaço/Z | PlayArte
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