vicioo

001 À Prova de Morte
002 Zodíaco
003 Amantes Constantes
004 Cartas de Iwo Jima
005 BUG - Possuídos
006 O Céu de Suely
007 O Hospedeiro
018 Superbad
009 BORAT!
010 O Homem Duplo

001 Caché
002 Brokeback Mountain
003 Reis e Rainha
004 O Novo Mundo
005 As Chaves de Casa
006 O Homem-Urso
007 Miami Vice
008 O Labirinto do Fauno
009 A Última Noite
010 Munique

001 Marcas da Violência
002 Menina de Ouro
003 A Menina Santa
004 Antes do Pôr-do-sol
005 Oldboy
006 Cinema,Aspirinas e Urubus
007 Sideways
008 Closer - Perto Demais
009 O Virgem de 40 anos
010 O Abraço Partido

001 Encontros e Desencontros
002 Elefante
003 As Bicicletas de Belleville
004 Kill Bill
005 Sob a Névoa da Guerra
006 Na Captura dos Friedmans
007 De Corpo e Alma
008 Má Educação
009 Escola de Rock
010 Adeus, Lenin!
 

ZODÍACO
Zodiac EUA 2007 2h40min RT 8,7
de David Fincher com Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr.

Opinião Eis aqui o tipo de filme que eu gosto mais cada
vez que penso nele, embora tenha achado a sessão um tanto
exaustiva. David Fincher ficou famoso pela direção virtuosa
de Seven (filme que não acho lá grande coisa) e Clube da Luta
(filme quase subversivo dentro de Hollywood). O Quarto
do Pânico
parecia anunciar que Fincher não passava de mais
um diretor americano vazio, preocupado mais com efeitos
de câmera e ousadias meramente técnicas. Que boa surpresa
ver o que ele fez em Zodíaco! O filme baseia-se em fatos
reais, sobre a onda de terror que varreu a Califórnia no início
dos anos 70 por conta de um maníaco assassino que parecia
não seguir um padrão lógico, enviava mensagens para
os jornais detalhando seus crimes e anunciando os próximos
e nunca foi pego pela polícia norte-americana. O filme foi
um tremendo fracasso nas bilheterias americanas no começo
desse ano e não é preciso explicar aqui o motivo. Não por
acaso, a crítica recebeu o filme muito bem (Cannes 2007
incluso) e compara-o mais a filmes como Todos os Homens
do Presidente
(dos anos 70, sobre investigação do escândalo
político Watergate) do que a 'filmes de serial killer'.

Um suspense policial que não tem o desfecho clássico:
a captura (e revelação) do assassino? Como fazer um produto
hollywoodiano que caiba nessa premissa? David Fincher,
revelando-se um cineasta amadurecido, filmou o roteiro
de James Vanderbilt pelo foco documental. Concentra-se,
com uma riqueza de detalhes impressionante, no relato
da investigação, a partir de três personagens centrais:
Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal, apenas correto), um
cartunista que desenvolveu obsessão pessoal pelo caso
e é o autor dos dois livros que inspiraram o filme, Paul Avery
(Robert Downey Jr., em atuação 'maluquinho' carimbada)
um repórter que teve a sua vida destruída pela relação
próxima com o misterioso assassino e o detetive Dave
Toschi (Mark Ruffalo, excelente), que ganhou fama no caso
e inspirou na época o célebre Dirty Harry de Clint Eastwood.
O elenco, predominantemente masculino, tem vários nomes
famosos em participações pequenas. Vale destacar a única
mulher com papel maior em cena, Chloe Sevigny (Dogville,
Meninos Não Choram, The Brown Bunny), como a esposa
de Graysmith, cujo casamento foi prejudicado pelo caso.

Um capítulo a parte é a reconstituição meticulosa de época,
cobrindo desde o final dos anos 60 até os anos 80, quando
o caso foi arquivado. Somado à sóbria direção de fotografia
de Harry Savides (Seven, Elefante), filme captura perfeitamente
o clima dos anos 70, com brilhante trilha sonora e evitando
clichês dos 'anos 70 no cinema' (nada de flower power
em cena). Dessa vez, o virtuosismo técnico de David Fincher
evita exibicionismo. Se o filme aproxima-se do documentário,
não espere aqui câmera tremida ou imagem granulada. Pelo
contrário, a técnica aqui é discreta, está sempre a serviço
da história contada. Os assassinatos, mostrados em poucas cenas, são assustadores, enervantes, e vão na direção
oposta da espetacularização fácil hollywoodiana. Curioso
ainda é imaginar platéias mais jovens vendo uma investigação
policial sem celulares, computadores, hackers etc.

Se o filme, na sua longa duração, incomoda, parece andar
em círculos, confuso, ou não seguir uma linha narrativa tradicional, isso acontece, acima de tudo, porque assim também
foi o caso, indecifrável, cada vez mais escorregadio, sem espaço para glamourização do assassino como uma 'mente inteligente'. Efeito após a sessão realmente perturba o espectador,
me deixou curioso pra saber mais ainda sobre o caso, sobre
gente real que teve a vida consumida e entortada diante
de tanta impotência em parar o assassino, celebrizado como Zodíaco. E, no lugar de voltar pra casa na certeza de que
o Mal foi punido, o serial killer foi pego, o caso foi resolvido
com uma ajuda divina e a diversão foi estanque, o filme deixa
uma sensação desagradável de insegurança e caos, de que
everything is NOT going to be OK. Muito bom. Cinemão.

Visto em 29/05 como convidado da UCI Cinemas | Warner Bros
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