A ÚLTIMA NOITE     
A Home Prairie Companion EUA 2006 1h45min RT 8,0
de Robert Altman com Meryl Streep, Lily Tomlin, Kevin Kline,
Garrison Keillor, Tommy Lee Jones, Lindsay Lohan,
Woody Harelsson, Virginia Madsen, John C. Reilly
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Opinião Havia prometido a mim mesmo evitar assistir aos
'medalhões' nessa Mostra SP e dar preferência aos filmes que
provavelmente nunca entrarão em cartaz comercialmente no
Brasil. Mas... como resistir a inaugurar a maratona com o novo
filme do mestre Robert Altman? Não tem como. A Última Noite
é mais uma jóia de filme desse monstro sagrado do cinema
americano. Sempre independente e autoral, os filmes
de Altman nunca foram pra todos os gostos e só conseguem
entrar no circuito devido aos maravihosos elencos que ele
consegue reunir. A Última Noite narra, quase em tempo real,
os acontecimentos de uma última noite de apresentação ao vivo de um tradicional programa de rádio, que dá o título original
do filme. Como é um tremendo equívoco dizer que seu filme
anterior De Corpo e Alma (The Company, 2003) era um filme
sobre dança, também o será dizer que A Última Noite
é sobre um programa de rádio. Um olhar menos bitolado
logo verá que trata-se de um filme sobre a Vida, sobre
o Tempo, como somente Robert Altman sabe filmar.
Passeando pelo auditório onde acontece o evento, a câmera
de Altman desliza graciosa como que suspensa por um balão, capturando os diálogos entre inúmeros personagens nos bastidores e levando o espectador para assistir os números musicais country tão cafonas quanto honestos de duplas
de cantores locais. O programa de rádio é real e, embora antiquado e ingênuo para os dias de hoje, permanece no ar numa rádio pública do estado de Minnesota. O apresentador verdadeiro, o estranho e impagável Garrison Keillor, interpreta a si mesmo no filme, brilhando num roteiro que alinhava e abraça vários personagens, interpretados belamente por atores como Meryl Streep, Kevin Kline e até a musa teen Lindsay Lohan, como a filha de Meryl Streep, uma garota contemporânea que fica deslocada em meio a tantos personagens que parecem viver numa 'dobra temporal'.
Em tom de comédia esperta, Altman coloca em cena uma 'anja'
gostosíssima na pele de Virginia Madsen. Embora seja uma trama paralela fantasiosa e simbólica que não funciona lá
muito bem, não chega a comprometer o todo, que é de uma leveza encantadora, incluindo vários números que tornam
o filme quase um musical, com o toque de maestria inigualável desse senhor que nos deixou aos 81 anos e entendia como poucos hoje em dia o que é essencial para se fazer bom cinema. Um dos melhores Altmans desde Short Cuts - Cenas
da Vida, de 1993, remete também a uma de suas grandes obras-primas, Nashville, de 1975. Para quem gosta do cinema de Robert Altman, A Última Noite é mais um filme prazeroso
e imperdível, de uma generosidade humana imensa para
com os seus personagens. Acho que rende mais uma indicação nesse Oscar 2007 de melhor diretor para Altman, mesmo que póstuma. Ele recebeu ano passado um Oscar 'consolação'
pelo conjunto de sua obra. What a shame, Hollywood... |